5. TOZ METALURJİSİ
5.2. Partiküllerin Kimyasal ve Fiziksel Özellikleri
O perfil dos conselheiros tem relação com o desenho institucional. Isso porque em virtude das atribuições legais do CT, que condicionam a natureza do trabalho, das exigências para a candidatura e das condições de trabalho (remuneração, jornada etc), são atraídos candidatos com determinadas características.
Diversas pesquisas, conduzidas em vários estados brasileiros em anos recentes16, indicam que o perfil de quem tem ocupado a função influencia o funcionamento do CT e, consequentemente, a possibilidade de o órgão ser reconhecido e o tipo de reconhecimento alcançado. Escolaridade, formação universitária, experiência prévia, conhecimento do ECA e representatividade foram os indicadores utilizados na presente dissertaçãopara compor a variável perfil dos conselheiros.
Escolaridade
A posição de conselheiro tutelar tem sido ocupada sobretudo por mulheres casadas, com idade entre 26 e 45 anos, que vêm o CT como oportunidade de trabalho remunerado (ANCED/MNMMR, 1997, Instituto Telemig Celular, 2004, Baccini, 2005).
A maioria dos conselheiros tem formação em nível médio, o que se explica pelo fato de esse nível de escolaridade ser exigido (além dos requisitos estabelecidos no ECA) como condição de candidatura em 80% dos municípios (CEATS/FIA, 2007). Apesar da presença multidisciplinar nos conselhos, predominam as profissões ligadas à educação (pedagogia e magistério) (CEATS/FIA, 2007).
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Experiência prévia, conhecimento do ECA e requisitos legais para a candidatura
Pouco mais da metade (55%) dos municípios brasileiros exige experiência prévia em área de trabalho relacionada com criança e adolescente17. Pesquisa realizada no Rio Grande do Sul18, em 2005, encontrou percentual ainda menor: em apenas 15% dos municípios a lei municipal que regulava o processo de escolha dos conselheiros exigia experiência prévia na área. Para Alberton (2005), esse deveria ser um pré- requisito nacional: os conselheiros deveriam estar capacitados previamente, dominando os princípios, leis e convenções da área dos direitos humanos da infância, com experiência no trato com esse público. A aprendizagem do ofício em serviço seria prejudicial e se faria às custas da vulnerabilidade e da fragilidade das crianças e adolescentes atendidos.
Os estudos de Souza (2003) e de Nascimento e Scheinvar (2007), referidos anteriormente, salientam o peso que têm a formação, a vivência e a visão de mundo de cada conselheiro na forma de encaminhamento e no tipo de solução que será buscada para cada queixa que chega ao CT. Uma das consequências dessa circunstância é o risco de a prática cotidiana dos CTs ser permeada por valores morais e religiosos que descaracterizem a abordagem de direitos preconizada pelo ECA. Sem formação prévia ou continuada para o desempenho da função, os conselheiros valem-se de suas trajetórias de vida para tentar se adequar às expectativas legais do cargo. Assim, as distintas experiências e os diferentes tipos de formação dos conselheiros tutelares fazem com que eles tenham noções diversas de suas funções e diversas maneiras de desempenhá-las. Conforme a visão do conselheiro, imprime-se um tipo de funcionamento aos CTs (Baccini, 2005), mas essa marca não é elaborada conscientemente, e a visão pessoal permanece naturalizada como parte da experiência, e não como qualificação e atuação voltada para um bom acolhimento das famílias, com um viés de defesa de direitos19. Na pesquisa realizada por Baccini em 1999, nenhum dos conselheiros tutelares se
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CEATS/FIA, 2007 18
CEDECA Bertholdo Weber/PROAME, 2005 19
referiu à sua educação formal como um elemento de qualificação para o desempenho da função.
Esse dado parece refletir diretamente a falta de exigências quanto a experiência e formação específicas para concorrer ao cargo, e pode indicar que a complexidade do trabalho não é reconhecida. De acordo com CEATS/FIA (2007, p. 180):
“A inexistência de investimentos no preparo das pessoas para o desempenho deste papel permite inferir que não há metas de eficiência e efetividade a serem cumpridas pelos Conselhos. Mesmo no caso dos programas de capacitação existentes, seria importante aferir quanto de suas metodologias e conteúdos programáticos está adequado para assegurar o melhor desempenho dos conselheiros”.
