3.1. TÜRKİYE’DE KADIN HAKLARI VE MÜCADELESİNİN
3.1.2. Osmanlı Kadın Hareketi İçinde İlk Ermeni Feminist: Hayganuş
A última dimensão abordada e a contribuição de Isaacs (1999a) para sua própria teoria operacional do diálogo é a individual, e refere-se às contradições vividas no cotidiano entre aquilo o que as pessoas têm a intenção de fazer ou dizer e o que fazem, e as limitações que essas contradições trazem para o diálogo genuíno. Para o autor, uma das possibilidades de lidar com essas incoerências está numa atenção maior direcionada a quatro habilidades que, mais conscientes e melhor desenvolvidas, poderão permitir a emergência de comportamentos mais dialógicos: as habilidades de ouvir, respeitar, suspender (os pressupostos) e falar. O item 3 da figura 1 traz a esquematização desse tema.
Para o autor, a capacidade de ouvir é o coração do diálogo. Não apenas ouvir aos outros, mas também a si e às próprias reações. Apesar de ser uma ação considerada natural, é na verdade algo difícil de fazer e precisa ser praticado. Ouvir é desenvolver um silêncio interior e prestar atenção às palavras e aos silêncios entre as palavras. A dificuldade disso é que, em geral, nossas reações aos outros provêm da memória, ou seja, de experiências passadas, do automatismo concordo-discordo de Mariotti (s.d), abordado acima, e não do presente. Assim, ao invés de ouvir plenamente, participantes de conversas comparam instantaneamente o que estão ouvindo com os seus próprios repertórios e preparam uma réplica, para ser colocada no menor indício de possibilidade. Com isso não se ouve, não há disponibilidade, condição fundamental ao diálogo colocada por Buber (1979). Como Issacs (1999a, p. 18, tradução nossa) cita em seu texto, “as pessoas não ouvem, recarregam11”.
Outra dificuldade para ouvir provém da centralidade da visão na cultura ocidental. Issacs (1999a) aborda, em seu texto, essa questão, salientando a diferença de velocidade entre os estímulos visuais (velocidade da luz) e sonoros (velocidade do som), e conclui que para dialogar é necessária a capacidade de reduzir a velocidade das percepções para operar na velocidade do som (ISAACS, 1999a).
Por fim, o autor cita a tendência de se selecionar aquilo que dá suporte as nossas conclusões e desconsiderar o que as contraria. Tal qual a fala de Dom Helder Câmara sugere na introdução desta parte, Isaacs (Ibid.) recomenda atenção exatamente àquelas questões que desconfirmam as certezas, pois que aí estão os potenciais de aprendizado.
Em suma, o desafio para ouvir é ser capaz de reconhecer e deixar de lado as resistências e reações que são sentidas diante do que está sendo dito, e ouvir. Quando ouvimos, somos capazes de compreender realmente como as pessoas entendem as coisas. Quando não ouvimos, a nossa própria interpretação ou desejo do entendimento alheio é a única coisa que resta (ISAACS, 1999b).
A segunda habilidade abordada pelo autor é o ato de respeitar, que segundo ele é uma postura que muda a qualidade da oposição (ISAACS, 1999b) de forma a se permitir a “ver os outros como legítimos” (ISAACS, 1999a, p. 111, tradução nossa) e reconhecer o potencial que carregam consigo. Mesmo a discordância sobre determinado tema não pode levar à negação da legitimidade do outro como ser, e nem da sua razão para pensar como pensa. Ao mesmo tempo, respeitar significa proteger e não invadir o espaço do outro, não querer “corrigi-lo” em suas colocações e crenças, mas reconhecer que ele tem algo a ensinar. Obviamente, o respeito não enseja a negação dos erros alheios, autoanulação ou subserviência.
O ato de suspender já foi abordado neste texto. Ele significa “reconhecer e observar nossos pensamentos e sentimentos à medida que surgem sem sermos compelidos a agir” (Ibid., p. 135, tradução nossa). Não suprimimos e nem defendemos nossos pensamentos com convicção unilateral (ISAACS, 1999b), mas os colocamos em perspectiva para nós e para os outros e os vemos a partir de um ponto de vista diferente. Para que a suspensão seja possível, é necessário que os participantes, individualmente ou coletivamente, estejam cientes de sua incompletude diante do mundo e da limitação de suas certezas, e percebam que mais importante do que as respostas, são as perguntas, pois elas que permitirão um mergulho investigativo nos pressupostos presentes. A suspensão e análise dos pressupostos podem fazer com que aqueles argumentos inscritos nos e esperados dos papéis sociais se esgotem e levem a conversa para um ambiente menos preparado, no qual outros caminhos, mais criativos, possam surgir (YANKELOVICH, 2001).
Para Tassara e Ardans (2005), a investigação, ou o esclarecimento maior sobre o objeto analisado (seu desvelamento), pode levar a uma revisão instantânea dos pontos de vista e formas de agir (o desvendamento) do sujeito, permitindo assim sua ação mais consciente. Isaacs (1999a) operacionaliza a suspensão e em duas etapas, que são a disponibilização dos conteúdos do pensamento para si e para os outros e a investigação sobre os processos que geraram esse pensamento. Ao se suspender, a necessidade de se consertar ou corrigir coisas e pontos de vista, de se chegar às conclusões ou acordos, é substituída pela disposição para compreendê-las.
Finalmente, a última habilidade importante para a construção de uma disposição mais dialógica de vida é a arte de falar, de exprimir a voz própria a despeito de forças de impedimento, oriundas de si e também do entorno. Segundo o autor (Ibid.), são várias as influências que impedem que as pessoas se expressem genuinamente. Assim, para falar, de fato, as pessoas precisam se sentir confiantes o bastante a respeito da validade daquilo que vai ser dito, da sua importância no contexto e, também, reconhecer que nem sempre saberão o que dizer ou fazer. Essa habilidade implica também na percepção de que nem tudo aquilo que se quer dizer precisa ser expresso. Ou seja, nem tudo o que se diz contribui de alguma forma para a conversa. Dessa forma, o ímpeto para falar deve ser controlado. Como coloca Isaacs (1999a),
Geralmente eu me coloco ‘em espera’ nos encontros, como um caçador procurando por sua presa, pronto para agir no primeiro momento de silêncio. Minha arma está carregada com pensamentos preestabelecidos. Eu miro e atiro, o contexto é irrelevante, minha bala e sua liberação são tudo o que importa para mim (p. 165, tradução nossa).
Por fim, aprender a habilidade de falar requer perceber que, ao mesmo tempo em que não se deve ficar calado o tempo todo, deve-se tomar cuidado para não dominar as conversas e preencher os espaços dos outros (Ibid.).
Obviamente, as dimensões e categorias descritas acima não são estanques e nem devem servir como rotuladoras. São, na verdade, estereótipos que têm como serventia a orientação e a organização do olhar daquele que lida com grupos de quaisquer tipos, ou seja, são modelos. Conhecer esse universo invisível, os campos sociais, pode colaborar com a lida das variáveis presentes na dinâmica do grupo, aparentemente aleatórias, no sentido de se aumentarem as chances de sucesso de diálogo. Um último aspecto, no entanto, fundamental nesse sentido, é a
capacidade de perceber elementos que indicam que o diálogo está a emergir em um determinado contexto, o que será abordado abaixo.