• Sonuç bulunamadı

2.1 Bobin Boyamayı Etkileyen Faktörler

2.1.5 Patronun yapısının etkisi

Abaixo segue uma transcrição do diário de campo de um dia de observação:

Quinta-feira (22/5/2014)

Hoje foi um dia atípico porque fiquei a tarde inteira com as crianças, ajudando a organizar o sarau do próximo sábado. Foi uma tarde prazerosa que passei ao lado das meninas, que interagiram muito mais comigo, me deixando participar das atividades com elas. Sai da escola hoje com uma sensação de felicidade, parece que a partir de agora faço realmente parte desta comunidade.

Quando cheguei, o Claudio, menino especial, como sempre me recepcionou com carinho e me chamou para brincar mas, mas um educador explicou que eu não poderia ficar sempre perto dele porque eu estava ali para observar as outras crianças (se referindo a algumas tardes que passei brincando com ele). Reparei que hoje os educadores estavam mais ‘sorrisos’, falando comigo de forma mais aberta e simpática. Talvez seja reflexo da tarde passada, que passei ajudando a eles e às crianças finalizarem as tarefas avaliativas.

Resolvi ir atrás das meninas já que na maioria das vezes fico observando o grupo de meninos no videogame e a interação de algumas meninas com eles sempre na sala de informática. As meninas estavam agrupadas na parte coberta do pátio (que tem as mesas e cadeiras), mexendo com uma espécie de maquiagem ou tinta para o rosto. Pedi para desenharem em mim uma pulseira. A menina mais velha e que detêm maior poder no grupo quis desenhar em mim e eu deixei, senti que ela estava me introduzindo no grupo naquele momento, fato não corriqueiro já que o grupo das meninas se mostrou fechado a mim por tantas vezes. Porém, Claudio, talvez em uma demonstração de ciúmes por eu estar brincando com as meninas, borrou o desenho no meu braço e limpou a sua mão na camiseta da menina. A

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menina avançou e bateu nele. Eles brigaram e gritaram um com o outro. Chamei um educador para intervir e ele retirou o Claudio dali e o levou para conversar. Depois disso, ninguém mais desenhou nada em mim. A atividade foi se encerrando porque os educadores já preparavam as cadeiras para a reunião naquele espaço. Durante a reunião, os educadores explicavam como seria usado o tempo depois do lanche já que o sarau seria naquele próximo sábado, portanto, a escola teria que ser organizada especialmente para o evento. Foi decidido juntamente com as crianças que nesta tarde elas iriam finalizar as atividades dos grupos de estudo (GE) para apresentarem no sarau e que no dia seguinte arrumariam as salas.

Ajudei as meninas a desenhar a linha do tempo de suas vidas, do GE ‘Eu’. Foram elas que me convidaram, que me chamaram para ajuda-las. Conversando durante essa atividade, uma delas me disse que sua mãe dizia que menina que usa anel no dedão é sapatão (se referindo ao anel que eu uso no dedo polegar). Tive a sensação que as meninas pensavam isso a meu respeito, talvez por eu não ter filhos e não ser casada, elas estavam me testando, me investigando de forma sutil. Senti que poderia não responder, ou emitir uma opinião irrelevante, ou me colocar e ganhar a confiança delas. Optei pela terceira condição. Respondi e contei um pouco da história daquele anel, que vinha de um antigo relacionamento meu e que este ex- namorado foi importante na minha vida. Respondi também que uma pessoa é diferente da outra e que dificilmente um anel terá apenas um significado. E que eu não achava que havia problema nenhum em uma menina gostar da outra, mas que essas meninas poderiam ficar tristes em serem chamadas de sapatonas e que por isso devemos tomar cuidado ao nos referirmos às pessoas. As meninas concordaram comigo e continuamos conversando sobre outras coisas das vidas delas. As gêmeas, que estavam viajando, há duas semanas afastadas da escola, voltaram e eu também as ajudei na atividade da linha do tempo.

As meninas interagiram bastante com meu smartfone hoje, mexendo, tirando fotos selfies, ou colocando na rádio para ouvirem música.

No livro que as meninas fizeram, cada uma o seu, para o GE ‘Eu’, havia uma questão sobre os amigos, para desenhá-los, e as meninas só citaram meninas. Dentro do grupo existem feminilidades muito diferentes, assim como quem é mais amiga de quem. A Jaque, a mais velha, é admirada por todas, quase uma unanimidade, citada em quase todos os livros. A Amanda, uma das meninas mais novas, talvez devido a sua destreza física e facilidade em fazer acrobacias aliada a coragem, também é alvo de admiração pela maioria das meninas. A Ana, que é muito próxima da Luiza, faz de tudo para agradá-la, enquanto essa também gosta muito da Jaque. A Luiza, menina mais

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independente e de personalidade forte, briguenta, circula por todo o grupo das meninas de forma mais fluida e independente,

mas também se espelha em Jaque. Miriam, a menina parda9,

que comumente é excluída do grupo e por consequência se isola da turma se ocupando nas horas vagas sozinha, também citou a Jaque no seu livro. Percebo que a Jaque exerce sua soberania sem generosidade, repelindo a revelia algumas meninas em determinados momentos. Quando discute com uma delas, fica amiga de outras e assim consecutivamente. Utiliza as amigas conforme seus interesses e vontades. Não age com cautela e fala de forma ríspida com quem a contraria.

VI.2 Meninas de um lado, meninos de outro: os espaços e tempos organizados

Benzer Belgeler