A classificação de um artigo científico em um determinado estrato é dada pelo Fator de Impacto (FI), que é uma medida que reflete o número médio de citações de artigos científicos publicados em determinado periódico. É empregado frequentemente para avaliar a importância de um dado periódico em sua área, sendo que aqueles com um maior FI são considerados mais importantes do que aqueles com um menor FI. O Fator de Impacto foi criado por Eugene Garfield, o fundador do Institute for Scientific Information (ISI), hoje parte da Thomson Reuters Corporation. Desde 1972, os FI são calculados anualmente para os periódicos indexados ao ISI e depois publicados no Journal of Citation Reports (JCR), também da Thomson Reuters.
Já o JCR é uma base de dados estatística da editora Thomson Reuters que permite avaliar e comparar publicações científicas utilizando dados de citações extraídos de revistas acadêmicas e técnicas, é uma base reconhecida por avaliar periódicos indexados na Web of Science e apresenta dados quantitativos que apoiam uma revisão sistemática e objetiva das revistas, cobrindo as seguintes áreas do conhecimento: Ciências Agrárias, Ciências Biológicas, Ciências Sociais, Ciências Sociais Aplicadas, Ciências Exatas, Ciências da Terra e Engenharias.
O Qualis Periódicos está dividido em oito estratos, em ordem decrescente de valor, que são: A1, A2, B1, B2, B3, B4, B5 e C. Os quatro primeiros estratos ficaram assim classificados:
A1- Fator de Impacto igual ou superior a 3,800 A2- Fator de Impacto entre 3,799 e 2,500 B1- Fator de Impacto entre 2,499 e 1,300 B2- Fator de Impacto entre 1,299 e 0,001
Em termos matemáticos, em um dado ano, o FI de um periódico é calculado como o número médio de citações dos artigos que foram publicados durante o biênio anterior (GARFIELD, 1998). Por exemplo, o FI de um dado periódico em 2009 pode ser calculado como se segue:
sendo A = o número de vezes em que os artigos publicados em 2007 e 2008 foram citados por periódicos indexados durante 2009
sendo B = o número total de "itens citáveis" publicados em 2007 e 2008 ("itens citáveis": geralmente artigos, revisões, resumos de congressos ou notas, não sendo computados editoriais ou cartas ao editor)
então, o fator de impacto de 2009 = A/B
Aplicando-se a equação descrita acima se, no periódico, foram publicados 320 artigos científicos no biênio 2007-2008 e se, no ano seguinte, estes receberam 920 citações, seu FI em 2009 será 920/320 = 2,875.
Os fatores de impacto de um ano são publicados no ano seguinte e, para tal, eles não podem ser calculados até que todas as publicações do ano em questão tenham sido recebidas pela agência de indexação. Novos periódicos recebem seu respectivo FI apenas após dois anos de indexação. A contagem dos FI de anuários e publicações irregulares geralmente é afetada. O FI refere-se a um período específico de tempo; logo é possível calculá-lo para qualquer período desejado, sendo que o JCR inclui um FI de cinco anos. Também mostra uma listagem de periódicos por FI e, se desejado, por área ou disciplina.
. O Portal CAPES também disponibiliza, desde 2009, o Journal Citation Reports, uma base que apresenta indicadores bibliométricos de periódicos, tais como o fator de impacto e o índice de repercussão.
O JCR oferece uma perspectiva para avaliação e comparação de periódicos por meio da acumulação e tabulação de contagens de citações e artigos de praticamente todas as especialidades nos campos da ciência. Possui mais de 10.500 revistas, entre as mais citadas do mundo, em 232 disciplinas, mais de 2.500 editores em 82 países e mais de 1.400 revistas regionais.
É uma importante ferramenta para auxiliar tanto para pesquisadores, que poderão determinar onde publicar seus trabalhos e quais periódicos utilizar em suas pesquisas, quanto para bibliotecários, que realizam análises de coleções de periódicos para aquisição. O JCR permite identificar nos periódicos indexado na Web of Science, os periódicos mais frequentemente citados em um campo de pesquisa; os periódicos com maior impacto em um campo e os artigos mais publicados em um campo.
No Portal da Capes há uma lista, que pode ser acessada por área de conhecimento, de todos os periódicos e seus equivalentes estratos – que, por sua vez, traduzem o fator de impacto, pois o mesmo classifica o estrato. Desse modo, um estrato A1 terá, obrigatoriamente, um FI igual ou superior a 3,800. Para fins de exemplificação, tomaremos as áreas de Educação e de Engenharia de Produção apenas nos fatores de impacto dos estratos A1, dada a impossibilidade de reproduzir, aqui, os milhares de periódicos existentes na lista em todos os estratos.
