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KURULUŞLARA İLİŞKİN ESASLAR HAKKINDA TEBLİĞDE DEĞİŞİKLİK YAPILMASINA DAİR

DÜZENLEME DEĞİŞİKLİKLERİ

KURULUŞLARA İLİŞKİN ESASLAR HAKKINDA TEBLİĞDE DEĞİŞİKLİK YAPILMASINA DAİR

Expusemos acima as relações de subordinação e coordenação existentes entre as normas jurídicas, todas confluindo para a norma fundamental, da qual a Constituição obtém o seu fundamento de validade. Também apresentamos a conceituação de alguns princípios constitucionais pertinentes ao objeto do presente trabalho, e discorremos acerca da importância destes no ato de apreensão da significação que se deve dar às normas jurídicas.

Entretanto, em virtude da importância que o princípio da capacidade contributiva representa para a compreensão do objeto do nosso estudo, entendemos pertinente abordá-lo com maior profundidade.

Na Constituição Federal, enquanto norma de hierarquia superior e orientadora de todas as demais normas do sistema, encontramos os princípios jurídicos. Dentre os quais, o princípio da capacidade contributiva exerce influência sobre as normas definidoras da sujeição passiva tributária.

A necessidade do estudo do princípio da capacidade contributiva reside no argumento de grande parte da doutrina de que somente o contribuinte pode ocupar o polo negativo das relações jurídicas tributárias, possuindo a relação do responsável da natureza jurídica diversa da tributária.

Esse princípio encontra-se previsto no parágrafo 1º do art. 145 da Constituição Federal, armado nos seguintes termos:

Art. 145. [...]

§ 1º - Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.

Deflui-se que o princípio da capacidade contributiva é a fonte principal de critérios discriminatórios, segundo o qual os impostos serão graduados e personalizados conforme as possibilidades econômicas do contribuinte. No entanto, refere-se aos fatos presuntivos de riqueza, na terminologia de Alfredo Augusto Becker43, e não às condições reais de cada contribuinte considerados per si. Nesse sentido, ensina-nos Roque Carrazza44:

A capacidade contributiva à qual alude a Constituição e que a pessoa política é obrigada a levar em conta ao criar, legislativamente, os impostos de sua competência é objetiva, e não subjetiva. É objetiva porque se refere não às condições econômicas reais de cada contribuinte, individualmente considerado, mas às suas manifestações objetivas de riqueza (ter um imóvel, possuir um automóvel, ser proprietário de jóias ou obras de arte, operar em Bolsa, praticar operações mercantis etc.).

Pelo exposto acima, infere-se que o princípio da capacidade contributiva guarda pertinência com as manifestações econômicas do fato gerador relacionado ao contribuinte, o qual possui, com esse fato, relação pessoal e direta.

_________________

43

BECKER, Alfredo Augusto. Teoria geral do direito tributário. 3. ed. São Paulo: Lejus, 1998, p. 497.

44

CARRAZZA, Roque Antônio. Curso de direito constitucional tributário. 19. ed., Rev. amp. e atual, 2a. tiragem. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 80.

Como compatibilizar, então, o princípio da capacidade contributiva com a figura do responsável tributário, sujeito passivo indireto na terminologia da doutrina tradicional, e que não está diretamente relacionado com o fato signo presuntivo de riqueza?

Para tanto, valemo-nos das lições de Alfredo Augusto Becker45 que, ao estudar esse princípio, manifestou as constrições ao conceito do princípio da capacidade contributiva, aduzindo que:

No plano jurídico, a relação entre a carga tributária e o montante da riqueza do contribuinte é feita sempre e exclusivamente em relação a cada tributo tomado isoladamente dos demais.

[...]

A riqueza do contribuinte (que está sendo relacionada com o tributo singular) não é a totalidade da riqueza do contribuinte, mas unicamente um fato-signo presuntivo de sua renda ou de capital.

[...]

A renda ou capital presumido deve ser renda ou capital acima do mínimo indispensável.

Podemos inferir das constrições acima apresentadas que o autor restringe o princípio da capacidade contributiva, ordenando que o legislador tome em consideração o relacionamento entre a carga tributária e o fato-signo presuntivo de riqueza para cada tributo, isoladamente considerado. A segunda constrição foi no sentido de que o fato-signo presuntivo de riqueza não é a totalidade da renda ou capital do contribuinte, mas a riqueza manifestada no fato. A terceira e última constrição veda a tributação sobre o mínimo indispensável ao contribuinte.

Delimitadas as constrições ao princípio, Alfredo Augusto Becker apresentou, em quatro conclusões, o alcance de sua eficácia jurídica. A primeira conclusão a que chegou foi a de que o princípio tem aplicação somente perante o legislador ordinário, o qual deve “escolher para a composição da hipótese de incidência da regra jurídica criadora do tributo, exclusivamente, fatos que sejam signos presuntivos de renda ou de capital”46.

A segunda conclusão, quanto ao alcance da eficácia jurídica do princípio da capacidade contributiva a que chegou Alfredo Becker, foi a de que “o legislador ordinário está juridicamente obrigado a escolher fatos que sejam presuntivos de uma espécie de renda ou de capital acima do mínimo indispensável”47. Esclareceu o autor que o legislador tem “o dever de criar isenções tributárias que resguardem a imunidade tributária do mínimo indispensável de capital e de renda.”48

O terceiro alcance da eficácia jurídica proposto pelo autor 49 foi de que “o legislador ordinário está juridicamente proibido de graduar a alíquota ou ritmar a sua progressividade no sentido inverso da grandeza presumível da renda ou capital do respectivo contribuinte”.

O quarto, e último alcance da eficácia jurídica, na constatação de Becker50, sendo o fundamento que nos interessa para responder a indagação acima efetuada quanto à compatibilização do princípio da capacidade contributiva com a responsabilidade tributária, foi a de que:

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46

BECKER, Alfredo Augusto. Teoria geral do direito tributário. 3. ed. São Paulo: Lejus, 1998, p. 498.

47 Ibidem, p. 499. 48 Ibidem, p. 499. 49 Ibidem, p. 500. 50 Ibidem, p. 500.

Sempre que utilizar o substituto legal tributário, o legislador ordinário está juridicamente obrigado a, simultaneamente, criar a repercussão jurídica do tributo sobre o substituído (aquela pessoa de cuja renda ou capital a hipótese de incidência é fato signo presuntivo), outorgando ao substituto o direito de reembolso ou retenção do valor do tributo perante o substituído.

Assim, tributos instituídos em desatenção ao princípio da capacidade contributiva nos contornos apresentados acima estará eivado de inconstitucionalidade. Quanto à sujeição passiva indireta, temos que caberá ao legislador criar mecanismos de repercussão jurídica, outorgando ao substituto o direito de reembolso ou retenção do valor do tributo perante o substituído.

Em relação à responsabilidade tributária dos sócios-gerentes ou administradores de pessoas jurídica, nos termos propostos pelo art. 135 do CTN, temos que por se tratar de uma responsabilidade pessoal atribuída como sanção decorrente de ato ilícito, como veremos no capítulo seguinte, a ela não se aplica o princípio da capacidade contributiva.

Benzer Belgeler