5. BÖLÜM:YABANCI DİL ÖĞRETİMİNDE METİN TÜRLERİ
6.4. EDEBİ BİR METİN TÜRÜ OLAN RUMUZ GONCAGÜL OYUNUNUN
6.4.2. Oyunun Konuşma Becerisine Katkısı
Esta investigação tem como lócus de pesquisa o município de Pirenópolis, situado no estado do Goiás; o recorte temporal da investigação proposta foi determinado entre os anos de 2003 a 2013, a escolha se deveu por ser o período em que se notou de forma mais acentuada um aumento do fluxo de turistas na cidade e investimentos privados, ademais deste englobar o estabelecimento de políticas públicas de forma mais efetiva, e, ser a época em que a pesquisadora esteve imersa na realidade do município, enquanto moradora, gestora pública e empreendedora.
Entretanto, cabe salientar que a análise valeu-se da compreensão histórica dos processos de usos e práticas do território em questão, uma vez que estes são essenciais para a compreensão da realidade contemporânea, sobretudo instaurada pelo turismo em uma concepção dialética materialista histórica.
A pesquisa é de tipo qualitativo, pois o intuito é de analisar a complexidade da realidade - que é dinâmica - como requer as ciências sociais, conforme constatado com Pedro Demo (2000):
A pesquisa qualitativa quer fazer jus á complexidade da realidade, curvando se diante dela, não o contrário como ocorre com a ditadura do método ou a demissão teórica que imagina dados evidentes. Fenômenos há que primam pela qualidade no contexto social, como (...) cidadania, felicidade, compromisso ético, e assim por diante, cuja captação exige mais que mensuração de dados. (DEMO, 2000, p.152).
Este tipo de pesquisa tem a preocupação com o processo e não simplesmente com os resultados, que são o produto desses processos. Ao ser
escolhido o tipo de pesquisa qualitativa, a abordagem interpretativa adotada é a dialética materialista histórica, uma vez que o intuito da pesquisadora é ir para além da aparência fenomênica, apreendendo a essência, ou seja, a estrutura e dinâmica do objeto. No entanto a análise qualitativa da dialética histórico-estruturalista não nega a pesquisa quantitativa, mas vale se desses dados como aporte da análise da realidade, entretanto de forma alguma como principal ou único método, dessa forma a integração das dimensões qualitativa e quantitativa é um esforço metodológico em compreender a realidade.
A pesquisa é classificada como de nível exploratório, pois esta tem como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em vista a formulação de problemas mais precisos.
Sendo o intuito desta investigação, ir para além de se ter uma “visão geral do fenômeno”, a necessidade de ser uma pesquisa também de nível explicativo faz se notória, pois esta tem como preocupação identificar e compreender os elementos que explicam a ocorrência e a forma do fenômeno, aprofundando o conhecimento da realidade.
O estudo de caso é adotado como forma de se observar os dados e fatos pertinentes ao tema dessa investigação, pois o objetivo da pesquisadora é a apreensão da totalidade da realidade, buscando renovar perspectivas existentes da mesma.
Este modo de investigação demonstra ser profícuo, pois o enfoque da pesquisa está sobre um fenômeno contemporâneo no contexto da vida real.
Segundo Bruyne et al (1977, p.224-225) o estudo de caso “reúne informações tão numerosas e tão detalhadas quanto possível com vistas a apreender a totalidade de uma situação”. O estudo de caso nesta pesquisa possibilitou apreender o todo na parte, mas também o movimento inverso, ou seja, as partes do todo.
Em relação aos procedimentos, essa pesquisa tem seu foco nas análises bibliográfica e documental, bem como na pesquisa de campo com a condução de entrevistas semiestruturadas com pessoas fonte, como empreendedores, trabalhadores do turismo e gestores públicos.
O problema orientador dessa investigação é entender como o Turismo pode vir a ser um novo instrumento de transformação das práticas socioeconômicas no município de Pirenópolis rompendo ao continuísmo das
tradicionais formas capitalistas de exploração do território.
