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2.5 Ortaokul Fen Bilimleri Dersinde Biyoloji Eğitimi

A relação entre melancolia e amor é discutida por Bartra (2001) no capítulo em que

fala sobre o “morbo erótico”. Ele salienta que os efeitos devastadores que o amor poderia

ocasionar haviam sido amplamente discutidos desde os tempos mais antigos. Cita as famosas histórias do rei Perdiccas e de Antioco, ambos apaixonados por suas madrastas, que foram muito comentadas, especialmente pela suposta intervenção dos médicos Hipócrates e Erasístrato, que haviam descoberto a causa erótica da doença graças à prova do pulso. Também Galeno, quando tratou a esposa de Justus, que sofria de insônia, sentiu que o pulso se acelerava e ficava irregular na presença de Pylade. A aceleração e irregularidade do pulso, segundo Bartra (2001), foi o motivo de descoberta de paixões secretas como causa da melancolia. Na literatura, o exemplo citado é de Tirso de Molina, que se referiu à patologia erótica na obra El amor médico, na qual sintetiza em versos os problemas discutidos na época:

También es enfermedad el amor, y aunque es afeto del alma, cuyo sugeto es señor, la voluntad; como obra por instrumentos corporales, y es pasión que asiste en el corazón, suelen los medicamentos hallar cura en la experiencia; que el alma espiritual presa en el campo mortal, obra siempre en su presencia.

El puso tenéis amante (MOLINA apud BARTRA, 2001, p. 88).

La Celestina (1499-1502), de Fernando de Rojas é outra obra literária sobre a melancolia do mal de amor do Século de Ouro espanhol, também apontada por Bartra (2001). Segundo sua análise, o amor de Calixto por Melibea é o amor típico da melancolia erótica, ou seja, é apresentado como uma doença que deve ser curada. Burton (1621) também reconheceu em La Celestina os efeitos da melancolia na paixão de Calisto por Melibea e, Castells (2000) – na obra Fernando de Rojas and the Renaissence Vision: Phantasm,

Melancholy, and Didacticism in Celestina – também analisa o primeiro ato de La Celestina

como uma possível referência à melancolia erótica (BARTRA, 2001). Na primeira edição, de 149929, Calisto exclama:

!O si viniéssedes agora, Eras y Crato, médicos sentiríades mi mal!

!O piedad de silencio, inspira en el plebérico coraçón, por que sin esperanza de salud no embíe el spíritu perdido con el desatrado Píramo y la desastrada Tisbe. (ROJAS, apud BARTRA, 2001, p. 143).

Bartra (2001) também faz referência a uma poesia pastoral de Antonio de Villegas, Ausencia y soledad de amor publicado em 1656, que trata melancolía como mal do amor:

De cualquier suerte conviene, señora, ser liberal

de la tristeza y el mal que por venir de do viene nadie lo tendrá por tal.

Mas de esa melancolía aquella parte querría, si yo escogerla pudiese,

29 Segundo Bartra (2001), em edições posteriores há uma mudança no primeiro ato. Os médicos passam a ser

que más nuevas me dijese

del lugar donde vivía; [10] (VILLEGAS apud BARTRA, 2001, p. 100)

Bartra (2001) alerta para o fato de que a tristeza desse poema revela um sentimento mais radicalmente amargo que o da melancolia renascentista e lança a suspeita de que esse escritor espanhol pudesse vir de uma família de judeus convertidos. A melancolia de Villegas, segundo ele, se une a dos cristãos novos, cuja amargura é um símbolo da intensa melancolia que permeia a literatura peninsular: “[...] Los judíos vivían una trágica contradicción que los hacía oscilar entre la huida y el ocultamiento, entre escapar y

esconderse [...]” (BARTRA, 2001, p. 101). De acordo com Américo Castro, citado por Bartra

(2004), é possível que a condição dos judeus convertidos fosse uma fonte de melancolia e que esta se expressasse na literatura. É importante destacar que, na Europa renascentista, a melancolia era considerada como uma doença própria dos judeus:

[...] Joannes Reuchilin, por ejemplo, em De verbo mirífico (1494) dijo que el judío se caracteriza por la tristeza de su temperamento y que vive bajo el signo de Saturno. Isaac Cardoso creía que si alguna enfermedad puede ser llamada específicamente judía, ella es la melancolía, debido a la tristeza y al miedo contraídos por las heridas y opresiones del exilio. Si a este hecho agregamos que, como ya he dicho, muchos médicos eran judíos o conversos, podemos comprender las razones que colocaron la melancolía en un lugar tan destacado en los tratados de medicina (BARTRA, 2001, p. 102).

Antes de associarmos o mal do amor com o texto de Saura, salientamos que, no primeiro capítulo do romance, Luis faz uma referência à Cabala judia: “[...] Recordó que en la

Cábala judia se decía que la mujer estaba en un plano espiritual superior al hombre […]”

(SAURA, 2004, p. 10). Nas reflexões que seguem, Luis compara as duas filhas. Isabel, pelo caráter, podia pertencer à classe de mulheres fortes, enérgicas e decididas, capazes de sair bem de uma situação, por mais difícil que esta fosse. Já sua filha Elisa, pelo contrário, pertencia mais ao grupo das que estavam nesse plano espiritual superior a que se referia a Cabala judia, e, talvez por isso fosse vítima das circunstâncias. Como Luis relaciona Elisa,

que é melancólica, à Cabala judia, relacionamos este texto ao de Bartra (2001), que afirma ser a melancolia doença própria dos judeus.

