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2.1.2.5. Mekân

2.1.2.5.2. Olgusal Mekân

Diversos autores publicaram conceitos a respeito do que seria uma história em quadrinhos. Artistas e pesquisadores procuraram diversas referências para poderem traçar um momento específico do surgimento dos quadrinhos e, assim, classificá-lo como uma expressão artística ou como um meio comunicacional.

Contudo, essa jornada tornou-se complexa, pois na História da humanidade encontraremos registros que se assemelham em muito aos quadrinhos.

Partindo de 15.000 anos antes de Cristo, constatamos que as primeiras pinturas rupestres traziam algumas seqüências de ação, mostrando as caçadas e ações das comunidades daquele período.

Os egípcios, há 5.000 anos, pintavam, em suas paredes, seqüências de imagens que informavam sobre a vida de um faraó e como a sociedade se comportava ao redor dele. O foco principal da narrativa estava nos aspectos religiosos, quase como um manual de comportamento de vida e pós-vida. Podemos também encontrar, na escrita egípcia, a mescla entre símbolos gráficos, na representação fonética, e imagens artísticas representando situações do cotidiano.

Na Idade Média, as iluminuras dos pergaminhos e livros serviram como um complemento no entendimento da narrativa escrita. Naquele período um marco na defesa do conceito daquilo que seria uma história em quadrinhos foi confeccionado, por volta de 1066. Trata-se da tapeçaria de Bayeux que narrava graficamente a conquista normanda da Inglaterra.

Com a invenção dos tipos móveis por Gutenberg e a evolução dos processos de impressão por meio de xilogravuras e litogravuras as narrativas atingiram novos níveis de produção. Conceitos religiosos restritos apenas aos sacerdotes e pessoas abastadas puderam ser divulgados graças à impressão dos chamados santinhos, peças gráficas com passagens da Bíblia de sermões católicos. (GOMBRICH, 1999).

Essa mescla de texto e imagem não ficou restrita apenas a Europa e Ásia Menor. Quando os espanhóis chegaram à América Central encontraram na cultura Maia um sistema de imagens que unia escrita e ilustração. Neste sistema podemos claramente identificar a imagem principal como foco da narrativa e pequenos

símbolos que podem ser traduzidos como a escrita Maia. (CHRISTIANSEN; MAGNUSSEN, 2000).

Contudo, os quadrinhos como realmente conhecemos apenas ganhou um conceito específico a partir do século XIX. O aumento da produção de veículos impressos, graças ao avanço tecnológico na área tipográfica, fez proliferar um grande número de periódicos em diversos países, principalmente nos grandes centros industriais.

Os Estados Unidos, no final do século XIX, dispõem de todos os elementos para o crescimento dos quadrinhos como meio de comunicação de massa. Segundo Vergueiro et al. (2004, p. 10):

Despontando inicialmente nas páginas dominicais dos jornais norte-americanos e voltados para populações de migrantes, os quadrinhos eram predominantemente cômicos, com desenhos satíricos e personagens caricaturais. Alguns anos depois passaram a ter publicação diária nos jornais – as célebres tiras –, e a diversificar suas temáticas, abrindo espaço para histórias que enfocavam núcleos familiares, animais antropoformizados e protagonistas feministas, embora ainda conservando os traços estilizados e o enfoque predominantemente cômico.

Por essas características os norte-americanos batizaram os quadrinhos de

Comics. Na década de 30, os norte-americanos tiveram a idéia de fazer um

compêndio das tiras de jornal em um único exemplar criando assim a revista de histórias em quadrinhos ou Comic Book. Até então, as histórias eram encartadas nos jornais e vendidas como suplementos, (GONÇALO JUNIOR, 2004)

Diversos países assumiram não só a estética dos quadrinhos norte- americanos, como também as histórias começaram a ser traduzidas para diversos

idiomas, tornando as histórias em quadrinhos um dos primeiros produtos culturais de massa em escala global.

Levados a todo mundo pelos syndicates, grandes organizações distribuidoras de notícias e material de entretenimento para jornais de todo o planeta, essas histórias disseminaram a visão de mundo norte-americana, colaborando, juntamente com o cinema, para a globalização dos valores e cultura daquele país. (VERGUEIRO et al., 2004, p. 10)

Em cada país, este suporte comunicacional ganhou diferentes nomenclaturas. Na França ficou conhecida como Bande Dessinée, em Portugal Banda Desenhada, ambas numa alusão a faixa ou tira desenhada. Para os italianos os quadrinhos são

Fumetti, ou fumacinha, devido ao espaço onde a fala dos personagens vinha

impressa ser parecido com fumaça. No Japão o termo para quadrinho é Mangá, que significa desenho involuntário, nome dado pelo artista Katsushita Hokusai, no século XIX. Os argentinos e demais países da América Latina chamam-nas de Historietas. Já os espanhóis utilizam o termo Cómicos ou TBO fazendo um paralelo com uma famosa publicação daquele país. Assim como os espanhóis os brasileiros tem nomes para os quadrinhos, a primeira designação seria Histórias em Quadrinhos e a segunda seria Gibi, referente à revista publicada editora do jornal O Globo, de Roberto Marinho, em 1939.

Em todos esses lugares, não existe dúvida do que seja uma história em quadrinhos, mas as definições podem ser bem diferentes a começar pelo termo

Comics empregado pelos norte-americanos, pois não podemos dizer que todas as

histórias são narrativas de humor; assim como Banda Desenhada, pois nem todas se apresentam como faixas; ou utilizar o termo italiano Fumetti, pois alguns quadrinhos não utilizam balões de fala.

Para o artista Eisner (2005), a melhor definição seria Arte Seqüencial, mas esse termo mostrou ser demais abrangente, pois os desenhos animados também representam arte visual em seqüência, enquanto Mc Cloud (1995) define os quadrinhos como imagens pictóricas e outras justapostas, em seqüência deliberada, destinadas a transmitir informações e/ou a produzir resposta no espectador.

Gubern (1979, p. 35) classifica os quadrinhos como “[...] uma estrutura narrativa formada pela seqüência progressiva de pictogramas nos quais podem integrar-se elementos de escrita fonética”.

Para Cagnin (1975, p. 25) a história em quadrinhos é “[...] um sistema narrativo formado por dois códigos de signos: a imagem obtida pelo desenho e a linguagem escrita”.

Enquanto as duas primeiras definições estão presas à questão da imagem como o ponto mais importante das histórias em quadrinhos, as outras duas revelam a importância da junção entre escrita e imagem.

Conforme analisa Franco (2004, p. 25) sobre as definições de Gubern e Cagnin:

Essas duas definições são muito próximas uma a outra e conseguem sintetizar com objetividade o que caracteriza a unicidade das HQs: a união entre texto, imagem e narrativa visual, formando um conjunto único e uma linguagem sofisticada com possibilidades expressivas ilimitadas.

As explicações sobre o que seria uma história em quadrinhos vêm apenas evidenciar o grau de importância na crescente mudança de comportamento em relação à literatura. As imagens gradativamente substituem a comunicação escrita

graças aos avanços tecnológicos na reprodução da imagem. As histórias em quadrinhos são o ponto de transição dentro desse fenômeno.

Benzer Belgeler