• Sonuç bulunamadı

ÇağdaĢ Türk Sanatının BaĢlangıç Süreci

3. ÇAĞDAġ TÜRK SANATININ GENEL DEĞERLENDĠRĠLMESĠ

3.1. ÇağdaĢ Türk Sanatının BaĢlangıç Süreci

O PPB é um partido especial dentro do sistema partidário brasileiro. O seu desenvolvimento organizativo37 teve elementos que o torna diferente de seus pares, influenciando sua trajetória: sua gênese ocorre sob um sistema de exceção, sua institucionalização foi exigência para que o partido se adaptasse ao ambiente democrático e sua maturidade um esforço para sobreviver no meio em que atua.

Segundo o arquétipo proposto por Panebianco, o modelo originário do PPB é bastante esclarecedor. O partido se inicia e se desenvolve através de difusão territorial (seu desenvolvimento se deu a partir de núcleos isolados que se fundiram posteriormente formando o partido). Possuía uma instituição externa forte que patrocinou seu nascimento (o Estado autoritário), o que tornou o partido dependente de seu patrocinador, uma das principais características dos partidos de legitimação externa. Segundo o autor, uma combinação deste tipo gera organizações fracas, pois impede a formação de lealdades organizativas. Como resultado, a coalizão dominante é heterogênea e dividida, gerando uma institucionalização fraca. No caso brasileiro esta divisão é acentuada pelo federalismo.

Este foi o caso da ARENA/PDS. O partido nasceu “patrocinado” pelo Estado, e era, de fato, a união da maioria dos parlamentares dos diferentes partidos que existiam antes do golpe de 1964. O resultado desta combinação foi a dependência do partido do aparato estatal (seus incentivos) e a dificuldade de reunir sob uma mesma denominação líderes que, muitas vezes, eram competidores regionais (a solução encontrada pelo governo foi adotar o mecanismo da sublegenda que permitia ao partido lançar mais de um candidato para competir na mesma eleição). Enquanto o regime se sustentou, o Estado conseguiu manter esta organização, no entanto, quando seu aparato começa a se desgastar, a crise se agrava e os líderes rompem o acordo inicial que resulta na divisão do partido. Com o fim do regime autoritário a ARENA/PDS perde o monopólio dos incentivos seletivos (verba e cargos, por exemplo) dominados pelo Estado. Como resultado disto, o partido perde espaço na arena política ficando reduzido a cerca de 10% dos cargos em disputa.

Além do modelo originário, a institucionalização tem um papel importante no modelo proposto por Panebianco. A institucionalização sofre influências do ambiente onde o partido atua. O partido tende a interagir com o seu entorno, o tipo de relação que ele estabelece com o meio em que atua deixa marcas importantes na organização. Quanto mais complexo, instável e hostil é este entorno, maior será a incerteza que pode representar risco para a manutenção do partido. Segundo o autor, um ambiente incerto faz com que as divisões internas do partido se intensifiquem (todos querem oferecer soluções aos problemas enfrentados pelo partido, o que gera o conflito). Por outro lado, as situações de tranqüilidade fortalecem a unidade interna. Um ambiente muito incerto, por sua vez, também incentivaria a unidade do partido (neste caso o partido se uniria para sobreviver em um ambiente muito hostil).

Como partido do governo, a ARENA tinha o controle do ambiente, o que garantia a tranqüilidade e continha os conflitos. No entanto, com a abertura política, o partido perde o controle sobre o meio, que se torna mais complexo e instável, o resultado é a fragmentação das lideranças que não conseguem atingir um consenso sobre qual caminho seguir.

A fragmentação da liderança aliada à instabilidade inicial do ambiente democrático são alguns dos efeitos da origem do PPB. Como o partido nasce por difusão territorial, e perde grande parte de seus núcleos regionais na cisão que deu origem ao PFL, torna-se um partido importante somente em alguns estados, em especial, Santa Catarina, São Paulo, Rio Grande do Sul, Paraná e Goiás.

Passada a crise inicial, o ambiente democrático torna-se mais amistoso e estável para o PDS. O resultado disso é a reorganização da liderança apoiada por interesses em manter a organização e reforçar as lealdades organizativas. Com a adaptação ao ambiente concluída, o partido se estabiliza, ocorre a diminuição dos seus quadros, o que torna o partido mais coeso, formando uma coalizão dominante que tem dirigido o partido durante os últimos anos38. Os diferentes grupos regionais de maior prestígio têm sido acomodados em posições de destaque nos órgãos regionais do partido e em

posições secundárias nos órgão nacionais, sem comprometer a formação da Comissão Executiva Nacional, que vem sendo praticamente a mesma durante as três últimas eleições do Diretório.

