2.6. Vestibüler Sistem ve Orta Kulak Fonksiyonları için Testler
2.6.2. Orta Kulak Fonksiyonları için Testler
O princípio da solidariedade encontra-se alicerçado na idéia de cooperação entre os membros da sociedade. Essa premissa de cooperação, por seu turno, pressupõe que cada participante pode razoavelmente aceitar e, às vezes, deveria aceitar, desde que todos os outros aceitassem as regras e os procedimentos publicamente reconhecidos. Todo aquele que cumprir sua parte, de acordo com o que as regras reconhecidas o exigem, deve-se beneficiar da cooperação conforme um critério público e consensual especificado150.
Ronald Dworkin noticia que os filósofos vêm debatendo há muito tempo casos hipotéticos que testam o nível de interesse devido por um membro de uma comunidade a outro. Exemplifica Dworkin que, se um homem estiver se afogando e outro puder salvá-lo com um risco insignificante para si mesmo, o primeiro tem um direito moral a ser salvo pelo segundo. Em termos econômicos, poder-se-ia asseverar que, se a utilidade coletiva de ambos
149Normas Constitucionais e Direito Civil na Construção Unitária do Ordenamento. In: SOUZA NETO, Cláudio Pereira de, SARMENTO, Daniel (Coords.). A Constitucionalização do Direito: Fundamentos Teóricos e Aplicações Específicas. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007, pág. 317.
for grandemente incrementada graças a um salvamento, o homem que está prestes a se afogar tem um direito a este salvamento, e seu salvador tem o dever de salvá-lo151.
Karl-Otto Apel defende, ardorosamente, a necessidade de uma ética, intersubjetivamente vinculatória, de responsabilidade solidária da humanidade, diante das conseqüências de atividades e conflitos humanos, mormente em função do pavoroso aumento do risco decorrente de todas as atividades e conflitos humanos, em decorrência do espantoso potencial técnico da ciência152. Para Apel, o que na atual crise da civilização técnico-científica seria exigido em medida planetária é muito mais do que uma ética das situações-limite existenciais. Indubitavelmente se exigiria algo como uma ética de responsabilidade solidária comum da humanidade, no sentido de uma intermediação comunicativa de interesses e ponderação da situação153.
Sendo diametralmente oposto ao individualismo, Pedro Buck Avelino conceitua solidariedade como o atuar humano, de origem no sentimento de semelhança, cuja finalidade principal é possibilitar a vida em sociedade, mediante o respeito aos terceiros, tratando-os como se familiares o fossem154.
Maria Celina Bodin de Moraes entende que a solidariedade deriva da consciência racional dos interesses em comum, instituindo, para cada membro da sociedade, a obrigação moral de “não fazer aos outros o que não se deseja que lhe seja feito”. Esta regra não tem conteúdo material, enunciando apenas uma forma, a forma da reciprocidade, indicativa de que
151 Op. cit., pág. 155.
152Estudos da Moral Moderna. Petrópolis/RJ: Vozes, 1994, pág. 164/165. 153 Op. cit., pág. 173.
154Princípio da Solidariedade: Imbricações Históricas e sua Inserção na Constituição de 1988. Revista de Direito Constitucional e Internacional. Ano 13. Nº 53. Outubro-dezembro de 2005, pág. 250.
“cada um, seja o que for que possa querer, deve fazê-lo pondo-se de algum modo no lugar de qualquer outro”155.
A solidariedade, na ótica de Cláudia Lima Marques, seria o vínculo recíproco em um grupo, traduzido na consciência de pertencer ao mesmo fim, à mesma causa, ao mesmo interesse, ao mesmo grupo, apesar da independência de cada um de seus participantes. Mas também possui sentido moral, exigindo uma relação de responsabilidade, de apoio, de adesão a um objetivo, plano ou interesse compartilhado. No meio caminho entre o interesse centrado em si e o interesse centrado no outro está a solidariedade, com seu interesse voltado para o grupo. Um dos ideais do direito civil que floresceu na Revolução Francesa era a fraternidade, hoje é a solidariedade e a realização dos direitos fundamentais em pleno direito privado”156.
