1.2 Havayolu Đşletmelerinde Pazarlama Faaliyetleri
1.2.2 Pazar Araştırması
Muitos fotógrafos foram atraídos para as cidades do café, que também vivenciavam processos de transformação dos espaços rurais e urbanos, para registrarem/documentarem o que era compreendido como um processo contínuo e irreversível de modernização.
Acreditamos que voltar nossos olhares para esta documentação fotográfica pode contribuir com os ainda esparsos estudos sobre os fotógrafos e os usos da fotografia nesta região. Um grande mérito a ser registrado é o trabalho de catalogação de grande parte das imagens disponíveis no Arquivo Municipal de Ribeirão Preto, possibilitando não só o acesso a essas imagens, mas também às informações importantes sobre sua origem.
Para a análise da trajetória da fotografia em Ribeirão Preto, a partir da atuação de seus fotógrafos, foram selecionadas fontes de diferentes naturezas: fontes escritas, fontes manuscritas e fontes iconográficas. As fontes escritas compõem-se, basicamente, dos jornais A Cidade e Diário da Manhã, ricos em informações ligadas ao circuito de produção da
fotografia na cidade, das revistas e almanaques locais. As fontes manuscritas encontradas no Arquivo Municipal são os registros de lançamentos de impostos (1900-1910), Livro de indústria e profissões (1920), algumas notas fiscais emitidas pelos fotógrafos, uma licença para construção de ateliê fotográfico do ano de 1929, em nome do fotógrafo Gentil Oliveira e o processo de falência do fotógrafo Aristides Motta. As fontes iconográficas compõem-se das fotografias (originais ou cópias) produzidas por estes fotógrafos, localizadas no Arquivo Municipal.
Também fazem parte das fontes iconográficas as ilustrações representando aspectos da prática fotográfica, como os equipamentos encontrados em anúncios e as publicações que trazem imagens fotográficas em sua forma original ou impressa, documentando aspectos do passado, como os já citados jornais, revistas e álbuns. Um manual de fotografia intitulado Le Figaro Photographe, encontrado no Arquivo Municipal é outra interessante fonte de informações sobre os temas relacionados à prática fotográfica no período.
As especificidades da produção fotográfica em Ribeirão Preto, como a cronologia dos fotógrafos atuantes, os assuntos que foram objeto da fotografia e as tecnologias utilizadas, serão analisadas em diálogo com a trajetória da fotografia no Brasil. As pesquisas de Boris Kossoy e Ana Maria Mauad, que buscam desvendar o universo ainda pouco conhecido da prática fotográfica no Brasil, auxiliam nessa análise.
Além de autores, os fotógrafos também compõem uma categoria social e o grau de domínio das técnicas e linguagens fotográficas variam de acordo com os objetivos a serem alcançados. Lembrando que, no início da prática fotográfica, manipular uma câmera exigia conhecimentos mínimos dos códigos socialmente estabelecidos para a produção de imagens possíveis de serem compreendidas; e também a manipulação de pesados equipamentos, além da produção de todo o material de trabalho, como a sensibilização de chapas de vidro174.
Segundo Mauad, os fotógrafos podem ser classificados em três categorias, de acordo com as mediações culturais que sua condição social permitia: amadores, profissionais e os “batedores de chapa”:
(...) aosbatedores de chapa ficaram reservadas as publicidades das fábricas de filmes e câmeras, e, ao venderem seus produtos, ensinavam a utilizá-los de modo correto, desenvolvendo uma pedagogia do olhar nos semanários ilustrados. Aos amantes da fotografia foi dado o privilégio dos espaços exclusivos dos foto-clubes, abertos para os iniciados nas artes pictóricas. Já os profissionais da fotografia, categoria mais complexa, evidenciavam as tensões entre ver e representar, próprias do circuito de informação da imprensa contemporânea, e seus contatos com as experimentações
174MAUAD, Ana Maria. Na mira do olhar: um exercício de análise da fotografia nas revistas ilustradas cariocas, na primeira metade do século XX. Anais do Museu Paulista, v. 13, n. 1,2005.
visuais das vanguardas artísticas novecentistas — no Brasil, traduzidas notadamente pelo concretismo175.
O grupo social ao qual o fotógrafo serve, especialmente no caso do fotógrafo profissional, também compõe o quadro dos meios técnicos de produção cultural de determinado período/local. No Brasil, até aproximadamente a década de 1950, este controle pertencia às elites dominantes176.
