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A. Ortaklık ve Organizasyon Yapısı
O aparecimento do homem, no planeta, passou a incidir, aos poucos, no meio ambiente, alterando-lhe o natural equilíbrio, quando o ser humano necessitou das coisas da natureza, utilizando-as para a alimentação ou para abrigar-se das intempéries. No início, praticamente desprezível, a ação humana vai depois, aos poucos, afetando o equilíbrio do meio circunvizinho e, nas últimas décadas, em razão do avanço tecnológico e do aumento extraordinário da poluição mundial, constituiu-se em ameaça flagrante ao próprio destino da humanidade, que sem a menor dúvida, se extinguirá, a não ser que os governantes e toda a comunidade internacional, em conjunto, detenham a ação predatória do homem, que se faz sentir por motivos imediatistas traduzidos em omissões e atos positivos, destruidores da vida terrestre, marinha, atmosférica e estratosférica.
Guerras, vazamentos de usinas nucleares e de petroleiros, fábricas móveis,
indústrias, escapamentos dos carros e chaminés, descargas das fábricas destroem a
31Cf. SILVA (1994b, p. 3) que corrobora com o nosso pensamento.
32Esse alargamento conceitual se deve à teoria do desenvolvimento sustentável, cada vez mais aceita
depois da Conferência da ONU sobre Desenvolvimento e Meio Ambiente (RIO-92), segundo a qual é necessário adotar uma visão interdisciplinar e integral do meio ambiente (KRELL, 2002, p. 15).
fauna marítima, fluvial e lacustre, as reservas florestais, o ar atmosférico, colocando terra, mar e ar, em vias de colapso total.
A conservação ambiental há muito pouco tempo tem-se tornado uma
questão de relevância, adentrando no mundo político e jurídico, considerado a importância que o tema requer.
O conceito de meio ambiente varia a partir da integração ou exclusão do seu
conceito dos elementos culturais ou artificiais.
Assim, nesse sentido Padilha (2002, p. 32) nos diz,
[...] claro que quando a Constituição Federal, em seu art. 225, fala em meio ambiente ecologicamente equilibrado, está mencionando todos os aspectos do meio ambiente. E, ao dispor, ainda, que o homem para encontrar uma sadia qualidade de vida necessita viver nesse ambiente ecologicamente equilibrado, tornou obrigatória também a proteção do ambiente no qual o homem, normalmente, passa a maior parte de sua vida produtiva, qual seja, o trabalho.
Numa evolução de conceitos vamos encontrar em Freire (1992, p. 24) que no Brasil o direito ambiental foi definido, em caráter pioneiro, por Luiz Fernando Coelho como sendo "um sistema de normas jurídicas que, estabelecendo limitações ao direito de propriedade e ao direito de exploração econômica dos recursos da natureza, objetivam a preservação do meio ambiente com vistas à melhor qualidade de vida humana".
Milaré (2000, p. 53)traz conceito de Ávila Coimbra que afirma ser
[...] o meio ambiente o conjunto de elementos físico-químicos, ecossistemas naturais e sociais em que se insere o homem, individual e socialmente, num processo de interação que atenda ao desenvolvimento das atividades humanas, à preservação dos recursos naturais e das características essenciais do entorno, dentro de padrões de qualidade definidos.
Já para Machado (2004, p. 139)
[...] na medida em que ambiente é a expressão de uma visão global das intenções e das relações dos seres vivos entre eles e com seu meio, não é surpreendente que o Direito do Ambiente seja um direito de caráter horizontal, que recubra os diferentes ramos clássicos do Direito (Direito Civil, Direito Administrativo, Direito Penal, Direito Internacional), e um Direito de interações, que se encontra disperso nas várias regulamentações. Mais do que um novo ramo do Direito com seu próprio corpo de regras, o Direito do Ambiente tende a penetrar todos os sistemas jurídicos existentes para os orientar num sentido ambientalista.
Para Canotilho (1991, p. 290), “ambiente” traduz-se como ambiance, ou seja, como um “mundo humanamente construído e conformado” consistente em tudo o que está presente na natureza, seja ou não decorrente da ação humana.
Encerrando os conceitos doutrinários temos em Milaré (2000, p. 201) que
A visão holística do meio ambiente leva-nos à consideração de seu caráter social, uma vez definido constitucionalmente como bem de uso comum do povo, caráter ao mesmo tempo histórico, porquanto o ambiente resulta das relações do ser humano com o mundo natural no decorrer do tempo.Esta visão faz-nos incluir no conceito de ambiente, além dos ecossistemas naturais, as sucessivas criações do espírito humano que se traduzem nas suas múltiplas obras. Por isso, as modernas políticas ambientais consideram relevante ocupar- se do patrimônio cultural, expresso em realizações significativas que caracterizam, de maneira particular, os assentamentos humanos e as paisagens de seu entorno.
No Brasil as primeiras formulações legislativas disciplinadoras do meio ambiente são encontradas na legislação portuguesa que vigorou até o advento do Código Civil em 1.916, onde aparecem preocupações ecológicas mais acentuadas. Nas décadas que seguiram, a questão tutelar do meio ambiente tomou contornos maiores, surgindo os primeiros diplomas legais com regras específicas sobre fatores ambientais. Na década de 1.960, com o movimento ecológico, novos diplomas legais surgiram com normas mais diretas sobre prevenção e degradação ambiental. Foi, entretanto, a partir da década de 80, sob o influxo da onda conscientizadora emanada da Conferência de Estocolmo de 1.972, que a legislação sobre a matéria tornou-se mais consistente, abrangente e voltada para a questão da proteção do meio ambiente.
