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II. BÖLÜM

3.5. Yönetim Kurulunun Görev ve Sorumlulukları

4.1.1. Pay Sahipleri

No capítulo anterior tivemos a fundamentação teórica dos principais elementos que compõem o processo de consciência. Essa reflexão nos revela que é fundamental para todos os profissionais que trabalham com formação saberem o momento do processo de desenvolvimento da consciência.

O bom profissional é aquele que usa o instrumento certo na hora certa. Imagine- se um marceneiro que, ao consertar um móvel, arranca seu sapato para bater num prego, seria algo no mínimo muito estranho. Assim, o formador deve atentar para o momento das pessoas e a conjuntura em que se encontra. A qualidade da formação vai depender da escolha da teoria, do método e do instrumental correto. Existem momentos em que a mobilização terá o papel central; em outros será a organização e, em outros ainda, a agitação. O importante é compreendermos que as pessoas estão em processo de formação de suas consciências e que, em algum momento desse processo, a formação torna-se fundamental.

Por outro lado, todos os momentos exigem uma formação especifica, todas as situações têm um caráter educativo e pedagógico, mas nem tudo é formação. Por exemplo: uma assembléia não é formação, é uma assembléia; uma greve não é formação, não exige um educador, mas sim um agitador, um organizador. A formação é aquele momento no qual é imprescindível a presença de um educador.

Estamos falando de formação no seu caráter político e social, não de um processo pedagógico escolar. Toda nossa reflexão está dirigida à questão da formação humana, do processo educativo de formação do sujeito político.

Nesse sentido, face a esse nosso maior desafio, Oscar Jara (1985, p. 02) expõe a seguinte questão:

O desafio principal que temos a enfrentar é o de saber implementar uma estratégia educativa. Isto é, planejar e pôr em prática processos educativos, lógicos, coerentes, que tenham uma seqüência e uma perspectiva tal, que nos permitam chegar a apropriar-nos criticamente da realidade para transformá-la. O autor demonstra com isso que a concepção metodológica deve sublinhar o sentido mais profundo na busca de como orientar e organizar estrategicamente as práticas de educação popular. Dessa maneira, a concepção metodológica dialética e suas formas de aplicação à educação popular abrangem com mais profundidade e riqueza os elementos fundamentais para o desvelamento da atual sociedade capitalista. Reforçamos que se tratamos aqui da dialética materialista é porque a consideramos a principal desmistificadora de uma leitura da realidade febril que insiste em considerar o pensamento como caminho de saída para nossas mazelas sociais. Marx e Engels (1987, p. 54) traduzem por excelência essa questão:

Segundo a Crítica, todo o mal vem unicamente do "pensamento" dos operários. Ora, os operários ingleses e franceses formaram associações onde eles não contentam apenas de se instruir mutuamente sobre suas necessidades imediatas enquanto operários, mas se instruem ainda sobre suas necessidades enquanto homens, sem contar que eles manifestam nestas associações também uma consciência muito profunda e muito extensa da força "enorme", "imensa", que provém de sua cooperação. Mas, estes operários da massa, estes operários comunistas, que trabalham nas fábricas de Manchester e de Lyon, por exemplo, não cometem o erro de acreditar que o "pensamento puro" os libertará de seus patrões e de sua inferiorização prática. Eles se ressentem amargamente da diferença entre o ser e o pensamento, entre a consciência e a vida. Eles sabem que a propriedade, o capital, o dinheiro, o trabalho assalariado, etc., não são minimamente simples criações de sua imaginação, mas resultados muitos práticos, muitos concretos da alienação de seu ser que devem, portanto, ser abolidos de forma prática, concreta, para que o homem se torne homem não somente no pensamento, na consciência, mas também no ser de massa, na vida. A Crítica crítica lhes ensina, ao contrário, que eles deixam de ser assalariados na realidade se, em pensamento, eles abolirem a idéia do trabalho assalariado, se eles deixarem, em pensamento, de se manter como assalariados e, em conformidade com esta excessiva pretensão, não quiserem mais ser pagos pessoalmente. Idealistas absolutos, entidades estéreas, depois disto, estes poderão, naturalmente, viver do etéreo, da idéia pura. A Crítica crítica lhes ensinavam que eles conseguirão suprimir o capital real ao ultrapassar a categoria do capital no pensamento, que eles conseguirão se transformar realmente fazendo de si mesmos homens reais, quando transformarem seu eu abstrato na consciência e quando desprezarem, como uma operação contrária à Crítica, toda a transformação de sua existência real, das condições reais de sua existência, ou seja de seu eu real. O espírito, que na realidade vê apenas categorias, reduz também, naturalmente, toda atividade e toda prática humana ao processo de pensamento dialético da Crítica crítica. É

exatamente isto que distingue o socialismo da Crítica crítica do socialismo e do comunismo da massa.