Para relacionarmosa melancolia expressa em Elisa, vida mía, filme (1977) e romance (2004), à melancolia vista como mal do amor, podemos tomar o exemplo da própria Elisa, que sai de Paris para visitar o pai, doente, no interior da Espanha, e ao mesmo tempo está atravessando uma crise conjugal que desencadeia sua melancolia, expressa no filme principalmente pela imagem triste de Elisa, e, no romance, pelas lembranças de Antonio, seu marido. Destacamos no romance (2004) uma carta escrita pelo pai de Elisa, que bem traduziria a melancolia da filha, associada ao mal do amor:

Querida Elisa:

Ésta es la carta de un hombre dolorido y desesperado. Miro a mi alrededor, y en todo lo que veo estás tú: ésta es tu casa, frente a mí tengo más fotos que aquellas en donde tú estás. Ahora que todo se derrumba veo todavía más claro cómo he vivido por ti, y que hasta mi trabajo, que era lo único que creía me pertenecía, carecía de sentido sin ti. ¿Qué cataclismo, qué terremoto, que desastre ha ocurrido para que nuestras vidas se hayan alejando tanto? […]

[…]!Ay Elisa, vida mía! Vida mía! Vida mía! Este piso es tuyo, los cuadros, los

muebles que has puesto, todo está impregnado de tu belleza y de tu sensibilidad. Dicen que el hombre rehúye la felicidad y se encamina a paso firme hacia el abismo.

En ese abismo me gustaría encontarme contigo, Elisa (SAURA, 2004, p. 145).

Elisa fica comovida com a dramaticidade da carta escrita pelo pai. A próxima carta que transcreveremos é a escrita por Antonio, seu marido. Também é dramática, embora Elisa a considere mais violenta e agressiva:

Elisa: la conversación que mantuvimos el otro día por teléfono… mal sabor de boca… muy preocupado. ¿Qué te pasa? Y si te pasa algo, ¿por qué no me lo dices? … entre nosotros las cosas no han ido como deberían… nunca creí que la situación

fuera tan grave como tu voz, fría y distante, hacía suponer.

Yo te quiero, Elisa. Te quiero y te necesito. No podría vivir sin ti.

He pensado que quizá… una temporada de descanso… marcharmos los dos

juntos a cualquier parte, tú y yo solos.

Tengo que terminar un par de asuntos pendientes y enseguida iré a Segovia a buscarte.

Te quiere y te desea:

Antonio

Quando Antonio vai à casa de Luis procurar por Elisa e pede para que voltem a viver juntos, em um dos cortes que Saura faz nessa passagem, há um texto em que Luis reflete sobre o amor como um espelhismo, que envolve sexo, proteção, necessidade de companhia e necessidade de um confidente. Para complementar, diz que o amor não dura a vida inteira, como nos ensinaram: “[...] porque no puede durar toda la vida la pasión que sentimos cuando se nos nubla la mente. Hablo de amor entre un hombre y una mujer, de pasión, de fuego, de

celos…[…]” (SAURA, 2004, p. 178).

No primeiro capítulo do romance também há uma passagem que toca na melancolia como mal do amor. Luis lembrava-se que havia escolhido o nome de Elisa por causa de um

poema de Garcilaso de la Vega que dizia: “Quien me dijera, Elisa, vida mía”. Saura retoma a

história de amor desse poema em Elisa, vida mía, filme (1977) e romance (2004). Trata-se de uma poesia triste sobre um amor não correspondido, o que, consequentemente, remete à melancolia. Apresentaremos a análise dessa poesia no capítulo III sobre a Égloga I, de Garcilaso de la Vega, por isso nesse momento apenas a descrevemos.

Após se referir a essa poesia como fonte de inspiração para a escolha do nome da filha, Luis se lembra de uma canção religiosa que cantava na escola que dizia: vida da minha vida, vida do meu amor, abra-me a ferida do seu coração, lembrança que o faz pensar nos sentimentos dos outros:

[…] ¿Llegamos a sentir lo que sienten los demás, o sólo lo advinamos? Con qué

facilidad hablamos de sentimientos profundos, de amores contrariados, de

decepciones y pasiones…Como la mayor parte de los seres humanos, él había estado más de una vez enredado en el oscuro laberinto del amor. La pasión amorosa…

sonaba a antiguo: ´pasión amorosa`, pero le era difícil explicar de otra manera ese estado de ánimo en el que estaba dispuesto a matar uno o a morir por el ser amado (SAURA, 2004, p. 48).

Outra história é a de Ana, esposa de Luis, que também sofre pelo mal de amor, após ter sido abandonada por ele: “[...] Mamá lloraba sin consuelo, y la tristeza se adueñó de la

Égloga I, faremos uma análise mais extensa dos personagens que se tornam melancólicos por causa das relações amorosas.