A área da Educação, na lista, contempla os cursos de Educação, Educação – Processos Formativos e Desigualdades Sociais, Educação (Currículo), Educação (Psicologia da Educação), Educação Agrícola, Educação Ambiental, Educação Contemporânea, Educação do Campo, Educação e Contemporaneidade, Educação e Ensino, Educação e Tecnologia, Educação Escolar, Educação Especial (Educação do Indivíduo Especial), Educação nas Ciências, Educação Sexual, Educação Tecnológica, Educação, Contextos Contemporâneos e Demandas Populares, Educação, Cultura e Comunicação, Educação: História, Política, Sociedade, Formação de Professores, Gestão e Práticas Educacionais, Gestão e Tecnologias Aplicadas À Educação, Gestão Educacional, Gestão e Avaliação da Educação Pública, Processos Socioeducativos e Práticas Escolares, Tecnologia e Gestão em Educação a Distância e Tecnologias, Comunicação e Educação.
No estrato A1 da área de Educação, há 90 Journals ( periódicos) com fator de impacto para o estrato A1, contudo nem todos são exatamente da área, como é o caso de periódicos como o The Psychological Record - revista do Departamento de História da UFF; Revista de Historia (USP); Revista Brasileira de História; Revista Brasileira de Ciências Sociais; Psicologia: Reflexão e Crítica; Machado de Assis em Linha; Journal of the Experimental Analysis of Behavior; Journal of Applied Psychology; International Labor and Working Class History; Infant and Child Development; Human Movement Science; História/ Ciências/ Saúde-Manguinhos; Geoforum; Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea; Estudios Sociológicos; Culture & Psychology; Comunicar; Child Abuse & Neglect e Alfa: Revista de Linguística – por exemplo. Muitos periódicos são da área de Psicologia, História e Sociologia.
Já a área de Engenharia de Produção está enquadrada no grupo Engenharias III – que reúne os seguintes cursos: Automação e Controle de Processos, Ciência e Engenharia de Petróleo, Ciências e Tecnologias Espaciais, Ciências Mecânicas, Engenharia de Produção,
Engenharia Aeronáutica e Mecânica, Engenharia Automobilística, Engenharia Automotiva, Engenharia de Energia, Engenharia de Processos, Engenharia de Produção e Sistemas, Engenharia de Produção e Sistemas Computacionais, Engenharia de Recursos da Amazônia, Engenharia de Recursos Naturais da Amazônia, Engenharia de Reservatório e de Exploração, Engenharia e Tecnologia Espaciais, Engenharia Mecânica, Engenharia Mecânica e de Materiais, Engenharia Mecânica e Tecnologia de Materiais, Engenharia Industrial, Engenharia Naval e Oceânica, Engenharia Oceânica, Gestão e Tecnologia em Sistemas Produtivos, Integridade de Materiais da Engenharia, Logística e Pesquisa Operacional, Mecatrônica, Métodos Numéricos em Engenharia, Metrologia, Metrologia e Qualidade, Montagem Industrial, Pesquisa Operacional, Pesquisa Operacional e Inteligência Computacional, Planejamento Energético, Projeto e Processos de Fabricação, Sistemas de Gestão, Sistemas e Processos Industriais, Sistemas Mecatrônicos, Tecnologia e Tecnologia da Energia.
No entanto, entre seus 101 periódicos com fator de impacto no estrato A1, há diversos de outras áreas, como: Food Research International; Food Quality and Preference; Food Control; Food Chemistry - específicos da área de Engenharia de Alimentos – além dos específicos para as áreas da Engenharia Química, como Atmospheric Chemistry and Physics; Biogeochemistry; Chemical Engineering Journal; Chemical Engineering Science; Chemical Research in Toxicology; Chemometrics and Intelligent Laboratory Systems; Comparative Biochemistry and Physiology; Toxicology & Pharmacology; . Ainda, há uma enorme quantidade de periódicos de outras áreas – como Medicina, Biologia, farmacologia e Odontologia - que estão classificados com Estrato A1 nas Engenharias III, como é o caso do Critical Care Medicine e Dental Materials. Se na Educação, a situação é complexa, na Engenharia de Produção ela se revela ainda mais aguda.
