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2.2. OYUN

2.2.5. Oyunun Önemi

Os resultados obtidos são oriundos da utilização do software em seu teste piloto na UTI Central do Hospital das Clínicas (HC) da FMB-UNESP Botucatu, foram acompanhados 64 pacientes na unidade durante o período de 10 de janeiro a 25 de abril de 2012, sendo 42 homens (65,6%) e 22 mulheres (34,4%). Os 64 pacientes apresentaram idade média de 57,2 anos e mediana de 60,5 com a variação de 18 a 88 anos.

Verificou-se o predomínio do sexo masculino (65,6%), da raça branca (89%), quanto às características clínicas 32 (50%) pacientes deram entrada na UTI para realização de pós-operatório imediato, 20 (31,3%) para suporte clínico e 12 (18,7%) em situação de urgência e emergência.

O tempo médio de internação foi de 9,9 dias (DP=11,8), com variação de 1 a 52dias. Foram realizadas 655 avaliações para o risco do desenvolvimento de UP e verificou-se que 18 pacientes desenvolveram estas lesões na UTI. A Tabela 1 mostra as variáveis gerais dos pacientes com UP.

Variáveis N com UP % com UP Sexo Masculino Feminino 13 5 72,2 27,8 Cor da pele Branco Negro Amarelo Pardo 16 2 0 0 88,8 11,2 0 0 Idade 16 a 30 31 a 45 46 a 60 61 a 75 76 a 82 4 0 3 7 4 22,2 0 16,7 38,9 22,2 IMC < 18,5 (abaixo do peso) 18,6 a 24,9 (eutrófico)

25 a 29,9 (levemente acima do peso) 30 a 34,9 (1º grau de obesidade) 35 a 39,9 (2º grau de obesidade) >40 (obesidade mórbida) 2 8 4 3 1 0 11,1 44,5 22,2 16,7 5,5 0

Os dados da tabela 1 indicam que a idade dos pacientes com UP variou de 18 a 82 anos, com média de 56,7 (DP=18,9) e a mediana de 60 anos, havendo o predomínio da faixa etária acima de 61 a 82 com 11 (61,1%) pacientes. Observa-se o predomínio do sexo masculino com 13 (72,2%) pacientes e houve o predomínio da raça branca com 16 (88,8%) pacientes.

Quanto ao IMC, observa-se que 12 (66,6%) com UP eram considerados com peso normal ou levemente acima do normal.

Quanto ao tempo de internação dos pacientes com UP foi observado que 11 (61,1%) pacientes permaneceram na unidade por 11 dias ou mais, sendo 52 dias o maior tempo internação encontrado.

Como desfecho da internação na UTI 13 (72,2%) pacientes foram transferidos para outras unidades com UP seguindo o tratamento nestas unidades de transferência e o restante foram a óbito.

A Tabela 2 caracteriza o número, localização e estadiamento das UPs desenvolvidas na UTI.

Tabela 2- Distribuição das UPs de acordo com o número, localização e estadiamento. UTI

do HC da FMB- UNESP. Botucatu, SP, 2013 Variáveis N Pacientes Distribuição % Número de UP 1 2 3 4 10 1 5 2 55,6 5,6 27,8 11 Localização Calcâneos Sacro Glúteo Trocânter Occipital 14 13 4 3 1 40 37,2 11,5 8,5 2,8 Estadiamento final I II III IV Não classificável SLTP UP 24 11 0 0 0 0 68,5 31,5 0 0 0 0

Observa-se que os 18 pacientes apresentaram um total de 35 UP, variando de 1 a 4 lesões por paciente, média de 1,9 úlcera por paciente. Das 35 úlceras observadas, os locais mais ocorrentes neste estudo foram em calcâneos (40%) e em sacral (37,2%).

Quanto ao estadiamento final observado, verificou-se que 24(68,5%) UP permaneceram no estágio I e 10(28,6%) evoluíram para o estágio II e 1 UP foi registrada já

Foi também identificado o dia em que essas feridas iniciaram sua formação e foi observado que 10 (55,6%) pacientes que a desenvolveram tiveram seu início principalmente no 2º ou 3º dia de internação.

