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Araştırmaya Katılan Yolcuların Düşüncelerinin Analiz Sonuçları

3.6 Bulguların Analizi ve Değerlendirilmesi

3.6.3 Araştırmaya Katılan Müşterilerin Tercihlerini Etkileyen Faktörlerin

3.6.3.2 Araştırmaya Katılan Yolcuların Düşüncelerinin Analiz Sonuçları

Como procuramos demonstrar, a fotografia é um texto que, juntamente a outros textos de caráter verbal e não verbal, compõem a textualidade de uma época. Este texto também exige competências para sua produção e leitura. Assim sendo, sua mensagem organiza-se a partir da expressão e do conteúdo:

O primeiro envolve escolhas técnicas e estéticas, como enquadramento, iluminação, definição da imagem, contraste, cor, etc. Já o segundo é determinado pelo conjunto de pessoas, objetos, lugares e vivências que compõe a fotografia. Ambos os segmentos se correspondem no processo contínuo de produção de sentido na fotografia, sendo possível separá-los para fins de análise, mas compreendê-los somente como um todo integrado.

Os símbolos do progresso privilegiados nas imagens das publicações analisadas, como edifícios públicos e residenciais, casas comerciais, ruas calçadas e iluminação elétrica levaram-nos a agrupar esse conjunto de fotografias como um grupo temático que tem como foco a cidade que se pretende moderna e em (re) construção. Esta série é composta por 309 fotografias que receberão um tratamento analítico quantitativo, com o objetivo de identificar padrões de recorrência quanto aos motivos fotografados e a forma característica destas imagens.

Embora cada suporte tenha características próprias e a autoria das fotos tenham origens diversas, o caráter coletivo dos mesmos e as temáticas comuns nos permitem analisar as imagens em conjunto.

Nesse momento em que a técnica é vista como uma ferramenta infalível para se construir um mundo “superior”, encobrindo as consequências sócio-políticas dela decorrentes, as fotografias passam a ser utilizadas também pelo poder público local, principalmente em publicações, como um instrumento de representação das mudanças efetuadas. Mais do que meras ilustrações sobre a modernização, as referidas imagens nos servem como meio de aproximação da noção de cidade compartilhada no período pelas elites locais, e da importância da visualização para se perceber a cidade. Uma vez publicadas, tais imagens alcançaram um significativo teor de circulação e a divulgação de seus conteúdos, pode ter atuado na criação ou fortalecimento de estereótipos dos locais fotografados.

Como nos ensina o professor Meneses, este tipo de representação urbana, presente em diversas cidades brasileiras do período, contribuía para o desenvolvimento de um padrão de leitura da “categoria cidade”. E um observador da cidade, com o olho “adestrado” para este

tipo de assunto, surgia nesse ambiente339. As legendas, que acompanham todas as fotografias,

funcionam como mais um instrumento para decifrar essa linguagem visual, uma vez que procuram destacar tudo o que era de interesse dos editores.

No caso desse estudo, em que o foco é a cidade criada no embalo da cultura cafeeira, acreditamos que o método dos descritores icônicos e formais se mostra mais adequado para o mapeamento das características visuais observadas nas fotografias.

Em seu estudo dos álbuns fotográficos de Porto Alegre, editados nas décadas de 1920 e 1930, Zita Rosane Possamai esclarece:

A análise dos atributos icônicos para o historiador tem como pré-requisito o conhecimento do objeto de investigação, seja este a cidade, as personalidades, os acontecimentos; enquanto a análise dos atributos formais necessita das informações sobre a própria história da fotografia, no que se refere à evolução dos procedimentos técnicos do ato fotográfico e das possibilidades tecnológicas disponíveis ao fotógrafo no momento em que ele está captando as imagens340.

Este método de análise foi desenvolvido por Solange Ferraz de Lima e Vânia Carneiro de Carvalho que elaboraram estratégias para a identificação dos padrões temático- visuais nas fotografias da cidade de São Paulo (1887-1954). Para o mapeamento das características visuais das fotografias em estudo, as imagens receberam tratamento individual, sendo arrolados tanto seus atributos formais como icônicos. O resultado foi o desenvolvimento de um “conjunto de termos descritivos que foram sistematizados na forma de um vocabulário controlado” 341.

A metodologia para esta etapa do presente trabalho exigiu a elaboração de uma grade de interpretação, baseada no estudo citado e na leitura dos álbuns, onde os atributos de cada imagem serão identificados com base nos padrões de visualidade e contexto histórico em questão. A grade reúne os seguintes termos:

Descritores icônicos:

Localização: Ribeirão Preto/área rural, Ribeirão Preto/centro, Ribeirão Preto/bairro. Tipologia urbana: rua, avenida, esquina.

