BULGULAR VE YORUM
4.2. Okula Gitmeme Nedenlerine Đlişkin Görüşlere Yönelik Bulgular ve Yorumlar
No caso dos alunos houve inicialmente uma conversa com a direção da escola para validar o trabalho e definir maneiras de ação que não interferissem nas rotinas pedagógicas.
Nas duas escolas prontamente os diretores me deixaram à vontade para fazer a aproximação direta com os alunos e, ao mesmo tempo, colocaram-se à disposição para intervir, caso necessário.
Ocorreu então, a aproximação com algumas crianças e jovens em momentos diversos. Em todas as abordagens, manifestassem interesse em participar; entretanto, a indisponibilidade de horário foi fator recorrente. O período em que estão na escola é tomado pelas aulas regulares e, muitas vezes, por aulas de reforço e atividades de contraturno. Já o horário de intervalo é curto para uma entrevista, além de ser o momento em que todos desejam estar com seus amigos. Para o início das aulas os alunos costumam chegar com uma média de15 minutos de antecedência. Ao final do turno, parte deles utiliza o transporte escolar e outros já estão sendo esperados por pais ou responsáveis. Foram feitos convites nestas situações, mas em todos os casos os acompanhantes tinham pressa de ir embora. Em momento algum houve recusa por outro motivo que não o horário.
Foram entrevistados quatro alunos: Augusto e Sônia na Escola da Aldeia; Camila e Matheus na escola da Metrópole.67
Augusto tem quatorze anos de idade e cursa a 8ª série na Escola da Aldeia. Mora em Carapicuíba com os pais e um irmão de cinco anos de idade. A mãe é graduada em Letras e trabalha em uma multinacional na área administrativa. O pai é policial militar, em Osasco. Está nesta escola desde a 1ª série. Atualmente, estuda no turno da noite, único horário em que funciona o ano que está cursando.
A aproximação com Augusto aconteceu logo após uma conversa com um professor, com o qual eu tentava agendar um horário (o que não se viabilizou). Augusto estava na sala, muito próximo de nós, e demostrava estar atento ao que acontecia, especialmetne quando falei sobre pesquisa. Percebendo sua curiosidade, sugeri que se aproximasse e comentei sobre o trabalho. Escutou com interesse. Perguntei se gostaria de participar. Prontamente aceitou. Comentei sobre disponibilidade de horários. Disse que teria uma aula de reforço naquela tarde, mas havia chegado à escola com muita antecedência. Desta maneira, estava disponível naquele momento. Seguimos para o refeitório (um galpão semi-aberto ao lado do pátio interno) que naquele horário estava vazio.
Augusto foi participativo e falou com desenvoltura. Parece ser um garoto sociável, que valoriza muito as relações pessoais. Demonstra isso através de comentários sobre situações em que compartilha seus interesses com outras pessoas (estudar, brincar, jogar) e explicita ―brincar sozinho não tem graça.‖ Gosta de atividades que o coloquem em movimento como andar de bicicleta, soltar pipa, jogar futebol e também, que lhe permitam ver a concretização de suas ações. Destacou situações das aulas de artes em que fizeram mosaicos na calçada da escola e revelou entusiasmo com a perspectiva de outras atividades como essa, que a professora está planejando.
[O que gosta] de montar coisa, fazer. Sabe esse muro aí fora? A gente fez com a professora Eliana 68. Foi super legal. Agora acho que a gente vai fazer outras coisas, uma parede, não sei direito ainda.
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As falas estão reproduzidas fielmente; foram mantidos erros gramaticais, gírias, vícios de linguagem, com o objetivo de não distorcer o estilo dos participantes.
Parece ser responsável, por exemplo, quando relata sua rotina de estudos e mostra iniciativa para fazer o que lhe interessa, como quando fez um curso de computação. Um amigo que estava por perto ao final da entrevista comenta que Augusto compra máquinas no ferro-velho e monta para vender.
Há algo de praticidade neste garoto. E se traduz nas avaliações que faz. Na época da entrevista estava tendo aulas de reforço de matemática.
Assim, eu não tava indo muito bem em matemática aí a escola, a coordenadora né, chamam a gente pra fazer reforço. Aí ajuda, porque a gente faz os exercícios, aí depois vai melhor na prova.
