2. BÖLÜM: YENİ PAZARLAMA YÖNELİMLERİ VE GERÇEK
2.2. Pazarlama İletişimi Kavramı
2.2.1. Pazarlama İletişimi Süreci ve İletişim Kavramı
Durante quatro séculos o processo de ocupação do território brasileiro, marcado pela perspectiva européia do “novo mundo”, considerou a água como um recurso infinito. No início do século XX, com a tendência de crescimento do setor industrial e da conseqüente necessidade de aproveitamento dos recursos hidroenergéticos, começaram a surgir medidas reguladoras concretas. O Decreto n.º 24.643, de 1934, que instituiu o Código das Águas, é um claro exemplo da nova postura assumida pelo Estado brasileiro no contexto da política de industrialização.
No período colonial a economia brasileira baseava-se na exploração intensiva de recursos naturais e nas monoculturas que utilizavam mão-de-obra escrava. É sabido que sucessivos ciclos mercantis, tais como os do pau-brasil, do açúcar, do ouro, da borracha e do café foram promovendo a ocupação não planejada das diversas regiões brasileiras, gerando efeitos antrópicos negativos sobre os ecossistemas e a população autóctone.
Durante o período monárquico, a oferta hídrica à população já não era satisfatória. Segundo Rodrigues da Silva (1998), a água era transportada por escravos ou comprada de vendedores (pipeiros). Com o crescimento das cidades, a população mais carente tinha que realizar longos deslocamentos por falta de chafarizes próximos. Além disso, alguns chafarizes eram explorados por companhias particulares que comercializavam a água. Assim, somente uma minoria da população se beneficiava com a disponibilidade pública de água.
Na primeira fase do período republicano (Primeira República), os serviços de abastecimento de água e esgotos estavam sob o encargo do Estado e cobriam ainda apenas os núcleos centrais urbanos e atendiam uma pequena parcela da população. Os serviços de infra-estrutura eram feitos por intermédio de concessão e eram dominados por empresas inglesas. Segundo Baer apud Rodrigues da Silva (1998), tal situação se prolongou até as primeiras décadas do
século XX quando o Brasil experimentou uma fase de relativo avanço da industrialização no contexto da Primeira Guerra Mundial.
Até essa época, os mecanismos de apropriação dos recursos hídricos estavam vinculados à atividade agrícola, sendo que a propriedade da água estava associada à da terra. A partir dos anos 1920 surgiram novos interesses e necessidades e, assim, foram criadas as condições para se dissociar a apropriação da terra com a da água. Essa tendência culminou com a aprovação do Código das Águas em 1934.
Para Lacorte (1994, p.24),
“[..]. são os interesses do setor urbano-industrial que prevalecem neste momento, forçando o Estado a regulamentar a propriedade da água para, ao dissociá-la da propriedade da terra, remover os obstáculos legais que impediam ou restringiam o aproveitamento de seu potencial hidrelétrico e [...] limitavam a produção da energia necessária à expansão das manufaturas”.
O Código das Águas é, portanto, um marco importante em termos de regulamentação do uso da água no Brasil. Em termos de qualidade hídrica, por exemplo, determinava que "a ninguém é lícito conspurcar ou contaminar as águas que não consome, com prejuízo de terceiros..." e previa que os infratores custeariam os trabalhos para a salubridade das águas, além da responsabilidade criminal. Nas áreas saneadas, o proprietário deveria indenizar os trabalhos feitos através do pagamento de uma taxa de melhoria sobre o acréscimo do valor dos terrenos saneados.
O Código teve a preocupação de estabelecer que em todos os aproveitamentos de energia hidráulica deveriam ser satisfeitas exigências acauteladoras dos interesses gerais. Nesse sentido, destinava especial importância à questão da alimentação e necessidades das populações ribeirinhas, salubridade pública, navegação, irrigação, proteção contra as inundações, conservação e livre circulação de peixes, escoamento e rejeição das águas. É bom lembrar que quase sempre tais exigências não foram cumpridas na totalidade. O não cumprimento das leis referentes à livre circulação de peixes é um claro exemplo disso.
A partir do Código das Águas surgiram decretos reguladores, destacando-se o nº. 13, de 15 de janeiro de 1935, que organizou os registros de aproveitamento de energia hidráulica. Em
1939, através do Decreto-Lei 1.699, foi criado o Conselho Nacional de Águas, cujas competências se restringiam à energia elétrica (RODRIGUES DA SILVA, 1998).
Ao longo das décadas de 1970 e 1980 a acelerada urbanização do país demandava muita água e energia para atender adequadamente a crescente população. Começou então um despertar para as ameaças impostas pelos problemas relacionados ao uso da água. Em 1988 a Constituição Federal propôs a criação de um sistema nacional específico para a gestão dos recursos hídricos. O Código das Águas não incorporava meios eficazes para dar combate à contaminação e conflitos de uso, tampouco para promover os meios de uma gestão descentralizada e participativa conforme já implantada em vários países. Para atender a essas necessidades, debateu-se exaustivamente quase 10 anos até que em 1997 foi criado um novo dispositivo legal que é a Lei 9.433, promulgada em janeiro de 1997.
A nova Lei que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos, regulamentando assim o art. 21 da Constituição Federal. Na realidade, complementou o Código das Águas e trouxe uma série de inovações com o objetivo de dar mais dinamismo, transparência e eficiência à gestão dos recursos hídricos do Brasil.
Percebe-se, assim, que a atual Política Nacional de Recursos Hídricos resulta da própria evolução sócio-econômica do país. Entretanto, ela também foi fortemente influenciada por fatores externos, principalmente pelos princípios apontados em ocasião da segunda Conferência Internacional sobre Água e Meio Ambiente organizada pela ONU e realizada em Dublin, Irlanda, em Janeiro de 1992, poucos meses antes da Conferência do Rio, de Junho de 92. A Conferência de Dublin, que foi também preparatória da RIO’92, teve grande repercussão e apontou definitivamente a gravidade da situação dos recursos hídricos no mundo (RODRIGUES DA SILVA, 1998).
A Declaração de Dublin apresentou um enfoque novo sobre a avaliação, aproveitamento e gestão dos recursos hídricos, principalmente da água doce. Afirma que a sustentabilidade quanto ao uso da água somente seria atingida mediante um compromisso político e a participação dos governos em conjunto com a sociedade civil e com as comunidades
envolvidas. Os participantes da Conferência produziram recomendações e um programa de ação denominado “A Água e o Desenvolvimento Sustentável”.
O primeiro Princípio da Declaração de Dublin afirma que “a água doce é um recurso finito e vulnerável, essencial para garantir a vida, o desenvolvimento e o meio ambiente”. A Conferência explicitou muito claramente a relação entre a água e a diminuição da pobreza e das doenças; a proteção e as medidas de proteção contra os desastres naturais; a conservação e o reaproveitamento da água; o desenvolvimento urbano sustentável; a produção agrícola e o fornecimento de água potável ao meio rural; a proteção dos sistemas aquáticos e as questões transfronteiriças. Foi também reconhecida a existência de conflitos geopolíticos derivados da posse de bacias hidrográficas.
Podemos, então, afirmar que a Lei Federal da Política Nacional de Recursos Hídricos, Lei 9.433/97, é fruto de uma demanda surgida com a própria evolução social e econômica do país e é inspirada no programa de ação da Conferência de Dublin e também em experiências estrangeiras (francesa, principalmente). A figura 6 apresenta o organograma do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos.
Fonte: ANA (2002, p.8)