Abrangência Espacial: vista panorâmica, vista parcial, vista pontual, vista interna. Acidentes Naturais/Vegetação: cafezais, árvores, córregos.

Infraestrutura/Paisagismo: jardim público.

339MENESES, Ulpiano. 1996. op.cit.p.144-155.

340POSSAMAI, Zita Rosane. Fotografia, história e vistas urbanas. História(São Paulo), vol.27, n2. ,Franca,2008. 341LIMA, Solange. 1997.op.cit, p.30.

Estruturas/Funções Arquiteturais: edificação residencial/comercial/industrial, edificação rural, edificação pública.

Elementos Móveis/maquinário: máquinas de beneficiar café/máquinas industriais. Elementos Móveis/transporte: automóvel, trem, carroças.

Elementos Móveis/Personagens: políticos/fazendeiros, comerciantes, artistas, agremiações de imigrantes, trabalhadores, transeuntes.

Descritores formais:

Tamanho da foto: pequeno, médio, grande. Formato da foto: retangular, quadrado, oval.

Enquadramento: câmera alta ponto de vista ascensional, ponto de vista central, ponto de vista descensional, ponto de vista diagonal.

Tipo da foto: posada ou instantânea.

Suporte da foto: fotografia com/ sem legenda. Arranjo: repouso, cadência, profusão, sobreposição. Direção: horizontal, vertical, diagonal.

Os descritores icônicos foram elaborados com base nos aspectos figurativos presentes nas imagens analisadas, contendo elementos específicos da configuração urbana de Ribeirão Preto e da área rural fotografada.

Os descritores formais nos permitem conhecer algumas especificidades da prática fotográfica que agregavam valores aos espaços retratados, como ordenação, modernização, embelezamento, entre outros. Com relação ao enquadramento, verifica-se a recorrência do ponto de vista, que pode ser entendido como a forma geral de abordagem da cena. O ponto de vista central confere estabilidade à imagem, enquanto o ascensional, o descensional e o diagonal, geralmente, produzem um efeito dinâmico. O recurso da câmera alta tinha o objetivo de preservar as imagens de distorções. Geralmente os fotógrafos posicionavam-se em locais mais altos, como janelas de edifícios próximos.

Entre os tipos de arranjo, onde analisamos a forma pela qual os elementos são alocados na imagem, foram identificados o repouso, a cadência, a profusão e a sobreposição. O repouso confere estabilidade ao motivo fotografado. A cadência ocorre quando um elemento é regularmente repetido na imagem, podendo ressaltar a ordenação e a estabilidade. A profusão confere dinamismo à imagem. Já na sobreposição, temos o encobrimento parcial

dos elementos dos demais planos por algum elemento do primeiro plano, demonstrando uma hierarquia entre os motivos fotografados.

Os efeitos fotográficos detectados, responsáveis por alterar ou ressaltar a configuração de determinado elemento na imagem, foram repouso, contextualização urbana, descontextualização urbana e frontalidade. Em repouso temos a ausência de elementos móveis ou sua apresentação de forma estática ou em pose. A contextualização urbana ocorre quando alguns elementos configuram o local enquanto urbano. A descontextualização cria um efeito contrário. Já a frontalidade ocorre nas tomadas de edifícios em que o volume foi comprimido entre dois planos paralelos, procurando valorizar a fachada.

Na articulação dos planos, observamos a maneira como os elementos visuais são ordenados na imagem, verificados por meio das direções horizontal, vertical e diagonal.

A quantificação das variáveis de cada unidade foi feita a partir da metodologia da estatística descritiva e do software editor de dados Statistical Package for Social Sciences.

Uma vez identificadas e quantificadas estas variáveis, poderemos conhecer, por meio do cruzamento e recorrência de alguns descritores, os padrões de representação da cidade no período.

Ao discutir a questão da evidência/ilusão na imagem fotográfica, Arlindo Machado observa que:

A fotografia não pode ser o registro puro e simples de uma imanência do objeto: como produto humano, ela cria, também com esses dados luminosos, uma realidade que não existe fora dela, nem antes dela, mas precisamente nela342.

Kossoy alerta para a importância de atentarmos para a sucessão de interferências que ocorrem entre o assunto e a imagem materializada, especialmente quando associada ao signo escrito, passando a orientar a leitura do receptor. O documento fotográfico testemunha a atuação do fotógrafo enquanto filtro cultural; outros filtros sucedem-se através dos contratantes que fazem uso das imagens, como no caso dos álbuns, almanaques e revistas.

Benzer Belgeler