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2. DÖNEMİN SİYASAL YAPISI

2.3. OSMANLI KADIN HAREKETİ

O trabalho clínico da análise, quando obtém sucesso, é devido ao clima de profunda parceria, mesmo que, em muitos momentos, ela seja extremamente dolorosa, tanto para o analisando quanto para o seu analista. Remover uma Consciência egocêntrica quer dizer retirar do trono uma criança que pode ter sido rejeitada e mimada simultaneamente por sua mãe, e está longe de ser uma tarefa fácil. Esse é um exemplo de um ego que, mesmo na vida adulta, permanecerá indiferenciado com o Self-mãe. É claro que esse ego será inflado.

A energia da inflação é a energia do próprio Self. Todo o empenho de uma análise, em última instância, é um trabalho contra a resistência à própria análise, já que o rompimento com as ilusões e com a ideia de ser o centro do mundo é encarado pelo ego como uma grande traição. Se a alma não for respeitada em seu tempo de maturação, a relação analítica corre um forte risco de ruptura. Uma interpretação mais cortante por parte do analista pode ser recebida como um golpe em que o analista passa a ser percebido mais como um pai terrível do que realmente como um companheiro de individuação. Refiro-me, mais especificamente, às personalidades narcisistas tão frequentes na atualidade. Nesses casos, de modo geral, o principio paterno não foi bem-sucedido na instauração dos limites criativos, tão necessários para o convívio com a realidade.

78 Alexander Lowen estabelece com propriedade a ligação entre as neuroses e o destino do indivíduo. Para ele,

a adaptação da criança ao sistema (a família, a cultura) “viola o seu espírito”. Para se defender, a criança desenvolve um caráter neurótico e o medo inconsciente da vida (o medo de ser o que se é de fato). Lowen observa que “um dos aspectos do caráter neurótico é a incapacidade da pessoa neurótica de aceitar a si mesma”. A atitude neurótica leva à repetição de um comportamento inconsciente que, até tornar-se consciente, mantém o indivíduo refém de um padrão de comportamento e enfeitiçado por ele. A neurose, quando não conscientizada, imprime as cores do destino. (cf. LOWEN, 1986, p. 43; 55).

Quem começa uma análise não está só inconsciente de seus processos psíquicos, mas também está identificado com eles. Está também inconsciente do que está por vir, isto é, do processo analítico e todas as suas agruras. Uma coisa é o ideal romântico de análise que o indivíduo normalmente tem; outra, é a realidade do processo.

Geralmente, as pessoas buscam a psicoterapia, porque não conseguem, por si mesmas, ter uma atitude de soberania em relação a determinados aspectos de sua personalidade que, por estarem dissociados da Consciência, passam a agir de modo autônomo, tornando-se complexos. Muitas vezes, essas pessoas nem sabem o que deve ser sacrificado, isto é, transformado. Aspectos reprimidos inconscientes são projetados em alguém que as faz sofrer. É o sintoma que as faz sofrer. Um símbolo recalcado na sombra, ao ser projetado, promove um relacionamento- sintoma, uma situação-sintoma ou um sintoma físico. Enfim, o sofrimento é a face descoberta de um conflito. A ansiedade, a angústia e, tantas vezes, a depressão são as expressões de um conflito reprimido, portanto inconsciente, que de alguma maneira se expressa pelo sofrimento.

Existe no centro do ser humano um desejo de consciência e transformação. A dor psíquica pede alívio. Trata-se de uma necessidade de transformação narcísica. Tal mudança exige não apenas uma tomada de consciência, mas também um compromisso profundo consigo mesmo, que é algo que o analista não pode cobrar com exortações ou qualquer outro tipo de argumentação. O sofrimento, potencializado pela resistência de se abrir para o analista, dificulta a tomada de Consciência. Torna-se a análise uma análise da resistência. As defesas são inconscientes. A atitude defensiva impede a mudança de rota que leva ao sofrimento crônico. O neurótico é fiel à sua neurose. É como se a planta fosse cúmplice da erva daninha que lhe sufoca. Bem ou mal, o casamento do ego com a neurose é familiar para o individuo fixado. A resistência à analise protege o ego infantil do sol transformador da Consciência. Os aspectos subdesenvolvidos revelados humilham o ego.