Afirma o interesse pelas aulas de Educação Física, porque gosta de esporte, sobretudo futebol – atividade em que tem bons resultados ―em qualquer posição‖ que esteja jogando.
Gosta também, de português – de ler e escrever, apesar da ―letra feia‖. Conta como é seu processo de produção:
É, assim, pra fazer a redação eu paro assim, pra pensar, daí os colegas falam que escrevem uma linha e já tão com dificuldades; eu não, já escrevo tudo, mas não é qualquer coisa, tem pessoas que colocam qualquer coisa, mas eu escrevo o que eu acho, tudo lá rapidinho; quando vou ver já terminei tudo.
E conclui comentando que a professora elogia.
A visão da escola também vai nessa linha. Avalia como espaço importante para ―aprender, poder trabalhar depois.‖ E local para estar com os amigos.
A valorização do vínculo interpessoal está presente ao falar sobre os professores. Como mudou de horário, todos os professores são novos. Comenta que prefere os que já conhecia.
tinha mais intimidade, hoje à noite [turno em que estuda] assim, você tipo tem vergonha, aí não tem intimidade direito. [...] intimidade sabe, de conhecer a pessoa, entendeu, então eu não conheço bem as pessoas, os professores.
Sobre as aulas mostra-se satisfeito com os professores, não vendo necessidade de outras maneiras de atuarem. ―São legais, eles falam com a gente, explicam; não tem nada que eu não gosto. [...] explicam direito [...] Eles tentam, se precisa repetem.‖
Ele próprio não gostaria de ser professor, ter que ―ficar lá falando, explicando, acho que não.‖ Parece aí reafirmar seu perfil mais voltado a atividaes concretas e práticas. E valoriza na professora de Artes o fato de ela possibilitar isso ―Legal, ela ensina a gente, deixa a gente fazer.‖
Augusto revela anseios (estudar, se preparar para o mercado de trabalho, estar com os amigos, desenvolver atividaes de que gosta) os quais a escola parece comportar. Não traz expectativas sofisticadas ou complexas. Mas quer ser acolhido.
Ao falar sobre o professor constrói um semblante daquele que ensina e explica. Um professor que lide com o mais essencial de um conhecimento estabelecido, no sentido de transmitir o conteúdo da disciplina de maneira compreensível. Em suas colocações é possível também identificar que vê no semblante de professor a faceta daquele que crie vínculos de confiança para que ele, Augusto, se experimente em ações práticas e autônomas. Destaca a importância de deixar o aluno produzir e, nos parece, que melhor se puder ser do seu próprio jeito.
A conversa seguinte foi com Sônia, uma garota de onze anos de idade, que cursa a 6ª série do Ensino Fundamental na Escola da Aldeia, na qual estuda desde a 1ª série. Mora com a mãe e um irmão recém-nascido. Tem também um irmão de vinte anos que mora com o pai. À época da entrevista os pais estavam separados e a garota demonstrava muita confiança de que em breve voltariam a viver juntos.
No dia em que conversei com Sônia eu acabara de fazer uma entrevista com uma professora e encontrei a diretora no corredor, que perguntou sobre minhas atividades. Comentei sobre a necessidae de identificar um aluno para ser entrevistado. Ela então informou que uma sala estava sem aula, pois o professor havia faltado. Deram alguns exercícios para os alunos se ocuparem neste tempo. Sendo assim, segundo ela, não haveria problema em tirar um aluno da sala para conversar comigo. Completou dizendo que chamaria
uma garota desta turma que era ―muito falante e esperta‖. Minutos depois, levou Sônia até a pequena sala em que funciona a biblioteca, na qual eu aguardava.
Sônia chegou agradecendo o convite de maneira simpática, mas foi logo justificando que não sabia se poderia contribuir ―Não sei se vou saber falar o que você quer.‖ Expliquei o objetivo da pesquisa e a tranquilizei dizendo não se tratar de um questionário com respostas certas ou erradas, mas sim uma conversa para conhecer seus interesses e opiniões. Ficou então, mais tranquila. Durante todo o tempo, demonstrou maturidade. Alguém que a escutasse sem saber sua idade, provavelmente imaginaria uma pesssoa mais velha. Apresentou suas opiniões sem hesitação, muitas vezes sustentadas por forte religiosidade e comentou ser ―crente praticamente‖.