Para responder ao problema de pesquisa proposto, tem-se como objetivo geral: analisar as relações de capital / trabalho no município de Pirenópolis e sua influência na caracterização do processo de desenvolvimento do Turismo local, desvelando os limites e as possibilidades de um desenvolvimento sustentável e includente pelo turismo. Os objetivos específicos são:
a) Analisar se a políticas públicas do turismo implementadas no município contribuíram para um desenvolvimento sustentável e includente;
b) Identificar e analisar que tipo de desenvolvimento o turismo está propiciando em Pirenópolis;
c) Analisar se existe um continuísmo das tradicionais formas capitalistas de exploração do território em suas práticas de reprodução capital/trabalho pelo turismo no município.
O caminho metodológico foi construído a partir da triangulação de dados. A primeira etapa da triangulação consistiu-se na análise de conteúdo de diferentes documentos: elementos produzidos pelo meio, em que foram analisados documentos referentes ao planejamento do turismo como o Plano Nacional de Turismo nas versões (2003-2007); (2007-2010), e, (2010-2013), principalmente no que tange ao Programa de Regionalização do Turismo (PRT), e, o Plano Estadual de Turismo (2008); Plano Diretor do município vigente (2002), Plano Municipal de Turismo (2012), além da análise dos Índices de Competitividade (2008 a 2013).
A análise dos dados obtidos pela RAIS do Ministério do Trabalho e Emprego sobre os trabalhadores das Atividades Características do Turismo (de 2003 a 2013), bem como a análise dos dados fornecidos pela Prefeitura de Pirenópolis sobre os empreendimentos característicos da atividade turística - embora não tenham sido analisados do ponto de vista de conteúdo, foram relevantes para a pesquisa dentro de uma perspectiva quali-quantitativa da realidade dos empreendimentos e trabalhadores do turismo.
Na segunda etapa foram analisados pela pesquisadora os processos e produtos, averiguando as percepções do sujeito (formas verbais), através de entrevistas com pessoas fontes do processo de desenvolvimento do turismo no município. Os critérios para a escolha dos entrevistados foram a participação nos processos de discussão e implementação do planejamento do turismo, englobando tanto gestores públicos quanto pessoas da sociedade civil, além dos
sujeitos ativos que desenvolvem as atividades características do turismo: seus empreendedores e trabalhadores. Foram entrevistados: o gestor público á frente da Secretaria de Turismo, Planejamento Urbano e Desenvolvimento Econômico Sustentável; membros/empresários de associações representativas do turismo e empresários não
membros; e, trabalhadores do turismo, considerando as diferentes atividades do setor de serviços correlacionadas ao turismo. Após a realização das entrevistas, houve a análise de conteúdo das mesmas.
Como instrumento de interpretação da investigação, a análise de conteúdo foi escolhida por ser a mais adequada “para o desvendar das ideologias que podem existir nos dispositivos legais [...] que, à simples vista, não se apresentam com a devida clareza” (TRIVIÑOS, 1987, p.160-161). Trata-se de um conjunto de técnicas, que permite estudar as comunicações entre os sujeitos, colocando ênfase no conteúdo das mensagens, possibilitando inferência de conhecimentos relativos à mensagem analisada, seu conteúdo, seu contexto e seu sujeito produtor. A análise de conteúdo procura conhecer aquilo que está por trás das palavras sobre as quais se debruça; consiste na busca de outras realidades através das mensagens, trazendo á tona seus significados.
Nesse processo, foi possível evidenciar os itens básicos do roteiro de análise dos documentos/entrevistas, conforme esquema da figura abaixo:
FIGURA 5: Esquema do roteiro de análise dos documentos e entrevistas
A interpretação e a discussão por meio da análise de conteúdo dialético compreenderam os seguintes movimentos: a) leitura global exploratória com o objetivo de apreensão do todo nos documentos/entrevistas; b) leituras sucessivas para apreensão do todo em cada documento/entrevista; c) identificação dos temas, classificando-os em rubricas40 impregnadas de aspectos
estruturais na busca de compreensão e interpretação; d) identificação dos indicadores potenciais dos temas para melhor sistematização das ideias; e) Análise dos trechos do discurso dos documentos/entrevistas; f) compreensão e estruturação dos discursos dos sujeitos sobre cada rubrica, expondo as ideias- chaves de forma sintética sem omitir aspectos reveladores; g) classificação dos discursos dos sujeitos em cada sub-rubrica – que são as categorias á priori - por meio da análise intradiscurso41.
