1.2. Avrupa Parlamentosu
1.2.2. Parlamentonun Görev ve Yetkiler
Atualmente, existem duas maneiras de se contar as sílabas dos versos em língua portuguesa: elas são contadas até a última sílaba tônica do verso, desprezando-se as átonas finais, na tradição francesa, provençal e portuguesa; já o sistema italiano e espanhol conta sempre uma sílaba depois da sílaba tônica, mesmo que esta não exista. Desse modo, temos, como tipos de verso, o verso agudo, como característico do português e francês, e o verso grave, característico do espanhol e do italiano (MASSINI-CAGLIARI, 1999, p. 52).
Como se sabe (e é como é ensinado no colégio pela gramática normativa, ainda nos dias de hoje nas aulas sobre poesia), a tradição da literatura portuguesa conta as sílabas poéticas somente até a última sílaba tônica do verso. Segundo a Gramática Normativa da
Língua Portuguesa (ROCHA LIMA, 1999, p. 524), “(...) contam-se os versos somente até a
última sílaba tônica: daí três espécies: a) Agudos, os terminados em palavra oxítona; b)
Graves, os terminados em palavra paroxítona; c) Exdrúxulos, os terminados em palavra
proparoxítona”. Esse ensinamento foi pregado por Castilho (1850) em um tratado de metrificação de grande importância para a literatura portuguesa, vindo a se tornar tradição para o português, já que o seu modo de contar as sílabas é ainda o mais usado.
Além da contagem até a última sílaba tônica do verso, Castilho (1850) também ensina como contar as sílabas poéticas no interior do verso, pregando que as sílabas são contadas não pelo que elas são gramaticalmente, mas antes pelo tempo em que são pronunciadas. Isto quer dizer que, se uma palavra termina em vogal, dentro do verso, e a palavra seguinte começa por uma vogal, o poeta poderá juntar essas duas sílabas (a sílaba final de uma palavra e a primeira sílaba da palavra seguinte) em uma sílaba poética apenas, caso elas sejam pronunciadas em um só tempo. Como exemplo, suponhamos que exista, dentro de um verso, as palavras noite
escura. Se contarmos as sílabas gramaticais dessas palavras, podemos ver que elas possuem 5
sílabas. Mas, como a última sílaba da palavra noite termina com uma vogal e a primeira sílaba da palavra escura começa por uma vogal e essas duas vogais são idênticas, pode-se elidir as duas sílabas em uma só, ocupando o que Castilho (1850) chama de um só tempo na pronúncia, que ficaria, então, assim: noit’escura, possuindo apenas 4 sílabas poéticas. Para isso, ele estabelece alguns critérios:
O metrificador, em alguns casos tem obrigação de elidir as vogaes; em outros, faculdade de elidir ou não; em outros, impossibilidade de as elidir: Obrigação, como em muito amor, de que fará sempre muit’amor;
Liberdade, como em saudade, que pode ser sa-u-da-de, ou sau-da-de; Prohibição, como em má alma, que por modo nenhum fará malma, posto que semelhantes exemplos se encontram em antigos, e até em modernos.
O regulador é o ouvido, pois as regras só por elle e para elle foram ditadas. (CASTILHO, 1850, vol. I: p. 26)
Ali (1948), ao contrário de Castilho, em um tratado um século mais novo do que o deste, conta as sílabas poéticas portuguesas à moda dos italianos e espanhóis, contando todas as sílabas do verso, considerando sempre uma sílaba após a tônica, mesmo que ela não exista (como acontece nos versos agudos, terminados em oxítonas).
Michaëlis de Vasconcelos (1912-13), assim como Castilho (1850), diz que a contagem das sílabas poéticas deve ser feita apenas até a última sílaba tônica, nas cantigas medievais portuguesas.
Como a metodologia utilizada neste estudo é baseada na identificação da sílaba tônica a partir da contagem das sílabas poéticas e na identificação da proeminência principal do verso (que corresponde à sílaba tônica da última palavra do verso), é fundamental saber, com exatidão, de que forma se dá a escansão do verso em sílabas poéticas. Nas CSM, como nas cantigas profanas, convivem as duas formas de contagem, embora, nas religiosas, predomine a contagem até a última sílaba tônica do verso, desconsiderando as sílabas átonas finais (MASSINI-CAGLIARI, 2005, p. 174-175). Massini-Cagliari (2005, p. 178) ainda diz que:
O fato de poder haver alternância entre versos graves e agudos e de coexistirem duas estratégias opostas de versificação quanto às sílabas átonas de final de verso é de crucial importância, porque fornece pistas na direção do estabelecimento do padrão rítmico básico do PA, ou seja, do pé rítmico que serve de base à localização do acento lexical.
Com relação às CSM, pudemos encontrar três tipos de cantiga, dependendo da sua forma de metrificação: cantigas com versos agudos apenas (versos que terminam exatamente na sílaba tônica, exemplo 3.1); cantigas compostas somente com versos graves (versos que
terminam com uma sílaba átona após a tônica, exemplo 3.2); e, cantigas que alternam os dois tipos de verso, exemplo 3.3.
(3.1) Quenas coitas deste mundo ben quiser soffrer,
Santa Maria deve sempr’ ante si põer.
E desto vos quer’eu ora contar, segund’a letra diz, un mui gran miragre que fazer quis pola Enperadriz de Roma, segund’eu contar oý, per nome Beatriz, Santa Maria, a Madre de Deus, ond’este cantar fiz,
que a guardou do mundo, que lle foi mal joyz, e do demo que, por tentar, a cuydou vencer.
