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4.2. Laboratuvar Deneyleri

4.2.3. Sensör üst konumlu laboratuvar çalışması

4.2.3.4. Püskürtücü sistemin Bulanık PID kontrolü

Eduarda tinha 30 anos quando se inscreveu no Programa de Mentoria, morava e trabalhava em uma cidade do interior de S˜ao Paulo. Era formada em Qu´ımica e Pedagogia, com especializa¸c˜ao lato-sensu em Psico-Pedagogia e Alfabetiza¸c˜ao. A professora iniciante foi uma das primeiras a se inscrever no Programa de Mentoria (janeiro de 2005) e tamb´em a iniciar suas intera¸c˜oes (11 de mar¸co de 2005). Na ´epoca, Eduarda lecionava para uma 3a s´erie11 do Ensino Fundamental, sendo seu segundo ano de experiˆencia profissional nas s´eries iniciais. Era uma professora que re-iniciava em outro n´ıvel de ensino porque possu´ıa 10 anos de experiˆencia como professora do ensino infantil e 5 anos como professora no Ensino M´edio.

Em seu primeiro ano no Ensino Fundamental lecionou para uma 2a s´erie, por isso declarou gostar mais de ensinar a crian¸cas dessa s´erie.

Nas respostas apresentadas no question´ario inicial comentou ter dificuldade em saber qual o conte´udo certo para cada s´erie e ainda como adequ´a-los aos alunos.

Tamb´em no question´ario inicial Eduarda relatou aprender muito com os pares, pois como n˜ao tinha muita experiˆencia, eles a ajudavam bastante; interagia com eles no hor´ario de intervalo e tamb´em nos HTPCs12 realizados semanalmente em sua escola.

Para ela, o Programa de Mentoria da UFSCar seria “um porto seguro, na qual poderia tirar certas ang´ustias que ocorrem no decorrer do ano letivo”.

O in´ıcio do processo de mentoria foi marcado por uma correspondˆencia de boas vindas por parte de cada mentora `a sua professora iniciante.

No caso da professora Eduarda, a primeira iniciante a se corresponder com a mentora Mariana, foi diferente. Assim que o sistema do Programa foi aberto para que mentora e iniciante se comunicassem, Eduarda j´a enviou uma mensagem, antes mesmo da mentora. Esse foi um caso ´unico no Programa e bem interessante, j´a que expressou a ansiedade de Eduarda em iniciar suas atividades.

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Hoje 4o

ano do Ensino Fundamental de nove anos.

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4.2 Eduarda: professora experiente, mas iniciante nas s´eries iniciais 177

Eduarda 11/03/2005

Ol´a. J´a estou preparada para o in´ıcio do curso.

Gostaria de saber se ´e por aqui que iremos realizar o mesmo. Desde j´a

Obrigada Eduarda.

Mariana conta seus momentos de ang´ustias antes de enviar a sua primeira mensagem `a iniciante, mostrando-se inexperiente em formar professores.

Mariana R. Semanal 13/03/2005

Fiquei muito nervosa quando recebi a not´ıcia que eu j´a tinha uma professora iniciante para trabalhar. Na hora conversei com a Irenea

, que estava ao meu lado, e pedi se ela poderia me ajudar caso eu precisasse. [...] Ainda assim, fui para casa e fiquei pensando como seria esse contato, me deu um branco e eu n˜ao conseguia elaborar uma forma de contato com a Eduarda, tentei abrir o meu disquete que havia a mensagem que j´a t´ınhamos elaborado e n˜ao consegui abrir, o computador travou. No dia seguinte, continuei sem coragem. No domingo pela manh˜a, tentei encaminhar e n˜ao consegui. Com calma, a tarde tentei novamente e consegui enviar a mensagem para Eduarda.

a

Mentora.

Esse nervosismo apresentado pela mentora ´e compreens´ıvel, n˜ao s´o pelo fato de, apesar de ser uma professora experiente, era sua primeira vez como Mentora, e tamb´em pela caracter´ıstica da intera¸c˜ao ser a distˆancia, novidade para Mariana.