O escore médio obtido de acordo com tempo de internação dos pacientes com e sem UP é demonstrado na Tabela 3.

Tabela 3 - Escore médio da Escala de Braden de acordo com tempo de internação dos

pacientes com e sem UP na UTI do HC da FMB- UNESP. Botucatu, SP, 2013

Variáveis

Com UP

Distribuição Sem UP

Escores

< ou = 9 (risco muito alto) 10-12 (risco alto) 13-14 (risco moderado) 15-18 (baixo risco) 19-23 (sem risco) Média (DP) Variação Mediana N % 2 11,1 11 61,1 5 27,8 0 0 0 0 11,1(1,8) 9,0 - 14,5 10,3 N % 8 17,4 21 45,6 8 17,4 9 19,6 0 0 12,1 (2,9) 7,8 - 18,5 11,8

De acordo com a escala de Braden, verificou-se escore médio total de 10 a 12 são os mais incidentes nos pacientes internados na UTI e 11 (61,1%) pacientes desenvolveram UP com este escore denotando risco alto para tal afecção.

Considerando as visitas realizadas foi possível identificar as características gerais observadas dos pacientes internados de acordo com os subitens da escala de Braden, a

Tabela 4 – Variáveis da escala de Braden e a frequência desses itens durante as 655 visitas

realizadas nos 64 pacientes da UTI do HC da FMB- UNESP. Botucatu, SP, 2013

Subitens da Escala de Braden Frequência (n) Distribuição % Percepção sensorial Totalmente limitado Muito limitado Levemente limitado Nenhuma limitação 314 146 160 35 47,13 22,29 24,42 5,34 Umidade Constantemente molhada Muito molhada Ocasionalmente molhada Raramente molhada 18 121 452 64 2,75 18,48 69 9,77 Atividade Acamado Confinado na cadeira Anda ocasionalmente Anda freqüentemente 653 2 - - 99,7 0,3 - - Mobilidade Totalmente imóvel Bastante limitado Levemente limitado Não apresenta limitações

366 169 106 14 55,9 25,8 16,2 2,1 Nutrição Muito pobre Provavelmente inadequado Adequado Excelente 77 51 507 20 11,75 7,8 77,4 3,05 Fricção e cisalhamento Problema Problema em potencial Nenhum problema 570 77 8 87 11,8 1,2

Segundo as variáveis da escala de Braden é possível identificar que durante as visitas realizadas os pacientes apresentavam-se quase em sua totalidade acamados, em aproximadamente (50%) das visitas a percepção sensorial dos pacientes foram considerada

(77,4%) apresentavam adequação em relação à nutrição; evidenciando um quadro geral de pacientes altamente dependentes de cuidados de enfermagem.

A incidência expressa o número de casos novos de uma determinada doença durante um período definido, numa população sob o risco de desenvolver a doença. Logo, a incidência mede o risco ou probabilidade de ocorrer o evento doença na população exposta. Para o cálculo da incidência para UP segue a fórmula 26:

Considerando a população estudada de 64 pacientes sendo que 18 desenvolveram

UP, resultando na incidência de 28,12% no período de janeiro a abril de 2012.

Diante dos resultados apresentados do desenvolvimento do software, do teste piloto e da análise dos dados passa-se para a discussão do trabalho.

determinem um produto. Parte-se de uma concepção sem ter algo de concreto no seu inicio, mas que tenha potencial para se tornar real e aplicável. E esta etapa exigi empenho tecnológico, científico e educacional a longo prazo 47.

O software desenvolvido resultou–se num protótipo, sendo considerado importante instrumento porque em sua fase experimental é possível captar a sensibilidade do sistema local onde os processos de trabalho ocorrem, e desta forma pode ser ajustado e adequado às necessidades informacionais, antes de ser implantado 63-65.

A construção do software além de um desafio trouxe muito crescimento profissional, com esta experiência foi possível extrair sentimentos de superação e ver que podemos modificar o meio de trabalho. Assim, perceber que a enfermagem em si tem a possibilidade e oportunidade de envolvimento no design e a instalação de novos softwares66. Pode-se assim identificar o papel de construtores, além de consumidores neste meio; e promover a construção de tecnologias tanto para pesquisa quanto para a prática clínica 39,47,67.

