OSMANLI ORDUSU İÇİN GELEN İNGİLİZ HEKİMLER
Fi 11 Safer sene 71 Mustafa Reşid [BOA, HR.SFR3.16.26-13]
5.3.5. Osmanlı Ordusu İçin Cerrah Hekim Talebi; Dr Steggall’la İlgili Muhaberat
O novo projeto pedagógico da FAEN, implantado em 1996 e ainda vigente, destina-se a formar enfermeiros bacharéis e licenciados, éticos, políticos, técnicos e cientificamente capazes de compreender os perfis epidemiológicos da população e intervir no processo saúde- doença mediante a produção de assistência à saúde adequada e de qualidade, voltada para o desenvolvimento dos processos cuidar, pesquisar, educar e gerenciar da enfermagem.
Segundo Costa (2000), a conformação do projeto de ensino da FAEN procura superar a dicotomia, a especialização e o foco na doença, acentuados no discurso político e na prática da enfermagem e reproduzidos pelas propostas curriculares anteriores; aderindo a uma formação que estabeleça uma relação para os problemas, as demandas e as necessidades de saúde da população no âmbito nacional e locorregional.
Essa primeira intenção está explícita no suporte teórico referencial, utilizado como parâmetro para a sua construção, que discute vários contextos históricos de mudanças econômicas, políticas e tecnológicas, dos quais emerge a concepção de enfermagem como prática social e se destacam a lei do exercício profissional, o código de ética dos profissionais de enfermagem, o perfil sócio-econômico e epidemiológico da população brasileira, a transformação do setor saúde [emanada das diretrizes políticas consubstanciadas no texto constitucional de 1988 e a instituição do Sistema Único de Saúde], e o redimensionamento das bases teórico-metodológicas para a formação do enfermeiro coordenador do trabalho de enfermagem (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE/FACULDADE DE ENFERMAGEM, 2000).
9 A CEC é a instância política criada em 1988 com o intuito de planejar, organizar, desenvolver e acompanhar
todas as atividades e eventos envolvidos com o processo de construção do projeto político-pedagógico da FAEN/UERN (MOURA et al., 2006).
56 O projeto ressalta ainda o marco filosófico10, o conceitual11 e o estrutural12 do Curso de Enfermagem na interface das concepções de sociedade, processo de trabalho coletivo em saúde/produção dos serviços de saúde, processo de trabalho em enfermagem, processo saúde- doença, educação, políticas de saúde, gênero e interdisciplinaridade.
Por serem considerados essenciais na proposta do projeto pedagógico, estes conceitos são sucintamente destacados, a fim de melhorar a compreensão do processo ensino- aprendizagem:
x Sociedade – base que fundamenta a dinâmica de trabalho (produção e reprodução social). Formada por classes e grupos sociais antagônicos e desiguais definidos por questões econômicas, políticas e ideológicas, através da exploração e subordinação.
x Processo de trabalho – forma pela qual o homem retira da natureza o seu sustento, transformando-a e conseqüentemente, estabelecendo uma relação de produção com outros homens. Representa a categoria fundamental para o reconhecimento da sociedade capitalista e das formas como ela se reproduz. Nesta categoria, o trabalho é entendido como uma condição inerente ao homem/mulher, consistindo numa forma de garantir a sua subsistência, definindo a sua qualidade de vida no momento da reprodução social.
x Trabalho coletivo / produção dos serviços de saúde – categorizado como serviço, inserido no setor terciário da economia. Envolve uma relação interpessoal forte e intensa uma vez que se realiza sobre pessoas. Apresenta como características: um processo marcado por uma direcionalidade técnica, uma integração entre os aspectos manual e intelectual, e uma fragmentação dos atos. Na nova organização das práticas de saúde as necessidades sociais e os problemas de saúde da população assumem posição de destaque, orientando a produção dos serviços para a vigilância à saúde.
10 O marco filosófico representa as crenças e valores da comunidade envolvida na proposição e desenvolvimento do Projeto Político-Pedagógico, ou seja, os pressupostos ou princípios ético-filosóficos que sustentam a proposta pedagógica.
11 O marco conceitual diz respeito à fundamentação teórica do Projeto, um conjunto de definições e conceitos
interrelacionados. Uma estrutura mental logicamente organizada que serve para dirigir o processo de investigação. É mais diretivo, contextualizado e específico. Freqüentemente focaliza o ser humano (Enfermeiro, educador, educando, paciente/cliente/usuário), saúde, enfermagem, processo de cuidar, assistência de enfermagem, educação e processo ensino-aprendiazagem.
12 O marco estrutural reflete a opção metodológica que vai orientar a organização e o desenvolvimento dos
conteúdos referentes às matérias e disciplinas. Deve garantir o alcance das competências e habilidades estabelecidas ao perfil do profissional a ser formado.
