5. DENEYSEL ÇALIġMA VE SONUÇLARIN DEĞERLENDĠRĠLMESĠ
5.2 Optimum Adsorpsiyon Sürelerinin Belirlenmesi
4.1 Farmácia Universitária: Mapeamento Regional
No mapeamento regional (Tabela 1) foram identificadas dezenove faculdades de Farmácia, sendo duas públicas (10,5%) e dezessete privadas (89,5%). Dentre as dezenove instituições identificadas, oito escolas (42,1%) declararam, originalmente, possuir “Farmácia Universitária”.
Por definição legal (Lei 5991/73), Farmácia é um: estabelecimento de
manipulação de fórmulas magistrais e oficinais, de comércio de drogas, medicamentos, insumos farmacêuticos e correlatos, compreendendo o
estabelecimento de dispensação. Levando em conta este parâmetro, em dois
casos as Farmácias Universitárias foram excluídas do estudo por que eram, na realidade, Laboratórios Semi-Industriais de produção e controle de qualidade.
Além disso, ainda durante a pesquisa, constatamos que a Farmácia Universitária de uma das instituições estava pronta havia dois anos, contava com duas farmacêuticas (ex-alunas do curso) em período integral e com a supervisão de dois professores, porém, ainda não estava funcionando. De acordo com informações disponibilizadas, entretanto, a mesma estava em processo de terceirização. Até a conclusão do presente estudo, essa Farmácia não havia iniciado as suas atividades, tendo sido, por esse motivo, igualmente retirada da pesquisa. Assim, para fins da presente investigação, apenas cinco (26,3%) instituições foram habilitadas para compor a casuística do estudo.
Das cinco instituições de ensino duas (40%) são públicas – uma estadual (Instituição A) e uma municipal (Instituição B) - e três (60%) privadas (Instituições C, D e E). De acordo com os dados disponibilizados (Tabela 1) a Farmácia Universitária está presente em 100% das Universidades Públicas estudadas. Nas Universidades Privadas, esse percentual atinge 17,64%.
Tabela 1. Instituições de Ensino segundo natureza jurídica e presença de Farmácia Universitária (FU). Região do Município de São Paulo e ABC. 2008
Natureza Jurídica Instituições N % Instituições com FU N % Pública 2 10,50% 2 40,00% (100,00%) (100,00%) Privada 17 89,50% 3 60,00% (100,00%) (17,64%) Total 19 100,00% (100,00%) 5 100,00% (26,31%)
Estes dados chamam a atenção para o reduzido número de instituições que oferecem o estágio supervisionado em Farmácia Universitária, em atenção às disposições das DCN (2002) e do CFF (2008), particularmente no âmbito do setor privado. O índice fica abaixo da média nacional de 41,53% das Instituições de Ensino que contam com Farmácias Universitárias (V Encontro de Coordenadores de Farmácia, 2007). Esse descompasso evidencia um processo ainda incipiente de cumprimento das recomendações legais para a formação generalista do farmacêutico.
Com exceção do curso da Universidade A, fundado na década de 1930, todos os demais têm uma história recente, tendo sido criados entre 1998 (Universidade E) e 2002 (Universidade B). A carga horária dos cursos está situada entre 4160/horas aula (Universidade D) e 5325/ horas aula (Universidade A) – Tabela 2. O parecer 213 da Câmara de Educação Superior (22/10/2008), em consonância as recomendações do CFF, estabeleceu como carga horária mínima para o curso de Farmácia, 4.000 horas. Vale esclarecer que esse número equivale a 4.800 horas-aula (50 minutos). Nestas condições, as Instituições C e D, não atendem às recomendações legais para a carga horária do curso. Além disso, em parecer aprovado em 10/02/2009, o Conselho Nacional de Educação prevê um prazo mínimo de cinco anos para integralização dessa carga horária, o que acontece apenas na Universidade A. Ressalta-se, outrossim, o cumprimento das determinações da DCN (2002), em relação à carga horária destinada aos estágios curriculares, que, em todas as Instituições, corresponde a 20% da carga horária total do curso.
Todos os cursos investigados implantaram a formação generalista dentro do prazo previsto pelas DCN (2002). O curso da Universidade B, implantado em 2002, adotou a formação generalista já em 2003; os demais em 2004.
A exemplo dos cursos de Farmácia, com exceção da FU da Instituição A, fundada em 1970, as demais têm uma implantação recente, entre 2000 (IE) e 2005 (IC) Tabela 2.