Quenas coitas deste mundo ben quiser sofrer...
Esta dona, de que vos disse já, foi dun Emperador moller; mas pero del nome non sei, foi de Roma sennor e, per quant’eu de seu feit’aprendi, foi de mui gran valor. Mas a dona tant’era fremosa, que foi das belas flor
e servidor de Deus e de as ley amador, e soube Santa Maria mays d’al ben querer.
Quenas coitas deste mundo ben quiser sofrer...
(1ª e 2ª estrofes da CSM nº 5, Mettmann, 1986b, pp. 66, 67)
(3.2) Muito devemos, varões,
loar a Santa Maria
que sas graças e seus dões dá a quen por ela fia.
Sen muita de bõa manna, que deu a un seu prelado, que primado foi d’Espanna e Affons’era chamado, deu-ll’hũa tal vestidura que trouxe de Parayso, ben feyta a ssa mesura, porque metera seu siso en a loar noyt’ e dia.
Poren devemos, varões...
Ben enpregou el seus ditos, com’achamos en verdade, e os seus bõos escritos que fez da virgĩidade daquesta Sennor mui santa,
per que sa loor tornada foi en Espanna de quanta a end’ avian deytada judeus e a eregia.
Poren devemos, varões...
(1ª e 2ª estrofes da CSM nº 2, Mettmann, 1986b, p. 59)
(3.3) Rosas das rosas e Fror das frores, Dona das donas, Sennor das sennores.
Rosa de beldad’e de parecer e Fror d’alegria e de prazer, Dona en mui piadosa seer, Sennor en toller coitas e doores.
Rosas das rosas e Fror das frores...
Atal Sennor dev’ome muit’amar, que de todo mal o pode guardar; e pode-ll’os peccados perdõar, que faz no mundo per maos sabores.
Rosas das rosas e Fror das frores...
Devemo-la muit’amar e servir, ca punna de nos guardar de falir; des i dos erros nos faz repentir, que nos fazemos come pecadores.
Rosas das rosas e Fror das frores...
Esta dona que tenno por Sennor e de que quero seer trobador, se eu per ren poss’aver seu amor, dou ao demo os outros amores.
Rosas das rosas e Fror das frores...
(CSM nº 10, Mettmann, 1986b, pp. 84, 85)
Seguindo a metodologia de Massini-Cagliari (1995, 1999), enfocamos a palavra que está na posição final do verso, que é a posição em que se estabelecem as rimas poéticas. Essa posição é privilegiada na metodologia pelo fato de se poder estabelecer com segurança, devido à contagem das sílabas poéticas – que vai até a última sílaba tônica do verso, no
sistema métrico-poético utilizado para o português – se a palavra, na posição da rima, é oxítona, paroxítona, proparoxítona ou se se trata de um monossílabo.
Desse modo, quando nos deparamos com um verso agudo, temos, na posição de rima poética, uma palavra oxítona ou monossílabo acentuado e, quando nos deparamos com um verso grave, temos uma palavra paroxítona, ou uma palavra oxítona seguida de clítico em posição de ênclise, ou um monossílabo acentuado seguido de clítico (enclítico).9 Pode-se
questionar, no entanto, que não seria possível encontrar palavras proparoxítonas nessa posição, o que de fato foi constatado no corpus religioso e já tinha sido constatado anteriormente por Massini-Cagliari (1995, 1999), em relação ao corpus de cantigas profanas.
Mostraremos, agora, como exemplo da contagem de sílabas poéticas, uma estrofe da CSM n° 7 na edição de Mettmann (1986b, p. 75):
(3.4) Po/ren/de/ vos/ com/ta/rey 7 un/ mi/ra/gre/ que/ a/chei 7 que/ por/ hũ/a/ ba/de/sas 6 fez/ a/ Ma/dre/ do/ gran/ Rei 7 ca,/ per/ co/m’eu/ a/pre/s’ei, 7 e/ra/-xe/ su/a/ e/ssa. 6 Mas/ o/ de/mo/ e/nar/tar 7 a/ foi/, por/ que/ em/pre/nnar 7 s’ ou/ve/ dun/ de/ Bo/lo/nna, 6 o/me/ que/ de/ re/ca/dar 7 a/vi/a/ e/ de/ guar/dar 7 seu/ fei/t’ e/ sa/ be/so/nna. 6
9 Não foram encontrados monossílabos acentuados seguidos de clítico, em posição de ênclise, no levantamento
das palavras que figuram na posição de rima poética. Foram encontradas apenas formas verbais, de mais de uma sílaba, seguidas de pronomes átonos. São elas: a) formas do infinitivo com pronome átono enclítico (saca-la,
recea-la, loa-la, lava-lo...); b) formas do pretérito perfeito com pronome átono enclítico (onrrou-a, passou-a...);
c) formas do futuro do presente como pronome átono em posição de mesóclise (valer-ll-á, acorre-lo-á, ave-lo-
á...). Neste último caso, a palavra rima com palavras oxítonas e os versos em que estão localizadas são versos
Notamos que, nesta cantiga, temos uma alternância entre versos agudos de sete sílabas poéticas e versos graves de seis sílabas poéticas
Como já existe um levantamento de todas as palavras que figuram em posição de rima feito por Betti (1997), não foi necessário fazermos a contagem das sílabas poéticas de todas as CSM, mas somente no caso de palavras que geraram dúvidas quanto à posição da sílaba tônica.