• Sonuç bulunamadı

4.3 Açık ve Yeşil Alanlar

4.3.8 Orman ve ağaçlandırılmış alanlar

De acordo com Silva (2011) e Woodward (2011), a identidade está ligada a sistemas simbólicos de representação, construída através da linguagem e do discurso. Procurei observar os vislumbres de construção de identidade dos PFs bem como suas crenças por meio das observações de sala de aula e sua participação e ações em sala de aula, além de seus relatos nos questionários, narrativas e grupo focal. Para as crenças, a abordagem contextual (BARCELOS, 2001) foi escolhida, já que este estudo utilizou-se de vários instrumentos em um contexto natural e considera crenças como construídas na interação. Além disso, essa abordagem se diferencia das outras por lançar mão de observação em salas de aula como uma das formas de se coletar dados.

Foram utilizados os seguintes instrumentos para coletar os dados para esta pesquisa: uma narrativa escrita e dois questionários abertos respondidos pelos PFs, observações em sala de aula, gravações em áudio e vídeo das aulas e um grupo focal. Abaixo, descrevo cada um dos referidos instrumentos.

3.5.1. Questionários

Para realizar a coleta de dados acerca do perfil socioeconômico dos professores em formação inicial foi utilizado um questionário aberto (apêndice IV, p.137) com 13 questões divididas em dois tópicos. O primeiro tópico versava sobre o contexto educacional do professor em formação inicial: escolas onde estudaram, seu envolvimento com atividades na universidade e também seus interesses ao navegar pela internet. O segundo tópico era referente sua situação econômica: renda familiar, tipo de residência, escolaridade dos pais e pessoas que trabalham na família. Esse questionário foi feito para se traçar um perfil mais detalhado dos PFs participantes da pesquisa.

A aplicação desse questionário foi feita no dia 12 de Abril de 2012. A professora cedeu 30 minutos, ao final de sua aula, para que eu pudesse ler com os participantes cada questão e ficasse com eles até que todos pudessem responder ao questionário. Nesse dia, somente A19 não estava presente, de forma que recebi respostas de 18 PFs (vide Tabela 1). Algumas dúvidas surgiram com relação ao tempo de estudo de língua inglesa (questão 4, vide apêndice IV, p.136), pois dois PFs não sabiam se contavam os

52

anos de estudo na faculdade ou não. Outro PF não sabia a renda familiar, mas trouxe a resposta na aula seguinte.

O segundo questionário, que possuía 10 questões, teve por objetivo verificar quais as crenças dos PFs em relação ao que é ser um professor de língua inglesa (vide apêndice V, p.138). Com esse questionário, busquei investigar o porquê de os professores em formação terem escolhido o curso de Letras (licenciatura em inglês), o que eles admiravam e reprovavam em um professor, o que eles deveriam aprender durante a graduação, como o curso (não) vinha contribuindo para a formação deles, como o professor de língua inglesa e a própria língua eram vistos pela sociedade e também, como foi ou como eles viam a experiência de lecionar no futuro.

Esse questionário foi aplicado no dia 10 de maio de 2012, também ao final da aula com autorização da professora. Ela me ofereceu 30 minutos, porém, eles não foram suficientes e fiquei com os participantes mais vinte minutos após a aula. Nesse dia, A9 não estava presente na sala, assim, eu obtive respostas de 18 PFs, conforme pode ser visto na tabela 1. Dois PFs pediram para levar o questionário para casa, que foram entregues na outra semana. A decisão de se fazer questionários abertos se deve ao fato de eles permitirem aos participantes maior espaço para expressar suas opiniões mais livremente e mais detalhadamente do que em um questionário fechado (VIEIRA- ABRAHÃO, 2006). Além disso, de acordo com Dörnyei (2010), os questionários abertos permitem ao pesquisador obter respostas que não poderiam ser previstas em um questionário fechado.