Tabela 2. Ano de criação, carga horária e duração do curso de Farmácia e ano de implantação da Farmácia Universitária. Região do Município de São Paulo e ABC. 2008
Universidade Ano de Criação do Curso de Farmácia Carga Horária do Curso de Farmácia Duração do Curso Ano de Implantação da FU A 1934 5325 horas/aula 5 anos 1970 B 2002 4882 horas/aula 4 anos 2003 C 1998 4760 horas/aula 4 anos 2005 D 2001 4160 horas/aula 4 anos 2003 E 1999 4900 horas/aula 4 anos 2000
A formação generalista representou para as instituições, o fim das especializações anteriores em medicamentos, alimentos ou análises clínicas. Isso implicou numa adição de diferentes áreas de atuação do farmacêutico. Entre elas, os Coordenadores entrevistados referiram a Farmácia Hospitalar, a Farmácia Homeopática, as Ciências de Alimentos e as Análises Clínicas, reforçando o caráter assistencial na nova formação, trazendo o foco do medicamento para o paciente.
Além da adição de disciplinas técnicas, foram incluídas, a propósito da formação generalista, disciplinas subsidiárias, tais como: “História da Farmácia, Saúde e Sociedade”, “Atenção Farmacêutica”, “Farmácia Clínica”, “Assistência Farmacêutica", “Saúde Pública”, “Farmácia Pública”, “Ética e Gestão Farmacêutica”, “Epidemiologia Geral”, “Saúde e Cidadania”, “Farmacoepidemiologia”, “Epidemiologia e Farmacovigilância”. A rigor essas disciplinas instrumentalizam a formação voltada à atenção primária. Entretanto, a análise das matrizes revelou que esses conteúdos têm pouco espaço nos currículos, sinalizando para as dificuldades de cumprir com o compromisso de orientar a formação do aluno para o SUS.
Exceção feita à instituição D - classificada como filantrópica, onde a valorização da formação para a cidadania já era uma realidade - uma das grandes mudanças apontadas pelos Coordenadores na institucionalização da formação generalista foi o acréscimo das disciplinas ditas humanistas, dentre elas “Saúde, Política e Sociedade”, “Ética em Saúde”, “O farmacêutico e a sociedade”.
O coordenador da Universidade A, reconheceu que “É importante que o
profissional que vai atuar junto ao público tenha uma formação humanista, porém ela ainda é dada em pinceladas”
De acordo com os dados disponibilizados, a carga horária destinada às disciplinas subsidiárias e “humanas”, expressas nas DCN (2002) como “Ciências Humanas e Sociais”, representa cerca de 5% da carga horária total do curso.
Sem desmerecer a importância da formação tecnicista fica, nestas condições, a indagação a respeito da possibilidade desse reduzido espaço curricular dar conta das especificações da formação generalista. Há ainda que se considerar o fato dessas disciplinas serem oferecidas nos primeiros semestre do curso, momento em que os alunos, além de imaturos, ainda não desenvolveram uma identidade profissional, o que pode levar a um menor aproveitamento dos temas tratados. Surge também a questão da necessidade desses assuntos – especialmente ética e cidadania – serem abordados de forma transversal, ao longo do curso, permeando todas as disciplinas da matriz curricular, e não isoladamente, num semestre, de forma pontual.
4.2 A formação generalista na perspectiva dos coordenadores
Com nuances distintas, os coordenadores entrevistados sinalizam para a contribuição da Farmácia Universitária na formação generalista, estruturada, basicamente, no contraponto às antigas especializações. Nesta linha de discurso eles referem:
“Não pode haver diferença entre os farmacêuticos”. (CC)
“O farmacêutico tem que estar completo, não fragmentado, pois a compartimentalização não forma o farmacêutico de que a sociedade precisa”. (CB)
[a formação generalista apresenta a] “possibilidade de uma
escolha mais amadurecida e acertada da área a ser seguida profissionalmente. No modelo anterior, ao ingressar no curso o aluno já devia optar por uma das áreas de atuação do farmacêutico. Na formação generalista o aluno tem uma visão global da profissão. Agora ele pode escolher inclusive o estágio que vai fazer. E se achar necessário, faz, depois de formado, uma especialização”. (CD)
Essa nova proposta de formação permite ao aluno, ao longo do curso, conhecer e vivenciar diferentes cenários e experiências voltadas às diferentes áreas de atuação do farmacêutico. No entender do coordenador da Universidade D, este tipo de vivência “possibilita ao aluno um direcionamento
mais fundamentado, fazendo dele um profissional mais seguro”.
