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Otizmli, Down sendromlu ve normal gelişim gösteren çocuklarda Ebeveyn-Çocuk ile Araştırmacı-Çocuk etkileşimlerine göre jestlerin kullanım

Chegamos agora no momento de pensar a saúde pelo enfoque metapsicológico do corpo sintoma; isto implica tentar dar conta do efeito físico ou do momento somático do processo inconsciente. Esse é o objetivo da metapsicologia freudiana na abordagem do corpo: à partir da descrição metapsicológica da corporeidade, “dar conta do que se passa na saúde corporal e suas tribulações (sintomáticas)”. (ASSOUN, 1998, p. 101).

Freud, ao mesmo tempo em que situa o corpo como fonte de sofrimento6, em virtude do seu caráter perecível, também o exprime como fonte de prazer. Podemos encontrar esse prazer nos órgãos, e isso foi mostrado por Freud quando do estudo da sexualidade infantil, na abordagem do auto-erotismo. É com base nessa questão que Assoun (1998) nos convida a pensar o sintoma somático: no nível dos prazeres dos órgãos, que acontece de forma localizada, tendendo à satisfação individual a expensas do conjunto: “A proposta é retomar a questão no nível do acontecimento físico – que não é outra coisa senão retomar o órgão e a questão do prazer aí encontrado em sua intensidade local – para situar a dimensão libidinal”. (ASSOUN, 1998, p. 102).

O organismo, por meio dos órgãos, leva então uma vida libidinal; no entanto, acontece dos órgãos trabalharem num regime próprio, de forma independente, oferecendo às pulsões parciais seu modo de satisfação. A isso chamamos de prazer do órgão, que só se torna possível em virtude do seu próprio estado de excitação, que constitui a fonte pulsional. O órgão é, portanto, a fonte somática da pulsão. Apesar de a pulsão ser uma força constante, a excitabilidade do órgão é, eminentemente, disruptível e não possui um objeto fora de si mesmo.

Que prazer é esse do qual o órgão goza? E que relação podemos fazer entre esse prazer de órgão e o prazer sexual presente no auto-erotismo? A esse respeito, Assoun (1998) faz algumas considerações. Ele nos diz que o prazer do órgão é o fundo orgânico do acontecimento sexual, e que todo órgão tem, na verdade, uma duplicidade pulsional (pulsões

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do eu e pulsões sexuais), o que faz com que eles estejam ajustados ao mesmo tempo com uma função orgânica e outra libidinal: “todo órgão tem a tarefa de gerir a dupla reivindicação: a do eu consciente e a da sexualidade recalcada. É diretamente no mesmo órgão que se produz esse conflito entre pulsões do eu e pulsões sexuais”. (ASSOUN, 1998, p. 107).

Relativamente à distinção entre as pulsões sexuais e as pulsões do eu, Kaltenbeck (2003), ao ler o texto de Freud sobre o ‘Distúrbio psicógeno da visão na concepção psicanalítica’ (1910), nos diz: “os órgãos do corpo estão à disposição das duas pulsões. Quanto mais eles exercem sua ação para uma, tanto mais se negam à outra, o que acarreta conseqüências patológicas quando as duas pulsões se desunem”. (P. 64). Esse é o resultado da desfusão pulsional que, na opinião de Assoun (1998), está no cerne do sintoma somático.

Esse pensamento original de Freud subverte a racionalidade mesma do organicismo biológico, visto que, como dissemos outrora, com os estudos sobre a histeria, há um prazer (sexual) de órgão, o que implica uma indagação sobre o modo ambíguo de dessexualização que serve de base à sintomatologia somática.

Assoun (1998) nos lembra, a esse respeito, as idéias de Ferenczi sobre a lógica patoneurótica, segundo a qual o organismo como um todo se identifica com o órgão genital na satisfação orgástica (e cada órgão contribui na realização desse objetivo em nome do bem- estar corporal), levando à generalização explosiva de todo organismo. De forma contrária, na doença somática, há uma forma de regressão auto-erótica de satisfação sexual, na qual cada órgão trabalha em nome próprio. Ferenczi, como mostra Assoun (1998), chama esse processo de ‘desgenitalização’: “o órgão se converte no âmbito de um pequeno orgasmo (...) gerador de transformação pela qual se inscreve um gozo inconsciente”. (P. 110).

