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Orta Dönem Eserleri ve Ġlk Soyut Denemeleri

4. SABRĠ BERKEL‟ĠN HAYATI VE SANAT ANLAYIġI

4.2. Orta Dönem Eserleri ve Ġlk Soyut Denemeleri

Este trabalho procurou apresentar alguns dados sobre a origem e a trajetória do Partido Progressista Brasileiro, incluindo dados sobre seus deputados federais e estaduais. Acredito que ele foi um primeiro passo para o entendimento de um partido muito importante no sistema partidário brasileiro, mas que vem sendo negligenciado por pesquisadores que estudam os partidos políticos.

Ao longo do trabalho procurei demonstrar a importância do tipo peculiar de origem deste partido e as implicações desta origem na trajetória que o PPB veio a percorrer posteriormente. Além disto, busquei identificar as estratégias adotadas pelo partido para sobreviver em um ambiente multipartidário como o brasileiro.

O partido que nasceu da união de parlamentares de diferentes partidos e “patrocinado” pelo Estado, sofreu, em sua institucionalização, com pelo menos dois problemas graves: o primeiro foi a dependência do aparato estatal, o que teve como conseqüência a dificuldade de organização nos primeiros anos depois da abertura; o segundo foi a incapacidade de conseguir manter sob uma mesma organização as diferentes lideranças que formavam o partido inicialmente.

A reorganização que ocorreu com a transição para a democracia, trouxe conseqüências para o PDS que perde grande parte de sua influência, ficando restrito a apenas alguns estados da federação, pois não dispunha nem de uma organização eficiente e nem de incentivos para manter seus filiados.

Os resultados eleitorais do partido analisados no Capitulo IV mostram os diferentes momentos vividos pela ARENA/PDS/PPR/PPB/PP. A primeira fase tem início com a criação do partido em 1966 e vai até 1974, quando a ARENA podia ser caracterizada como um partido hegemônico dentro de um regime autoritário. A segunda fase tem inicio em 1974, quando o desgaste do regime militar se torna evidente e o MDB consegue eleger seus candidatos em cidades importantes do Brasil, e vai até 1990 quando o PDS começa a se reestruturar. Esta fase marca o declínio do partido ocasionado por uma série de acontecimentos: por um lado o esgotamento do regime

autoritário e a redemocratização, que vai expor o PDS a um ambiente multipartidário e verdadeiramente competitivo; por outro, a cisão do partido que levou à criação do PFL. O terceiro período começa em 1990 e se caracteriza pela busca de espaço dentro do sistema partidário e pela redefinição do partido. Este período é marcado por fusões e mudanças de denominação (PPR, PPB e PP), numa tentativa de se adaptar ao ambiente de competição eleitoral, recuperando uma parte do prestígio perdido ao longo de sua trajetória.

Vimos que a estratégia adotada pelo PPB mostrou-se eficaz alguns âmbitos eleitorais mas ineficaz em outros. O partido tem enfrentado dificuldades em eleger candidatos majoritários para cargos importantes como governadores, senadores e prefeitos de capitais e obtido mais sucesso nas eleições para os cargos proporcionais e para os cargos de prefeitos e vices de cidades pequenas e médias. No entanto, ao analisarmos a trajetória do partido de 1985 até hoje, podemos afirmar que o PPB vem conseguindo ocupar e manter cerca de 10% dos cargos em disputa, o que, no contexto de alta fragmentação do sistema partidário brasileiro, o coloca entre os maiores partidos do país.

A reorganização partidário eleitoral ocorrida com a Nova República também trouxe benefícios ao partido. Passado o período mais turbulento ocorreu a organização do partido o que reforçou sua a unidade e criou novas lealdades organizativas. Mainwaring, Meneguello e Power (2000) confirmam esta afirmação ao observarem que os políticos mais individualistas deixaram o PDS logo no início da redemocratização fundando novos partidos (PFL, PL e PDC), já os membros restantes no partido formaram um grupo mais coeso e preocupado com a manutenção da organização (segundo os autores, o PDS foi, entre os partidos conservadores, o que assumiu posições mais favoráveis à disciplina partidária na Assembléia Constituinte). Para os autores, a saída dos setores mais clientelistas do PDS para formarem o PFL deixou no partido um grupo mais homogêneo e identificado com o liberalismo econômico.

A diminuição dos quadros teve como conseqüência o fortalecimento da organização. Um indício do aumento desta coesão interna pode ser observado no posicionamento dos deputados federais e estaduais do partido. Os deputados federais se

importante que isso, o posicionamento dos deputados seguiu as orientações ideológicas, ainda que superficiais, expostas no programa do partido. Vale ressaltar também, que a maioria dos votos era sempre pela aprovação da proposta, e que quando o deputado não concordava com ela, preferiu faltar a arcar com os custos de divergir do partido.

Os deputados estaduais apresentaram posições semelhantes às dos deputados federais, exceto no caso das privatizações, onde os deputados estaduais se posicionaram contra a privatização da Petrobras e deram pouca prioridade para as futuras privatizações, contrariando o programa do partido. Entretanto, não podemos esquecer que estamos tratando da opinião pessoal do deputado e não do seu posicionamento no plenário das Assembléias, onde eles podem se comportar de maneira diferente.

Além disto, os deputados estaduais que se mantiveram no PPB tenderam a dar uma importância um pouco maior à organização partidária que os demais deputados analisados. A meu ver, por estarem no partido a mais tempo que os demais deputados, estes parlamentares mantêm um comprometimento maior com o partido do que seus pares mais novos na organização.

Acredito que este trabalho avançou no estudo de um partido de direita ao investigar as condições que estavam presentes em sua gênesis e que podem explicar algumas de suas decisões futuras. Além disso, o trabalho traz algumas contribuições ao estudo dos deputados enfatizando o posicionamento do partido a respeito da questão em debate.