Tem projetos e neles envolve sua família parecendo colocar-se como responsável pelo bem-estar deles.
O que eu tenho vontade de ser? Eu queria trabalhar com contas, porque eu adoro matemática ou ser viajante pra conhecer os países lá fora. Eu adoro inglês, adoro viajar. E meu maior sonho é minha mãe ter a casa própria dela e eu e ela vivermos felizes. Minha mãe e meu pai juntos. É meu maior sonho. Porque quando eu vejo eles brigando eu fico muito chateada. Eu começo a chorar. Meu maior sonho é que a gente seja felizes. Espero a Deus que isso vai acontecer um dia.
E tem iniciativas para ir se desenvolvendo e construindo sua trajetória. Fez um curso de informática que não seguiu até o final, mas reconhece ganhos.
Me serviu sim. Nosso dever de ser humano, a gente tem que... não pode ser muito exigente. Até pra você trabalhar de lixeiro, você tem que terminar todos os estudos. Isso me fez aprender muitas coisas sobre a internet e também aprender o que é a vida lá fora.
Destaca que com a Internet aprendeu ―a ler mais, porque às vezes eu sou muito complicada para ler. Também aprendo a falar palavras certas. Porque algumas palavras eu falava errado. Minha escritura, escrever.‖
Utiliza a rede, em geral, para se comunicar com amigos - ORKUT e MSN – ver imagens no Google e ouvir músicas no YouTube. Não tem banda larga em casa, o que restringe sua navegação. Não frequenta lan house.
Na época da entrevista fazia aproximadamente um ano que trabalhava para a tia, inicialmente cuidando de uma criança que depois foi para a creche. Passou a fazer a limpeza da casa. Com seu salário comprou um celular, uma câmera e estava planejando para o mês seguinte a aquisição de um notebook.
Mostra ser curiosa, fala com vivacidade. ―Adoro ler jornal. Adoro informação. [...] Adoro pesquisar sobre matemática. Ciências eu também gosto [ao se referir à leitura de livros.”
E comparilha de um ideário atual, o sonho de ser modelo, que agora vê como possível, pois descobriu que há um nicho para as ―gordinhas‖, como se define.
Adoro moda. Eu quero fazer faculdade, mas se um dia não der certo eu queria ser modelo. E como agora tão falando que as gordinhas podem ser modelo também, porque antes não deixavam e eu me ofendia com isso. Porque as pessoas acabavam deixando as gordinhas excluídas. Depois que eu fiquei sabendo disso eu comecei a gostar de moda.
Sobre os professores destaca aquele de quem mais gosta.
Professor W. É muito ótimo na aprendizagem. Ele é o que mais pega no pé. Eu adoro ele. Ele é bravo. Ele é de matemática. É o que mais marca em mim até hoje. [...] Dá um tranco pra você aprender. [...] ele quer que o aluno aprenda, ele insiste.
Esse querer do professor, o compromisso em promover o aprendizado e contribuir para o desenvolvimento dos alunos é o traço que valoriza de maneira geral, juntamente com uma postura de respeito.
Todos os professores por mais que eles sejam chatos eu sei que eles quer o bem da gente.[...] é legal quando ele tem educação. Quando é gentil. Quando não tem palavras fortes. E bem na aprendizagem [capacidade de ensinar]. [...] Pra gente ter uma vida melhor. Essa aprendizagem eu sei que a gente vai levar um dia. [...] Acho que eles querem ensinar a gente pra gente ser alguém na vida.
A ideia de aprimoramento de ―ser alguém na vida‖ Sônia compartilha, e provavelmente aprendeu, com a mãe.
Minha mãe [...] ela fala que os professor são muito esforçados, que eles ensina muito. E a mesma coisa que minha mãe sempre fala é sobre
comportamento. [...] quer que os professores falem. Minha mãe é muito exigente. Ela quer que eu aprenda tudo. Mesmo que eu fique duas horas, mas ela quer que eu aprenda. Ela quer meu melhor.
Ela própria já se imaginou sendo professora (de matemática e inglês – disciplinas que gosta) para poder ―ajudar as pessoas, levar pra elas o que eu aprendi. E eu quero que tenha escola pra quem não tem. E eu desejo que Deus abençoe a vida de todas as pessoas.‖
Sônia relata dificuldades em algumas disciplinas e aí reafirma sua expectativa de um professor que ela denomina ―explicador‖. ―Eu queria que tivesse aqui mesmo algum curso pra gente entender mais. E uns explicadores. [...] Eles explicam bastante, mas é muito pouco para as pessoas que têm dificuldade.”