Toda essa questão encontra fundamento nos estudos sobre a sexualidade infantil, nos fazendo pensar a doença somática correlativa desse modo de funcionamento, no qual o sujeito regride a um modo de expressão desobjetalizado. Dessa forma, o órgão doente corresponde ao órgão primitivo auto-erótico e o prejuízo corporal, devido o órgão doente, fenomenaliza a angústia de castração, já que alude à ameaça do gozo sexual.

A esse respeito, Assoun (1998) nos lembra que um órgão ferido não goza dos prazeres que lhe são concernentes quer dizer, o gozo sexual, a não ser na forma de um gozo outro, como gozo mortífero. Logo, a angustia de castração se exerce sobre o corpo, visto que esse órgão defeituoso (órgão simbólico da castração) serve de expressão à angústia de castração.

A doença somática é, portanto, uma forma de trabalhar materialmente a angústia de castração, ao mesmo tempo em que proporciona ao sujeito o alívio desta ao colocá-la em ato, localizando-a em um órgão doente: “uma maneira de drenar a angustia de castração, erigindo

o órgão doente seu porta voz, mas também o mantendo à sua disposição sempre que for necessário enfrentá-la”. (ASSOUN, 1998, p. 114).

O fantasma da castração, nesse sentido, em vez de atuar por meio do conflito inconsciente, produzindo, assim, uma neurose, atua no e pelo corpo, através do sintoma somático. Isto não quer dizer que esse tipo de resposta (no corpo) à ação fantasmática impeça a produção de uma neurose, ou proteje o sujeito desta (como supõe a Psicossomática psicanalítica). Pelo contrário! Temos visto, desde o começo, que todo o pensamento de Assoun sobre a construção da doença somática se faz em paralelo à neurose, não no sentido de que uma seja responsável diretamente pela outra, mas pelo fato de que o sujeito, sobre o qual recai a afecção somática, vive no seu corpo a incidência do ato inconsciente e a relação com o fantasma.

Essa questão nos remete novamente ao que Assou (1998) denominou ‘A dupla vida do corpo’, já que nos dá mostras de que este não se representa apenas na sua vertente de eu- corporal: sob este, existe um corpo-pulsional: “(...) existe um corpo por baixo que representa o fundo da vida pulsional”. (P.131). A pulsão, portanto, como Freud explicita em 1915, no seu artigo O instinto e suas vicissitudes, se conceitualiza como representante psíquico dos estímulos originados no interior do corpo e que chegam à alma, nos lembrando mais uma vez que o psíquico repousa sobre o orgânico.

Essa característica singular do que é a pulsão, a partir da sua correlação com o corporal, possibilita que ela não apenas governe a vida psíquica, como também a vida vegetativa, fazendo com que Freud denomine tanto as pulsões do eu quanto às pulsões sexuais de pulsões orgânicas (já que o fundo pulsional é orgânico), concordando assim com a dupla posição biológica do sujeito (ASSOUN, 1998).

O estudo da pulsão, portanto, abre espaço para suscitarmos hipóteses sobre o sintoma somático, principalmente quando levamos em conta o ‘papel’ do afeto em sua íntima relação com o corpo, visto que ele vem do corpo. O afeto exprime, nesse sentido, algo do fundo corporal da pulsão, ou seja, a pulsão no sentido bruto, quando já separado do seu par representacional: é nesse momento que o afeto faz sintoma, quando ele se destaca desse seu par, encontrando passagem no corpo pela descarga. Em outras palavras, ele põe em movimento a dinâmica psíquica, “é o momento material do sintoma, efeito físico do processo pulsional”. (ASSOUN, 1998, p. 133).

