• Sonuç bulunamadı

HONG KONG SERMAYE PİYASASI

A. Ana Pazar

Deparamos-nos agora com uma questão de vital importância no ato de apreensão da correta significação que se deve dar às normas jurídicas, levando-se em consideração que elas mantém entre si relações de

subordinação e coordenação, todas confluindo para a norma fundamental da qual a Constituição obtém o seu fundamento de validade. É justamente na Constituição Federal, norma de hierarquia superior e orientadora de todas as demais normas do sistema que lhe são inferiores, que vamos encontrar os princípios jurídicos.

Discorrendo acerca dos princípios jurídicos, Roque Carrazza assim define:

princípio jurídico é um enunciado lógico, implícito ou explícito, que, por sua grande generalidade, ocupa posição de preeminência nos vastos quadrantes do Direito e, por isso mesmo, vincula, de modo inexorável, o entendimento e a aplicação das normas jurídicas que com ele se conectam.14

Com efeito, os princípios são encontráveis em todos os escalões da “pirâmide jurídica”. Assim, podemos identificar princípios constitucionais, legais e até mesmo infralegais; contudo, os constitucionais, sem dúvida alguma, são os de maior relevância, na medida em que sobrepairam aos outros princípios e regras, inclusive às contidas na Constituição Federal.15

O princípio dentro de nosso ordenamento possui uma função especificadora para a exegese e perfeita aplicação dos atos normativos. Também não passa de ser uma norma jurídica qualificadora, posto que possui um âmbito de validade maior e orienta a atuação de outras normas, ainda que sejam de níveis constitucionais.16

_________________

14

Leciona Paulo de Barros Carvalho17 que os princípios são linhas diretivas que auxiliam na compreensão dos setores normativos, imprimindo caráter de unidade relativa que serve de fator de agregação num dado feixe de normas, e podem ser encontrados de maneira expressa ou implícita sem considerar algum tipo de supremacia entre eles. Para o objeto do nosso trabalho, cabe-nos analisar o princípio da igualdade e da capacidade contributiva, no intuito de avaliarmos se as normas atributivas de responsabilidade tributária dos sócios e dirigentes de pessoas jurídicas estão em consonância cosigo mesmos.

É essencial para o desenvolvimento do presente trabalho, definirmos alguns princípios constitucionais e outros direcionados à orientação das normas tributárias e, especificamente, das normas relativas à sujeição passiva tributária. São eles:

Princípio da justiça: É tido como uma diretriz suprema, utilizado para implementar outros princípios, motivo pelo qual é considerado como sobreprincípio na medida em que as unidades normativas o proclamam.

Princípio da certeza do direito: Também considerado como sobreprincípio, é algo que está na própria raiz do dever-ser, sendo incompatível imaginá-lo sem determinação específica. Elege a certeza como postulado indispensável para uma harmoniosa convivência social.

Princípio da segurança jurídica: Coordena o fluxo das interações inter-humanas visando a propagar, no seio da comunidade social, a previsibilidade quanto aos efeitos jurídicos da regulação da conduta humana. _________________

17

Princípio da irretroatividade das leis: Princípio que garante a certeza do direito, alcançando o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada, sendo, portanto, considerado como norma superior que estabelece limites, objetivos – artigo 5º, XXXVI da CF/88.

Princípio da universalização da jurisdição: Estampado no artigo 5º, XXXV, tal princípio garante a todos, a tutela jurisdicional do Estado com o propósito de assegurar a aptidão da coisa julgada.

Princípio que consagra o direito de ampla defesa e o devido processo legal: Instrumento básico para garantir a preservação dos direitos e garantias; esse princípio está previsto no artigo 5º, LV, onde aos litigantes, em geral, está garantido o devido processo legal.

Princípio que afirma o direito de propriedade: Insculpido no artigo 5º, XXII e XXIV da CF/88, o princípio da propriedade aloja situações materiais que sofrem impacto tributário, motivo pelo qual deve ser guarnecido de proteção constitucional.