Nesta crítica ao idealismo, podemos concluir que o método dialético supera as formas especulativas encontradas na lógica formal que paralisa o movimento, nega as contradições, as quais, em certo sentido, resultam de um processo profundo, que as condicionam e as atravessa. Nesse sentido, o acento será colocado sobre a lei da conexão, da interdependência universal. Ou, ainda, se uma metamorfose ou uma crise são estudadas, a lei dos saltos passará ao primeiro plano. Pouco importa. Os aspectos do devir são igualmente objetivos e indissoluvelmente ligados ao próprio devir. Poderíamos resumir do seguinte modo as regras práticas do método dialético sistematizadas por Henri Lefebvre (1979, p. 241):

1) Dirigir-se à própria coisa. Nada de exemplos exteriores, de digressões, de analogias inúteis; por seguinte, análise objetiva;

2) Apreender o conjunto das conexões internas da coisa, de seus aspectos; o desenvolvimento e o movimento próprio da coisa;

3) Apreender os aspectos e momentos contraditórios, a coisa como totalidade e unidade de contrários;

4) Analisar a luta, o conflito interno das contradições, o movimento, a tendência (o que tende a ser e o que tende a cair no nada);

5) Não esquecer, é preciso repeti-lo sempre - que tudo está ligado a tudo; e que uma interação insignificante, negligenciável por que não essencial em determinado momento, pode tornar-se essencial, num outro momento ou sob um outro aspecto;

6) Não esquecer de captar as transições: transições dos aspectos e contradições, passagem de uns nos outros, transições no devir. Compreender que um erro de avaliação (como, por exemplo, acreditar-se estar mais longe no devir do que o ponto em que está efetivamente, acreditar que a transição já se realizou ou ainda não começou) pode ter graves conseqüências;

7) Não esquecer que o processo de aprofundamento do conhecimento que vai do fenômeno à essência e da essência menos profunda à mais profunda é infinito. Jamais estar satisfeito com o obtido. Naquilo que um espírito se satisfaz, mede-se a grandeza de sua perda;

8) Penetrar, portanto, mais fundo que a simples coexistência observada; penetrar sempre mais profundamente na riqueza do conteúdo; apreender conexões de grau cada vez mais profundo, até atingir e captar solidamente as contradições e o movimento. Até chegar-se a isso, nada foi feito;

9) Em certas fases do próprio pensamento, este deverá se transformar, se superar: modificar ou rejeitar sua forma, remanejar seu conteúdo - retomar seus momentos superados, revê-los, repeti-los, mas apenas aparentemente, com o objetivo de aprofundá-los mediante um passo atrás rumo às suas etapas anteriores e, por vezes, até mesmo rumo a seu ponto de partida.

O método dialético, desse modo, revelar-se-á ao mesmo tempo rigoroso já que se liga a princípios universais - e o mais fecundo, já que é capaz de detectar todos os aspectos das coisas, incluindo os aspectos mediante os quais as coisas são vulneráveis à ação.

Dito de outra maneira, temos que o processo de conhecimento nos leva a saber que só podemos realizar aproximações à realidade: em qualquer método de pesquisa, incluindo a dialética, jamais seremos capazes de captar todo o movimento, pois este é contínuo e complexo. Os seres humanos são apenas uma parte desse movimento, que começa antes dele e que vai além dele. Por isso, pontuamos que o conhecimento é infinito.

O método revolucionário é o único capaz de abstrair as metamorfoses dos processos de transformação da vida humana e de elevar o ser a um estágio de

compreensão do todo e das partes que compõem os fenômenos. Entendido que o pensamento dialético e a prática dialética consistem no mais

alto grau de aproximação da realidade, resta compreender na nossa reflexão o como necessitamos também de um método revolucionário de socialização do conhecimento.

Vemos muitos educadores compilando pragmáticas formas de transmitir o conhecimento, através da criação de novas dinâmicas e de outros artefatos, buscando contrapor-se à ideologia dominante. Ora, esse é um grande e doce engano, pois a tarefa de criar intelectuais orgânicos das classes dominadas é antiga. Porém, nossa intervenção educativa não pode ser feita de forma a querer tornar o trabalhador um grande conhecedor do movimento da sociedade desde as antigas formas de organização até a contemporânea forma de exploração do capital, como se isso fosse fácil. Os formadores que nos antecederam já o teriam feito. Mas, podemos proporcionar aos trabalhadores situações que explicitem às suas mentes a clareza de que é possível mudar, e que é importante acreditar nessa possibilidade.

