A Avaliação dos Programas de Pós-graduação (conhecido como Sistema CAPES), implantado em 1976, envolve o acompanhamento anual e a avaliação trienal do desempenho de todos os programas e cursos que integram o Sistema Nacional de Pós-graduação. Os resultados desse processo, expressos pela atribuição de uma nota na escala de 1 a 7, determinam quais cursos obterão a renovação de reconhecimento, a vigorar no triênio subsequente. O Sistema CAPES abrange dois processos conduzidos por comissões de consultores do mais alto nível, vinculados a instituições de ensino das diferentes regiões do país: a Avaliação das Propostas de Cursos Novos e a Avaliação dos Programas de Pós- graduação.
A Avaliação das Propostas de Cursos Novos é parte do rito estabelecido para a admissão de novos programas e cursos como integrantes do Sistema Nacional de Pós- graduação (SNPG) e que se constitui numa rotina unificada para o ingresso de todos os cursos novos no sistema e funciona na seguinte sequência:
a) Ao avaliar as propostas de cursos novos, a CAPES verifica a qualidade de tais propostas e se elas atendem ao padrão de qualidade requerido desse nível de formação;
b) Os resultados desse processo são encaminhados ao Conselho Nacional de Educação para fundamentar a deliberação desse órgão sobre o reconhecimento dos novos cursos.
A Avaliação dos Programas de Pós-graduação compreende os processos de Acompanhamento Anual e de Avaliação Trienal do desempenho dos programas e cursos que integram o Sistema Nacional de Pós-graduação, SNPG. O Acompanhamento Anual é realizado no período compreendido entre os anos de realização das avaliações trienais. Tem por objetivo o estabelecimento de um diálogo entre a CAPES e as instituições promotoras de cursos de mestrado e doutorado com vistas à orientação da atuação dos programas de forma que possam elevar a qualidade de seu desempenho e superar os problemas que eventualmente estejam a enfrentar – se possível antes da Avaliação Trienal subsequente.
O Acompanhamento não implica na atribuição de conceitos aos programas, mas apenas na apresentação de um parecer com os comentários considerados pertinentes pela Comissão de Área, e não enseja que seus resultados sejam contestados mediante a apresentação de recursos ou pedidos de reconsideração.
Os resultados da avaliação de cada programa são apresentados na Ficha de Avaliação definida pelo CTC, de que constam, no que se refere aos vários quesitos e itens avaliados, os atributos a ele consignados, com os respectivos comentários e justificativas da comissão avaliadora, e, ao final, o conceito correspondente ao seu desempenho no triênio, na escala de 1 a 7 adotada. Tais resultados podem ser contestados pelas instituições de ensino mediante a apresentação de recurso contra a decisão inicial comunicada pela CAPES e, uma vez homologados pelo Ministro da Educação, são válidos até a homologação dos resultados da Avaliação Trienal subsequente.
Os resultados da Avaliação Trienal realizada pela CAPES, além de indicarem a qualidade do desempenho e a posição relativa de cada programa no contexto de sua respectiva área, servem de referência para as decisões dos órgãos governamentais de investimento na pesquisa e na pós-graduação e fundamentam as deliberações do Conselho Nacional de Educação sobre quais cursos de mestrado e de doutorado obterão, para vigência no triênio seguinte, a renovação de seu reconhecimento.
Tanto a Avaliação das Propostas de Cursos Novos como a Avaliação dos Programas de Pós-graduação são processos alicerçados em um mesmo conjunto de princípios, diretrizes e normas, compondo um só Sistema de Avaliação, cujas atividades são realizadas pelos mesmos agentes: os consultores acadêmicos.
A Avaliação do Sistema Nacional de Pós-Graduação, na forma como foi estabelecida a partir de 1998, é orientada pela Diretoria de Avaliação/CAPES e realizada com a participação da comunidade acadêmico-científica por meio de consultores ad hoc. A avaliação é atividade essencial para assegurar e manter a qualidade dos cursos de Mestrado e Doutorado no país.
Os objetivos da avaliação são a certificação da qualidade da pós-graduação brasileira (referência para a distribuição de bolsas e recursos para o fomento à pesquisa) e a identificação de assimetrias regionais e de áreas estratégicas do conhecimento para orientar ações de indução na criação e expansão de programas de pós-graduação no território nacional. Os referenciais empregados nos processos avaliativos são os documentos de área, tanto na elaboração e submissão de propostas de cursos novos quanto na avaliação trienal dos cursos em funcionamento. Neles, estão descritos o estado atual, as características e as perspectivas, assim como os quesitos considerados prioritários na avaliação dos programas de pós-graduação pertencentes a cada uma das 48 áreas de avaliação. Em conjunto com as Fichas de Avaliação e os Relatórios de Avaliação, os documentos de Área constituem o trinômio que expressa os processos e os resultados da Avaliação Trienal (CAPES, 2014).