Neste estudo, consideramos como fotógrafos profissionais aqueles que, independente do estágio de aperfeiçoamento de suas técnicas, viveram da atividade de fotografar, mantendo na cidade ateliês ou estúdios voltados a essa prática, ou trabalhando como ambulantes. Muitas vezes, a atividade de fotógrafo não era a única exercida por estes profissionais. Diferente dos fotógrafos amadores, que tinham mais liberdade para escolher seus temas e estilos, as fotografias por eles produzidas deveriam atender às necessidades dos clientes.
Um estudo pioneiro sobre as primeiras fotografias produzidas em Ribeirão Preto (retratos), realizado por Maria Elízia Borges, aponta para a presença de fotógrafos profissionais na cidade a partir do ano de 1894, quando Deothenes de Paula Barreto aparece identificado como fotógrafo em um documento oficial (como testemunha de um atestado de óbito), mas não foram encontrados outros materiais que permitam precisar se ele atuou profissionalmente e por quanto tempo teria permanecido na cidade. Em 1902, o alemão João Passig, irmão de Francisco Passig, antigos proprietários da Photographia Allemã, instalada em São Paulo em 1888, já aparece qualificado como fotógrafo em lista de eleitores. Seu irmão, Franscisco Passig, teria aberto um ateliê na cidade de Franca no mesmo período177.
A documentação fiscal a que tivemos acesso informa que João Passig exercia atividade ligada à fotografia desde o ano de 1891, na Rua Amador Bueno178. O último registro fiscal encontrado foi do ano de 1905, também na Rua Amador Bueno, n° 22179. Um anúncio
do ano de 1899 afirmava ser a Photographia Passig a mais antiga da cidade, estando aquele ateliê, na Rua Amador Bueno n°100, completando um ano (existiria, portanto, desde 1898). Ainda segundo o anúncio, o fotógrafo trabalhava das dez da manhã até às quatro da tarde e
175 MAUAD, Ana Maria . O olhar engajado: fotografia contemporânea e as dimensões políticas da cultura visual. ArtCultura, Uberlândia, v. 10, n. 16, jan-jun. 2008, p 36.
176 MAUAD, Ana Maria, op.cit. 2005.
177BORGES, Maria Elízia. A fotografia: seu aparecimento e expansão na capital do café no período da Primeira República. p.120. Revista de Comunicação e Artes. São Paulo, v.17, p-119-131, 1986.
178 Livro Intendência Municipal, Alvarás de Licença 1891 a 1903 (: pág. 51 – exercício 1894, n. ordem 231 (n. alvará 231), espécie de comércio photographia- João Passig na rua Amador Bueno; p. 5, exercício 1891 – João Passig – fotógrafo – rua Amador Bueno, n. ordem 117; p. 20, exercício 1892, – João Passig – fotógrafo – rua Amador Bueno, n. ordem 47). Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto.
também atendia aos pedidos de fora da cidade, realizando “todos os trabalhos concernentes a arte, com nitidez e perfeição” 180.
Até o presente momento, os registros oficiais da atuação de Passig como fotógrafo profissional na cidade são realmente os mais antigos, com diferentes endereços na Rua Amador Bueno. A estratégia de ressaltar nos anúncios seu pioneirismo como fotógrafo mais antigo com ateliê na cidade pode ser compreendida como uma garantia oferecida ao cliente de sua experiência e domínio do ofício, que contava com mais concorrentes com o passar dos anos. Outra informação importante que pode ser depreendida pela leitura do anúncio é o domínio da técnica e equipamentos adequados que possibilitavam a realização de fotografias fora do ateliê, inclusive fora do perímetro urbano. As possibilidades se expandem para além das fotos posadas em estúdios: fotografias de eventos públicos na cidade, fotografias de eventos diversos em fazendas, como batizados, casamentos, encontros políticos, etc.
Registro considera Passig o primeiro fotógrafo a conciliar as atividades de estúdio com a fotografia urbana e rural em Ribeirão Preto. Infelizmente, suas fotografias originais, do período entre 1890 a 1905, não foram localizadas, mas existem no arquivo cópias da segunda geração das imagens expostas na cidade em 1981181.
Entre as fotografias realizadas por Passig encontram-se também alguns registros de sua família no ambiente doméstico. A foto da fachada de seu ateliê (fotografia n 017), de 1899, chama a atenção por permitir visualizar parte da rua, ainda sem calçamento, com traçado irregular e alguns sinais de arborização. De aspecto modesto, o prédio, ao que tudo indica (fotografia de seu interior), também servia de residência para a família.
180Jornal O Reporter 10/02/1899. Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto.
181REGISTRO, Tânia Cristina. História da fotografia-Levantamento documental sobre a fotografia em Ribeirão Preto (1890-1950).Ribeirão Preto, dezembro de 2006, p, 17.
