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3. KOMPOZİT İMALAT YÖNTEMLERİ

3.1.2. Püskürtme Yöntem

As motivações que encontramos no texto do QE são de defesa e afirmação na fé em Jeὅuὅ ἑὄiὅto, ἵomo ὃue “pὄoἵlamanἶo” veementemente isso aos contrariadores: “Eὅὅeὅ foὄam eὅἵὄitoὅ paὄa ἵὄeὄἶeὅ ὃue Jeὅuὅ é o ἑὄiὅto, o ἔilho ἶe Deuὅ, e paὄa ὃue, crendo, tenhaiὅ a viἶa em ὅeu nome” Φ20,30-31). Como adesão a uma pessoa, a fé é sujeita à mudança, a evoluções e aprofundamentos, é uma atitude viva e dinâmica.45 Nota-se e sente-se nestes versículos a necessidade de confirmar a fé dos membros da comunidade, talvez provados e abalados por doutrinas, idéias, interpretações diferentes e perigosas que tomam conta das comunidades e tornam difícil a confissão de fé. Ora, somente na proclamação da fé em Jesus, Cristo, Filho de Deus, é que se pode encontrar a vida plena. Da verdade confessada na fé em Jesus à vida plena. Se alguém se afastar da verdadeira fé, também se afastará da fonte da verdadeira vida.46

44 R. Brown, no seu livro A Comunidade do Discípulo Amado, p. 74-95, identifica três grupos que estão

presentes na comunidade joanina: O primeiro seria aquele formado pelos que conseguiram se manter na sinagoga e não foram expulsos. Evitavam confessar publicamente que Jesus era o Cristo (cf. Jo 9,20-22; 12,42). O segundo grupo seria composto por cristãos reconhecidos publicamente, contudo tinham divergências teológicas doutrinárias que os cristãos joaninos consideram inaceitáveis (cf. Jo 6,60-66). O terceiro grupo estaria representado pelos nomes da lista dos doze apóstolos, exceto Judas Iscariotes (Pedro, André, Filipe, Tomé, Judas e Natanael). O autor do QE parece insistir num contraste entre duas figuras paradigmáticas dos discípulos de Jesus: Simão Pedro e o Discípulo Amado.

45 ἢouἵaὅ veὐeὅ o autoὄ ἶo ἣE uὅa o ὅuἴὅtantivo “fé”, uὅa maiὅ o veὄἴo “ἵὄeὄ” Φιθ veὐeὅ)έ ρ atituἶe ἶe

crer é uma exigência fundamental para o seguidor de Jesus na comunidade joanina.

Portanto a comunidade precisa definir-se, decidir suas verdades. Diante da real ameaça de divisão se exige uma confirmação de fé, uma carta de identidade.47

ρὅ iἶéiaὅ gnóὅtiἵaὅ ἵiὄἵulavam entὄe oὅ “penὅaἶoὄeὅ” e ὅe ἶifunἶiamέ ἠão tinha sistematização nem se constituía em movimento organizado, mas havia basicamente uma visão e idéias que invadiram aos poucos as maneiras de pensar da época.48 A comunidade joanina provavelmente teve contato e recebeu influência disto.49 Deste pensamento gnóstico baseado no dualismo grego de espírito e matéria e na necessidade de se ter um intermediário entre a humanidade e a divindade, surgem váὄiaὅ teoὄiaὅ “teológiἵaὅ” e algunὅ gὄupoὅ ἵomeçam tamἴém a ὃueὄeὄ ὄeleὄ o evento “Jeὅuὅ ἶe ἠaὐaὄé” ἵom oὅ ἵonἵeitoὅ pὄópὄioὅ ἶeὅte modo de pensar. É possível que a comunidade do QE quisesse expressar a mensagem evangélica num vocabulário próprio aos gnósticos, mas, se o fez, foi para reforçar diante da gnose as afirmações de fé como a criação, a redenção, que são obras do mesmo logos (Prólogo). A escola joanina insiste ainda na encarnação como realidade histórica e inseparável da pessoa

47 Senén Vidal escreve que a conclusão do QE (20,30-31) tinha uma intenção «etiológica», de

justificação da fé comunitária em Jesus como profeta messiânico (não de tipo político) que era a confissão fundamental dos grupos joaninos dos primeiros tempos da comunidade. Cf. VIDAL, S., Los

escritos originales de la comunidad, p. 18.

48 Gnosticismo é a visão de mundo baseada na experiência de Gnose, que tem por origem etimológica o

termo grego gnosis, que significa "conhecimento". Mas não um conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de caráter intuitivo e transcendental; Sabedoria. É usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com sua essência eterna, centelha divina, maravilhosa e crística, pela via do coração. É uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e vivenciada. Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva.