Produzir na área da enfermagem sobre o tema que envolve informática não é inédito, porém percebe-se ainda poucos estudos nesta dimensão. Tem sido cada vez mais importante e imprescindível para que o processo de cuidar se torne de qualidade e seguro ao paciente e a equipe.

O software desenvolvido assim como outros já desenvolvidos, serviu como apoio na decisão clínica, permitindo melhor organização, comunicação, retroalimentação e uma base de análise administrativa39,49,64,66,68.

A informação é essencial para poder exercer o processo de cuidado, gerenciamento e de avaliação. Então quanto melhor os sistemas informatizados conseguem registrar,

armazenar e disponibilizar esta informação, tanto melhor será o ato profissional, maior qualidade e segurança na tomada de decisão 68.

Como um dos obstáculos durante o desenvolvimento do projeto foi a comunicação entre os profissionais, devido à formação do enfermeiro em relação ao uso e domínio da informática no Brasil, já que ainda não atingiu sua excelência. As tecnologias de ensino caracterizadas pelos recursos de internet e ferramentas como robótica e a realidade virtual muitas vezes são colocadas ou apontadas nos cursos como mera forma adicional de transmitir conhecimento 69,70.

Percebe-se a necessidade de melhorar o ensino da informática no processo de formação do enfermeiro e isto deve ser iniciado na graduação, pós graduação e até mesmo no campo de trabalho 70,71.

Durante o desenvolvimento do software foi possível observar que a fase definida como processo de requisitos, é uma fase crítica, pois uma incorreta identificação dos requisitos pode levar ao desenvolvimento de um produto que não atenda aos objetivos para o qual foi planejado, sendo total ou parcialmente desperdiçado todo tempo empregado nessa construção 72. No modelo utilizado para o desenvolvimento do software, esta fase corresponde à primeira etapa, compreendida na análise e definições.

Utilizou-se uma figura bastante didática para exemplificar os problemas de comunicação e o desfecho no desenvolvimento de programas informatizados 73.

Figura 14- Processo de desenvolvimento de software. Dagnone DM. How projects really

work (version 1.5) [acesso 2012 Dez 10]. Disponível em: http://www92.projectcartoon.com/cartoon/611

Observa-se que vários desencontros de informações podem resultar em problemas no produto já finalizado. Sendo assim, muitos problemas do processo de desenvolvimento podem refletir na usabilidade do software que está na troca de informações e compreensão entre o usuário e o programador do sistema. A engenharia da usabilidade é uma poderosa ferramenta para reduzir riscos na segurança dos sistemas informatizados, visto que não existe utilidade para um sistema inseguro. Também não há necessidade de segurança em um sistema que não seja utilizado. Perante isto, a colaboração entre profissionais (usuário e programador) é o alicerce para a usabilidade no intuito de extrair o raciocínio do profissional da saúde de modo adequado e assim possibilitar um consenso mútuo em atender a utilidade do produto no local a ser utilizado 65,74.

Apesar das dificuldades permeadas durante o processo de construção do software, com sua utilização foi possível identificar contribuições importantes à unidade, como um

instrumento que auxilia na coleta do risco como também nos cálculos para construção do indicador de UP na unidade e uma orientação para as condutas preventivas.

Ao considerar os resultados do teste piloto, foi possível evidenciar que no momento do apontamento das ações preventivas à beira do leito, sensibilizou a equipe.

Isto pode ser confirmado com a evidência de outro estudo em que o enfermeiro sendo o líder tem por responsabilidade, as atividades realizadas. Assim, é fundamental que haja uma comunicação adequada entre sua equipe, o ouvir atento e interessado, em que as palavras e as ações sejam coerentes. Enfim, contribuir para uma melhora na satisfação, com interesse em realizar o trabalho proposto e com maior proximidade ao grupo. Desta forma, equipes de trabalho que mantêm esse diálogo são usualmente mais produtivas, porque acreditam e se empenham no seu fazer, ou seja, no cuidado ao paciente 75.

Com a análise dos dados do teste piloto possibilitou identificar que a incidência encontrada na unidade foi de 28,12%, valor dentro dos encontrados em outros estudos que variou de 28 a 50% 7,8,21,23.