Imagem 12- Ateliê e residencia de João Passig em Riveirão Preto. Autor: PhotographiaPassig, 1899.
Acervo: Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto.(APHRP- 017).
Imagem 13- Anúncio Photographia Passig, 1898.
Imagem 14- Exemplo de identificação do fotógrafo: PhotographiaPassig- 1890.
Acervo: Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto
Imagem 15- Exemplo de identificação do fotógrafo: PhotographiaPassig.
Acervo: Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto
Existem registros da atuação de Emilio Travers, desde o ano de 1891 até 1903, com negócio de hotel, botequim e fotografia na Rua General Osório. No entanto, apenas uma fotografia de sua autoria, o retrato de um famoso criminoso da época, foi identificada182.
Um levantamento realizado por Registro para orientar a identificação e catalogação de fotografias do acervo do Arquivo Municipal de Ribeirão Preto e seus usos enquanto documentos fotográficos traz uma pequena biografia dos fotógrafos atuantes na cidade, durante o período compreendido entre 1890 e 1950183.
Neste relatório constam dados sobre o fotógrafo Flósculo de Magalhães, autor de inúmeras fotos dos espaços urbanos e paisagens rurais locais entre, aproximadamente, 1891 e 1914. A documentação fiscal citada permitiu a localização dos ateliês do fotógrafo entre 1909/1913, na Rua Amador Bueno n°. 90 e n°. 96 e, em 1922, na Rua Amador Bueno n°. 68184. Kossoy afirma que Flósculo de Magalhães atuou, entre 1886 e 1891, nas cidades do Recife, João Pessoa e no Rio de Janeiro em 1919185.
A experiência adquirida nas grandes cidades do Brasil servia de chamariz para conquistar a freguesia ribeirãopretana:
182Livro Intendência Municipal, Alvarás de Licença 1891 a 1903: pág. 24. Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto.
183 REGISTRO, 2006, op.cit.
184Ibidem, p.52. Livros Câmara Municipal Indústria e Profissões. Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto.
Photographia Magalhães Antiga Passig
Rua Amador Bueno
O abaixo assignado participa ás exmas. Famílias, aos seus amigos e ao publico em geral que dispondo de muita pratica da arte photographicacomo prova pellascondecoraçõees conquistadas em Pernambuco e no Rio de Janeiro, está apto a executar todo e qualquer trabalho desta arte com perfeição e gosto, garantindo os mesmos.
Flosculo de Magalhães186.
É interessante observar que a vinda de Flósculo de Magalhães para Ribeirão Preto coincide com o período de maior crescimento econômico e transformações urbanas locais. Sua passagem por algumas capitais do Nordeste antes de se deslocar para o Estado de São Paulo pode estar ligada à tardia iniciação da atividade fotográfica por aqui (depois do Rio de Janeiro e das cidades do Nordeste). Mesmo na capital, a fotografia só teve um impacto comercial a partir da década de 1870, quando as vistas fotográficas da cidade, de ferrovias e da natureza passam a ser comercializadas187. As fotografias realizadas por este fotógrafo,
analisadas em nosso trabalho, mostram aspectos da cidade no início das remodelações urbanas: a Santa Casa em construção, os trabalhadores da empresa Banco Construtor Diederichsen & Hibbel e aspectos do centro da cidade.
Nos Róis de Lançamento de Indústrias e Profissões encontramos o registro de Sylvio de Cenzo como fotógrafo no ano de 1896 a 1909, nos seguintes endereços: Rua São Sebastião, n°31; Rua São Sebastião, n°42/A; Rua Saldanha Marinho, n°82; Rua General Osório, n°84188. Nos jornais pesquisados, existem registros da atuação do fotógrafo de origem
italiana Sylvio de Cenzo em Ribeirão Preto entre os anos de 1903 e 1908. No ano de 1903 e 1904 encontramos o registro de Cenzo & Cia, mas não conseguimos localizar mais informações sobre uma possível sociedade.
No acervo do Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto, segundo informações confirmadas pelo levantamento de Registro, consta apenas uma fotografia de autoria do fotógrafo (um grupo de vinte e três homens, não identificados, bem vestidos, em um salão)189.
O fotógrafo Joaquim da Silva Mattos teria atuado na cidade a partir do ano de 1907, até aproximadamente 1912190. As fotografias encontradas são identificadas apenas com as
186Jornal A Cidade, 12/03/1909, n° 1281, Ano V. Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto. Grifos nossos. 187LIMA, Solange. O circuito social da fotografia: estudo de caso- II. In: FABRIS, Annateresa (org). Fotografia: usos e funções no século XIX. São Paulo: Edusp, 1991.