Ao estatuir como objetivo fundamental da República, no arts. 3º, inciso I, a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, a Constituição de 1988 conformou, a um só tempo, um modelo de mercado assentado, de um lado, na liberdade de iniciativa econômica e, de outro, na garantia de existência digna, na defesa do consumidor e na redução das desigualdades regionais e sociais, o que sedimenta a idéia primária de construir uma sociedade baseada na solidariedade. A palavra “solidariedade” reflete categoria social que exprime uma forma de conduta correspondente às exigências de convivência de toda e qualquer comunidade que se queira como tal, implicando a superação de uma visão meramente individualista do papel de cada um dos seus singulares membros e assim configurando elemento de coesão da estrutura social157.
155 Op. cit., págs. 45/48.
156 MARQUES, Cláudia Lima. Solidariedade na Doença e na Morte: sobre a necessidade de ‘ações afirmativas’
em contratos de planos de saúde e de planos funerários frente ao consumidor idoso. In: SARLET, Ingo
Wolfgang (Org.). Constituição, Direitos Fundamentais e Direito Privado. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003, pág. 186.
157 MARTINS-COSTA, Judith. Mercado e Solidariedade Social entre Cosmos e Taxis: A Boa-fé nas Relações de
Consumo. In: MARTINS-COSTA, Judith (Org.). A Reconstrução do Direito Privado. São Paulo: Revista dos
Também como decorrência da previsão encartada no art. 3º, inciso I, é possível asseverar que a Constituição de 1988 consagrou, ainda que implicitamente, o princípio da boa-fé. A obrigação de se comportar solidariamente na sociedade nada mais revela do que o conteúdo material do princípio da boa-fé, sobretudo a de natureza objetiva.
A boa-fé exprime o valor da ética, da lealdade, da correção e da veracidade que se espraia por todo o fenômeno contratual e repercute sobre todos os demais princípios, repudiando a ênfase excessiva no individualismo e no voluntarismo jurídicos. Para Teresa Negreiros, a boa-fé objetiva assenta suas bases na cláusula geral de tutela da pessoa humana e, mais especificamente, no ditame constitucional que determina como objetivo fundamental a construção de uma sociedade solidária, na qual o respeito pelo próximo seja elemento essencial de toda e qualquer relação jurídica158.
A boa-fé é um modelo de comportamento timbrado pela honestidade, lealdade e cooperação e, quando a Constituição, diz que fala em construir uma sociedade solidária finca em solo firme aqueles valores basilares.
Para Álvaro Villaça Azevedo, o princípio da boa-fé, no tráfico jurídico-privado, representa a essência e a presença ética dos negócios, sendo um estado de espírito que leva o sujeito a celebrá-los em clima de aparente segurança159.
Já, segundo J. M. de Carvalho Santos, a boa-fé é um conceito ético-social extraído da prática da vida, que possui as funções de sanear e suprir vícios, à luz da equidade e da humanidade, de servir de critério de moralidade, exigindo lealdade na celebração de negócios
158 Op. cit., págs. 116/117.
159O Novo Código Civil Brasileiro: Tramitação; Função Social do Contrato; Boa-fé Objetiva; Teoria da
Imprevisão e, em especial, Onerosidade Excessiva (Laesio Enormis). Revista Ltr. Vol. 67. Nº 04. Abril/2003,
jurídicos e no cumprimento das obrigações, e de ser utilizado como princípio interpretativo da norma jurídica e da vontade das partes160.
A boa-fé é princípio normativo que se desenvolve por meio de cláusulas gerais, substituindo o modelo de sistema fechado, próprio do positivismo científico e legalista, pelo modelo da eticização das relações jurídicas161.
De acordo com a ensinança de Ludwig Enneccerus, a boa-fé proíbe que se cometa abuso com pretensões jurídicas formal ou aparentemente infundadas, protegendo o devedor contra exigências impertinentes, que choquem contra o direito e a equidade162.
Com efeito, é de reconhecer que o princípio da boa-fé funciona como o elo ou uma ponte que liga o direito contratual aos princípios constitucionais a ele afetos.