Mariana se apresentou e incluiu uma mensagem de otimismo:

Mariana 13/03/2005

Ol´a Eduarda,

Seja bem vinda ao Programa de Mentoria do portal dos Professores!

Meu nome ´e Mariana e espero que juntas possamos construir e descobrir novos caminhos para superarmos nossas dificuldades.

Nesse momento, o meu desejo maior ´e que possamos nos conhecer, a fim de estabelecermos uma rela¸c˜ao amistosa que contribua para que a cada encontro haja descobertas que favore¸cam o nosso desenvolvimento pessoal e profissional. Tive a oportunidade de ler a sua ficha de inscri¸c˜ao, onde pude perceber o quanto vocˆe gosta da sua profiss˜ao e tamb´em o seu desejo de aprender sempre mais.

Abra¸cos, Mariana.

A VIDA ´E EXPANS ˜AO...

Procure ampliar seus planos e suas aspira¸c˜oes. Alargue sua mente e sua vis˜ao... expanda-se... A f´e, a confian¸ca, a sensa¸c˜ao de progresso, nos libertam das ang´ustias e

nos preparam para bens vindouros. Thomas Stefanidi.

Mariana, em suas mensagens iniciais apresentou um tom caloroso, de empatia e in- centivo `a participa¸c˜ao das professoras iniciantes no programa. Algumas traziam dados mais pessoais sobre quem eram e outras, j´a no primeiro contato, solicitavam maiores in- forma¸c˜oes sobre as professoras iniciantes, sobre suas escolas, classes e alunos e apontavam para algumas regras de funcionamento do Programa. Mas todas as professoras iniciantes em suas respostas salientavam suas expectativas sobre o processo.

Eduarda, al´em de iniciar a comunica¸c˜ao em 11/03/2005, a professora mostrou inte- resse em conhecer um pouco mais a mentora, sua forma¸c˜ao e experiˆencia. Enviou uma mensagem em resposta a sauda¸c˜ao da mentora no mesmo dia.

Figura 13: Correspondˆencia de Eduarda para Mariana.

A mensagem mostrada na Figura 13 est´a completa, ou seja, a professora n˜ao saudou a mentora nem se despediu. Assim, no dia seguinte, a mentora respondeu da mesma forma, como mostra a Figura 14.

Essa caracter´ıstica ´e relevante, primeiro porque foi um caso isolado no Programa de Mentoria, em segundo, pois a falta de sauda¸c˜oes, felicita¸c˜oes e outras caracter´ısticas da rela¸c˜ao interpessoal, por parte da iniciante, causaram um desconforto na mentora, fazendo com que ela reagisse da mesma forma, mesmo depois de ter enviado uma mensagem t˜ao otimista de boas-vindas. Esses desencontros n˜ao “aproximam” a professora iniciante de sua mentora, dificultando assim, que a iniciante sinta-se `a vontade para contar o quiser ou o que sentir necessidade.

A professora iniciante mostrou estar ansiosa para entender como tudo funcionava e a mentora esclareceu as d´uvidas.

Eduarda acessava o site do Portal dos Professores diariamente, respondendo `a sua mentora, logo ap´os ela ter postado a mensagem. Ela contou um pouco de suas atividades profissionais, que lecionava para uma 3a s´erie com 28 alunos e tamb´em para o ensino

4.2 Eduarda: professora experiente, mas iniciante nas s´eries iniciais 179

Figura 14: Correspondˆencia de Mariana para Eduarda.

infantil. Comentou que a escola da 3a s´erie, era uma escola de classe econˆomica baixa, e que os alunos apresentavam grandes dificuldades de aprendizagem, n˜ao tinham apoio dos pais e havia falta de material. Na mesma mensagem, Eduarda esclareceu a d´uvida da mentora, relacionada `as respostas dadas no question´ario inicial.