A vida leva as pessoas à necessidade de formação. Ninguém conscientiza ninguém, contudo, quando se chega à consciência do conflito que se vive, a teoria pode dar embasamento para as respostas que as contradições cotidianas colocam como desafio a ser superado. Como disse Lenin "não há revolução sem teoria revolucionária".

A partir de então, a teoria pode tornar-se força material quando ela ganha a população, quando se torna o pensamento das massas.

Portanto, não falamos da substituição das idéias burguesas pelas idéias dos explorados, como se o processo de inculcação dessas idéias fosse resultar na transformação social. Todavia, salientamos que a realidade material abre muitas vezes janelas históricas para as transformações da história humana.

Porém, precisamos ter clareza de que o singular, o cotidiano é a base para as ações revolucionárias, inclusive para a formação, que é uma ação específica, embora não separada de outras ações; ela se realiza e se relaciona com as demais. Mas tem um papel específico, que é o de formar teoricamente as pessoas. Dessa forma, ela auxilia na luta dos oprimidos e dos movimentos sociais, contribuindo profundamente para o salto da consciência.

Parte-se da percepção de que não se pode aplicar de qualquer maneira a abordagem dialética da realidade. Para essa aplicação, é necessário que o movimento esteja presente na consciência em todo o processo de socialização do conhecimento. Na formação, da perspectiva do método dialético, o ponto de partida não é a realidade imediata de cada indivíduo, mas sim a sua primeira forma da consciência, ou seja, o

senso comum.

Na abordagem dialética, o movimento parte do singular para o particular e daí, para o geral. O conhecimento e a produção teórica da dialética se dão com base na relação prática x teoria x prática. Todavia, nosso ponto inicial na atividade pedagógica é o conhecimento. Lembrando de que a formação não é a produção do conhecimento; a formação é a socialização do conhecimento.

A criação de novos conhecimentos pressupõe o conhecimento profundo do conhecimento anterior - o que não temos condições de fazer na nossa atividade educativa. É pretensioso de nossa parte acharmos que produzimos conhecimento, se não conhecermos o que já é conhecido, em profundidade.

Nós partimos do pressuposto de que existe um conhecimento e uma teoria já acumulada. A questão que enfrentamos é como podemos traduzir essa teoria já acumulada para que ela possa ser compreendida pelas pessoas. Nós temos necessariamente que concretizá-la, torná-la algo prático, concreto, compreensiva.

Nossa argumentação parte de uma concepção teórica - o que não significa uma perspectiva idealista, uma vez que o conhecimento acumulado é proveniente de todo o trabalho humano e vem sendo construído na História. Isso permite considerar que a dialética do conhecimento não elimina o pressuposto materialista da História.

Dessa perspectiva, resultam três observações centrais de nossa metodologia:

a) Partir de uma certa teoria que precisa ser socializada. A forma de socializá-la pressupõe que o indivíduo chegue ao educador com contradições e que seja questionado;

b) Criar condições, situações, em que as pessoas falem o que pensam e entrem em contradição com essas idéias;

c) Partir do singular, o que significa estabelecermos uma noção geral da coisa em si. Por exemplo, a noção de fruta é um conhecimento singular, já a polpa, a semente, sua consistência são conhecimentos particulares. A particularidade leva à noção geral da fruta, no entanto, cada um pode ver de um jeito próprio as suas particularidades.

Outro exemplo sobre a questão da singularidade pode ser o seguinte: estamos num país capitalista, mas o capitalismo é uma abstração que deve ser analisada profundamente. Do ponto de vista do particular vai ocorrer que um fenômeno que é universal será tomado como uma realidade particular; no contexto da discussão sobre o tema, haverá então uma ultra-generalização, a vivência de uma parte da realidade como se fosse o todo.

Nesse sentido, no capitulo anterior pudemos esclarecer a concepção de que uma pessoa assume idéias de outras através de vivências, de relações estabelecidas. Essas pessoas, de forma geral, vivenciam uma parte da sociedade, nas suas mais variadas formas e particularidades, e vão assim formando suas próprias consciências. Por isso, a ideologia que encontra terreno fértil no cotidiano deve ser desvelada. Para isso, deve

ser explicitada: a ideologia precisa ser trabalhada para que os conceitos das coisas possam ser reconstruídos.

Como fazemos isso? Desmascarando o que está oculto e as mentiras da realidade burguesa. É o que veremos com a velha arte de fazer parir a verdade.

3.2 - MAIÊUTICA: DE SÓCRATES (A ARTE DE FAZER PARIR A VERDADE) AOS