Talvez também possamos atribuir a melancolia de Luis ao mal do amor. Embora Carmen, sua ex-namorada, tivesse sido assassinada depois do término do namoro, esse era um assunto que continuava a entristecê-lo. Apesar de a relação entre Luis e Carmen não existir no filme, somente no romance, tanto no filme como no romance Luis dá grande importância à história do assassinato ocorrido perto de sua casa e faz questão de contar para Elisa, que acaba descobrindo, no romance, que Carmen era uma ex-namorada de Luis e que eles haviam se separado por incompatibilidade. Luis, ao se recordar de Carmen, lembra-se também de

alguns versos de Quevedo: “[...] ¡Otra vez! recordó unos versos de Quevedo que había olvidado: ´A fugitivas sombras doy abrazos, en los sueños se cansa el alma mía`”(SAURA,

2004, p. 142). Os versos citados acima pertencem ao Soneto amoroso, do livro Las tres musas últimas castellanas (1670), de Francisco de Quevedo, que trata da angústia de um amor inalcançável, um amor que escapa, como se pode perceber nos versos das duas primeiras estrofes. Como o personagem Luis se lembra desses versos ao pensar em Carmen, podemos associá-lo à relação de Luis e Carmen, pois ela, por não querer isolar-se com Luis, torna-se inalcançável e escapa da relação, que não se sustenta por essa incompatibilidade entre os dois. No capítulo III, trataremos mais detalhadamente da relação Luis-Carmen-melancolia. Abaixo citamos o soneto de Quevedo (1670) para observarmos os versos que tratam da angústia do amor inalcançável:

Soneto amoroso

A fugitivas sombras doy abrazos; en los sueños se cansa el alma mía; paso luchando a solas noche y día con un trasgo que traigo entre mis brazos.

Cuando le quiero más ceñir con lazos, y viendo mi sudor, se me desvía; vuelvo con una fuerza a mi porfía, y temas con amor me hacen pedazos.

Voyme a vengar en una imagen vana que no se aparta de los ojos míos; búrlame, y de burlarme corre ufana.

Empiézola a seguir, fáltanme bríos; y como de alcanzarla tengo gana,

hago correr tras ella el llanto en ríos (QUEVEDO, 1670).

Para finalizar esta parte sobre melancolia como mal do amor, salientamos que, além de Robert Burton (1621), que em Anatomía de la melancolia, analisa a melancolia erótica, ou seja, a melancolia gerada pelo não alcance do objeto erótico desejado, o médico francês Jacques Ferrand, em 1610, havia publicado Traité de l´essense et guérison de l´Amour ou mélancolie érotique. Estas e outras obras consagraram na medicina do século XVII um tema

que já era pilar fundamental da cultura renascentista: “[...] la melancolía erótica se elevó al

más alto nível y se difundió enormemente gracias al influjo de Cervantes, que creó el personaje melancólico más atractivo del Siglo de Oro: el Caballero de la Triste Figura, el

Quijote” (BARTRA, 2001, p. 98).

De acordo com a análise de Bartra (2001), a ideia de que a melancolia ronda o homem que não pode alcançar o objeto erótico que deseja, aparece insinuada em uma explicação que Dom Quixote dá sobre sua tristeza a uma duquesa. A duquesa havia perguntado a Dom Quixote se ele estava triste por causa da ausência de Sancho. Ele responde que essa não era a causa principal de sua tristeza. Depois da resposta de Dom Quixote, a duquesalhe ofereceu quatro donzelas para servi-lo e ele manifestou o desejo de se afastar para os seus aposentos. Desejou que se pusesse uma muralha entre os seus desejos e sua honestidade e pensou que dormiria vestido e não consentiria que as donzelas o despissem. De acordo com Bartra (2001), as donzelas provocam em Dom Quixote a recordação erótica de sua inalcançável e imaginada Dulcinéia, o que o deixa melancólico.

Em outra passagem, Dom Quixote fabrica um rosário com uma tira de sua camisa e escreve, entre soluços e suspiros, os seguintes versos:

Árboles, yerbas y plantas que en aqueste sitio estáis, tan altos, verdes y tantas, si de mi mal no os holgáis, escuchai mis quejas santas. Mi dolor no os alborote, aunque más terible sea, pues por pagaros escote, aquí lloró Don Quijote ausencias de Dulcinea del Toboso.

Es aquí el lugar adonde el amador más leal de su señora se esconde y ha venido a tanto mal sin saber cómo o por dónde. Traéle amor al estricote, que es de muy mala ralea; Y, así, hasta henchir un pipote, aquí lloró don Quijote

ausencias de Dulcinea del Toboso.

Buscando las aventuras por entre las duras peñas, maldiciendo entrañas duras, que entre riscos y entre breñas halla el triste desventuras, hirióle amor con su azote, con su blanda correa; y, en tocándole el cogote, aquí lloró Don Quijote

ausencias de Dulcinea del Toboso (CERVANTES, (1605-1615) , p. 250).

Benzer Belgeler