Aqui Sônia traz o termo que Jacques Rancière (2005) destaca ao relatar as ideias de Jacotot quanto este assinala que uma educação sustentada na explicação é aceitar a divisão de um que sabe e um outro ignorante, o que implica impor uma distância entre aluno e professor criando uma relação de manejo, hierarquizada.
Lugares que Sônia parece validar, posto que reafirma a todo momento que necessita da escola para se constituir. ―[...] se você não for na escola você não saberia nem falar direito. E se você quer ser alguém na vida tem que estudar.‖
A aprendizagem nestes moldes, se dá pela repetição, distante do processo inspirador e criativo.
[alguns professores poderiam ir além na explicação] Mais do que eles explicam. Eles já percebem as dificuldades, mas precisava ser mais forte.[...] Eles ficam do lado da pessoa e explicam do começo, se a pessoa não entende ele vai na lousa, faz tudo isso de novo até a pessoa entender. [...] Eu aprendi mais sobre inglês porque ela explica muito. (grifo nosso).
Sônia delineou o semblante do professor explicador, detentor de um saber de especialista, conhecedor da matéria, a ser reproduzida à exaustão até ser assimilada pelo aluno. E que haja o desejo de que o aluno aprenda. Mas um aprendizado que é do campo do formal. Importante que haja também, uma atitude de respeito e gentileza.
Segui para a Escola da Metrópole. A primeira entrevista foi com Camila. Tem doze anos de idade e cursa o 7º ano do Ensino Fundamental. Mora com a mãe, funcionária de uma
área de suporte da Universidade. O pai também era funcionário da instituição, mas já faleceu. Tem um irmão de vinte e oito anos de idade, fruto do primeio casamento da mãe.
Poucos minutos após o horário de saída do turno da manhã a encontrei na área externa da escola, uma espécie de pátio, local em que habitualmente pais ou responsáveis e alunos se encontram antes ou após as aulas. Naquele momento estava quase vazio. Camila estava sozinha, folheando um caderno. Aproximei-me e perguntei se podia falar rapidamente. Concordou. Comentei sobre a pesquisa e a convidei para participar. Disse que estava esperando a mãe, mas ainda iria demorar então ―tudo bem‖. Questionada sobre o que estava fazendo, respondeu tratar-se de lição de inglês, mas que era só para dali a dois dias, portanto não haveria problema em interromper.
Sugeri que fossemos para o pátio interno da escola (havia combinado com a direção que priorizaria este espaço, embora sem restrições ao local no qual a menina estava). Ela concordou e iniciamos a entrevista.
Camila, não hesitou em dar suas opiniões, mas quase sempre respondendo com frases curtas, às vezes, sendo monosilábica. Esteve atenta, mesmo no momento da chegada dos alunos da tarde, quando o local ficou movimentado e barulhento. Embora tenha colaborado, manteve-se séria e com ar de distanciamento durante todo o tempo. Quando terminamos a atividade pergunto: ―Camila você gostaria de comentar mais alguma coisa, me perguntar algo?‖ ao que responde: ―Não‖. Agradeço. Camila fala: ―Tá‖. Levanta-se e volta para o pátio externo.
O tempo todo manteve o mesmo tom. Eventalmente esboçou um sorriso - quando comentou sobre os animais que possui (um cachorro e dois canários) e sobre o gosto pelo idioma inglês.
Foi enfática, contudo em dois momentos de crítica: ao UCA e a uma professora.
Sobre o laptop disse: “É uma merda!!! Não funciona. [...] É super lento e descarrega muito rápido. [...] Mais atrapalha do que ajuda, porque demora muito.”
Em relação à professora, o comentário surgiu quando questionada sobre a opinião geral que tem dos professores.
Inicialmente disse que ―são bons‖ e explicou, ao ser solicitada, que há dois de quem gosta mais porque ―brincam com a gente, não fica só sério, dando bronca.‖ E então, segue seu comentário, referindo-se à professora: ―Eu detesto a L. é insuportável, é muito chata. Eu detesto ela. Ninguém gosta dela. [Por quê? O que ela faz?] Ela não tem paciência, chama a gente de burro, dá bronca o tempo todo.”