Representatividade
Outro aspecto importante do perfil dos conselheiros é a representatividade. Ainda que em 70% dos municípios brasileiros a eleição para o CT seja direta, ela também é facultativa, o que costuma ocasionar baixa presença no pleito. A título de exemplo, na última eleição para os 15 conselheiros tutelares de Osasco, na Grande São Paulo, votaram 32.661 eleitores, representando pouco mais de 6% dos votantes da cidade. O conselheiro mais votado recebeu 1.242 votos, equivalente a cerca de 0,24% do total do eleitorado local. O conselheiro eleito com menor número de votos recebeu 335 votos, em uma cidade com 700 mil habitantes (514 mil eleitores). Informações esparsas sobre os resultados de eleições para os CTs de outros municípios mostram que este cenário é a regra, não a exceção. Se a legislação frisa a importância de o conselheiro ser um representante da comunidade e se, de outro lado, o número de votos costuma ser muito baixo em relação ao total de eleitores, cabe discutir se de fato, e em que sentido, essa representatividade existe, e com que legitimidade. Na análise da representatividade é importante verificar quais são os grupos de interesse e as organizações que costumam apoiar as eleições para os CTs, assim como igualmente importa verificar se esse dado influencia o modo como os CTs desempenham suas funções.
Considerando a baixa presença do eleitorado nas eleições para os Conselhos Tutelares e o fato de que mais da metade das cidades não exige experiência prévia na área, é possível deduzir que não há valorização do saber técnico e tampouco os conselheiros são suficientemente representativos. Neste sentido, as exigências para concorrer ao cargo, próprias do desenho institucional, parecem condicionar o perfil dos conselheiros. E o modo como estes representam e entendem sua atuação reforça, por sua vez, as características de ambiguidade do desenho institucional – a saber, relegando a formação profissional (quando há) e a inserção social a um plano individual de experiências pessoais, de visão de mundo, que se torna, então, presente no atendimento, mas não no aprimoramento dos CTs como órgãos de defesa de direitos sociais
Experiência prévia e capacidade de influência
A atribuição do CT de zelar pelo respeito aos direitos de crianças e adolescentes implica que os conselheiros tenham capacidade de pressionar pela consecução de mudanças nas políticas da área, de forma que elas atendam às reais necessidades da população. Contudo, é possível que a função não esteja atraindo pessoas com perfil capaz de exercer este tipo de pressão. Considerando a necessidade de apoiar a promoção de mudanças no campo, é possível traçar um paralelo com o conceito de empreendedores institucionais, definido por Battilana (2006). Empreendedores institucionais seriam atores com interesse em um arranjo institucional particular, que mobilizam recursos para criar novas instituições ou para transformar instituições já existentes, conduzindo mudanças que tragam inovação ao campo e contribuindo para alterar as práticas e lógicas institucionais dominantes. Uma variável chave para que um indivíduo se torne, ou não, um empreendedor institucional é a posição social que ele ocupa no campo, isto é, sua conexão com redes, pessoas, grupos sociais e organizações.
Ao que parece, a função de conselheiro não vem atraindo pessoas que ocuparam cargos de alta hierarquia em outras organizações e/ou que tenham amplos contatos com redes e pessoas que atuem na área – traço que, segundo Battilana (2006), caracteriza o empreendedor institucional. Como consequência, aqueles que têm ocupado a função seriam indivíduos com menor potencial de mobilização de
recursos e agentes para transformar o campo de atenção à infância nas suas jurisdições.
É provável que um conjunto de fatores contribua para este cenário, abrangendo tanto fatores ligados ao próprio desenho institucional (remuneração relativamente baixa, ambiguidade quanto à tônica da atuação dos CTs, pré-requisitos exigidos pela candidatura etc.) quanto fatores relativos à articulação local das políticas de criança e adolescente (já que a baixa votação sugere baixo envolvimento social do CT).