2.2. DURUM ANALİZİ
2.2.4. Paydaş Analizi
Quando observamos o laboratório de Análise do Comportamento destinado à pesquisa, verificamos que a caixa de Skinner está associada a outros instrumentos, o painel eletromecânico e o registrador cumulativo. Fica em destaque, então, que nas condições de pesquisa há um conjunto de instrumentos de laboratório a serem utilizados. No ensino, embora a caixa de condicionamento operante esteja em destaque, também existem outros elementos acessórios compondo o contexto instrucional. Todavia, não são equipamentos de laboratório, mas sim, materiais didáticos e aulas que auxiliam na composição desse ambiente.
Nessa direção, um componente do laboratório que possuía finalidades didáticas foi o livro Principles of Psychology: a systematic text in the science of behaVior escrito por Keller e Schoenfeld, em 1950. Keller (2009) afirma que este livro ficou conhecido como “Skinner para iniciantes” e ele próprio o apelidou de “K&S”. A obra foi um dos livros que Keller trouxe ao Brasil e o contato dos brasileiros com ele foi intenso. Os relatos de Bori (1996) e de Matos (1998b) subsidiam à afirmação de que o contato com K&S devia estar dentre as atividades cotidianas do laboratório, pois as autoras afirmam que parte das atividades iniciais era ler e discutir detalhadamente o material disponível. Além disso, elas acrescentam outros pontos que ajudam a compor o caráter didático do laboratório de Análise do Comportamento. Ambas falam que algumas das atividades consistiam em realizar as experiências de laboratório possíveis com o equipamento existente, montando gráficos e tabelas com os resultados das práticas experimentais para serem levados a Keller. Sobre o papel dos livros na relação entre a ciência e a comunidade de cientistas, Thomas Kuhn (1971/2007) afirma: “[...] o objetivo de tais livros é inevitavelmente persuasivo e pedagógico [...]” (p.19). Do estudo sistemático da bibliografia disponibilizada por Keller entre 1961 e 1962, foi originado, em 1963, o artigo publicado no JEAB cujo título é “Suggested
Portuguese Translations of Expressions in Operant Conditioning” de autoria de Rodolpho
Azzi, Maria Ignez Rocha e Silva, Carolina Bori, Dora Fix e Fred Keller. Observamos assim, mais uma vez, que o laboratório de Análise do Comportamento atendia a finalidades de
pesquisa e de ensino, não apenas com espaços específicos, mas com caixas de Skinner e componentes diferenciados, embora recebendo a mesma denominação.
Em 1962, Keller volta para os EUA, em decorrência do fim de seu ano sabático (ver FIGURA 6). Ao chegar, comenta:
“[...] consegui despertar o interesse de vários psicólogos em uma visita Fullbright a São Paulo. Um deste era J. Gilmour Sherman (amigo, antigo assistente de laboratório e colega), que me substituiu antes que o ano terminasse, com singular sucesso. Começou onde eu terminara, com um jeito para as coisas de laboratório que nunca tive [...]”. (KELLER, 1983b, p.51)
Nessa fala de Keller, observamos alguns aspectos que nos chamam a atenção. Se ele havia despertado o interesse de vários colegas, porque Sherman foi o escolhido? Talvez pelo fato dele ter sido assistente de laboratório de Keller tenha influenciado nesta escolha, visto já conhecer de perto seu desempenho. Essa atuação é caracterizada por Keller como um desempenho em laboratório mais refinado do que o seu e, para alguém que concebia esse espaço como indispensável para o ensino de Psicologia, as habilidades de laboratório seriam uma característica importante. Ainda sobre a seleção de Sherman, Keller (1977) atesta: “[...] não teria sido difícil encontrar um homem melhor do que Gilmour Sherman para a criação de um laboratório e consolidação da teoria da Universidade de São Paulo (tradução nossa)” (p.135).
FIGURA 6 - Despedida de Keller da USP [196-?]41
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41 Para a finalidade deste capítulo, foram identificados: (1) Rodolpho Azzi; (2) Carolina Bori; (3) Fred Keller;
(4) Dona Frances; (5) Maria Ignez Rocha e Silva; (6) Margarida Windholz e (7) Dora Fix Ventura. O número 8 é possivelmente Mário Guidi.
Sherman era um jovem doutor, também professor da Columbia UniVersity (TODOROV, 1996). Ele chegou à USP em julho de 1962 também com o apoio da Fundação
Fullbright e lá permaneceu até 1963, período no qual o grupo de alunos ampliou-se e mais
algumas atividades foram desenvolvidas. Segundo Keller (1983b, p.51): “[...] dentro de pouco tempo era um paulista e membro influente do nosso pequeno grupo de professores e alunos que levavam a tocha da teoria do reforço no Brasil (grifo no original)”. Ainda de acordo com Keller: “[...] suas aulas [as de Sherman] eram populares, seu laboratório prosperou, ele trabalhava bem com todos os colegas [...] (tradução nossa)” (KELLER, 1977, p. 135). Em todas as colocações feitas por Keller nas fontes citadas (KELLER, 1977, 1983b), a figura de Sherman aparece atrelada ao laboratório e que ele possuía habilidades de laboratório em evidência. Nessa direção, Rachel Kerbauy (2008a42) descreve uma das aulas ministradas por
Sherman neste período:
[...] era uma aula de encadeamento [...]. Ele foi treinando o rato a ir fazendo as coisas, e ele dando a aula de acordo com o que o rato fazia na caixa. Você ia vendo a aula dele, o rato fazendo e ele dando a aula. [...] você via aquele comportamento ser construído ali na sua frente e ele encadeando a aula com experimento que ele fez de demonstração.
Essa aula descrita por Kerbauy (2008a) indica uma parte da concepção de ensino de Psicologia no geral e, mais especificamente, de Análise do Comportamento, de Sherman. Este, por sua vez, sofrera influências do modelo de ensino de Keller em Columbia. Richard Elliot, editor do K&S, na introdução do livro, salienta:
[...] seu uso como texto é uma garantia de que terá um instrutor que sabe que a base de cada ciência reside, não no dizer e provar por dizer, mas no método experimental. Ainda melhor, se você aprender a ciência psicológica por seu próprio trabalho, num laboratório (ELLIOT, 1950/1966, p.9).
Desse conjunto de fontes, percebemos que na relação de Keller com o laboratório de Análise do Comportamento e a caixa de Skinner, fica a oscilação entre a pesquisa e o ensino. Este, por sua vez, se sobressai, visto que para o empreendimento de atividades de pesquisa, os cientistas brasileiros precisariam saber a teoria e como ver o mundo a partir dela. Nessa direção, o laboratório didático de Análise do Comportamento com sua caixa de Skinner
42 ENTREVISTA com Rachel Rodrigues Kerbauy, realizada em Belo Horizonte, no ano de 2008. A gravação
possui 1 hora e 22 minutos. Sua transcrição, tem 17 páginas. Ambos os registros encontram-se arquivados junto aos responsáveis por esta pesquisa.
foi utilizada por Keller e pelos relatos encontrados, também por Sherman, da forma como a comunidade de analistas do comportamento a concebia: (1) para o desenvolvimento de habilidades de cientista do comportamento; e (2) para demonstração em sala de aula.