Neste momento fala com empolgação, movimenta o corpo. Logo, volta a demonstrar como que uma neutralidade – ou indiferença.
Seguindo a abordagem sobre a escola e os professores, reafirma a importância que dá a um professor que tenha maior leveza na interação. Para ela uma aula na qual ―o professor fica falando um monte de coisa sem parar, não brinca‖ é uma ―aula chata‖.
E volta a comentar sobre a referida professora: ―Que nem a L. Ela fala as coisas tão séria, que a gente perde até o interesse de ir na aula dela.‖ E mais adiante, ao responder sobre o que os professores poderiam ou deveriam fazer pelos alunos, uma única ação: ―Demitir a professora L. [...] só isso mesmo.‖
Disse, quando questionada, que não gostaria de ser professora, aqui também com ênfase: “Eu não!!” E justifica: “O pessoal faz muita bagunça, eu não ia ter paciência.” E então, ao falar o que faria nesta situação, afirma: “Não sei... [sorriso meio disfarçado] acho que ia dar bronca.”
Aquilo que repudia nos professores – a impaciência, a rispidez, a cobrança – parece ser algo que identifica em si mesma. Ela também uma pessoa um tanto dura, que ao longo da entrevista só colocou mais energia em sua fala nos momentos de crítica, de apontar falhas e faltas.
No geral, há em Camila uma indiferença, pouco envolvimento e implicação seja com a escola ou com aquilo que lhe interesa. Passa muito tempo no computador, sobretudo em redes sociais, mas não vê ganhos no uso da tecnologia. Em seu entender a utilização em sala de aula e na contribuição que pode dar ao aprendizado é ―Normal. [...] Pra mim não faz diferença.‖
Caso não tivesse computador em casa entende que “Pra escola não mudaria nada. Ia ser ruim pra falar com os amigos, essas coisas.” A tecnologia é recurso importatne para a comunicação. Outras possibilidades ainda são desconhecidas e inexploradas.
Vê a escola como um ambiente de pouca expansão. Importante e necessária para se preparar para o mercado de trabalho: ―a gente tem que ir numa boa escola se não acaba virando garçom, essas coisas.‖ Mas sem outras expectativas ou desejos. Indagada sobre alguma atividade na escola que poderia ser diferente, não identifica nenhuma.
A educação, o ser professor é algo restrito em sua visão, e provavelmente em sua vivência.
P: Pra você o que é ser professor? C: Ensinar.
P: E o que é ensinar? C: Ah! É dar a matéria. P: O que mais?
C: É isso.
Identifica uma distância na relação em sala de aula. Quando falamos sobre o que imagina que os professores pensam sobre os alunos acredita que a professora de quem não gosta “deve pensar que a gente é capeta.” Permanece a percepção negativa nesta relação.
Quanto aos outros professores: “acho que nada... Acho que eles imaginam o que a gente tá pensando. Tem um que diz que pelo olho ele sabe se a gente tá interessada ou não.” Uma suposta relação, que acontece apenas no imaginário.
Camila contrói um semblante de professor como aquele que tem uma atribuição de reproduzir um conhecimento – dar a matéria – a partir de uma interação que no seu relato aparece como distante e estanque; um professor que imagina o que aluno pensa, mas parece não lidar ativamente com isso e um aluno que se dispõe prestar atenção no que lhe é apresentado de maneira pronta e fechada, desde que o professor tenha um pouco de leveza – brincar, “não dar bronca”.
Concluí o ciclo de entrevistas dos alunos com Matheus, da Escola da Metrópole. Tem quatorze anos de idade, cursa o 9º ano do ensino Fundamental II e está na escola desde a 1ª série, quando ingressou por meio do sorteio de vagas destinadas à comunidade externa à Universidade. Mora com os pais e uma irmã de nove anos que também estuda na escola. Tem um irmão de vinte e dois anos, do primeiro casamento da mãe e que mora com a avó. O pai é aviador aposentado da FAB. Atualmente é proprietário, juntamente com a esposa, de uma loja
de venda de celulares. Moram na Freguesia do Ó. Matheus vai para a escola de ônibus,