1.5. Ödülleri
1.5.8. Üye Olduğu Kurumlar
191 Ibid., p. 96.
192 SAYEG e BALERA, op. cit., p. 34/35.
193 Todas as ideias desenvolvidas no presente tópico são decorrentes de preleção dada pessoalmente pelo
orientador Ricardo Hasson Sayeg ao autor do presente trabalho, ressalvando-se que eventuais equívocos poderão ser identificados exclusivamente por conta das limitações do orientando na compreensão das generosas lições.
Ricardo Sayeg e Wagner Balera afirmam que, sob o prisma quântico, matéria e energia são dois aspectos de um único elemento essencial.194 E com isso fica evidenciada uma dualidade de aparente contradição, que, na verdade, é uma singularidade jurídica. Esse problema – da dualidade aparente, que foi enfrentado e resolvido pela física quântica, quando reconhecida a dualidade corpo e onda, matéria e energia, e que resultou na afirmação do princípio da complementaridade – também se apresenta no campo das ciências jurídicas.
Para ilustrar a ocorrência de fenômeno como este, de aparente dualidade e verdadeira singularidade, tome-se o exemplo dos conceitos de propriedade privada e da função social da propriedade. A partir de um olhar mecanicista, existe uma clara tensão entre propriedade privada e função social da propriedade, como conceitos que se opõem ou que podem ser contrapostos, ora prevalecendo um ora prevalecendo outro.
Mas, a partir de um olhar quântico não existe tensão entre esses dois conceitos, pois ambos integram um mesmo elemento, tal como na complementaridade de Niels Bohr. Trata-se, pois, de duas manifestações de um só elemento, que é a propriedade que, a um só tempo, é privada e deve cumprir a sua função social. Na aplicação quântica do direito não há bilateralidade, e sim singularidade, pois os dois conceitos são consubstanciais. Propriedade privada e função social da propriedade, portanto, compõem um mesmo elemento - propriedade. E isso porque, na quadra civilizatória atual, à luz do ordenamento jurídico vigente, não há propriedade privada sem função social e não há função social sem propriedade privada: uma está na outra.
Daí a consubstancialidade, pois a um só tempo os conceitos são distintos, mas são complementares, e ambos compõem um único elemento.
Em outras palavras: não se garante a função social da propriedade sem que se garanta a existência da propriedade privada; e não se concebe a existência de propriedade privada sem o cumprimento de sua função social. É por isso que o caput do art. 5º da Constituição Federal refere-se à propriedade como único elemento, enquanto
os incisos XXII e XXII desse mesmo artigo tratam desse mesmo elemento, porém em suas distintas formas fenomênicas em que se apresenta: ora como propriedade privada, ora como função social da propriedade.
A aplicação quântica do direito, portanto, lança um novo olhar sobre a compreensão de conceitos distintos e aparentemente antagônicos, que podem simplesmente ser complementares e consubstanciais.
A partir desse novo olhar, como exemplo, devedor e credor, numa Recuperação Judicial, embora se apresentem em aparente antagonismo, encontram-se intimamente vinculados, como se fossem duas faces da mesma moeda, pois sem a recuperação do devedor possivelmente não haverá satisfação do direito do credor. Mais precisamente: sem devedor não há credor, e sem credor não há devedor, de modo que um depende do outro.
O mesmo se vê na relação entre fornecedor e consumidor, empregador e empregado: sem um não há o outro; ou, em outras palavras, um depende da existência do outro. Não basta, portanto, atender apenas o empregado se não se atender minimamente o empregador; e não basta apenas atender o consumidor se não se atender minimamente o fornecedor.
Assim, esse novo olhar, sob o prisma da física quântica, permite ver que onde se apresentam aparentes antagonismos podem ser encontrados elementos consubstanciais, complementares, que, na verdade, compõem um único elemento, indissolúvel e indissociável racionalmente. Aparentes bilateralidades ou multilateralidades podem, em verdade, compor uma singularidade, ou seja, um único elemento. Pela aplicação quântica do direito, que não se trata de metafísica, existe a possibilidade de que sejam reconhecidas relações de consubstancialidade em manifestações fenomênicas distintas, componentes de um único elemento, com manifestações complementares e singulares.
Um novo olhar que, como já se disse, mesmo quando em face de manifestações fenomênicas distintas, aparentemente antagônicas, reconhece que podem ser manifestações complementares, ou seja, manifestações de uma mesmo ser, tal como na humanidade, na qual os homens, unidos na grande família universal, também se complementam uns aos outros, sendo todos interdependentes e indissociáveis, pois se encontram unidos na mesma casa planetária, sendo cada homem e todos os homens portadores da dignidade humana.
E, em se tratando dos direitos humanos, em suas três dimensões – liberdade, igualdade e fraternidade –, exige-se esse olhar, necessariamente quântico, pois se parte do pressuposto de que, embora as dimensões sejam distintas, são totalmente interdependentes e indissociáveis, e jamais podem ser separadas . E daí o corolário dos direitos humanos e fundamentais e o capitalismo.
Ora, se o capitalismo é baseado apenas na liberdade – e não na igualdade e na fraternidade –, por esse novo olhar, pelo prisma da visão quântica, são acrescidas as dimensões da igualdade e da fraternidade, pois todas elas são interdependentes e indissociáveis.
Logo, o capitalismo, pelo olhar quântico, deve ser necessariamente humanista, assegurando, além da liberdade, as dimensões da igualdade e da fraternidade, com o adensamento de todas as dimensões.
Para o Capitalismo Humanista a singularidade formada por liberdade, igualdade e fraternidade é igual, ou equivalente, à dignidade humana. Assim sendo, só há dignidade da pessoa humana se estiverem adensadas todas as dimensões dos direitos humanos e fundamentais, consistentes na liberdade, na igualdade e na fraternidade, que são consubstanciais, indissociáveis e interdependentes, e que, portanto, formam um único elemento quântico.
não se recortam ou segregam os direitos humanos de sua universalidade jurídica, sendo executáveis em conjunto, sob pena de sua inadmissível ruptura – a exclusão de qualquer de seus elementos ou dimensões, o que acarretaria a prevalência de um destes sobre os demais, desarranjaria todo o conjunto –, prejudicando, na medida em que tal ocorrência coloque o homem em situação desumana, a consecução do direito objetivo da dignidade. Em verdade, no que se refere ao núcleo dos direitos humanos, a dignidade da pessoa entremostra-se presente no adensamento entre liberdade, igualdade e fraternidade, emergindo objetivamente do respectivo equilíbrio reflexivo. Explica-se: de que vale a dignidade da pessoa humana sem liberdade? Sem igualdade? Sem fraternidade? Sem liberdade haverá a tirania da igualdade. Sem igualdade, a tirania da liberdade. E, sem fraternidade, liberdade e igualdade são incompatíveis.195
Em arremate, não se cogita, na aplicação quântica do direito econômico, de qualquer interpretação jurídica que não seja compatível com todas as dimensões dos direitos humanos e, em consequência, com a dignidade humana.