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A cultura cafeicultora desenvolveu-se na região da cidade de Juiz de Fora devido à construção do Caminho Novo que estava interligaria o Rio de Janeiro e a Província de Minas Gerais. As terras em torno dessa estrada foram influenciadas por esta cultura já bem sucedida no Rio de Janeiro e que visava a exportação e o comércio interno do país. O desenvolvimento da cidade de Juiz de Fora e de toda Zona da Mata teve início com o cultivo do café, pois houve grande migração dos centros de exploração de ouro para estas regiões, uma vez que esta fonte de renda já não tinha mais tantos recursos para serem explorados (1830). A facilidade de mão-de-obra impulsionou o mercado cafeicultor. Os recursos gerados pela produção do café e concentrados nas mãos dos fazendeiros são repassados para outros setores da economia através da geração de uma série de atividades e serviços urbanos (transporte, armazenamento, comunicações). E com isso, o mercado consumidor regional amplia-se e diversifica-se (ESTEVES, 1915).

Segundo o Departamento Nacional do Café, o surgimento e o desenvolvimento dos núcleos urbanos mais importantes estão relacionados com o desenvolvimento da cafeicultura. O incremento da produção cafeeira financiou o desenvolvimento dos sistemas rodoviário e ferroviário, sendo assim construídas a Rodovia União Indústria, a Estrada de Ferro D. Pedro II e a Estrada de Ferro Leopoldina. Estas novas vias de comunicação trouxeram grande progresso à região e muito influenciaram na abertura de novos caminhos para a evolução econômica de Juiz de Fora. A Rodovia União Indústria, finalizada em 1861, foi a principal responsável pelo crescimento financeiro da cidade, pois era a via de comunicação principal para o comércio entre o Rio de Janeiro e a Província. A região passou a ser passagem obrigatória para esta via econômica. Com isto, intensificaram-se os processos de divisão social do trabalho e de troca de mercadorias, tendo como resultado a diversificação da economia e a inauguração de uma nova fase de crescimento urbano acelerado.

Juiz de Fora também se transformou em cidade polarizadora de transporte na região. Toda mercadoria que necessitava ser transportada ao Rio de Janeiro se concentrava nele para então ser transferida. Por esse motivo, a cidade tornou-se centro de grandes negócios, de intensa circulação de mercadorias e de grande concentração e acumulação de capital. Passou a ter seu contingente populacional diversificado, abrigando mão-de-obra especializada, imigrantes, comerciantes e indústrias. Em 1870, já estavam instalados 190 estabelecimentos industriais e comerciais (GIROLETTI, 1988). A diversificação na economia também foi grande e casas de negócios, oficinas, mascates e fazendas complementavam o quadro desta época. O crescimento foi de 63% até 1877, quando chega a atingir 310 estabelecimentos. Já em 1904, eram 692. O retorno para a cidade foi grande, seu processo de urbanização se refletiu no aumento da população e na arrecadação municipal proporcionando melhoramentos urbanos e ampliação de mercado interno. Em 1861, Juiz de Fora já se colocava com a terceira melhor arrecadação da Província. O aumento da população refletiu no crescimento físico da cidade e com isso mais um mercado surgiu, o da construção, ainda muito presente até os dias atuais (LESSA, 1985).

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Toda a cidade foi reestruturada para dinamizar as novas atividades econômicas. Foram criados estabelecimentos de ensino, infra-estrutura de transporte urbano, de energia e de comunicação. Toda essa estrutura já estava concretizada e em funcionamento em 1890. Em 1881 foi inaugurado o serviço de transporte urbano de passageiros e de cargas. A primeira exposição industrial foi feita em 1886. Seu primeiro banco foi criado em 1887.

A Companhia União Indústria construiu a Rodovia União Indústria e foi a grande responsável pelo assentamento das pessoas na região. Suas contratações não eram temporárias, os imigrantes eram procurados como mão-de-obra especializada e tinham garantias em seus contratos quanto a pagamento, tempo de serviço (geralmente dois anos) e moradia. Isso incentivou a vinda de famílias para a região e não de pessoas que trabalhavam em serviços temporários e viviam se transferindo de uma região a outra. Os colonos e artífices empregados também tinham cláusulas semelhantes em seus contratos, o que dava continuidade ao assentamento na região. Além disso, a Companhia incentivava ocupações para aqueles não aptos no trabalho da construção da estrada. Isso incentivou e proliferou o artesanato, outros tipos de agricultura e o comércio interno. Grande parte da mão-de-obra utilizada pela Companhia era escrava, alugada de fazendeiros da região. No entanto, estes não foram quem determinaram a ocupação da cidade, e sim os anteriormente citados, que eram considerados como mão-de-obra qualificada. A introdução dos imigrantes foi responsável pela formação do mercado de trabalho especializado, que posteriormente engrossado pela vinda de novos imigrantes e de outros trabalhadores não qualificados, possibilitou o desenvolvimento industrial de Juiz de Fora.

À medida que os contratos eram vencidos, os imigrantes se estabeleciam na cidade procurando adequar-se às atividades existentes. Alguns se uniam e criavam pequenas fábricas, outros continuavam em suas residências com o mercado agricultor. Um exemplo foi o imigrante Bernardo Mascarenhas, que construiu a primeira fábrica de tecidos conhecida pelo mesmo nome. Com a decadência do mercado agricultor, o industrial cresceu fortemente.

Pode-se distinguir dois períodos no desenvolvimento da industrialização na cidade até 1930. No primeiro, predominam as pequenas fábricas, pequenas oficinas, com baixa produção e produtividade, utilizando tecnologia elementar, com baixo índice de capital investido, absorvendo pequena quantidade de mão-de-obra. Seu mercado consumidor era formado pela população da cidade e do interior. Este período estende-se até o fim da década de 1980. No segundo período, a partir do início do século XX, são criadas as médias e grandes indústrias locais, com produção em série, empregos com maior contingente de operários e tecnologia mais sofisticada. Esta evolução foi possível devido às mudanças citadas que aconteceram anteriormente.

O mercado consumidor da cidade ampliou-se devido à segunda fase da industrialização e à novidade da energia elétrica nas indústrias. Além da própria cidade e da Zona da Mata mineira, que já eram mercados consumidores desde a construção da Rodovia União Indústria, passa a ser formado também por outras regiões do estado e por outros estados, dentre os quais, Rio de Janeiro e São Paulo. Um dos fatores que levaram à grande ampliação do mercado foi a capacidade de produção de produtos diversificados do setor industrial da cidade: cerveja, tecido produtos alimentícios. A partir de 1920 o mercado consumidor amplia-se ainda mais fazendo da cidade grande ícone nacional no setor de exportação de produtos industriais. Assim, fica claro que o crescimento industrial de Juiz de Fora está diretamente ligado à ampliação do seu mercado consumidor, tornando o primeiro dependente do segundo e vice-versa, gerando um ciclo vicioso.

Benzer Belgeler