E finalmente valendo-se da análise de conteúdo e por meio da contextualização temática a partir do referencial teórico, foi possível realizar a interpretação dos trechos do discurso dos documentos/entrevistas presentes nos quadros interpretativos. Esses apresentam os temas, as rubricas e seus indicadores de análise dos processos os quais são submetidos às categorias
a posteriori da dialética, intituladas sub-rubricas, conforme modelo do Quadro 1.
40 As rubricas são a identificação das unidades intencionais de discurso centradas nos temas.
41O intradiscurso e o interdiscurso são conceitos desenvolvidos pelo teórico Michel Pêchaux sobre a
dinâmica do discurso na construção dos valores e das relações culturais, sociais e políticas. Pêcheux elabora uma teoria do discurso que pressupõe a existência de transversalidades e conflitos culturais no interior e no exterior dos discursos, que afetam os sujeitos desses discursos e o próprio sentido das palavras. Os conflitos subjetivos que nascem dessas diferenças discursivas são sempre o resultado de conflitos sociais coletivos determinados pela hegemonia política ou pelo poder capitalista enraizado na sociedade. A distinção mais imediata dos dois conceitos propostos por Pêcheux seria: o interdiscurso como o “discurso de um sujeito” e do intradiscurso como a matéria linguística, ideológica, literária, simbólica, pré-existente, uma espécie de imagem já conhecida de uma realização linguística que qualquer sujeito pode reconhecer (PÊCHEUX, 1986).
QUADRO 1: Modelo utilizado para interpretação de trechos do discurso dos Documentos e das Entrevistas
TEMAS DOCUMENTO/ENTREVISTA ANALISADO:
RUBRICAS Concepção Dificuldades Avanços Totalidade/Fragmentação Desenvolvimento Sustentável e includente SUB-RUBRICAS Teoria/Prática Autonomia/Dependência Criticidade/ Alienação Subjetividade/Objetividade Contradições/ Mediações Turismo e Políticas Públicas RUBRICAS Concepção Dificuldades Avanços SUB-RUBRICAS Totalidade/Fragmentação Teoria/Prática Autonomia/Dependência Criticidade/ Alienação Subjetividade/Objetividade Contradições/ Mediações Espaço; Território RUBRICAS Concepção Dificuldades Avanços SUB-RUBRICAS Totalidade/Fragmentação Teoria/Prática
Autonomia/Dependência Criticidade/ Alienação Subjetividade/Objetividade Contradições/ Mediações RUBRICAS Concepção Dificuldades Avanços Relações de Capital e Trabalho SUB-RUBRICAS Totalidade/Fragmentação Teoria/Prática Autonomia/Dependência Criticidade/ Alienação Subjetividade/Objetividade Contradições/ Mediações Cidadania RUBRICAS Concepção Dificuldades Avanços SUB-RUBRICAS Totalidade/Fragmentação Teoria/Prática Autonomia/Dependência Criticidade/ Alienação Subjetividade/Objetividade Contradições/ Mediações
Fonte: Elaborado pela autora, 2014.
Tema 1
Rubricas
Concepção de Desenvolvimento Sustentável Responsabilidade com as gerações futuras
Gerenciamento dos efeitos/impactos: cultural, ambiental, social e econômico. Sub-rubricas
Indicador 1 - Existência de estrutura, legislação e fiscalização municipal de meio ambiente.
