2.2. İNGİLİZ SİVİL HASTANELERİ VE SİVİL DOKTORLAR
2.2.2. Erenköy Sivil Hastanesi (Renkioi Civil Hospital)
A Declaração do México (2000) sobre saúde teve como proposta fundamental o fortalecimento da família através de políticas públicas, no que se concerne em atividades de promoção à saúde. Segundo Seclen-Palacin (2004), a família é o palco cultural onde são adotadas as condutas, estilos e hábitos importantes no processo de saúde, risco e doença. Acrescenta, ainda, que o papel da família é imprescindível e que esta pode trazer impacto positivo ou negativo de saúde sobre seus membros durante todo o ciclo de vida.
Dessa forma, segundo Ramos (2003), a principal fonte de suporte para os idosos ainda é a família, principalmente para aqueles mais pobres e dependentes. Além dos familiares, também outros fazem parte do suporte informal, quais sejam: amigos, vizinhos e membros da comunidade.
Nesta pesquisa encontram-se familiares com grau de parentesco, assim distribuídos: seis filhas, sobrinha, neta, nora, marido e vizinha. As mulheres são as principais cuidadoras, conforme a literatura já a define assim, oito destas mulheres não trabalham e apenas três encontram-se trabalhando, muito embora seja comum, hoje a mulher logo cedo ir para o mercado de trabalho até a fase do envelhecimento para ajudar as finanças da família, o que se observou foi a sua permanência em casa, realizando as tarefas domésticas e cuidando das crianças e dos idosos.
A Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 2004) elege a família como principal responsável pelos mais velhos e posteriormente o Estatuto do Idoso (BRASIL, 2003) no seu artigo 3º, nomeia, como a obrigatoriedade dos filhos, a responsabilidade pelos cuidados com os pais idosos quando estes, por alguma razão se encontrarem impossibilitados de fazê-lo.
Segundo Fericgla (1992), a família se converte em referência central na vida dos idosos. Estes sentem a necessidade de que a família seja constituída de filhos, netos e que possam ajudá-los no que for preciso, seja em termos emotivos, quando precisam de atenção, carinho, seja para cuidar dos seus bens materiais, eles sempre dependem da estrutura social a
que pertencem. O autor acrescenta que o mesmo não acontece nas gerações de filhos e netos; estes não dão tanta importância aos laços familiares, inclusive desconhecem o peso da tradição de cada elemento na família; ao contrário do idoso, que valoriza veementemente a estrutura familiar.
Neste estudo, como foi descrito anteriormente, os familiares que cuidam dos idosos, são, na maioria, do sexo feminino. Segundo Caldas (2004b), em grande parte dos países pesquisados, a mulher tem sido a pessoa mais próxima a que o idoso recorre, seja uma filha, uma sobrinha, uma neta, como no caso desta investigação. A autora menciona que, tradicionalmente e em diversas culturas, este fato tem acontecido, já que, na maioria das vezes, a mulher ficava em casa cuidando dos filhos e dos velhos; porém, diante das transformações sociais, econômicas, e demográficas ocorreram mudanças desses valores. Este fato decorre da influência da urbanização, com o advento das famílias nucleares em detrimento das famílias extensas e, como conseqüência, a baixa disponibilidade dos familiares em cuidar dos idosos. Assim sendo a mulher que tradicionalmente cuidava do idoso, também passou a sair de casa, indo em busca de emprego para aumentar a renda familiar, e deixando o idoso sozinho ou com crianças que ficam na sua responsabilidade.
Um outro fato observado em algumas famílias, deste estudo, são os conflitos, existindo em diversos núcleos familiares a presença de filhos desempregados e usuários de bebidas alcoólicas, provocando discussões e que apesar de viverem no mesmo ambiente, não compartilham de forma harmoniosa esse convívio, levando a uma conseqüente desmantelamento da estrutura familiar, e provocando o isolamento ou maus-tratos à pessoa idosa. Sobre essa questão, uma familiar declara:
“Sou eu, pois os outros bebem e a outra filha não vem nem aqui. Só vem aqui pra pedir. Porque a verdade tem que ser dita... ela não tem filho pequeno, e o mesmo direito que eu tenho ela tem... porque, se eu morasse com outra pessoa, um homem... e morasse dentro de casa da minha sogra...eu ia cuidar primeiro da minha mãe né? Os outros não estão nem aí, se vir no chão nem liga”(Rosa).
Os conflitos familiares coexistem, são visíveis e mesmo velados, algumas vezes são encobertos pelo idoso, como foi o caso de Araruna que não revelou a indiferença do filho que há muito tempo não a reconhece como mãe. Por outro lado à filha Chegança mantém laços de afetividade e respeito para com os idosos e está sempre disposta a ajudá-los, mesmo diante dos tantos papéis concedidos àmulher pela sociedade.
“Sou eu,eu sou filha única, ou seja ela tem outro filho, mas não liga pra ela, não vem aqui. Eu faço tudo, me divido em três, com eles, trabalho, namorado, filhos. Se for meu pai doente, eu mãe cuidamos e minha filha que também ajuda” (Chegança).
Outro aspecto observado e imposto ao idoso, pela sociedade, é o isolamento social quando considerado um fardo pelos filhos que o exclui das relações familiares, Debert (1999a) ressalta que essa condição não expressa a totalidade dos idosos, nem mesmo nos países de capitalismo avançado; contudo, há uma tendência de diminuir, nos Estados Unidos , o número de idosos morando com seus filhos. No entanto, ela descreve ocorrer uma retração entre as relações periféricas, entre colegas de profissão, quer os demais contatos.
Um exemplo típico disso é Pastoril, que se encontra com 84 anos, independente, autônomo, realizando suas atividades de vida diária e os afazeres domésticos, apesar das freqüentes crises asmáticas. A despeito de ter casado por duas vezes e ser pai de 22 filhos, no momento atual tem como sua principal cuidadora Borboleta, que revela:
“ Realmente sou eu. Os filhos só vão lá quando manda chamar. O meu marido também é irresponsável, só vai quando mando. Das noras tudinho, eu sou a única que vou lá. As pessoas não devem ser assim. Porque hoje a gente tá bem, mas nem sempre é assim. Os filhos vêm ai, mas é muito difícil, teve um que veio votar mas nem pisou aí. As filhas moram perto, mas também não vêm “(Borboleta).
Dentre os cuidadores familiares, encontra-se um único do sexo masculino, que, no início deste estudo, estava separado da sua companheira, vivendo com outra no mesmo espaço urbano, na Favela do Fio. A situação era considerada ímpar, pois Coco de Zambê, mesmo separado de Cruzeiro do Sul (vinte e quatro mais velha que ele), dormia todas as noites na casa no intuito de protegê-la e fazer companhia já que a mesma morava num ambiente insalubre. Além desta situação familiar havia outros que perpassavam a essa relação tão conturbada. As histórias relatadas por Cruzeiro do Sul e Coco de Zambê continham sentimentos de mágoa do desprezo e abandono da filha.
“ Eu que faço. O filho também se preocupa. A outra filha mora em Touros, mas não liga pra ela... Só quem trata dela sou eu. Quando morava nas Quintas, a filha a abandonava. A filha só sabia “comer”... Ficava com o
dinheiro dela. Graças a Deus, com aperreio e tudo, tá melhor agora” (Coco de Zambê)