BÖLÜM 1: SEKTÖR YAŞAM EĞRĐSĐ
1.4. Sektör Yaşam Eğrisinin Aşamaları
1.4.3. Olgunluk Aşaması
Uma consideração decorrente da análise entre as diferentes abordagens de aglomerações apresentadas é de que na essência dos enfoques está a noção de economias externas marshallianas como fonte importante das vantagens competitivas. Adicionalmente, há, na visão desses enfoques, a convergência em acreditar que a proximidade territorial das empresas é um fator chave na busca de vantagens competitivas e inovativas.
Com respeito à análise de Marshall, ainda que existam evidências a respeito da relevância das economias externas sobre o resultado das empresas, de acordo com Igliori (2001), não é possível determinar as conseqüências desses impactos nem mesmo garantir sua existência de forma inequívoca, como resultado da concentração. Ademais, conclui Igliori, pode-se dizer que não estão presentes na análise de Marshall mais dois elementos importantes para a compreensão dos clusters: o papel das interações deliberadas entre firmas e instituições para o aparecimento de inovações e a importância da identidade social e cultural dos agentes (Igliori, 2001, p. 114).
Conforme Suzigan (2001, p. 272), os enfoques da Nova Geografia Econômica e da Economia de Empresas são similares no sentido em que ambos tratam clusters como resultado natural das forças de mercado, tendo-se espaço apenas
para a correção das imperfeições do mercado e para a implementação de medidas gerais ou horizontais de política. As demais abordagens – Economia da Inovação; Economia Regional; e das Pequenas Empresas e Distritos Industriais – são similares no sentido oposto, pois enfatizam fortemente o apoio do setor público por meio de medidas específicas de política e a cooperação entre empresas do aglomerado.
Suzigan (2001, p. 272) elaborou uma comparação entre esses dois grupos em que aponta o essencial da distinção entre eles a partir do entrelaçamento de três pares de categorias analíticas: i) economias externas de natureza incidental versus deliberada; ii) a caracterização de economias externas como capacitantes (enabling) versus incapacitantes (disabling); e iii) processos de mão invisível versus apoio do setor público no desempenho e na dinâmica dos clusters. Segundo o autor, o enfoque da “eficiência coletiva” de Schmitz (1997) e Nadvi e Schmitz (1994) baseia-se, embora não estritamente, nessa comparação.
O enfoque da eficiência coletiva enfatiza o papel das organizações de ajuda mútua nas aglomerações. Mas de acordo com Schmitz (1997, p. 23 apud Suzigan, 2001, p. 273), o papel do setor público por meio de políticas específicas12 é também importante e deve estar em sinergia com as ações privadas de ajuda mútua.
Para Schmitz (1997 apud Santos, 2005, p. 48) a noção de economias de aglomeração também faz parte dos modelos tradicionais de desenvolvimento regional. Mas o aspecto que contribui para a diferenciação entre os modelos tradicionais e os novos modelos, discutidos anteriormente, é o fato de que, nesses últimos, as economias externas são dinâmicas e provocadas conscientemente por uma ação conjunta da coletividade local. Pois como observa Schmitz, ao contrário dos modelos tradicionais, os novos modelos identificam-se com as ações descentralizadas das empresas, de entidades privadas e das instituições públicas, implicando em um processo de interação e sintonia entre os agentes, com lógica de funcionamento diferente, com raízes mais profundas no território que abriga tal aglomeração.