Para termos uma ideia mais clara da dimensão da problemática, é essencial procedermos à análise de alguns dos periódicos disponíveis, no Estrato A1, no grupo das Engenharias III .
Periódico Área de Interesse de acordo com o JCR Avaliações Qualis DENTAL MATERIALS DENTISTRY,
ORAL SURGERY & MEDICINE MATERIALS SCIENCE, BIOMATERIALS A1 ENGENHARIAS III A1 INTERDISCIPLINAR A1 ODONTOLOGIA A2 ENGENHARIAS II A2 QUÍMICA RESPIRATORY PHYSIOLOGY & NEUROBIOLOGY PHYSIOLOGY - RESPIRATORY SYSTEM A1 ENGENHARIAS III B1 EDUCAÇÃO FÍSICA A2 MEDICINA III B1 CIÊNCIAS BIOLÓGICAS I B1 ENGENHARIAS IV B1 MEDICINA I B1 MEDICINA II B1 ODONTOLOGIA B2 CIÊNCIAS BIOLÓGICAS II PLANT DISEASE -
PLANT SCIENCES A1 ENGENHARIAS III A2 CIÊNCIAS AGRÁRIAS B1 CIÊNCIAS BIOLÓGICAS I B2 BIOTECNOLOGIA B2 CIÊNCIAS BIOLÓGICAS II A1 ENGENHARIAS PHYSICS IN MEDICINE AND BIOLOGY - ENGINEERING, BIOMEDICAL -
RADIOLOGY, NUCLEAR MEDICINE & MEDICAL IMAGING A1 ENGENHARIAS III A1 INTERDISCIPLINAR A1 SAÚDE COLETIVA A2 ENGENHARIAS II A2 MEDICINA I A2 MEDICINA II A2 ODONTOLOGIA B1 ASTRONOMIA / FÍSICA B1 CIÊNCIAS BIOL I B1 CIÊNCIAS BIOL. I
Quadro 13 – Periódicos de outras áreas com estrato A1 nas Engenharias III Fonte: Elaboração própria, 2015
As incongruências da estratificação estão óbvias, ao percebermos que, por exemplo, um periódico como o Respiratory Physiology & Neurobiology, declaradamente da área de Ciências da Saúde, possui uma pontuação mais alta para a Engenharia III do que para a sua própria área afim, a Medicina, na qual ele é estrato apenas B1.
Outra questão é que também não estão contemplados os periódicos nacionais relativos à área de Engenharias III, conforme dispostos no sítio da ABEPRO e que são os seguintes:
REVISTAS NACIONAIS DA ENGENHARIA DE PRODUÇÃO Revista PRODUCTION (ABEPRO) Revista ABENGE (Associação Brasileira de Ensino em Engenharia)
Ciência & Tecnologia (Universidade Metodista de Piracicaba – UNIMEP) Revista da UNIVERSIDADE DO AMAZONAS (Universidade do Amazonas) EDUCAÇÃO & TECNOLOGIA (CEFET-PR/PPGTE) GESTÃO & PRODUÇÃO (Universidade Federal de São Carlos) Revista O Mundo da Usinagem (Sandvik do Brasil - Divisão Coromant) Revista PESQUISA OPERACIONAL (Sociedade Brasileira de Pesquisa Operacional) Revista Produto e Produção (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Revista
TECNOLOGIA (Universidade de
Fortaleza)
Product: Management & Development (Universidade Federal de São Carlos) GEPROS (Universidade Estadual Paulista) EXACTA (Universidade Nove de Julho) REDIGE (Revista de Design, Inovação e Estratégica - SENAI)
Quadro 14 – Periódicos Nacionais da Engenharia de Produção Fonte: ABEPRO, 2015
A Engenharia de Produção é, sem dúvida, a menos tecnológica das engenharias na medida que é mais abrangente e genérica, englobando um conjunto maior de conhecimentos e habilidades. – e se dedica ao projeto e gerência de sistemas que envolvem pessoas, materiais, equipamentos e o ambiente e é, sem dúvida, a menos tecnológica das engenharias, com uma proposta curricular mais abrangente e genérica. E ela atua num universo relacionado à economia, meio ambiente, finanças, logística, custos, organização do trabalho, projetos industriais, gestão da qualidade, layout de fábricas etc., além dos conhecimentos tecnológicos básicos da engenharia. Trata-se de um curso com características bastante diferentes das demais Engenharias e que está completamente deslocada no grupo das Engenharias III- e o próprio Conselho de classe (CONFEA) atesta isso, ao definir o corolário de atribuições do engenheiro de produção:
O Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, usando das atribuições que lhe conferem a letra "f" do artigo 27 da Lei nº 5.194, de 24 DEZ 1966,
RESOLVE:
Art. 1º - Compete ao Engenheiro de Produção o desempenho das atividades 01 a 18 do artigo 1º da Resolução nº 218, de 29 JUN 1973, referentes aos procedimentos na fabricação industrial, aos métodos e seqüências de produção industrial em geral e ao produto industrializado; seus serviços afins e correlatos.