49 Enfatizamos somente como as formas gnósticas de cristianismo interagem com o QE – e o que isto

nos diz sobre as origens do cristianismo sem considerar a questão sobre as origens do gnosticismo. Podemos, contudo, reconhecer o Gnosticismo pela presença de elementos tais como: o dualismo metafísico; a existência de seres intermédios entre Deus e o homem; a intervenção destes seres na produção do mal; o mundo material considerado como mal; o conceito da alma como prisioneira da matéria, a necessidade do conhecimento adquirido por revelação para libertar a alma e conduzi-la à luz; a limitação do número dos que podem chegar a esta revelação; a figura e a função do revelador que salva. O gnóstico sabe o que éramos e o que seremos; de onde viemos e para onde vamos; de onde somos resgatados; o que é nascer e o que é renascer. O conhecimento está centrado no sujeito que conhece; conhecer é essencialmente conhecer-se, ou seja, reconhecer o elemento divino que constitui o próprio ser e, através deste conhecimento, chegar à salvação. Cf. PONGUTÁ, Silvestre. El

de Cristo.50 Essas insistências características do QE são, na verdade, definições de identidade diante das teorias gnósticas a respeito de Jesus. Segundo Elaine Pagels, era necessário defender-se contra essas teorias, por isso se forjavam armas teológicas e se declarava publicamente o seguimento das linhas da sucessão apostólica, visto que também a autoridade eclesiástica estava ameaçada e os próprios membros da comunidade propagavam idéias contrárias:51

João afiὄma, expliἵitamente, ὃue eὅἵὄeve “paὄa ὃue creiais e

para que, crendo, tenhais vida [em nome ἶe Jeὅuὅ]”έ João ὅe opõe à inclusão do que o Evangelho de Tomé ensina: que a luz divina brilha não só em Jesus, mas, pelo menos potencialmente, em todos nós. Tomé encoraja o ouvinte não tanto a acreditar em Jesus, conforme João exige, como a

buscar conhecer Deus por meio da própria capacidade que lhe

foi divinamente concedida, visto que somos todos criados à imagem de Deus. Para os cristãos de gerações posteriores, o Evangelho de João ajudou a criar as bases de uma igreja unificada, coisa que Tomé, com sua ênfase na busca de Deus pelo indivíduo, não fez. (...) A primeira geração de leitores (entre os anos 90 e 130, aproximadamente) não chegou a um acordo sobre ele ser um evangelho autêntico ou falso, e se devia fazer parte do Novo Testamento. Seus defensores entre oὅ pὄimeiὄoὅ ἵὄiὅtãoὅ o ὄeὅpeitavam ἵomo “o evangelho ἶo logoὅ” – o evangelho da palavra ou razão (logos, em grego) divina – e escarneciam dos que se opunham a ele como “iὄὄaἵionaiὅ” Φalogos). Seus detratores, por outro lado,

50 RUBEAUX, Francisco. As raízes do Quarto Evangelho. In: RIBLA 22, p. 65.

51 Não sabemos se a comunidade do QE e os líderes da mesma enfrentavam declarados confrontos com

as autoridades eclesiásticas, mas supomos que existiam reais conflitos quanto à autoridade e ao governo da igreja dos primeiros anos do cristianismo com o qual o evangelista do QE teve que enfrentar, como no tempo de Ireneu. Citamos em seguida o que Elaine Pagels escreveu sobre isso: «As convicções e posições religiosas de Ireneu – como as de seus rivais gnósticos – influenciaram, de modo recíproco, umas às outras. Se determinados gnósticos opunham-se ao desenvolvimento da hierarquia na igreja, não devemos reduzir o gnosticismo a um movimento político erigido contra esse desenvolvimento. Os seguidores de Valentino partilhavam uma visão religiosa da natureza de Deus que consideravam incompatível com a direção emergente na Igreja católica – e por isso resistiram a ela. As convicções religiosas de Ireneu, ao contrário, coincidiam com a estrutura da igreja que defendia». Cf. PAGELS, Elaine. Os Evangelhos Gnósticos, p. 48-51.

salientaram que a narrativa de João difere consideravelmente das de Mateus, Marcos e Lucas.52

Também é de nosso conhecimento que ainda com o judaísmo rabínico de Jâmnia ou judaísmo formativo a comunidade joanina teve que se confrontar e defender. O texto joanino refere-se a expulsão dos cristãos das sinagogas (9,22; 12,42; 16,2); atitude essa tomada por esse judaísmo oficial de Jâmnia, que possivelmente, chegou a incluir os cristãos (nozrim minim) entre as 18 bênçãos, tratando-os como hereges. O QE quis ser talvez uma resposta segura diante desta situação que viviam. Certamente os cristãos que eram ameaçados e perseguidos encontrariam consolo nas declarações do autor do QE, sobretudo nas passagens que dizem que embora odiados pelo “munἶo”, o amoὄ ὃue Deuὅ ὅente poὄ eleὅ eὄa peὄmanente e inἵompaὄávelλ ὃue tinham moradas, muitas delas, para eles junto do Pai.