Já considerando os princípios constitucionais tributários, temos:

Princípio da estrita legalidade: Trata-se de princípio que determina a introdução de regras tributárias sempre por meio de lei no seu sentido lato. No que concerne ao princípio da estrita legalidade, sua abrangência acaba sendo maior, na medida em que estabelece a necessidade de que a lei traga no seu bojo elementos descritores do fato jurídico e os dados prescritivos da relação obrigacional.

Princípio da anterioridade: Tal princípio determina que a lei que instituir ou majorar um tributo só poderá ser aplicada no ano seguinte, para tanto, o respectivo diploma legislativo deve ser publicado no período que antecede o início do exercício financeiro em que se pretenda efetuar a cobrança.

Princípio da irretroatividade da lei tributária: Esse princípio existe para proteger situações já ocorridas e, visando a, de toda sorte, proteger o direito adquirido, o ato jurídico perfeito e a coisa julgada. Assim, seu reconhecimento impede que o ente tributante venha tomar iniciativas tributárias no sentido de atingir fatos passados.

Princípio da tipologia tributária: Através desse princípio, será possível verificar a definição do tipo tributário pela sua integração lógico- semântica, por meio de dois fatores: hipótese de incidência e base de cálculo. Diante desses fatores, na medida em que foram adequadamente isolados, será possível credenciar determinado tributo em imposto, taxa ou contribuição de melhoria, bem como anunciar seu tipo tributário.

Princípio da proibição de tributo com efeito de confisco: Nada obstante tratar-se de um princípio que carece de linhas demarcatórias no que concerne ao conceito do limite o qual incide o inciso IV, do artigo 150 da CF/88, a nota principal repousa no sentido de que a carga tributária tem limite.

Princípio da vinculabilidade da tributação: Ainda que exista uma série de atos discricionários da atividade administrativa, a relevância desse princípio se dá àqueles acontecimentos de maior importância, ou seja, os que dizem respeito aos fins últimos da pretensão tributária, sendo pautados por uma estrita vinculabilidade.

Princípio da uniformidade geográfica: Aqui se trata de um princípio cuja tradução é o sentido de determinar que os tributos instituídos pela União sejam uniformes em todo o território nacional, de modo que tal postulado deve ser aplicado aos demais entes para que não haja prejuízo entre eles.

Princípio da não-discriminação tributária, em razão da procedência ou do destino dos bens: Tal princípio determina que as pessoas tributantes estão impedidas de graduar seus tributos, levando-se em conta a região de origem dos bens ou do local para onde se destinem.

Princípio da territorialidade da tributação: A observância desse princípio é condição determinante para o bom funcionamento do Estado de direito, na medida em que o poder vinculante de uma lei ensejará que seus efeitos jurídicos deverão respeitar os limites geográficos da pessoa política que a editou.

Princípio da indelegabilidade da competência tributária: Lembrando sempre que transferir capacidade ativa não é transferir competência tributária, o legislador, ao definir a incidência do imposto, já terá esgotado sua competência, pelo que somente poderá passar adiante a sua capacidade para ser sujeito ativo. Assim, a transferência de competência para instituir determinado tributo é vedada.

Princípio da igualdade: Contido no artigo 5º, caput, da Constituição Federal, tem como destinatários os órgãos da atividade legislativa, não sendo de fácil determinação, nada obstante sua grande importância.

Princípio da capacidade contributiva: Fonte principal de critérios discriminatórios, conforme o qual os impostos serão graduados e personalizados segundo as possibilidades econômicas do contribuinte.

Passaremos à analise da responsabilidade tributária no âmbito da teoria geral do direito tributário, momento em que retornaremos à análise do princípio da capacidade contributiva e de sua relação com a responsabilidade tributária dos sócios e dirigentes de pessoas jurídicas de direito privado.

Benzer Belgeler