188 Livros Câmara Municipal Indústria e Profissões. Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto. 189REGISTRO, Tânia. 2006. op.cit.p, 24.
iniciais J. S. Mattos ou Mattos. Em outra referência à sua atuação, consta que a fotografia Mattos substituiu a antiga Passig191.
Em 1907 J.S. Mattos anunciava a criação de um Clube Cooperativo de Retratos a Crayon e a Óleo, com capacidade para atender a cem clientes. Os pagamentos semanais davam direito à participação em um sorteio realizado durante trinta semanas; o contemplado tinha direito de escolher o estilo do retrato. Entre os retratados relacionados no estudo de Maria Elízia, estão fazendeiros, membros da elite local e membros da igreja192
A partir da década de 1910, observamos a presença de anúncios de diferentes fotógrafos e produtos fotográficos disponíveis na cidade, indicando que o centro urbano em desenvolvimento oferecia possibilidades de atuação para estes profissionais. Em 1926, um anúncio da Indústria Fotográfica Brasileira, com matriz na cidade do Rio de Janeiro, afirmava que a filial de Ribeirão Preto elaborava fotografias em escala industrial193.
No Almanach Illustrado de Ribeirão Preto de 1913 encontramos uma relação dos fotógrafos atuantes na cidade naquele ano: Aristides Motta, Aristides Mascogni, Ernesto Kühn, Joaquim da Silva Mattos, Francisco Pugliano e João Passig194.
O fotógrafo Aristides Motta, nascido em Rezende, Estado do Rio de Janeiro, em 1880, teria chegado a Ribeirão Preto ainda criança195.Atuou como jornalista e empresário no ramo cultural: foi gerente da casa de espetáculos Politheama, construiu e administrou o Cine- Theatro Odeon e trabalhou com o empresário Cassoulet. Em 1915, mesmo após a falência de seu empreendimento, administrou o Theatro Carlos Gomes196.
Embora os registros fiscais encontrados em seu nome iniciem-se em 1913, quando mantinha ateliê na Rua Amador Bueno, n. 68, localizamos o seguinte anúncio de 1909:
PHOTOGRAPHIA ARISTIDES
DE Aristides Motta-Photographo há 15 annos.
Rua Álvares Cabral n. 24 (pouco adeante do “Paris Theatre”)
Com uma GALERIA PHOTOGRAPHICA toda envidraçada, com todos os effeitos de luz, recentemente construída.
Trabalhos perfeitos com observância dos melhores methodos conhecidos. Especialidade em retratos à Reutlinger e à Rembrandt.
Trabalhos em todos os gêneros, tamanhos e preços. Exposição Permanente
Franqueada a todos quantos queiram visital-a (sic), das 7 da manhã as 8 e meia horas da noite.
191 Jornal Diário da Manhã, 27/10/1907, p. 3. Levantamento elaborado por Mário Moreira Chaves, 1989. 192 BORGES,Maria.op.cit.
193Jornal A Cidade 26/09/1926. Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto.
194Almanach Illustrado de Ribeirão Preto. Ribeirão Preto: Sá, Manaia& Cia., 1913, s.n°. Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto.
195REGISTRO, Tânia. 2006. op.cit.p, 31. 196 Ibidem, p.39.
Arte, elegância e preços moderados. (...)197
No anúncio, Aristides Motta preocupa-se em demonstrar já possuir alguma experiência como fotógrafo (quinze anos) e que seu ateliê dispunha de recursos para bem atender (galeria fotográfica envidraçada, com bons efeitos de luz), além de abrigar uma exposição permanente de fotografias, disponível para visitação. A disponibilidade de horário de trabalho também é destacada, além dos “preços moderados”.
A especialidade em retratos a Reutlinger refere-se à técnica desenvolvida pelo estúdio Reutlinger, fundado em 1850, em Paris, famoso por fotografar pessoas ricas e artistas em ambientes decorados com ornamentos luxuosos. Os retratos desenvolvidos por Léopold Reutlinger, no início do século XX, utilizavam elementos art nouveau e um processo para colorir as imagens, impressas em um cartão. Estes postais, geralmente com retratos de atrizes, tinham um alto custo de produção e de venda198.
Já os retratos à Rembrandt eram inspirados na técnica usada pelo pintor em seus retratos; o fotógrafo utilizava um recurso de luz que tinha por objetivo produzir um efeito dramático intenso, com uma sombra em um dos lados do rosto.