Nesse sentido, argumenta Amaral (1999, p. 13) em referência ao trabalho de Schmitz (1997), não se trata mais de um aglomerado passivo de empresas, mas sim de um conjunto coletivo bastante dinâmico, formado por atores públicos e privados em
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Esse ponto traz uma indagação importante sobre a política industrial local. Pois de acordo com Garcia (2001, p. 29), um dos principais objetivos de políticas de caráter localizado é justamente a provisão de infra-estrutura e de serviços para o conjunto dos produtores. Nesse sentido, parte dos serviços de apoio aos produtores locais deve ser provido por organismos criados pelas autoridades públicas locais, mesmo que em cooperação com associações privadas de empresas.
busca de um interesse comum, o de manter a dinâmica, a competitividade e a sustentabilidade do aglomerado. Pois nessa concepção de desenvolvimento regional por meio do fomento de empresas inseridas em aglomerados produtivos, observa-se que a interação entre os agentes assume posição de destaque, interação essa resultado da interface de três elementos: i) construção da confiança; ii) criação de bases concretas capazes de permitir a montagem de redes de comunicação; e iii) proximidade organizacional que resulta da combinação dos outros dois elementos.
Como lembrado por Santos (2005, p. 48), para as abordagens da Economia da Inovação, Economia Regional, e das Pequenas Empresas, a região – e seu processo de desenvolvimento – é encarada como um espaço cognitivo13, onde valores comuns e outros ativos intangíveis contribuem para o sucesso dos processos de aprendizado interativo e tendem a minimizar os custos de transação entre firmas. Assim, ao mesmo tempo em que o aprendizado interativo é apontado como principal mecanismo para o desenvolvimento econômico e tecnológico, a proximidade territorial é considerada como o melhor contexto para a troca de conhecimentos tácitos.
No entanto, ainda assim, é pouco tratado nos enfoques sobre aglomerados produtivos as interações na região que estruturam os processos de articulação e interação – internos aos sistemas ou arranjos produtivos - dos atores coletivos públicos e privados que formam e fortalecem a governança, com vistas a “entender quais atores têm o poder de afetar o desenvolvimento de tais sistemas” (Storper e Harrison, 1991, p. 408 apud Suzigan, Garcia e Furtado, 2002, p. 1).
Um ponto importante ressaltado por Garcia (2001, p. 60), é que os autores ligados à geografia econômica partem do reconhecimento da importância das economias externas geradas espontaneamente pela aglomeração dos produtores. No entanto, ressalta Scott (1998), que o desenvolvimento dos clusters está associado com as vantagens competitivas que são criadas social e politicamente e não apenas pelas vantagens ou os condicionantes “naturais” da região.
Nesse ponto, conforme verificação de Garcia (2001), há uma forte convergência entre a abordagem dos autores ligados à geografia econômica e os de organização industrial, a partir de análises entre Scott (1998) e Schmitz (1997), que vão desde o reconhecimento da importância das economias externas locais até a ênfase dada às formas de vantagem competitiva baseadas em construções sociais
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No sentido de ser o processo cognitivo a realização da representação da idéia ou imagem que se concebe da região ou da localidade.
específicas e na confiança que os agentes depositam em seus pares (Garcia, 2001, p. 60).
Assim, é possível considerar, adicionalmente, que apesar das abordagens possuírem diferentes conceitos e taxonomias, logram resgatar a importância da diversidade dos formatos institucionais de fomento e incentivo aos aglomerados industriais, que refletem a dimensão localizada do aprendizado tecnológico, em uma clara contraposição aos argumentos sobre a crescente desterritorialização da economia induzida pelo fenômeno da globalização (Santos, 2005, p. 47).
Ademais, as diferentes abordagens teóricas sobre os aglomerados produtivos têm contribuído para afirmação de que a partir da proximidade territorial manifestam- se importantes economias de aglomeração, isto é, vantagens oriundas da proximidade geográfica dos agentes públicos e privados, como o acesso a conhecimentos e capacitações, mão-de-obra especializada, matérias-primas e equipamentos, etc.
Os apontamentos analíticos que integram as abordagens teóricas discutidas ao longo deste capítulo estarão presentes como norteadores dos termos de referência e de atuação institucional apresentados no capítulo seguinte; bem como do estudo de caso apresentado no capítulo quatro. A seguir serão discutidos os principais conceitos de aglomerações de empresas, destacando a diferença entre eles.