Além disso, fazer análise dá vergonha, faz sofrer e ainda é caro. Sem contar que não existe a menor certeza de que vá dar certo. A resistência mantém a atitude arcaica fixada, pois abrir as portas para o mundo interno, as mesmas que foram fechadas para evitar as dores da alma, exige fé, confiança, coragem, entrega, honestidade, humildade, sinceridade e paciência.

A Psicanálise entende que qualquer transformação significativa na estrutura psíquica deve ocorrer pelo fenômeno da transferência. Ela postula que o remanejamento criativo da energia psíquica se dá no vinculo transferencial. Em outras palavras, é na transferência estabelecida no vínculo analista-analisando que começará uma análise do próprio vínculo. Para a Psicanálise, portanto, a transformação do narcisismo deverá ocorrer durante o processo transferencial. Será por intermédio das atuações do analisando no percurso analítico e pelas interpretações adequadas feitas pelo analista, que o sujeito se dará conta do seu modo arcaico de funcionar. Não podemos esquecer que, pelo viés psicanalítico, o analista representa, para o analisando, objetos internalizados e projetados em sua figura. A Psicanálise entende, então, que pouco tem de pessoal a relação analítica, já que o analista não é exatamente ele, mas uma tela de projeções em que as dinâmicas arcaicas serão atuadas, revividas e conscientizadas.

A Psicologia Analítica não despreza a transferência79, nem a ciência psicanalítica da qual ela é um ramo. Ao contrário, sabe que é um recurso de extraordinário poder, pois o analista sente, ao ter seu corpo impregnado das emoções típicas daquele vínculo, que sua alma passou a responder aos conflitos de seu analisando. Ele sofre narcisicamente no vínculo com seu analisando os conflitos que se originaram com suas figuras primárias. O analista também sofre. Seu ofício lhe faz padecer e se transformar.

Tanto a Psicanálise quanto a Psicologia analítica concentram seus esforços no entendimento do outro por intermédio de uma relação de profundidade que se distancia totalmente do ponto de vista racional e abraça as atuações do inconsciente como significativas para a compreensão dos símbolos que emergem do encontro analítico. O processo de individuação é o foco do analista junguiano, assim como a transferência é o foco do psicanalista. Ambos, se bem empregados, levam à conscientização dos complexos mais atuantes e à transformação do narcisismo.

79

Jung explica a relevância da transferência: “As coisas que a pessoas comunicam não são, meramente, fatos indiferentes. [...] Estão investindo no psicanalista grande valor emocional. [...] Estão inteiramente em nossas mãos. [...] Esse gênero de situação cria relações emocionais com o psicanalista e foi a isso que Freud deu o nome de transferência, um problema central na Psicologia Analítica. É como se as pessoas nos confiassem toda a sua existência e isso pode exercer efeitos muito peculiares sobre o indivíduo. [...] De modo geral, os primeiros conflitos e dificuldades são com os pais. Assim, quando um paciente nos confia as suas recordações infantis sobre o seu pai ou sobre a mãe, ele também vê em nós, psicanalistas, a imagem desse pai e dessa mãe. Tenho tido numerosos pacientes masculinos que me chamaram de ‘Mamãe Jung’, porque transferiram, para mim, a imagem de suas respectivas mães, por muito curioso que isso pareça. [...] Naturalmente, também sou perseguido pelas correspondentes resistências, por todas as múltiplas reações emocionais que eles têm contra os pais.” (JUNG, 1957, in Jung on Film).

Benzer Belgeler