57 x Processos de trabalho em enfermagem – a enfermagem é parcela do trabalho
coletivo em saúde, sendo determinada histórica e socialmente pelas transformações que ocorrem na sociedade. Prática heterogênea, realizada por diferentes categorias e graus de qualificação. O trabalho da enfermagem se materializa em quatro processos: assistir/intervir, gerenciar, ensinar/aprender e investigar cada um deles com objetos, finalidade, meios/instrumentos e trabalho em si específicos.
x Processo saúde-doença – determinado histórico e socialmente, no qual as condições de vida vão determinar os diferentes potenciais de riscos e benefícios que caracterizam diferentes formas de adoecer ou de estar em equilíbrio.
x Educação – prática social determinada histórica e socialmente, que possibilita a formação integral do indivíduo, contribuindo com a construção de uma visão de mundo crítica, consciente e capaz de transformar a realidade.
x Políticas de saúde – intervenção do Estado, que sob a influência neoliberal garante o mínimo de serviços produzidos para aliviar a pobreza, reforçando uma concepção mercadológica dos serviços em saúde orientada pela privatização e acumulação do capital. Essa ótica neoliberal ameaça a nova forma de se produzir em saúde, defendida pelo movimento da reforma sanitária brasileira, materializada na institucionalização do Sistema Único de Saúde.
x Gênero – corresponde às concepções de homem e mulher que extrapolam a condição biológica. Concepções construídas histórica e socialmente, a partir das relações de poder estabelecidas na e pela sociedade.
x Interdisciplinaridade – Alternativa para transpor as fronteiras instituídas pelas profissões, permitindo a transição no espaço da diferença sem ferir as especificidades e o saber de cada profissão (UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE/FACULDADE DE ENFERMAGEM, 2000).
Nestes princípios que fundamentam a proposta pedagógica do curso de enfermagem da FAEN é possível identificar o enfoque voltado para o compromisso e a responsabilidade para com o SUS. Nele está contemplado o perfil sócio-econômico e epidemiológico da população, e a produção/organização dos serviços de saúde, no país e na região, os quais são
58 tomados como ponto de partida para a definição do pensar-fazer da enfermagem comprometido com a adequada produção da assistência à saúde, e com a transformação da totalidade social, com vistas à consecução do direito à saúde, à resolutividade, à equidade e à integralidade, preconizados pela reforma sanitária brasileira.
Nesse contexto, o conjunto desses constructos, a FAEN assume legalmente o compromisso do curso e a intenção do projeto em formar profissionais de acordo com o contexto vivido, de modo que
A FAEN assume o desafio de lutar pelo acesso da parcela da população, hoje excluída, às políticas sociais, utilizando estratégias de mudança, postura ética e compromisso social com os direitos à saúde, assumindo a ética da solidariedade e rompendo com a ética do individualismo. Assim, parte da concepção da sociedade como totalidade, concreta e articulada nas suas partes, na qual saúde/enfermagem são partes desse todo, influenciando e sendo influenciada pelo todo, pela ação política cultural dos atores sociais envolvidos nesse processo, e que defendem diferentes projetos para a saúde e a enfermagem (MOURA et al., 2006, p.39).
Para tanto, a proposta aponta para um redimensionamento das bases teóricas e metodológicas na formação do enfermeiro e, para uma conseqüente mudança de paradigma do processo ensinar/aprender, no qual o educador passa a ser compreendido como um profissional ético, técnico e politicamente competente para contribuir com a aprendizagem do educando, entendido como sujeito ativo, crítico e reflexivo da construção do conhecimento. Uma opção pedagógica que abre espaço para um leque de estratégias educacionais que podem ser utilizadas no processo de ensino-aprendizagem do aluno e do agir pedagógico do docente.
A proposta do curso também explicita que a definição e o exercício dessa prática pedagógica crítica, democrática e reflexiva almeja o estabelecimento de um ensino com terminalidade, integralidade, interdisciplinaridade e flexibilidade como um comprometimento social e do resgate da cidadania.
Nessa linha de raciocínio, a terminalidade corresponde ao desenvolvimento intelectual e profissional do aluno para desempenhar sua função. A integralidade e a interdisciplinaridade são entendidas como resultado da articulação entre o ensino, a pesquisa e a extensão/assistência, e das atividades teórico-práticas na formação do aluno, além de minimizar a distância entre ensino/serviço. A flexibilidade é compreendida como mediadora da utilização dos vários mecanismos de aproveitamento dos conhecimentos a partir de
59 estudos, atividades práticas, eventos, programas, dentre outros, adquiridos pelo estudante no transcurso do processo ensino-aprendizagem, configurando-se como um valor agregado.