Art. 2º - Aplicam-se à presente Resolução as disposições constantes do artigo 25 e seu parágrafo único da Resolução nº 218, de 29 JUN 1973 (ABEPRO,2015).
O grupo das Engenharias III – destinado às ciências ‗duras‘, situa a Engenharia de Produção ao lado de cursos como Ciências e Tecnologias Espaciais. Ciência e Engenharia do Petróleo, Engenharia Aeronáutica e Mecânica, Engenharia Naval e Oceânica, entre outras. E isso é algo que penaliza os Programas, pois exige um esforço muito maior para as publicações – que também esbarram na adequação das áreas de concentração da Engenharia de Produção.
Conforme a Associação Brasileira de Engenharia de Produção (ABEPRO), são dez as subáreas afeitas ao curso – e, por meio da análise dessas áreas, é possível percebermos sua característica multidisciplinar e a diferença de perfil com relação aos demais cursos agrupados nas Engenharias III – o que enfraquece a representatividade das publicações da Engenharia de Produção no grupo em que está inserida – causando distorções e dificuldades para publicar em periódicos de estrato A1 que fogem totalmente ao escopo do curso.
A ABEPRO, que é a instituição representativa de docentes, discentes e profissionais de Engenharia de Produção e uma associação que atua há mais de 20 anos assumindo as funções de esclarecer o papel do Engenheiro de Produção na sociedade e em seu mercado de atuação, ser interlocutor junto às instituições governamentais relacionadas à organização e avaliação de cursos (MEC e INEP) e de fomento (CAPES, CNPq , FINEP e órgãos de apoio à pesquisa estaduais), assim como em organizações privadas, junto ao CREA , CONFEA, SBPC, ABENGE e outras organizações não governamentais que tratam a pesquisa, o ensino e a extensão da engenharia – e a entidade divide a Engenharia de Produção em dez áreas, que são as seguintes:
1. ENGENHARIA DE OPERAÇÕES E PROCESSOS DA PRODUÇÃO .
1.1. Gestão de Sistemas de Produção e Operações 1.2. Planejamento, Programação e Controle da Produção
1.3. Gestão da Manutenção
1.4. Projeto de Fábrica e de Inst.Industriais 1.5. Processos Produtivos Discretos e Contínuos 1.6. Engenharia de Métodos
2. LOGÍSTICA
2.1. Gestão da Cadeia de Suprimentos 2.2. Gestão de Estoques
2.3. Projeto e Análise de Sistemas Logísticos 2.4. Logística Empresarial
2.5. Transporte e Distribuição Física 2.6. Logística Reversa
3. PESQUISA OPERACIONAL 3.1. Modelagem, Simulação e Otimização 3.2. Programação Matemática
3.3. Processos Decisórios 3.4. Processos Estocásticos 3.5. Teoria dos Jogos 3.6. Análise de Demanda 3.7. Inteligência Computacional
4. ENGENHARIA DA QUALIDADE 4.1. Gestão de Sistemas da Qualidade 4.2. Planejamento e Controle da Qualidade 4.3. Normalização, Auditoria e Certificação 4.4. Organização Metrológica da Qualidade 4.5. Confiabilidade de Processos e Produtos
5. ENGENHARIA DO PRODUTO 5.1. Gestão do Desenvolvimento de Produto 5.2. Processo de Desenvolvimento do Produto 5.3. Planejamento e Projeto do Produto
6. ENGENHARIA ORGANIZACIONAL 6.1. Gestão Estratégica e Organizacional 6.2. Gestão de Projetos
6.3. Gestão do Desempenho Organizacional 6.4. Gestão da Informação 6.5. Redes de Empresas 6.6. Gestão da Inovação 6.7. Gestão da Tecnologia 6.8. Gestão do Conhecimento 7. ENGENHARIA ECONÔMICA 7.1. Gestão Econômica 7.2. Gestão de Custos 7.3. Gestão de Investimentos 7.4. Gestão de Riscos 8. ENGENHARIA DO TRABALHO 8.1. Projeto e Organização do Trabalho 8.2. Ergonomia
8.3. Sistemas de Gestão de Higiene e Segurança do Trabalho
8.4. Gestão de Riscos de Acidentes do Trabalho 9. ENGENHARIA DA SUSTENTABILIDADE
9.1. Gestão Ambiental
9.2. Sistemas de Gestão Ambiental e Certificação 9.3. Gestão de Recursos Naturais e Energéticos 9.4. Gestão de Efluentes e Resíduos Industriais 9.5. Produção mais Limpa e Eco eficiência 9.6. Responsabilidade Social