Eduarda 15/03/2005

Quando disse que n˜ao sabia qual conte´udo dar, eu me referi que n˜ao sei at´e onde posso chegar na dificuldade do exerc´ıcio e o que dar.

Na mensagem, Eduarda tamb´em n˜ao saudou a mentora no in´ıcio, mas terminou com “um abra¸co”. J´a a mentora respondeu saudando-a no in´ıcio da mensagem; em seguida procurou esclarecimentos/detalhamentos das concep¸c˜oes e dificuldades da iniciante.

Mariana 16/03/2005

Boa noite, Eduarda.

Gostei muito de saber um pouco sobre sua hist´oria e se vocˆe n˜ao se incomodar, gostaria de entender um pouco mais sobre alguns pontos:

Por que vocˆe acha que os pais n˜ao te ajudam? Como ou o que eles poderiam fazer para te ajudar?

Materiais de apoio, gostaria que vocˆe falasse um pouco sobre esse material. N˜ao entendi se ´e material tipo livros, textos, material did´atico etc; se ´e l´apis, papel, caderno etc; ou se ´e tudo isso.

Vocˆe poderia falar um pouco mais sobre o que vocˆe pensa quando diz “elevados n´ıveis de dificuldade de aprendizagem”, se puder me dˆe exemplos para que eu possa entender melhor esse grau de dificuldade dos seus alunos.

O in´ıcio das intera¸c˜oes no Programa de Mentoria era muito importante, pois, para a mentora poder auxiliar a professora iniciante da melhor forma, era necess´ario conhecˆe-la muito bem, onde lecionava, quem eram seus alunos e a forma como costumava trabalhar em sala de aula. Quanto mais informa¸c˜oes a mentora tivesse, melhor compreenderia o contexto da professora iniciante e sua ajuda seria mais direcionada.

O mesmo deveria acontecer com a iniciante que tentava entender muito bem como funcionava o Programa de Mentoria para que pudesse se dedicar mais e receber contri- bui¸c˜oes diretas para sua pr´atica. Mas isso n˜ao vinha acontecendo de forma t˜ao linear nas intera¸c˜oes entre Mariana e Eduarda.

Na mensagem seguinte, a professora iniciante sinalizou ter d´uvidas se sua participa¸c˜ao ocorreria s´o atrav´es das mensagens trocadas com a mentora. Em seguida, respondeu os questionamentos da mentora.

Eduarda 19/03/2005

Primeiramente gostaria de saber se a monitoria ´e assim, com contato sempre com vocˆe e esse bate papo gostoso...

Segundo, em rela¸c˜ao aos pais ´e que por eles serem carentes e n˜ao ter estudos, a maioria n˜ao estimula seus filhos a estudarem tamb´em e trabalham o dia todo para garantir o sustento da casa, n˜ao ficando com eles diariamente, somente `a noite, quando j´a est˜ao cansados.

Em rela¸c˜ao ao material de apoio em que falei, ´e que sempre que se precisa de um material diferente ´e necess´ario que se pe¸ca com v´arios dias de antecedˆencia dificultando assim o trabalho, pois as coisas acontecem e eu sou uma professora que programo muito minhas aulas, mas `as vezes as coisas mudam e n˜ao posso realizar por falta de material, por exemplo gosto de fazer jogos que estimulem o racioc´ınio, mas n˜ao posso porque n˜ao se pode usar a m´aquina de xerox da escola. A maioria das atividades fa¸co no computador, mas fica caro e precisava que a escola ajudasse nesta parte.

Em rela¸c˜ao `as dificuldades de aprendizagem, ´e que eles moram em dez numa casa e com apenas dois cˆomodos e ainda precisam cuidar do irm˜ao mais novo e assim fica dif´ıcil, por exemplo falar sobre tarefa de casa, material escolar n˜ao ´e mesmo??

Espero que agora eu tenha sido mais clara e estarei aqui para explicar melhor alguma coisa.