De acordo com o coordenador da Instituição C, o diferencial do farmacêutico com formação generalista é que ele: “Conhece todas as áreas
do âmbito farmacêutico, não é mais um profissional especializado, tem uma visão geral da profissão”. No seu entender a formação generalista “Precisa
habilitar o farmacêutico a se tornar o ‘Farmacêutico sete estrelas’”, referindo as especificações da 3ª Reunião de Peritos (FIP – WHO) sobre o papel do Farmacêutico. Nesse sentido, mais do que a contraposição entre a formação especializante e generalista, se trata de uma adição, sendo dimensionada a possibilidade da formação de um super-especialista.
Em meio a estas ambivalências se enquadram traços das competências elencadas nas DCN (2002) a propósito da formação para o SUS. Segundo o coordenador do curso C a Farmácia Universitária “Permite ao aluno desenvolver uma série de competências, entre elas a comunicação, a liderança, a gestão, a formação continuada e a prestação de serviços em saúde”.
Para o coordenador da Universidade B, “O farmacêutico precisa de todas as competências elencadas nas diretrizes, mas acima de tudo precisa ser um empreendedor”. É neste sentido que, para ele “A visão tecnicista precisa ser ampliada pela visão humanista”.
Idealmente os coordenadores têm um olhar condizente com as Diretrizes (2002), sendo, de certa forma, homogêneas as considerações a respeito da implantação da formação generalista entre eles. Vale o registro do compromisso embutido nessas apreciações diante do fato de todos os coordenadores entrevistados fazerem parte da Comissão de Educação
Farmacêutica do CRF-SP, que constituiu o palco de consolidação das discussões sobre as DCN, em atenção à LDB (1996). Em que pese tal homogeneidade é possível dimensionar ênfases distintas quando se referem às contribuições ou ganhos advindos da introdução da formação generalista.
Numa outra dimensão, os depoimentos remetem mais diretamente à reprofissionalização associada à aproximação ao paciente no espaço da farmácia. Tal perspectiva condiz com as DCN (2002) na medida em que as mesmas propõem uma atuação em todos os níveis de atenção à saúde, apontando para o requerimento de um profissional acessível, sensibilizado e comprometido com o paciente, capaz de respeitá-lo e valorizá-lo.
Atualizando a nova maneira de pensar o medicamento na formação farmacêutica, entendendo-o não mais como fim, mas como ferramenta para promoção de saúde, os discursos dos coordenadores enfatizam a relação com o paciente.
“Na matriz generalista há uma valorização da Farmácia como eixo central de formação”. (CC)
“A formação generalista é voltada para o paciente e não mais especificamente para o medicamento. O ensino deixou de ser centrado no medicamento, no tecnológico e tornou-se centrado no processo saúde-doença, sem perder o caráter científico”.(CA)
Nesta linha de apreciações, para os coordenadores das Universidades A eB, “O farmacêutico precisa saber se relacionar com o paciente”, “Precisa saber lidar com os pacientes”. Daí terem elegido como competências necessárias ao novo profissional “Conhecimentos relativos à Saúde Pública” e “Inteligência Emocional”.
Tangenciando estas proposições ganha espaço a reconsideração, implícita, dos modelos tradicionais de ensino onde, segundo Batista (2003),
“a aprendizagem situa-se, prioritariamente, como assimilação/retenção de informações transmitidas, acumulando conteúdos que deverão ser expressos pelo aluno em situações previamente estabelecidas, para ele demonstrar o que sabe”.
Na perspectiva do aluno a ser formado o coordenador da Universidade D apontou que o farmacêutico:
“Precisa pensar! O mais importante é que ele tenha a capacidade de raciocinar, procurar soluções para problemas novos, que ele não seja uma pessoa que simplesmente repete, reproduz o que foi ensinado.”
De forma correlata, na perspectiva dos docentes os discursos remetem à revisão que se impõe no plano da organização curricular:
“Como docentes estamos aprendendo muito Há uma maior integração entre os docentes nesse modelo”. (CA)
“Com a formação generalista foram valorizados os trabalhos de
extensão e a interdisciplinaridade, uma vez que a vivência e a prática são elementos fundamentais nesse novo modelo”. (CB)
Na linha da interação disciplinar emerge a preocupação com a formatação modular no cumprimento da formação generalista:
“O currículo modular, ou seja, composto por módulos que
integram conteúdos, está intimamente relacionado à necessidade de conferir ao farmacêutico uma visão global da profissão”. (CD)
“Com a formação generalista, algumas disciplinas que eram
ministradas isoladamente agora são oferecidas em módulo, como por exemplo, a fisiopatologia e terapêutica”. (CA)
A análise das matrizes desses cursos indica algumas disciplinas congregadas nos chamados “integrados”, como por exemplo, aquele que reúne as disciplinas de Anatomia Humana, Fisiologia e Biofísica I e Biologia Tecidual II (Integrado I). O módulo citado pelo coordenador é composto pelas disciplinas de Farmacodinâmica, Alimentos e Nutrição, Fisiopatologia, Toxicologia Geral, Química Farmacêutica e Farmacognosia.
