II. BÖLÜM
3.2. Anonim Ortaklıklarda Pay Sahiplerinin Durumu
3.2.1. Pay Sahiplerinin Eşit İşleme Tabi Tutulması
3.2.1.2. OECD’ nin Pay Sahiplerinin Eşit İşleme Tabi Tutulması İlkesi Karşısında
Por isso permiti que vos diga: se quereis ter bons filhos, sede felizes. Empenhai-vos com todas as vossas forças, usai todos os vossos talentos, todas as vossas capacidades, utilizai os vossos amigos e conhecidos, sede felizes de uma verdadeira felicidade humana. Mas acontece que um homem que quer a felicidade trata de reunir as pedras para depois edificar a felicidade.
Makarenko Sem dúvidas, a vida e obra de Makarenko foi uma epopéia; no decorrer de sua criação, a transformação mais significativa para nós trata do nascimento do novo homem, o qual teve por base a mais elementar pedagogia. Perguntaram a um dos colonos da Colônia Gorki o que Makarenko lhes ensinara; simplesmente respondeu: Makarenko sempre nos ensinou a sermos felizes.
Certamente, o aprofundamento da pedagogia makarenkiana nos traria elementos valorosíssimos, todavia, não é esse nosso objetivo, porém, elencamos aqui passagens fundamentais para a reflexão sobre a formação humana. A experiência da filosofia Makarenkiana, em nossa perspectiva, foi a que mais se aproximou do que seria uma sociedade com princípios socialistas. É importante notarmos também que a todo momento Makarenko evidenciava que no processo de formação do homem estava presente o ser político, com objetivos claros e coerentes de onde se quer chegar e de que tipo de homem queremos. Uma pedagogia dinâmica e construtiva, baseada nas inesgotáveis potencialidades do ser humano em geral e do jovem em particular. Conseguiu associar disciplina com camaradagem, noções de honra e dignidade, senso
social e respeito pelo indivíduo, responsabilidade pessoal e coletiva, trabalho e estudos, direito e deveres, arte e lazer, com uma boa dose de autogestão.
Makarenko (1985) nos revela que educar o ser humano é proporcionar-lhe perspectivas, conduzindo-o para a felicidade do amanhã dentro de uma disciplina voltada para a construção do caráter, "exigindo o máximo da pessoa e respeitando-a ao máximo". Trabalhou com diferentes recursos pedagógicos: expressão corporal, exercícios físicos, trabalhos manuais associando o trabalho produtivo à teoria. Assim, na colônia Gorki priorizava-se a prática, mas não se sacrificava a teoria.
Sobre uma base material socialista, Makarenko foi gradativamente desenvolvendo uma superestrutura socialista com uma concepção de mundo da classe trabalhadora, iluminada pelo marxismo. Para Makarenko, não poderia haver educação senão na coletividade, através da vida e do trabalho coletivo. Por isso, Makarenko era um educador, mas um educador que compreendia o caráter político da educação. Em outras palavras, um educador para quem educar era também, e essencialmente, politizar.
Assim, a visão de homem não é de um ser puramente determinado pelas condições de seu meio, como uma visão fatalista; ele é visto como produto das relações sociais vigentes, como também produtor dessas relações, cabendo-lhe, através de uma prática crítica e transformadora, instaurar o mundo em um mundo propriamente humano. E quando falamos numa sociedade humana, estamos essencialmente falando da personalidade humana, que se vai formando no processo da construção de sua consciência. Makarenko recrimina que todo o fracasso pela educação de um homem está na "educação da cupidez", tal educação, presente na sociedade de classe, degrada o homem na sua essência.
Na sociedade burguesa, a cupidez é regulada pela concorrência. A amplitude dos desejos de um encontra seu limite na amplitude dos desejos do outro, tal oscilação de milhões de balancés, dispostos ao acaso num estreito espaço. Batendo em direções e planos diferentes, agarram-se, chocam-se, esfolam-se uns aos outros, rangendo. Neste mundo é vantajoso, depois de ter acumulado em si a energia de uma massa metálica, bater com toda força, para partir e aniquilar o movimento dos vizinhos. Mas neste mundo importa também conhecer as forças da resistência vizinhas, para não se quebrar a si próprio num movimento inconsiderado. A moral do mundo burguês é amoral a cupidez, adaptada a cupidez. (MAKARENKO,1976, p. 356).