3.5.2. Narrativas

Além de ter utilizado um questionário para se pesquisar sobre as crenças e sobre o que é ser um professor de línguas, pedi aos participantes que escrevessem uma narrativa acerca de suas experiências enquanto alunos de língua inglesa, dos professores que lhes deram aulas nessa época e também de como o primeiro ano de curso influenciou na decisão pela língua inglesa.

O roteiro para a escrita da narrativa (apêndice VII, p.143) foi entregue no dia 03 de Maio de 2012, aos 10 minutos finais da aula cedidos pela professora. Após entregar o roteiro, li o mesmo com eles e sugeri que escrevessem, de forma dissertativa relatando

53

todas as experiências que eles tiveram e suas perspectivas futuras em relação à profissão. Informei, também, que eles poderiam fazer a redação em inglês, caso quisessem, sendo que uma PF entregou a narrativa nesse idioma. Nesse dia, todos os participantes estavam presentes. No entanto, como a narrativa demanda muito tempo e reflexão para sua produção, pedi para que eles a fizessem em casa. Dessa forma, conforme tabela 1, somente 10 a entregaram, via e-mail, impressa ou redigida à mão.

A escolha em se pedir uma narrativa para os PFs se deve ao fato de que elas ajudam a investigar como o indivíduo compreende o mundo, permitindo maior entendimento sobre os sentidos dos eventos ocorridos em sua vida, comunidade ou contexto cultural (GIBBS, 2009). Pavlenko (2002) também afirma que as narrativas são socialmente e historicamente construídas, permitindo ao pesquisador entender quais fatores influenciaram o modo como as histórias vêm sendo contadas. O uso da narrativa se justifica, então, pelo fato de ela possibilitar maior compreensão sobre como os PFs construíram as suas crenças e vislumbres de identidade profissional de um professor de línguas.

3.5.3. Gravação de aulas em áudio e vídeo

No total, foram gravadas seis aulas: quatro aulas em áudio e vídeo, uma aula em áudio porque a câmera que utilizava não estava disponível e uma aula em vídeo, porque o aparelho de áudio que utilizava não estava disponível. As aulas começaram a ser gravadas a partir do dia 12 de abril, depois de duas semanas que comecei a frequentar as aulas, sendo que a gravação ocorria geralmente em uma aula por semana. O número de gravações foi reduzido porque como nem todos os alunos estavam participando da pesquisa, não queria deixá-los desconfortáveis com a presença da câmera e do gravador, de forma que a participação deles, em sala de aula, não fosse afetada por esses equipamentos. Entretanto, os PFs pareciam se sentir confortáveis com a presença da câmera, uma vez iniciadas as gravações.

As aulas seriam gravadas todas as quintas-feiras, porém no dia 26 do mês de abril os alunos fizeram prova, totalizando somente duas gravações nesse mês. Durante o processo de coleta de dados, as universidades passaram por um período de greve que teve início em 17 de maio de 2012 e fim no dia 21 de setembro de 2012. Logo, em

54

setembro, foi gravada em áudio uma aula no dia 27/09, já em outubro, foi gravada uma aula no dia 11/10, pois, na quinta-feira anterior (04/10), os alunos estavam fazendo prova, conforme tabela 4:

Tabela 4: Meses e gravações em áudio e/ou vídeo das aulas observadas Meses Gravações em áudio e

vídeo Gravação em áudio Gravação em vídeo Março - - - Abril Dias 12 e 19 - - Maio Dias 03 e 10 - - Setembro - Dia 27 - Outubro - - Dia 11

Total: 6 aulas gravadas

As gravações foram importantes para que eu pudesse observar quais ações conduzidas pelos PFs contribuíram (ou não) para a construção de suas identidades profissionais e também verificar as relações entre suas crenças e suas ações. As transcrições realizadas foram feitas seguindo os parâmetros de Marcuschi (2005), vide anexo III, p. 147. A utilização desses dois instrumentos, então, se justifica pelo fato de eles promoverem uma visualização maior de como os indivíduos agem nas aulas de língua inglesa, de uma forma mais natural e contextualizada (DU FON, 2002). Além disso, esses instrumentos se justificam por viabilizarem ainda mais a triangulação dos dados e também o rigor metodológico.