Na Universidade B a análise das matrizes apontou um módulo, no primeiro bimestre, chamado “Biologia”, que reúne os conteúdos de Citologia, Histologia e Embriologia e algumas disciplinas integradas como “Microbiologia e
Imunologia” e “Bromatologia e Análises de alimentos”. O mesmo acontece na Universidade E, que reúne num módulo a “Bioquímica Molecular e Experimental”.
Na Universidade D, o curso é composto por trinta módulos, tais como: “Desenvolvimento de formulações farmacêuticas e cosméticas”, “Aplicações clínicas dos fármacos” e “Ciências dos Alimentos”.
Essas composições modulares, sem alterar o modelo curricular como um todo, evidenciam esforços no sentido de atender às DCN (2002) no tocante à necessidade de um ensino que supere a fragmentação de conteúdos, ao lado da necessidade de uma aproximação precoce à prática profissional. No plano do ensino, este esforço atende à busca pela interdisciplinaridade, conquanto a análise das matrizes revele a preservação de uma estrutura disciplinar de ensino.
A propósito, ou contraditoriamente, diante do desafio que a implantação da interdisciplinaridade impõe, em meio à formatação disciplinar, foi significativa a menção da necessidade de aumento da carga horária, apontada como um dos mais importantes fatores limitantes da implementação da formação generalista:
“A implantação da formação generalista foi difícil, pois havia mais conteúdos a serem abordados em uma carga horária que não podia ser tão maior (40 horas a mais). Se houvesse um aumento de carga horária proporcional seria mais fácil”. (CD)
“A idéia da formação generalista é muito boa, mas falta tempo
para tudo que é necessário a esse novo farmacêutico”. (CA)
“É um grande desafio a formação generalista, com a carga
horária de que dispomos.”. (CB)
Chama atenção a valorização do super-farmacêutico, reiterando, no dizer deles, um “Farmacêutico sete estrelas”. A ampliação da visão humanista à formação tecnicista faz pensar na possibilidade de agregar mais uma especialidade ao farmacêutico. Em outras palavras, trata-se de pensar a
formação generalista na perspectiva de uma especialização que se agrega às demais. Nestas condições, preserva-se a estrutura tradicional ao invés de potencializar a possibilidade de mudança do próprio modelo curricular, em que pese a preocupação da busca pela organização modular.
É bem verdade que o coordenador da Instituição B, reconhece que, mais do que de novas disciplinas ou conteúdos, a formação generalista precisa de novos cenários. Segundo ele:
“A formação generalista vai se cristalizar com os trabalhos de extensão, de apoio para que o aluno possa ver por que o que ele aprende é importante, não adianta ensinar só em sala de aula. O aluno de hoje tem a informação, ele precisa de motivação, o porquê, quando ele vai usar a informação. Confina-lo em sala e dizer que estamos oferecendo uma formação generalista não é verdade”.
Na visão dos coordenadores, a Farmácia Universitária veio ampliar os espaços necessários à formação do farmacêutico, havendo sinalização da valorização do “aprender-fazendo”, na linha do que é proposto pelo CNE, através das DCN (2002). Nessa perspectiva, como sugerem Marques e Jeremias (2008), devem ser entendidos como cenários importantes de aprendizagem, todos os espaços em que se produz saúde e que permitam ao aluno, lidar com problemas reais e aspectos humanos do cuidado. Esses espaços permitem o “fazer real”, e possibilitam ao aluno lidar com a imprevisibilidade e com todos os aspectos emocionais envolvidos no cuidado ao paciente.
Sem remeter propriamente aos processos de ensino-aprendizagem, o espaço de prática propiciado pela Farmácia Universitária se constitui numa ilha de racionalidade – no sentido dado por Fourez (1995) - capaz de potencializar interlocuções disciplinares, a partir do saber fazer. Se estas disposições nem chegam a ser cogitadas como tal, o ensino ancorado na realidade concreta no âmbito da Atenção Farmacêutica desponta como uma promessa palpável na perspectiva dos coordenadores. Neste sentido é elucidativo o depoimento: “Um diferencial importante da Farmácia Universitária é o fato de termos na
ponta um paciente de verdade, não um boneco, uma simulação” (CB). Para o
coordenador do curso D:
“Na Farmácia Universitária os alunos se deparam com problemas da vida profissional. Eles têm contato com pacientes, com problemas reais. Não é simplesmente colocar a teoria na prática, é preciso ir mais além, e colocar em cena o lado humanista”.