9.7. Desenvolvimento Sustentável
10. EDUCAÇÃO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO
10.1. Estudo da Formação do Engenheiro de Produção
10.2. Estudo do Desenvolvimento e Aplicação da Pesquisa e da Extensão em Engenharia de Produção 10.3. Estudo da Ética e da Prática Profissional em Engenharia de Produção
10.4. Práticas Pedagógicas e Avaliação do Processo de Ensino-Aprendizagem em Engenharia de Produção
10.5. Gestão e Avaliação de Sistemas Educacionais de Cursos de Engenharia de Produção
Quadro 15 – As áreas da Engenharia de Produção Fonte: ABEPRO, 2015
Diante de situações contraditórias como as aqui reveladas e da imaturidade do sistema Qualis, várias críticas tem sido feitas com relação ao emprego do FI e à classificação dos estratos nas áreas, que vem causando problemas, dificuldades e impedimentos a muitos Programas.. Além do debate sobre a real utilidade da métrica das citações, a maioria das críticas é relacionada com a própria validade do FI – que, ao medir a frequência com que um artigo é citado, acaba também por incluir as auto citações e o fato de que os periódicos que publicam apenas artigos de revisão ou artigos originais e de revisão recebem um maior FI do que os periódicos que publicam apenas artigos originais. Finalmente, fatores como o número de periódicos por área de conhecimento, a variação do número de referências por artigo em cada área, ou o regionalismo de algumas áreas e periódicos devem ser discutidos. Logo, diversos fatores devem ser considerados ao se interpretar o valor do fator de impacto de um dado periódico e utilizá-lo em avaliações de cientistas e instituições.
Há, ainda, uma corrente crítica que alerta para a necessidade de preservação do espírito crítico e ético para não se sucumbir à tentação de fazer uso de expedientes espúrios, sob a pressão da produtividade acadêmica (plágios; falsificações de dados; apropriação de ideias; contagem de edições de um mesmo livro como se fossem vários; apresentação de um trabalho em vários eventos, como se fossem trabalhos diferentes; rodízio de citação bibliográfica entre amigos; e a ‗autoria graciosa‘ – gifted authorship – em que pessoas que não participaram, de alguma forma, da produção de um artigo figurem como coautores, usando, muitas vezes, da autoridade de professores, orientadores ou chefes. Essas são práticas que, infelizmente, existem no mundo acadêmico. Além de desonestas, são injustas com os autores com chances desiguais de reconhecimento acadêmico.
Todas essas questões tem, até o momento, sido esparsamente publicadas e circunscritas a apresentações de resultados de pesquisas isoladas ou depoimentos inconformados de alguns poucos representantes dos Programas de pós-graduação. É importante, diante do universo de contribuições possíveis, que se descortine um espaço para as vozes dos docentes e que a base da pirâmide seja amplamente ouvida.
Os desdobramentos do desgaste acadêmico - traduzido pela indução a um ritmo sobrecarregado de publicações - ao qual os docentes submetem-se, em virtude dos critérios quantitativos da avaliação da Capes e o caráter punitivo e excludente da atual forma de avaliação que, mesmo enquanto é aperfeiçoado ainda assim não deixa de causar impactos
prejudiciais, precisam da sustentação das vozes docentes para que surja, no horizonte, uma perspectiva de mudanças num futuro próximo.
Para as Ciências Humanas, a consideração de uma avaliação qualitativa da produção ainda é inexistente no que diz respeito a livros, coletâneas e capítulos de livros. Além disso, a atual tendência pela quantificação como estratégia de avaliação de ‗qualidade‘ acadêmica se, por um lado, a viabiliza operacionalmente - por outro, não nos deve cegar quanto às suas claras limitações.