Um abra¸co Eduarda

Eduarda considerava que a falta de apoio dos pais prejudicava a aprendizagem dos alunos, assim como o fato de serem fam´ılias carentes, pois as crian¸cas come¸cavam a ter responsabilidades com a fam´ılia muito precocemente. Mas, em sua mensagem a iniciante apresentou informa¸c˜oes generalizadas sobre as fam´ılias dos alunos, dando a impress˜ao de que apenas faz parte do discurso, n˜ao sabendo se realmente n˜ao d˜ao importˆancia aos

4.2 Eduarda: professora experiente, mas iniciante nas s´eries iniciais 181

estudos. Essa caracter´ıstica fica evidente quando relatou que “eles moram em dez numa casa e com apenas dois cˆomodos e ainda precisam cuidar do irm˜ao mais novo”, parecendo generalizar um caso para todos os alunos.

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E poss´ıvel constatar que os recursos oferecidos pela maioria das escolas s˜ao os mesmos h´a muito tempo, n˜ao acompanhando de forma satisfat´oria a evolu¸c˜ao da sociedade, em geral.

Na mesma semana, Mariana enviou seu relat´orio semanal ao grupo de mentoras, con- tando os principais acontecimentos da semana nas intera¸c˜oes com as iniciantes. Mariana comentou sentir um tom de ironia na mensagem de Eduarda ao perguntar se “a mentoria ´e assim, com contato sempre com vocˆe e esse bate papo gostoso...” e se tinha sido clara nas informa¸c˜oes enviadas.

Esses ajustes na forma escrita de cada pessoa sempre ocorriam nas primeiras in- tera¸c˜oes como: o tom do di´alogo que seria mantido, o conte´udo sucinto dificultando o entendimento, os questionamentos e d´uvidas iniciais sobre como funcionava o Programa. Essas s˜ao evidˆencias de alguns limites da intera¸c˜ao escrita. No caso espec´ıfico desta d´ıade parece ter causado um desconforto na mentora, que durou algum tempo.

Mariana enviou uma correspondˆencia a Eduarda buscando esclarecer o funcionamento do Programa de Mentoria da UFSCar.

Mariana 23/03/2005

Eduarda, a nossa proposta de trabalho ´e a de dar apoio e subs´ıdio para os professores, a fim de que o professor possa desenvolver a sua pr´atica de uma maneira confort´avel e confiante, por isso ´e essencial que haja um bate-papo gostoso sempre entre n´os, pois ´e atrav´es dessa rela¸c˜ao de confian¸ca que conse- guiremos atingir nossos objetivos. Faz sentido aproveitarmos esses encontros para que possamos explanar as nossas dificuldades, as nossas ang´ustias, os nossos interesses e direcionarmos sempre o nosso bate papo para o foco de interesses e necessidades encontradas no dia-a-dia no trabalho desenvolvido com os alunos. Para que isso ocorra, e para que eu esteja bem informada e familiarizada com a sua sala de aula, ´e muito importante que eu conhe¸ca com detalhes o seu trabalho, o que vocˆe pensa e como vocˆe age em sala de aula; por isso eu sempre vou pedir para que vocˆe descreva as situa¸c˜oes com detalhes.

Na mesma mensagem a mentora buscou, mais uma vez, saber detalhes sobre a 3a s´erie de Eduarda: descri¸c˜ao dos alunos (nome, idade, dificuldades de aprendizagem, compor- tamento em sala de aula e caracter´ısticas familiares) e descri¸c˜ao da escola (localiza¸c˜ao e estrutura f´ısica - biblioteca, quadra de esportes, sala de v´ıdeo, refeit´orio).

pouco contato com livros, revistas e outros materiais diversificados; que os pais trabalha- vam na colheita de cana ou de laranja, ficando fora de casa o dia todo, deixando as crian¸cas sozinhas. A iniciante mostrou preocupa¸c˜ao com um aluno especificamente.

