A seguir, são apresentadas as análises descritivas, de correlação e consistência interna e análise exploratória dessa dimensão.
- Análise Descritiva da Dimensão 3
Os procedimentos de análise descritiva seguiram os mesmos padrões analisados nos construtos anteriores, buscando-se avaliar os resultados dos itens da subescala “felicidade”. Dessa forma, primeiramente foi efetuada a análise descritiva dessa dimensão (Tabela 27).
Tabela 27. Análise descritiva da dimensão “Felicidade”
Variável Itens da escala Média Desvio Assimetria Curtose
M14 Eu tenho todas as coisas que realmente preciso para aproveitar a vida 5,98 2,46 -0,31 -0,73 M15 Minha vida seria melhor se eu possuísse certas coisas que não tenho 6,17 2,73 -0,42 -0,88 M16 Eu não seria mais feliz se eu possuísse coisas melhores 4,94 2,58 0,40 -0,71 M17 Eu seria mais feliz se pudesse comprar mais coisas 5,63 2,63 -0,27 -0,95
M18 Às vezes me incomoda eu não poder comprar todas as coisas que gostaria 4,32 2,50 0,46 -0,67 (Escala) Discordo
totalemnte totalmente Concordo
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
Fonte: dados da pesquisa
Conforme essa observação, os entrevistados mantiveram-se em um nível intermediário de concordância, sendo a média de valor mais elevado na variável M15 (6,17), interpretando- se que os indivíduos tendem a concordar mais com a assertiva de que possuir certas coisas que ainda não possuem poderiam melhorar suas vidas. Já as variáveis M14 e M17 mantiveram seus valores de média acima de 5, representando também níveis intermediários de concordância dos entrevistados para esses itens. Por fim, as variáveis M16 e M18, embora ainda estejam dentro do parâmetro intermediário de concordância, obtiveram valores médios mais baixos, 4,94 e 4,32, respectivamente. De modo geral, os indivíduos tenderam a concordar de modo intermediário com as assertivas dessa dimensão.
No que concerne aos desvios padrão, estes foram classificados como moderados, visto que seus valores estiveram mais acima de 2, atestando que os itens captaram bem as variações do construto. Com relação à análise da normalidade das variáveis, os valores expressaram que nenhuma das variáveis se encontrava fora do padrão da normalidade, resultando valores de assimetria e curtose dentro do critério estabelecido previamente.
- Análise de Correlação e de Consistência Interna da Dimensão 3
Segundo os procedimentos estabelecidos, foi realizada a matriz de correlação entre as variáveis do construto (Tabela 28). Observou-se que as variáveis M14 e M16 são as variáveis mais problemáticas, apresentando correlações negativas com as demais variáveis. Os resultados desses itens confirmam o que havia sido interpretado anteriormente, que os itens invertidos da escala original não correspondem bem aos demais itens de materialismo que se pretende mensurar, visto que as variáveis M14 e M16 são também itens invertidos da escala original. Dessa forma, os pares de variáveis M15 e M17, M15 e M18, M17 e M18 obtiveram níveis moderados de correlação, mostrando haver consistência no seu conteúdo.
Tabela 28. Matriz de correlação entre as variáveis da dimensão “Felicidade”
Variável M14 M15 M16 M17 M18
M14 1
M16 0,31 -0,16 1
M17 -0,31 0,58 -0,16 1
M18 -0,02 0,39 0,07 0,51 1
Fonte: dados da pesquisa
Dessa forma, decidiu-se novamente por exclusão prévia dos itens M14 e M16, problemáticos na subescala “felicidade”, visto que isso também corromperia as premissas do modelo de confiabilidade. Dessa forma, o Alpha de Cronbach entre as variáveis M15, M17 e M18 resultou no índice de 0,74, alcançando nível satisfatório e demonstrando não haver necessidade de exclusão de mais nenhum item (Tabela 29).
Tabela 29. Alpha de Cronbach dos itens da dimensão “Felicidade”
Variável Itens da escala Alpha se o item for excluído
M15 Minha vida seria melhor se eu possuísse certas coisas que não tenho 0,68 M17 Eu seria mais feliz se pudesse comprar mais coisas 0,55 M18 Às vezes me incomoda eu não poder comprar todas as coisas que gostaria 0,73 Fonte: dados da pesquisa
- Análise Fatorial Exploratória da Dimensão 3
Nessa fase, novamente são efetuados os testes KMO, obtendo resultado de 0,65 e o teste de esfericidade de Bartlett apresentando significância estatística do valor qui-quadrado (X2=67,636 gl=3) a p<0,001. Assim, observou-se boa a adequação das variáveis para a fase da análise fatorial. Assim, a análise dos autovalores resultou na existência de apenas um autovalor, com grau de 66,5% da variância total de explicação do construto analisado, indicando apenas um fator subjacente, de acordo com o esperado. Tanto os resultados das comunalidades quanto das cargas fatoriais apresentaram valores adequados e satisfatórios (Tabela 30). A menor comunalidade observada foi a da variável M18, sugerindo ser necessária adaptação da frequência “às vezes” para uma melhor especificação e adequação do item, resultando na assertiva “me incomoda não poder comprar todas as coisas que gostaria”, conforme adaptação na tabela 31.
Tabela 30. Matriz de cargas e comunalidades das variáveis
Variável Itens da escala Cargas Comunalidades
M17 Eu seria mais feliz se pudesse comprar mais coisas 0,87 0,75 M18 Às vezes me incomoda eu não poder comprar todas as coisas que gostaria 0,76 0,58 Fonte: dados da pesquisa
Dessa forma, após as fases da análise exploratória dos itens dessa subescala, houve a decisão pela adaptação das duas variáveis conflitantes, M14 e M16, e da variável M18 para aplicação com o próximo estudo, com a intenção de manter uma melhor adequação das variáveis da subescala “Felicidade” que pretende se mensurar. Dessa forma, os itens foram adaptados (Tabela 31).
Tabela 31. Adaptação das variáveis M14, M16 e M18
Variáveis Itens da escala inicial Itens adaptados
M14 Eu tenho todas as coisas que realmente preciso para aproveitar a vida Eu ainda não tenho todas as coisas que preciso para aproveitar a vida M16 Eu não seria mais feliz se eu possuísse coisas melhores Eu seria mais feliz se possuísse coisas melhores M18 Às vezes me incomoda eu não poder comprar todas as coisas que gostaria É um incômodo eu não poder comprar todas as coisas que gostaria Fonte: dados da pesquisa