Contra tudo que degenerava o homem e o transformava em um ser covarde e egoísta, podemos observar a trajetória do trabalho na colônia Gorki, que tinha como pedra angular o coletivo. O senso de responsabilidade social alcançara patamares de um coletivo em comunhão que só foi possível com o estabelecimento de relações de solidariedade, pela qual foi implantado um moral fruto dos próprios educandos. Exigia- se do indivíduo a liquidação da cupidez, o respeito pelos interesses e pela vida dos camaradas. Os educandos foram habituados a superar as dificuldades que um processo extremamente difícil de crescimento coletivo comporta. Nesse sentido, a consciência para si tem seu processo acelerado, pois a vivência de situações libertadoras, esclarecedoras e protagonistas impõe um processo favorável ao progresso do homem, enquanto pessoa singular e genérica. Ao passo que as instituições burguesas estão para dividir o homem, enganá-lo, mantê-lo sob o julgo da classe dominante. A idéia de homem não é a do homem real, problemático, prisioneiro das estruturas do sistema, mas a do homem abstrato, personificador de uma natureza humana ideal e a-histórica, mesmo quando relativizada em modelos ideológicos do tipo "bom cidadão", "profissional competente", "homem livre e responsável", ou "operário padrão". Modelos estes que visam ocultar as distorções das relações reais dos homens entre si, relações de dominação. Por outro lado, a idéia de sociedade não é a da sociedade real, composta por homens cujas relações são mediatizadas por estruturas e instituições que determinam a natureza dessas relações, mas de uma sociedade abstrata resultante de um pacto social utópico, que ignora as regras da dialética do poder. Sem falar dos ideais e valores veiculados pela cultura dominante que são metamorfoseados em ideais e valores universais pelo discurso pedagógico.
Em Makarenko, encontramos a filosofia do homem novo, visto a partir do que ocorria na prática. Contudo, toda concepção de mundo e homem era discutido em conjunto, partindo-se do pressuposto materialista da História; toda a existência e as condições em que se encontravam eram bem conhecidas por todos e de total responsabilidade de homens reais.
Dessa forma, acreditamos que é possível a intervenção de homens formando homens, pois se a cultura dominante é de responsabilidades de homens, também é de responsabilidade de outros homens a desmistificação dessa cultura. Makarenko foi um
dos maiores exemplos no processo de construção de um novo sujeito histórico e deixou claro que isto requer algumas condições básicas. Em primeiro lugar, é necessário elaborar uma consciência coletiva sustentada em uma análise apropriada da realidade e uma ética. Quanto à análise, trata-se de utilizar instrumentos capazes de estudar os mecanismos de funcionamento da sociedade e de entender suas lógicas, com critérios que permitam distinguir causas e efeitos, discursos e práticas. Não se trata de qualquer tipo de análise, mas sim daquela produzida com o aparelho teórico crítico mais adequado para responder ao grito dos trabalhadores. Exige um alto rigor metodológico e uma abertura a todas as hipóteses úteis para esse fim. A opção em favor dos oprimidos é um passo pré-científico e ideológico, que guiará a eleição do tipo de análise. Entretanto, esta análise pertence à ordem científica sem concessão possível. É um saber novo que ajudará a criar a consciência coletiva.
O segundo elemento que contribui para a construção de uma consciência coletiva é a ética. Não se trata de uma série de normas elaboradas em abstrato, mas sim de uma construção constante pelo conjunto dos atores sociais em referência à dignidade humana e ao bem de todos. As definições concretas podem trocar segundo os lugares e as épocas e quando se trata de realidade globalizada, a perspectiva ética terá que ser elaborada pelo conjunto das tradições culturais, isto é, o conceito real dos direitos humanos. A ética, nesse sentido, não é uma imposição dogmática, mas sim uma obra coletiva que tem suas referências na defesa da humanidade.
Diante do exposto até aqui neste primeiro capítulo, temos a considerar que o homem na totalidade formado pela perspectiva Makarenkiana, ou o homem onilateral pretendido por Marx, não é possível enquanto perdurar o sistema capitalista. Esse homem está por nascer, mas antes deve lutar para nascer. Matar o homem capital e negá-lo não é tarefa fácil, depende das transformações radicais do modo de produção da vida material, como, também de transformações no sentido de uma consciência coletiva. Isso mostra que alguém que pretende intervir na formação do homem nos dias atuais tem, em primeiro lugar, que considerar a necessidade de romper com esse sistema de opressão e alienação; trata-se de operacionalizar mecanismos e instrumentais que possam revelar aos oprimidos suas correntes e que possam indicar meios para que estes forjem suas próprias armas na luta contra o capital. Para tanto,
não podemos eximir de compreendermos como se dá o processo de consciência das pessoas no qual está a base de todo o trabalho educativo.