Eduarda 25/03/2005

Por exemplo, o Guilherme ´e o mais velho da turma, ele j´a parou diversas vezes de estudar n˜ao trabalha e ´e cobrado pela fam´ılia para arrumar emprego, assim acredito que em breve ele desista de estudar.

Em seguida, a professora relatou que a escola era afastada da cidade e que sofria discrimina¸c˜ao por isso. Eduarda descreveu a escola:

Eduarda 25/03/2005

Possui 10 salas de manh˜a, 13 a tarde (Ensino Fundamental) e 6 salas a noite com o EJA - Educa¸c˜ao de Jovens e Adultos. Com aproximadamente 50 profes- sores, pois temos especialistas nas ´areas de Educa¸c˜ao F´ısica, Inglˆes e Educa¸c˜ao Art´ıstica. Possui uma biblioteca que pode ser usada pelos alunos com a ida do professor junto a visita, livros em uma biblioteca particular na sala de aula e tamb´em possui uma sala de v´ıdeo que pode assistir filmes desde que haja um projeto feito.

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E uma escola grande tendo quadra coberta, campo de futebol e de futebol de areia.

Bom espero que tenha conseguido explicar bem como ´e a escola em que leciono e qualquer d´uvida e s´o escrever.

Problema de defasagem idade/s´erie, como o do aluno Guilherme n˜ao ´e mais t˜ao comum nessa faixa et´aria, j´a que ´e proibido menores de 14 anos trabalharem. De qualquer forma, ainda acontece muito com os adolescentes com mais de 16 anos, idade que j´a se pode trabalhar. Independente da progress˜ao continuada, muitas vezes, o aluno desiste dos estudos para ir trabalhar. Posteriormente, ele volta a estudar, pois o mercado de trabalho exige maior escolariza¸c˜ao.

Eduarda enviou em anexo uma lista apenas com os nomes dos alunos e a data de nas- cimento, n˜ao descrevendo cada um deles, suas dificuldades e caracter´ısticas, como pedido pela mentora. Anexar mensagem era uma estrat´egia bastante utilizada pelas professoras iniciantes e mentoras, para que elas passassem menos tempo conectadas `a internet; ou seja, o texto era feito no editor de texto, conectando-se apenas para encaminhar o texto pronto. Por algum motivo a mentora n˜ao conseguiu abrir o arquivo, ent˜ao, Eduarda reenviou o texto, mas dessa vez o colou na p´agina das mensagens.

Mariana mostrou preocupa¸c˜ao em rela¸c˜ao ao aluno Guilherme e quis saber mais sobre ele e tamb´em sobre os outros alunos.

4.2 Eduarda: professora experiente, mas iniciante nas s´eries iniciais 183

Mariana 04/04/2005

[...] percebi uma certa preocupa¸c˜ao sua em rela¸c˜ao ao seu aluno Guilherme, confesso que a mim tamb´em. Vocˆe poderia me contar mais sobre ele? Quantos anos ele tem? Vocˆe disse que ele j´a parou de estudar v´arias vezes, por quˆe? Como ´e o relacionamento dele com os outros colegas? E como vocˆe se relaciona com ele?

Acho que seria importante se vocˆe pudesse fazer uma descri¸c˜ao dos seus alu- nos, dos 28, ou melhor, 30 com os dois novos. Essa descri¸c˜ao poderia ser com o nome de cada um, idade e algumas caracter´ısticas que vocˆe ache impor- tante para que eu possa conhecˆe-los melhor, por exemplo sobre personalidade, comportamento, relacionamento com os colegas etc. O que vocˆe acha?

A mentora tentou esclarecer os detalhes que gostaria de ter na descri¸c˜ao dos alunos, adiantando-se, caso a iniciante n˜ao tivesse entendido como fazer. A mentora insistiu, pois conhecer os alunos era muito importante para ajudar a iniciante, assim, quanto mais informa¸c˜oes a mentora tivesse sobre os alunos e o contexto que envolvia a pr´atica da professora, mais poderia ajud´a-la.