Indicador 2 - Compromisso com a melhoria da qualidade ambiental Indicador 3 - Educação e conscientização ambiental e patrimonial
Indicador 4 - Gerenciamento dos efeitos sobre o meio ambiente e o patrimônio material cultural
Indicador 5 - Qualidade de vida da comunidade
Indicador 6 - Solidez e continuidade das parcerias e dos compromissos estabelecidos entre os diversos agentes
Indicador 7 - Diversidade Cultural
Indicador 8 – Sustentabilidade Econômica Tema 2
Espaço; Território Rubricas
Concepção de espaço Concepção de território Uso dos espaços Sub-rubricas
Indicador 1 – Práticas socioeconômicas desenvolvidas e as priorizadas Indicador 2 – Delimitação (ou não) do uso dos espaços para a prática do turismo Indicador 3 – Mecanismos de fiscalização do uso do espaço
Cidadania Rubricas
Concepção de Cidadania Sub-rubricas
Indicador 1 – Respeito aos direitos civis, políticos, cívicos, humanos. Indicador 2 – Inclusão social
Tema 4 Relações Capital/Trabalho Rubricas Atividades Econômicas Emprego e renda Sub-rubricas
Indicador 1 – Incentivos (fiscais) ao empreendimento de atividades econômicas características do turismo
Indicador 2 – Geração de Emprego e Renda
Indicador 3 – Gerenciamento sobre o ciclo de vida de produtos e serviços Indicador 4 – Investimentos na qualificação de trabalhadores do turismo Indicador 5 – Garantia dos direitos trabalhistas
Indicador 6 – Fiscalização das normas dos direitos trabalhistas
Tema 5
Turismo e Políticas Públicas Rubricas
Concepção de Turismo Concepção de Política Pública
Indicador 1 − Planos Indicador 2 – Programas Indicador 3 − Projetos Indicador 4 − Financiamento
Indicador 5 – Participação da comunidade na definição de ações e uso de financiamentos
Indicador 6 − Formalidade para gastos do dinheiro público Indicador 7 – Relações com parceiros
Indicador 8 – Estímulo à participação e Inclusão de atores Indicador 9 – Compromisso com o futuro do município Indicador 10 - Governança local (COMTUR) Esta investigação acerca do processo de desenvolvimento do turismo no município de Pirenópolis buscou em sua tese, identificar as concepções de desenvolvimento ao longo dos tempos, para relacionar suas acepções ás práticas adotadas pelos sujeitos que atuam no turismo. Fez se uma análise acerca dos principais fatos e transformações que se deram no território ao longo do tempo, as ações públicas e civis no que concerne ás práticas turísticas no município para a posterior verificação empírica.
Na antítese, buscou-se identificar as situações que levaram o processo de desenvolvimento do turismo no município investigado ao seu modelo atual, ou seja, é a negação da tese, que se dá sobretudo pela reflexão a partir das situações teóricas e práticas presentes na tese.
Na síntese, propõe-se como nova tese a ser contestada, novas formas de percepção de desenvolvimento do turismo, as quais acarretam indicações de práticas que sejam capazes de reverter a situação vigente.
Para alcançar os objetivos propostos na pesquisa, este processo investigativo contou como metodologia para evidenciação empírica com a técnica da triangulação de dados. Para Triviños (1987), esta técnica tem por objetivo básico abranger a máxima amplitude na descrição, explicação e compreensão do foco em estudo, partindo de princípios que sustentam que é impossível conceber a existência isolada de um fenômeno social sem raízes históricas, sem significados culturais e sem vinculações estreitas e essenciais com uma macro realidade social.
Valer se da técnica de triangulação significa, nessa pesquisa, em primeiro lugar dirigir a atenção aos produtores do processo de desenvolvimento do
turismo (o próprio modelo de desenvolvimento capitalista vigente), em seguida aos reprodutores (instituições), responsáveis por reproduzir por meio da política pública esses processos, ampliando-os de forma a torná-los verdades/modelos de desenvolvimento pelo turismo, e por último aos sujeitos que consomem esses processos como “verdades” (neste caso aos empreendedores e trabalhadores do turismo), dessa forma analisando os processos e produtos que são originados pela e na estrutura social, na qual ocorre o fenômeno turístico. Conforme ilustrado na figura que se segue:
FIGURA 6: Esquema da Triangulação
Fonte: Elaborado pela autora, 2015.
2.2 A DIALÉTICA HISTÓRICO ESTRUTURAL (DHE) PARA A COMPREENSÃO