Segundo Vidal a separação do «seio» do judaísmo criou um grande trauma para os grupos joaninos, porém, teve também o sentido do trauma do «nascimento» a uma nova existência, uma nova configuração, separada das práticas do judaísmo (70 – 80 d.C. aprox.). Sua vida e sua estrutura tiveram que se fortalecer. Mais do que renovação interna, o que aconteceu foi superação e, substituição do mesmo. E neste contexto, Jesus é apresentado como alguém que traz e pratica um novo culto do templo (2,18-21), das festas (1,29), do sábado (5,9-16; 9,13-34), dos ritos de purificação (2,6; 13,6-10). Os textos evangélicos como um todo, atesta Vidal, refletem

52 Cf. PAGELS, Elaine. Além de toda crença. O desconhecido Evangelho de Tomé, p. 42-43. Certos

temas surgidos neste parágrafo, como a aceitação do QE no seio da igreja nascente e as suas diferenças com os Sinóticos, serão mais aprofundadas nos capítulos seguintes da nossa pesquisa.

ἴem eὅta ὅituação ἶe “ἶenúnἵia” e “juíὐo”, ὄeὅultaἶoὅ ἶa tenὅa polêmiἵa ἵontὄa aὅ autoridades judias (no caso, os fariseus).53

Perguntamo-nos se também as idéias dos membros da comunidade de Qumran, chamados essênios, influenciou a comunidade joanina ou se ambos reagem a um tema em comum. É notável, porém, a presença do estilo qumrânico no texto joanino. O autor do QE parece mesmo usar do referencial teórico dos essênios: o dualismo entre o bem e o mal, da luz e das trevas, da verdade e da mentira, da vida e da morte, um angélico príncipe da Luz ou o espírito da verdade dirigindo os filhos da luz contra os filhos das trevas; a Lei como água vivificante, etc. Com esse modo de compreensão se procurou também declarar a fé em Jesus na comunidade, entretanto notamos que existem enormes diferenças entre o QE e Qumran. Em síntese, podemos dizer que para os membros da comunidade de Qumran o Mestre de Justiça centra a sua reforma na δei ἶe εoiὅéὅ e viὅa ἵὄiaὄ um gὄupo ἶe “puὄoὅ”, iὅolaἶoὅ ἶoὅ filhoὅ ἶa iniὃὸiἶaἶeέ Enquanto que para o autor do QE é Jesus Cristo quem revela o rosto do Pai e é Ele mesmo quem convida a todos a se tornarem filhos de Deus pela adesão da fé (Jo 1,12- 13). Haveria alguns na comunidade joanina que teriam pertencido ao grupo de Qumran?54 Teriam eles entrado na comunidade joanina depois da destruição de Qumran na época da guerra judaica pós-70? Buscava-se um diálogo com esses de dentro usando do vocabulário e métodos próprios dos essênios? Constata-se que os textos do QE apresentam traços de releituras na perspectiva qumrânica, portanto também com Qumran existiu um diálogo e uma discussão.

53 Cf. VIDAL, Senén, Los escritos originales de la Comunidad, p. 44-46.

54 Raymond BROWN também reconhece paralelos entre o QE e o pensamento de Qumran. Segundo ele,

os judeus que trouxeram estas idéias para a tradição joanina podem ter sido seguidores de João Batista, cujo ministério o levou para a contigüidade geográfica de Qumran no tempo em que ela florescia, e cuja pregação tinha características comuns importantes com o pensamento e com a prática de Qumran. Cf. BROWN, Raymond. A Comunidade do Discípulo Amado, p. 31.

E o que dizer da tensão que se nota no QE com os chamados seguidores de João Batista (1,6-8.15.19.39; 3,26-30; 5,33-36; 10,41)? Houve realmente um combate com eles e entre eles? Não temos certeza da origem nem do momento histórico em que entraram na comunidade joanina, mas se vê que conflitos existiram em alguma fase da comunidade. Vidal diz que estes relatos tinham como centro de interesse legitimar os membros dessa comunidade diante dos grupos batistas como superiores. A figura meὅmo ἶe João ἐatiὅta paὄeἵe “ἵὄiὅtianiὐaἶa”έ Ele ὄejeita paὄa ὅi títuloὅ pὄofétiἵoὅ que a tradição sinótica lhe aplica, rebaixando-se a si mesmo a um simples «testemunha» da superioridade de Jesus. Para diminuir a força das objeções dos seguidores do Batista, não se narra o batismo de Jesus, efetuado por João; faz-se referência a ele somente como sinal de reconhecimento de Jesus por parte de João. Assinala-se assim a substituição do rito batista (de João) pelo cristão (de Jesus).55 Isso se deu em meio a conflitos e discussões nas primeiras fases do desenvolvimento da comunidade joanina.

Benzer Belgeler