Proliferou uma intensa produção legislativa com vistas à proteção específica do meio ambiente. Alguns autores mencionam marcos do ordenamento jurídico que são de extrema importância e que contornam amplamente a questão ambiental. O primeiro grande marco é a edição da Lei 6.938 de 31.08.81, que conceituou o meio ambiente. Além disso, instituiu o Sistema Nacional de Meio Ambiente.
O segundo marco foi a Lei 7.347 de 24.07.85, disciplinadora da ação civil pública como instrumento processual específico para a defesa do ambiente e de outros interesses difusos e coletivos.
O terceiro marco ocorreu com a promulgação da Constituição Federal de 1.988, que dedicou capítulo próprio ao meio ambiente, considerado um dos textos mais
avançados do mundo. Com a Constituição Federal, vieram as Constituições Estaduais e Leis Orgânicas com preocupações ecológicas.
Por fim, em quarto lugar, a Lei 9.605 de 12.02.98, que dispõe sanções penais e administrativas aplicáveis às condutas lesivas ao meio ambiente.
O legislador ordinário considera como meio ambiente apenas os seus elementos naturais, já que a Lei nº. 6.938/81 dispõe, em seu art. 3º, ser meio ambiente o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas. Harmonizado com ele, o art. 5º, inciso LXXIII, da Constituição Federal33, trata separadamente o meio ambiente e o patrimônio histórico e cultural.
Ainda hoje, importantes sistemas jurídicos, aí incluindo-se os Estados Unidos, França (1958)34 e a Itália (1947), protegem o ambiente sem contar com apoio expresso ou direto na Constituição. Em todos eles, doutrinadores e juízes procuram “depreender de outros princípios ou de outros direitos um princípio de defesa do ambiente, com as decorrências inerentes” (MIRANDA, 1993, p. 472). No regime italiano, é na salvaguarda da saúde (art. 32) 35 que se vai, amiúde, buscar apoio para amparar o meio ambiente36, compreendendo-se o direito à saúde, em sede doutrinária e jurisprudencial, como “direito ao ambiente salubre”37. Isto ocorria também no sistema constitucional brasileiro até a Constituição de 1.988. Entretanto, mesmo sem a proteção constitucional eram promulgadas leis e regulamentos de proteção ao meio ambiente, como visto acima.
33 Cf. art. 5º, LXXIII – "Qualquer cidadão é parte legítima para propor ação popular que vise a anular ato
lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural ficando o autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais e do ônus da sucumbência;"
34Segundo Prieur (2001, p. 56), na França a proteção ambiental não é ainda uma liberdade pública
constitucionalmente garantida, não obstante ter a Lei de 2 de fevereiro de 1995 admitido um direito de todos a um ambiente sadio.
35Art 32 – La Repubblica tutela la salute come fondamentale diritto dell’individuo e interesse della
collettività, e garantisce cure gratuite agli indigenti.
36 Para Guerio D’Ignazio, embora a Constituição italiana não contenha uma disciplina orgânica da matéria
ambiental, o aplicador pode se amparar em dispositivos isolados, como o art. 9o, que trata da proteção da paisagem, ou o art. 32, segundo o qual a saúde é “direito fundamental do indivíduo e de interesse da coletividade”. Cf. Guerio D’Ignazio. La protezione della natura nell’ordinamento italiano. In Luca Mezzetti (a cura di), I Diritti della Natura. Paradigmi di Giuridificazione dell’Ambiente nel Diritto
Pubblico Comparato. Milani: CEDAM, 1997. p. 28.
37 Cf. Vezio Crisafulli e Livio Paladin, Commentario Breve alla Costituzione. Padova: CEDAM, 1990. p.
A partir da Constituição de 1988 a proteção do meio ambiente ganhou identidade própria, definindo os fundamentos da proteção ambiental. A nova Constituição despertou a consciência da necessidade da convivência harmoniosa com a natureza. Traduz em diversos dispositivos o que pode ser considerado um dos sistemas mais abrangentes e atuais do mundo sobre a tutela do meio ambiente. A dimensão conferida ao tema vai desde os dispositivos do capítulo VI do Título VIII, até inúmeros outros regramentos insertos ao longo do texto nos mais diversos Títulos e Capítulos.
A Constituição Federal ao dar tratamento jurídico ao meio ambiente como bem de uso comum do povo, criou um novo conceito jurídico. Isto porque, até então, tinha-se como integrantes do conceito de bem de uso comum os rios, os mares, praias, estradas, praças e ruas. O meio ambiente deixou de ser coisa abstrata, sem dono, para ser bem de uso comum do povo, constitucionalmente protegido.
As Constituições que precederam a de 1988, jamais se preocuparam com a proteção do ambiente de forma específica e global. Nelas jamais foi empregada a expressão "meio ambiente", revelando total despreocupação com o tema.
Machado, na primeira edição da sua obra Direito Ambiental Brasileiro, pregava, já em 1982, que o meio ambiente merecia “melhor formulação na Constituição Federal. O fato, contudo, da inexistência de um ordenamento específico não pode ser entendido como inibidor das regras sobre a defesa e proteção da saúde notadamente” (MACHADO, 1982, p. 8). E acrescentava:
Se de um lado a Constituição não tratou o ambiente de forma abrangente e global, de outro lado, muitas matérias que integram o tema ambiente foram contempladas no texto maior do país. Assim, águas, florestas, caça, pesca, energia nuclear, jazidas, proteção à saúde humana foram objeto das disposições constitucionais.
O meio ambiente, em decorrência da relevância que apresenta à saúde e à preservação da vida no planeta, mereceu do legislador constituinte de 1.988 especial cuidado. A Constituição Federal confere a todo cidadão, sem exceção, direito subjetivo público ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, oponível ao Estado que responderá por danos causados ao ambiente, só, ou solidariamente, caso o dano seja decorrência de entidade privada, por ele não policiada.