Dividida em dois processos distintos que se referem à entrada e à permanência dos cursos de mestrado profissional, mestrado acadêmico e doutorado, a avaliação dos cursos de pós-graduação stricto sensu é realizada pela CAPES desde 1976 e tem como objetivo a formação pós-graduada de docentes para todos os níveis de ensino, a formação de recursos humanos qualificados para o mercado não acadêmico; e o fortalecimento das bases científicas, tecnológica e de inovação no país. Ambos os processos são conduzidos com base nos mesmos fundamentos: o reconhecimento e confiabilidade fundados na qualidade assegurada pela análise dos pares; a atualização de debates dos critérios por toda a comunidade acadêmico- científica a cada período avaliativo e a transparência- com ampla divulgação das decisões, ações e resultados.
Figura 05: Organização do Sistema de Avaliação da Pós-Graduação Fonte: CAPES, 2014
A avaliação é realizada em 48 áreas de avaliação, número vigente em 2014, e segue um mesmo conjunto de quesitos básicos estabelecidos no Conselho Técnico Científico da Educação Superior (CTC-ES) – que é a instância normativa e consultiva da Capes e responsável pela apreciação das avaliações efetivadas pelas comissões de áreas. As 48 áreas de avaliação são agregadas, por critério de afinidade, em dois níveis: três Colégios e nove Grandes Áreas, como disposto no quadro a seguir:
COLÉGIO DE CIÊNCIAS DA VIDA
CIÊNCIAS AGRÁRIAS CIÊNCIAS BIOLÓGICAS CIÊNCIAS DA SAÚDE
Ciências de Alimentos Biodiversidade Educação Física Ciências Agrárias I Ciências Biológicas I, II e III Enfermagem
Medicina Veterinária Farmácia
Zootecnia/Recursos Pesqueiros Medicina I, II e III Odontologia Saúde Coletiva COLÉGIO DE CIÊNCIAS EXATAS, TECNOLÓGICAS E MULTIDISCIPLINAR CIÊNCIAS EXATAS E DA
TERRA ENGENHARIAS MULTIDISCIPLINAR
Astronomia/Física Engenharias I, II, III e IV Biotecnologia
Ciência da Computação Ciências Ambientais
Geociências Ensino
Matemática/Probabilidade e
Estatística Interdisciplinar
Química Materiais
COLÉGIO DE HUMANIDADES
CIÊNCIAS HUMANAS CIÊNCIAS SOCIAIS
APLICADAS
LINGUÍSTICA, LETRAS E ARTES
Antropologia/Arqueologia Administração, Ciências
Contábeis e Turismo Artes/ Música Ciência Política e Relações
Internacionais Arquitetura e Urbanismo Letras/Linguística
Educação Ciências Sociais Aplicadas
Filosofia/Teologia Direito
Geografia Economia
História Planejamento urbano e
Regional/Demografia
Psicologia Serviço Social
Sociologia
Quadro 08 – As Áreas de Avaliação da Capes Fonte: Brasil, 2014
A fase de coleta de dados é operacionalizada por um sistema informatizado da CAPES, desenvolvido com o objetivo de coletar informações dos programas de pós- graduação stricto sensu do país. Com o lançamento da Plataforma Sucupira, o Coleta de Dados foi reformulado e passa a ser um dos módulos que a constituem. Os dados coletados prestam-se principalmente à avaliação dos programas de pós-graduação e para a constituição da chamada ―memória da pós-graduação‖, que é o acervo de informações consolidadas sobre o Sistema Nacional de Pós-Graduação - SNPG. A coleta de dados objetiva, ainda, prover a CAPES informações necessárias ao planejamento dos seus programas de fomento e delineamento de suas políticas institucionais.
Os dados podem ser preenchidos continuamente pelo coordenador do curso de pós- graduação, à medida que estiverem disponíveis no programa de pós-graduação (PPG). A Plataforma poderá ser consultada permanentemente por toda a comunidade por meio de relatórios consolidados, à medida que o PPG passe a inserir suas informações no módulo Coleta da Plataforma Sucupira.
Apesar da possibilidade de inserção contínua de dados dos PPGs, há um período ao longo do ano/semestre em que é solicitado ao Coordenador do PRG, juntamente com o Pró- Reitor, a conferência e consolidação das informações inseridas na plataforma até determinado momento.