Uma institucionalização fraca, como a do PPB, implica também no predomínio do grupo parlamentar sobre o resto do partido, assim como dos membros que ocupam postos no governo (no caso do PPB, dos governos dos estados). Os parlamentares são muito importantes dentro do partido, tendo, inclusive, direito a mais de um voto nas Convenções do partido. Como ressaltou Couto (1998): “Isto [o voto cumulativo]

reforça o poder dos parlamentares na máquina partidária, particularmente se considerarmos que os parlamentares costumam preponderar nas instâncias

permanentes da estrutura do partido (executiva e diretório).”39.

Além disso, esta característica é reforçada pelo fato do PPB ser um partido de origem interna. Estes partidos valorizam a esfera governamental, dando mais poder aos membros que possuem cargos no governo. No PPB o grupo que detém o maior poder dentro do partido é formado por membros que possuem cargos, ou influência, nos governos, deixando à margem líderes que concentram sua influência em alguns estados sem, no entanto, ocuparem cargos administrativos de destaque40.

Na pesquisa realizada com deputados estaduais brasileiros41, os líderes do PPB mais citados por seus deputados foram: Esperidião Amim (ex-presidente do partido, ex- membro da Comissão Executiva Nacional e atual membro do Conselho Consultivo e do Diretório Nacional); Delfim Neto (membro da Comissão Executiva Nacional dos últimos dois Diretórios Nacionais); Paulo Maluf (ex-presidente do partido e atual presidente de honra); Francisco Dornelles (membro da Comissão Executiva Nacional dos últimos dois Diretórios Nacionais); Pratini de Moraes (membro da Comissão Executiva Nacional dos últimos dois Diretórios Nacionais); Jarbas Passarinho (membro

39 Couto (1998), p. 50.

40 Um exemplo disso é o presidente do diretório estadual do Rio Grande do Sul, Celso Bernardi, que

apesar de ter transformado o estado em um dos mais importantes redutos pepebistas do Brasil não ocupa cargos na Executiva Nacional (ocupa o cargo de Vogal no atual Diretório, e era “Autoridade Filiada” do Diretório anterior).

41 Dados retirados da pesquisa Partidos e Representação Política: o Impacto dos Partidos na Estruturação

da Escolha Eleitoral no Brasil”, que entrevistou entre setembro de 2001 e junho de 2002 deputados estaduais de todo o Brasil, num total de 769 questionários. Os dados da pesquisa são analisados no

da Comissão Executiva Nacional dos últimos dois Diretórios Nacionais); Ângela Amim (membro do Diretório Nacional de 2001) e Celso Bernardi (autoridade filiada no Diretório de 2001 e vogal em 2003).

Apesar de exercerem seu poder mais diretamente nas esferas regionais do partido, os deputados estaduais reconheceram como seus principais líderes autoridades do partido que possuem posições de destaque na Executiva Nacional e não apenas nos estados, o que indica a existência de um grupo dominante dentro do partido, cujo poder extrapola os limites de sua atuação regional42.

O objetivo destes parágrafos foi confrontar algumas das informações discutidas até este ponto com a teoria proposta por Panebianco. Os resultados reforçam nossa hipótese da importância da origem para o estudo do partido e de sua dependência do aparato do Estado. O partido que nasceu grande e descentralizado vem ao longo do tempo assumindo outro perfil: um partido menor e mais centralizado. A mudança foi o resultado da combinação de uma origem interna por difusão territorial e patrocinada pelo Estado, com um ambiente hostil e complexo onde o partido teve que se adaptar para sobreviver. Apesar de ter perdido influência, o PPB têm se mantido entre os maiores partidos do Brasil concentrando cerca de 10% dos cargos políticos em disputa.

Os capítulos seguintes tratam dos deputados, federais e estaduais, do PPB. Os capítulos buscam analisar o posicionamento dos deputados a respeito de questões importantes para a política nacional e até que ponto o posicionamento dos deputados se aproxima do posicionamento do partido.

42 Apesar disso, este grupo ainda não conseguiu lançar um candidato forte em grande parte do território

nacional para a disputa da presidência da República. Possivelmente uma conseqüência do nascimento por difusão, já que o mesmo acontece com o PMDB e o PFL, os outros dois partidos de origem semelhantes a