Eduarda comentou sobre Guilherme, mas n˜ao enviou descri¸c˜ao dos outros alunos, sugerindo discutir um por vez.

Eduarda 09/04/2005

Ele ´e um aluno muito bom, mas ele nasceu em 14/09/1989, por´em tem 15 anos e este ano completa 16. Por ele ser grande ele fica meio desproporcional perante os demais, mas n˜ao quer copiar li¸c˜ao, fica sempre reclamando e os pais querem que ele trabalhe. Converso com ele naturalmente sem nenhum problema e ele entende quando falo brava e quando brinco.

Percebe-se que Guilherme n˜ao se sente motivado a estudar, provavelmente porque j´a tem preocupa¸c˜oes de um jovem, n˜ao se interessando pelo que ´e ensinado para as crian¸cas dessa sala, que provavelmente tˆem entre nove e dez anos.

A mentora continuou insistindo em ter a descri¸c˜ao e uma breve an´alise de cada aluno e seus processos de aprendizagem. Quanto ao Guilherme, ela fez mais questionamentos:

Mariana 12/04/2005

Em rela¸c˜ao ao Guilherme, gostaria de saber se vocˆe j´a conversou com a equipe pedag´ogica da escola sobre suas dificuldades, qual a orienta¸c˜ao que vocˆe rece- beu? Atrav´es de quem vocˆe descobriu que os pais querem que ele trabalhe, vocˆe j´a conversou com os pais ou foi o Guilherme que te falou? Em rela¸c˜ao ao entrosamento dele na sala de aula, os coleguinhas o aceitam ou descriminam- no por ser maior, mais velho e repetente? Qual seria, na sua opini˜ao, uma situa¸c˜ao adequada de ensino para ele, como vocˆe acha que poder´ıamos ajud´a-lo a suprir suas necessidades?

A mentora tamb´em sugeriu um prazo de trˆes dias para as respostas das mensagens trocadas entre elas. Isso ´e interessante e sugerido pelo Programa de Mentoria quando a iniciante assinava o Termo de Compromisso. Quando a intera¸c˜ao ´e muito espa¸cada, as mensagens acabavam sendo superficiais, n˜ao ocorrendo o aprofundamento necess´ario nas discuss˜oes nem a aplica¸c˜ao na pr´atica, por parte da iniciante, das indica¸c˜oes da mentora. Mas a intera¸c˜ao tamb´em n˜ao deveria ser di´aria, pois poderia sobrecarregar as participan- tes, e tamb´em “acostumar” a iniciante a ter apoio a todo o momento, prejudicando sua autonomia em sala de aula.

Eduarda vinha se comunicando pelo menos a cada dois dias, mas avisou que estava sem computador, tendo que ir `a casa do irm˜ao para se comunicar. Por conta disso e pelo fato de trabalhar o dia todo e `a noite ainda fazer p´os-gradua¸c˜ao em psicopedagogia pediu para que se comunicar apenas no final de semana, facilitando sua rotina. Na mesma mensagem, Eduarda escreveu mais detalhes sobre Guilherme.

Eduarda 14/04/2005 - 21h

Em rela¸c˜ao ao Guilherme j´a conversei com ele e foi ele que me passou que seus pais querem que ele trabalhe e j´a chamei v´arias vezes seus pais para conversar e eles n˜ao vem, seus colegas o tratam igualmente. E sobre os demais alunos descrevo no fim de semana...

A iniciante relatou que os alunos tratam Guilherme “igualmente”, n˜ao ficando claro o que quis dizer com esse termo: tratar igual a quem? aos outros colegas? Por que n˜ao trariam?

As mensagens da professora iniciante eram sempre curtas, respondendo apenas o que a mentora perguntava, n˜ao detalhando, nem contextualizando as informa¸c˜oes. No mesmo