Na continuação do longo anúncio, o fotógrafo diz que não procuraria convencer os clientes da perfeição dos trabalhos realizados em seu ateliê: eles é que deveriam demonstrar essa satisfação, caso contrário, seriam fotografados novamente. Embora não tenhamos encontrado referências sobre os preços praticados, o fotógrafo faz questão de afirmar que realizava trabalhos de arte, sem exigir dinheiro adiantado199.
Em 1914, segundo registros, Motta trabalhava na Rua Álvares Cabral, número 49; em 1925, na Rua Álvares Cabra,l número 39 e de 1933 a 1935, na Rua Álvares Cabral, número 51200.
Motta é autor de inúmeras fotos de eventos públicos, como a inauguração da Herma do Barão Rio Branco, em 1913, e a chegada do Primeiro Bispo à cidade, em 1909, personalidades políticas, artistas e edifícios locais. Algumas cenas do cotidiano da cidade, como a enchente de 1927 e um tumulto, de origem não identificada, em frente a Casa Selles, conhecida por realizar grandes promoções,também estão entre os registros encontrados. Localizamos, ainda, anúncios deste fotógrafo informando sobre a elaboração de trabalhos com
197Jornal Diário da Manhã, 18/11/1909. Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto. 198BOURGEON, Jean-Pierre. Les Reutlinger: photographes à Paris 1850-1937. Paris, 1979. 199Jornal Diário da Manhã, 18/11/1909. Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto. 200REGISTRO, Tânia. 2006. op.cit.p, 39.
gravuras e ilustrações para jornais e revistas, no final da década de 1920. Em tais anúncios, encontramos informações sobre a abertura de seu ateliê ainda em 1900201.
Uma nota fiscal do Grande Atelier Aristides, do ano de 1913 informava sobre algumas de suas especialidades, incluindo novas técnicas fotográficas, como a microfotografia e o raio-X:
Grande Atelier Aristides
Photographia, Cinematographia e Gravuras. Trabalhos de arte.
Especialidade em fotografias artísticas.
Trabalhos em todos os processos modernos, ampliações a negro e em cores, reproduções, microphotographia, raios X, retratos ao platino e bromuro,inalteráveis e de luxo, sobre tecido, vidro, porcelana, etc.
Exposição Permanente202.
Na mesma nota, em um quadro a parte, notamos a seguinte informação: “Especialidade em photographias artísticas. Correspondente artístico da “Lloyd’s Publishing Co’- Londres, da ‘Illustração Paulista-S.Paulo e Fon-Fon-Rio.” Ainda não temos como afirmar se o fotógrafo Aristides realmente atuou como correspondente do jornal londrino Lloyd’s e das revistas citadas, mas uma nota no jornal informava que o fotógrafo havia apresentado uma edição da revista Careta com duas “nítidas” fotografias de sua autoria sobre a chegada do bispo a Ribeirão Preto no ano de 1909203.
Localizamos um exemplar da Revista Careta, do ano de 1922, com reportagem sobre visita do presidente Epitácio Pessoa à Companhia Brazileira Electro Metallurgica de Ribeirão Preto com dez fotografias. A revista Fon-Fon também noticiou o fato e sua reportagem contou com vinte e uma fotografias, inclusive com algumas imagens bem semelhantes204. Nenhuma das publicações, no entanto, faz referência à autoria das fotos.
De 1926 a 1929, Motta & Maggiori estavam estabelecidos com um ateliê de fotografia na Rua Álvares Cabral. No entanto, Registro localizou fotografias mais antigas, do ano de 1924 com o selo do estúdio Maggiori & Aristides.
201 Em uma nota fiscal, do ano de 1934, onde constam os nomes de Aristides Motta e Camargo, encontramos a seguinte observação: “Antiga Photographia Aristides fundada em 1900.” Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto.
202 Nota emitida em 09/10/1913 pela Photographia Aristides Motta. Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto.
203Jornal A Cidade, 06/04/1909, Anno V, n°. 1313. Arquivo Público e Histórico de Ribeirão Preto. 204 Revista Fon-Fon, 1922, ano XVI, n° 44. Revista Careta, 1922, ano?.
Encontramos, em uma nota fiscal do ano de 1934, referências à sociedade entre Motta e Camargo, mas não localizamos detalhes desta parceria, nem dados sobre o fotógrafo Camargo205.
As especialidades de Motta e Camargo são destacadas na nota fiscal, entre elas: fotografias industriais, quadros alegóricos para escolas, fac-símiles de autógrafos e fotos para elucidações policiais, fotografias noturnas, retratos de crianças, senhoras, festas e