É, portanto, sobre o corpo físico que o sintoma somático se faz representar. Se por um lado este se apresenta como eu-corporal, por outro é também sede do corpo-pulsional. Em termos metapsicológicos, podemos entender esse corpo da pulsão como sendo o Isso, que na

verdade não é corpo, mas que se liga ao somático (ou dá acesso ao somático) em sua extremidade, no sentido do corpo enquanto Leib.

O Isso é, portanto, o foco pulsional, lugar-sede das pulsões, onde encontramos o gozo corporal, que nada mais é do que sua capacidade auto perceptiva, além dos limites perceptivos do Eu. Essa ligação com o corpo (Leib) somado à capacidade auto-perceptiva proporciona a experiência física, ou seja, o auto-gozo do Isso quando o corpo se converte em sintoma. Ou seja, a perturbação corporal marca certa debilidade do eu, no que tange à ‘filtração’ da vida pulsional.

Encontramos-nos claramente no registro da ‘percepção’ (endógena), o que aponta ao vinculo entre saber e gozo. (...) Isso goza de saber, ou isso goza de sentir, se perceber o que passa no isso. (ASSOUN, 1998, p. 165).

Assoun (1998) denomina esse acontecimento de experiência mística, que acontece em frações de segundos, como se o Isso aproveitasse os instantes em que consegue driblar o Eu e o Super-eu para se entregar ao gozo somático. Não resta ao Eu, nesse caso, senão servir de testemunha ao gozo do Isso. E o mérito todo desse processo é sem dúvida da pulsão de morte, que ‘abre mão’ de satisfazer as necessidades pulsionais, reguladas pelo principio do prazer, para sucumbir às exigências desse gozo mortífero. Vale ressaltar que esta pulsão se caracteriza pela desfusão pulsional, ou seja, desligamento da pulsão, verdadeiro caos pulsional.

Evocamos com isso a natureza da dualidade pulsional, em razão da qual o organismo se divide sobre si mesmo, fórmula radical de morbidez física inconsciente, como aponta Assoun: “A ponta da patologia somática seria a ruptura intra-orgânica que, num corpo singular, se reativa sob o efeito de um trauma desintrincante”. (1998, p. 138).

À pulsão de morte, portanto, cabe a tarefa de destruir a própria morada orgânica, marcando assim a morbidez somática e trazendo ao corpo o imperativo de fonte de infelicidade, em decorrência do caráter perecível que lhe é inerente, como bem falou Freud em Mal estar na civilização (1930). Ela revela, nessa ação destrutiva, a tensão íntima do orgânico (que não deixa de ser inconsciente).

A título de exemplo, tomamos a epilepsia, na qual a pulsão de morte dá mostras do seu poder destrutivo com fins de descarga pulsional. Nesse exemplo clínico, Freud destaca a tentativa de desvio do movimento da pulsão de morte até o exterior, na tentativa de ligá-la libidinalmente. O sintoma epiléptico mostra, assim, a força mortífera de que é capaz o gozo corporal: “A epilepsia ‘afetiva’ é uma maneira de indicar que a reação epiléptica é o que esta à disposição da neurose, cuja essência consiste em desembaraçar-se através de caminhos somáticos das massas de excitação que não se consomem psiquicamente”. (ASSOUN, 1998, p. 142).

Com tudo isso que temos dito, resta-nos confirmar o ponto de vista de Assoun (1998) de que a doença orgânica é uma forma atual de manifestação de sofrimento psíquico, tal qual a neurose, apesar de reservar diferenças significativas entre ambas. Se antes a neurose se apresentava sob a roupagem demoníaca, atualmente ela se exibe sob a forma de doença somática: “a doença orgânica torna-se o disfarce da neurose e do conflito inconsciente dos tempos modernos”. (ASSOUN, 1998, p. 143). No fundo, trata-se sempre de uma recusa da neurose.

Não significa reduzir a doença somática há alguma vaga neurose, senão engajar-se no questionamento de sua função de sintoma-tela de certa ‘enfermidade do desejo’, que solicita os demônios do corpo. (Assoun, 1998, p. 143).