3.5.4. Observação: notas de campo

Observações também foram utilizadas como instrumentos para investigar o comportamento dos professores em formação na sala de aula, focando em ações que contribuíam para a construção da identidade profissional desses indivíduos. Nesta pesquisa, a observação utilizada foi a não-participante, pois, de acordo com Dörnyei (2010), apesar de ser conhecido o papel do pesquisador, ele não participa das atividades ministradas em sala de aula. Além disso, não foi feito um roteiro estruturado de

55

observação, uma vez que este poderia não ser eficiente ao captar todos os dados que poderiam advir durante a observação (NUNAN, 1995).

As observações ocorreram durante os meses de março, abril, maio, setembro e outubro de 2012, perfazendo um total de 17 aulas observadas, conforme tabela 5.

Tabela 5: Observação de aulas

Meses Observações Março Dia 29 Abril Dias: 02, 09, 12, 16, 19 e 23 Maio Dias: 03, 07, 10 e 14 Setembro Dias: 24 e 27 Outubro Dias: 01, 08, 11 e 15 Total: 17 aulas observadas

A interrupção das observações ocorreu no dia 15 de outubro de 2012, pelo fato de que já havia observado o número suficiente de aulas. Havia também o risco de ocorrer o que Richards (2003, p.127 e 128) chama de “go native” por já estar muito ambientada à sala de aula, de tal maneira, que os PFs (e eu mesma) já começavam a me enxergar como colega em sala de aula.

Neste dia, a professora me concedeu 10 minutos para agradecer aos PFs pela participação na pesquisa, à professora e àqueles não participantes da pesquisa pela permissão em me deixar adentrar sua sala de aula. Além disso, nesse dia, todos os estudantes e a professora da turma foram convidados a participar do seminário de dissertação bem como de sua defesa final.

3.5.5. Grupo focal

Grupo focal é um tipo de entrevista feita com um grupo pequeno de participantes em relação a um tópico específico, com duração de aproximadamente duas horas (PATTON, 1990). Os participantes são chamados a refletir sobre as questões feitas pelo mediador e os comentários feitos pelos outros participantes durante a discussão. Gondim (2002) afirma que o mediador deve facilitar a entrevista de forma a apresentar

56

as regras do grupo e novos tópicos durante a realização das perguntas e dos comentários. Gondim (2002) ressalta a redução no número de participantes que não deve ultrapassar dez pessoas devido à polêmica que certos assuntos podem despertar.

Após as análises das narrativas, questionários, observações e transcrições de aulas, para esclarecer dados que não foram compreendidos e outros questionamentos, foi realizado o grupo focal. Entrei em contato com os PFs via facebook, por ser o meio de comunicação mais acessado pelos PFs que o e-mail, e disponibilizei dois dias para que eles se dividissem em dois grupos de 7 a 8 pessoas, conforme os horários deles, para participarem.

O grupo focal foi realizado em dois dias devido à quantidade de participantes. O primeiro aconteceu no sábado dia 20 de outubro pela manhã. Estavam presentes: A5, A6, A7, A10, A14, A16 e A19, o mediador, e eu. O mediador se formou e fez seu mestrado na universidade onde os participantes estudam, e também era professor substituto no mesmo local, tendo sido professor de alguns dos PFs. A gravação teve duração total de 1h e 50min. Já o segundo grupo focal ocorreu na quinta-feira dia 25 de outubro pela tarde. Participaram deste: A1, A2, A10 e A11, o mediador e eu. A duração deste encontro foi de 1h e 56 min. Os dois grupos focais foram embasados no roteiro contido no apêndice VI, p.141.

As transcrições do grupo focal foram enviadas aos PFs participantes para que eles lessem e opinassem sobre a transcrição, mudassem ou acrescentassem algo. No entanto, não sugeriram nenhuma alteração ao conteúdo das informações transcritas que foram minimamente editadas para se retirar traços de oralidade que poderiam impedir uma leitura mais fluída dos excertos.

Benzer Belgeler