Quanto às características da população que desenvolveram UP neste estudo foi observado o predomínio dos pacientes com pele branca, tal fato pode ser justificado pelo predomínio da população caucasiana relacionada com localização e história da cidade no interior do estado de São Paulo, a idade superior a 61 anos também foi observado em outros estudos 22,76.

No que diz respeito à localização, a maioria apresentou predomínio em calcâneos seguido de sacral, localizações também encontradas por outros estudos 8,11,24.

De acordo com o escore calculado observou-se o predomínio do risco entre 10 e 12 pontos correspondendo de risco alto para UP no pacientes de UTI, evidencia também em outro estudo 22.

7,8.

Considerando essas características e a taxa de incidência que corresponde ser um indicador da qualidade da assistência de enfermagem, cabe a unidade tentar padronizar medidas que indiquem os cuidados, tendo como suporte o uso de software, a fim de identificar os pacientes de risco e propor ações de prevenção precocemente com o intuito de reduzir esse valor. Com a utilização do software o profissional tem à mão todo o retrospecto do paciente e os dados de forma organizada, podendo divulgá-los ou consultá- los em tempo real e dispor a todos os envolvidos na assistência. Assim, o conhecimento do risco para UP ou das ações de prevenção prestadas no serviço poderão estar disponíveis, servindo realmente como resultado de um indicador importante para a qualidade e segurança da assistência de enfermagem do paciente em cuidados intensivos.

• O desenvolvimento de um software com a utilização da Escala de Braden como referencial associada com ações preventivas de enfermagem local, resultou numa prototipização, e conforme o modelo de desenvolvimento utilizado percorreu-se as etapas:

a) análise da proposta pelo profissional médico e pelo programador com inúmeras questões sobre a pertinência desta construção para a realidade a ser utilizada;

b) construção do software e design;

c) implementação (teste piloto) na unidade, com a identificação dos erros e verificações e

d) manutenção do sistema construído.

• Durante esse caminho a comunicação se fez muito necessária sendo que em alguns momentos ela atingiu momentos críticos que poderiam ocasionar perda de todo um trabalho interligado.

• Para o desenvolvimento utilizou-se como lógica principal a criação de um formulário de cadastramento do paciente que abriu acesso para a realização da visita que foi dividida em duas partes: o cálculo do risco e no cadastramento e acompanhamento de UP. A partir disso foi possível obter resultados da unidade como o indicador assistencial e resultados por paciente como a visualização de sua evolução em relação ao risco. Para tal desempenho foram construídos cinco ícones: cadastrar pacientes, visitas, editar dados, risco diário e um último ícone subdividido em três: gerar dados, gerar risco e gerar condutas.

• Por meio da funcionalidade do sistema foi possível identificar que a visita é pontual em relação aos itens da escala de Braden e múltiplos em relação às ações

preventivas de enfermagem. O modo de catalogação das lesões mostrou-se ser muito bom, pois as lesões são organizadas com datas, localizações e estágios com as cores diversificadas visualizadas no manequim e por meio do histórico são possível observar todas as mudanças ocorridas na pele durante o tempo de internação. O software permitiu realizar a interface dos dados em composições gráficas.

• Quanto à usabilidade do sistema foi possível identificar que, o design apresentou-se algumas telas repletas de dados, muitas vezes repetidos; porém foi o modo encontrado de manter a disponibilidade e a integridade dos dados.

• Observou-se também a falta de um manual de orientação. O programa permite obter resultados por paciente e pela unidade que podem servir como suporte nos quesitos administrativos e no auxilio na tomada decisão em relação à assistência. Tudo para poder ter informação em tempo real e ser impressa ou consultada no momento necessário.

• O resultado obtido durante o teste piloto e por meio de sua análise teve por base 64 pacientes com 655 visitas realizadas; os pacientes apresentaram idade média de 57,2 anos e mediana de 60,5 anos com variação de 18 a 88. Desses, 18 pacientes desenvolveram UP na unidade, num total de 35 feridas variando de 1 a 4 lesões e média de 1,9 úlceras por paciente. As feridas tiveram sua formação observadas principalmente no 2º e 3º dia de internação; a incidência foi de 28,12% na unidade.

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