Outro ganho indicado pelo coordenador da Universidade A foi o fato de que “Os clientes são praticamente os mesmos, o que é bem interessante
para o desenvolvimento da Atenção Farmacêutica, pois permite a criação de vínculo entre o estagiário e o paciente”. Nesse sentido, a FU é um lócus
privilegiado ao permitir uma coleta de dados sistemática, no sentido da compreensão dos hábitos dos pacientes. Assim, o estagiário torna-se apto a detectar problemas e propor uma adequação da terapêutica.
Como afirmam Perrenoud (2000) e Rios (2002), tudo que é palpável, concreto, e está inserido num contexto real, tem um significado maior para o aluno. Segundo Meirieu (1998), para aprender é necessário “apropriar-se das informações, configurando-se sentidos, significados”. A exposição a situações e problemas reais permite ao aluno revisitar os saberes construídos e reconstruí-los diante dessas novas demandas. O impacto real de suas ações e decisões fica explicitado nessa relação direta com o outro. É mais uma das situações onde é possível estimular a compreensão dos determinantes do processo saúde- doença e trabalhar a formação a partir da promoção da saúde.
Nestas circunstâncias, se inscreve a valorização da Farmácia Universitária como um cenário relevante de prática para os coordenadores:
“A Farmácia Universitária é um sonho meu, uma vez que representa uma das ferramentas fundamentais dentro da formação generalista. É um espaço que o aluno tem para colocar o que aprendeu na prática, para ver a realidade do dia- a-dia da profissão que ele escolheu O verdadeiro farmacêutico é aquele que, durante a sua formação, realmente tem contato com o medicamento e o paciente.” (CB)
“A Farmácia Universitária é um local de ensino. É um grande diferencial para o curso, uma vez que permite uma discussão muito rica, realmente juntando a teoria e a prática e possibilitando um verdadeiro exercício da Atenção Farmacêutica”. (CA)
“A Farmácia Universitária é um espaço privilegiado de aprendizagem para o aluno de Farmácia, que o aproxima da prática profissional”. (CD)
Na medida em que se estabelece o vínculo da Farmácia Universitária com o ensino, assume relevância o papel dos supervisores, considerado estratégico, na perspectiva dos coordenadores:
“A Farmácia Universitária permite uma convivência não só com o paciente, mas também com os profissionais que lá trabalham, oferecendo ao aluno uma visão crítica, pois ensinamos o modo correto de agir”. (CB)
“Os farmacêuticos da Farmácia Universitária têm uma visão
diferente da profissão, uma vez que estão inseridos em uma instituição de ensino”. (CA)
“Os supervisores representam um grande diferencial no estágio em Farmácia Universitária, pela sua grande contribuição ao aluno”. (CD)
A valorização da supervisão é entendida na medida em que não são suficientes apenas as oportunidades oferecidas pelas Farmácias Universitárias, é preciso também um facilitador da aprendizagem, capaz de reconhecer e otimizar as situações de aprendizagem, buscar e consolidar a produção de sentidos oferecidas por esse cenário Como aponta Jaramillo (2001), a exposição do aluno a novos cenários e novas possibilidades de aprendizagem, exige uma postura cuidadosa, de acolhimento e aproximação, transformando o momento em uma experiência prazerosa. Nas Instituições estudadas os supervisores são responsáveis por grupos de até dez alunos /turno.
A despeito no número reduzido de instituições que têm instalada a Farmácia Universitária, assim como a diversidade de atividades propiciadas
entre as instituições investigadas - conforme veremos proximamente – a aproximação à realidade concreta tem evidenciado uma avaliação positiva quanto ao desenvolvimento do aluno.
Segundo o coordenador do curso D:
“Percebemos uma grande mudança no aluno, por que durante o estágio ele tem que incorporar a profissão. Não é só o saber teórico, ele tem que ter uma postura profissional, e a Farmácia Universitária ajuda-o a desenvolver essa postura.”
A valorização do cenário de prática reatualiza, nestas condições, o antigo dilema da relação entre a teoria e prática, presente desde o Relatório Flexner (1910). Na verdade, aqui esta relação ganha novo sentido, em função da ressignificação do aprendizado para o aluno, envolvendo, agora, a