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4. BULGULAR

4.3. Okul ve Okul Bahçesi ile İlgili Öğrenci Görüşleri

Nas imagens seguintes (ver Fig. 92 e 93) apresentam-se os resultados da evolução do ângulo de contacto em função dos parâmetros temperatura e tempo de estágio a 880ºC, para os sistemas que comportam a liga de adição sobre o

cermet WC-12%Co polido (Ra= 0,31 μm) e metalizado com Ti (Ra= 0,56 μm).

800 820 840 860 880 40 60 80 100 120 140 160 WC/Co - AgCu WC/Co - Ti - AgCu WC/Co - AgCu3Ti Ân gu lo d e c on ta to (º) Temperatura (°C)

Figura 92 – Ângulo de contato versus temperatura para liga de adição sobre WC-Co.

0 2 4 6 8 10 12 14 16 20 40 60 80 100 120 140 160 Ân gu lo d e c on ta to (° )

Tempo de estágio (min) a 880°C

WC/Co - AgCu

WC/Co -Ti - AgCu

WC/Co - AgCu3Ti

Os gráficos das figuras anteriores, mostram claramente que a liga de adição AgCu apresenta um comportamento não molhável, com ângulos de contato θeq>90º. Após fusão, a liga AgCu vai exibindo rapidamente elevados ângulos de contato, vindo a estabilizar a 815ºC para um valor de um valor equilíbrio (θeq) cerca de 150º nos substratos de WC-Co polido.

Seria de esperar a existência de ângulos de contato mais baixos, uma vez que o carbeto de tungsténio é menos estável termodinamicamente comparado com a zircônia e nitreto de silício, como atestam as suas energias livre de Gibbs a 880ºC, ΔGWC -20,9 KJ/mol

>

ΔGSi3N4 -188,3 KJ/mol

>

ΔGZrO2 -878,6 KJ/mol [167]. Desta forma, as interações do tipo van der Waals entre superfícies de carbetos e metais líquidos são mais fortes do que em óxidos e nitretos, contribuindo assim para o aumento do trabalho de adesão, e consequentemente a diminuição do ângulo de contato [56]. Este pressuposto termodinâmico é ainda reforçado pela existência de caracter metálico não só da ligação no WC, mas também pelo teor de 12%wt do ligante cobalto.

A classe de monocarbetos (WC, TaC, TiC, ZrC) cristaliza na forma de estrutura tipo sal (NaCl) ou hexagonal compacta, sendo que as suas ligações são um misto de ligação covalente e iónica, pois estes sólidos exibem elevadas dureza e pontos de fusão, e também metálica, uma vez que apresentam boa condutividade térmica e elétrica. Segundo Eustathopoulos et al. este comportamento metálico do WC-Co tem influência nas propriedades interfaciais e de adesão em contato com metais líquidos, sendo que o aumento da molhabilidade e da adesão em sistemas metal líquido/cerâmica ionocovalente é obtido através da formação de um composto semi-metálico na interface M/C [56].

A estrutura eletrónica para os carbetos de metais de transição apresenta contribuições significativas para a sua coesão pelos três principais tipos de ligação química. As ligações covalentes são devidas à formação de orbitais moleculares através da sobreposição de orbitais-d do metal com as orbitais-p do carbono. As ligações iónicas resultam da transferência de carga do metal para o não-metal. As ligações metálicas são devidas aos elétrons da camada

s

e também à não-

dissipação da densidade de estados eletrónicos d-p que existem no nível de Fermi. Para carbetos de metais de transição do Grupo IVB (ex: ZrC), o nível de Fermi está situado no mínimo da curva da densidade de estados, enquanto para carbetos dos Grupos VIB (ex: NbC) e VIB (ex: WC) o nível de Fermi está deslocado para a direita do mínimo da curva da densidade de estados. Este fato tem como resultado uma menor estabilidade termodinâmica dos carbetos WC e NbC comparativamente ao ZrC, permitindo o aumento das interações físicas (forças van der Waals) e a criação de ligações do tipo metálica com metais líquidos [168].

Sistemas utilizando Cu líquido sobre carbetos Cr3C2, Mo2C, WC, NbC e TaC desoxidados apresentaram uma boa molhabilidade e adesão, podendo ser explicado pela ligação metálica que pode ser estabelecida na interface, embora interações covalentes ou de outro tipo não possam ser excluídas. [56].

Em suma, pode-se dizer que os metais líquidos molham (θ<90º) substratos metálicos ou que apresentem carácter metálico qualquer que seja a intensidade das interações interfaciais, a não ser que os substratos estejam oxidados. A adsorção de oxigénio na superfície dos substratos formando camadas de óxidos pode aumentar significativamente o ângulo de contato. Para o sistema em estudo, liga de AgCu sobre substrato WC-Co, os elevados ângulos de contato registados podem ser explicados pela formação de filmes de óxidos à superfície.

Os metais de transição dos Grupos IVB (ex: Ti). VB(ex: Nb) e VIB (ex: W) e dos metais “ferrosos” (Fe, Ni e Co) possuem elevada afinidade para o oxigénio comparativamente para o carbono e nitrogénio. A formação de óxidos na superfície de WC-Co, possivelmente WO3 (ΔGf –376,6 KJ/mol) e CoO (ΔGf –280,3 KJ/mol) [167] tem uma grande influência na molhabilidade e adesão. O valor negativo das suas energias livre de Gibbs reflete a estabilidade destes óxidos mesmo a 880ºC. Estes óxidos atuam como barreiras à interdifusão de elementos, reduzindo assim a mobilidade atómica e a interação física, e portanto explicando a existência dos elevados ângulos de contato medidos.

Além da possível oxidação superficial do WC-Co, existe um outro fenómeno que poderá também contribuir para existência dos elevados ângulos de contato. O fenómeno denominado de grafitização, o qual consiste no enriquecimento da superfície por carbono e sua posterior transformação em uma camada fina de grafite, da ordem de alguns nanómetros. Essa fina camada de grafite é estável a altas temperaturas, e funciona também como uma barreira à mobilidade atómica, afetando significativamente o molhamento do carbeto por metais líquidos não- reativos.

Dependendo do tipo de carbeto e do tipo de atmosfera no forno, os processos de oxidação e grafitização podem atuar de forma sequencial ou em conjunto. Para entender o processo, Rado e colaboradores [106] realizaram diversos experimentos de molhabilidade em carbeto de silício, SiC, por metais não-reativos em alto vácuo. Verificou através de técnicas de XPS e AES, que a superfície do carbeto apresentava uma fina camada oxidada, com cerca de 1nm de espessura, de SiO2 ou SiOxCy, até 1000ºC. A uma temperatura de 1150ºC

Rado verificou ainda a presença de oxigénio, e um aumento da concentração de

carbono na superfície. Acima de 1250ºC observou uma camada de carbono com 3nm de espessura. Existe um intervalo de temperatura ΔT*, no qual abaixo deste intervalo, a superfície do carbeto está oxidada. Durante o intervalo ΔT* inicia-se a desoxidação através da reação entre SiO2 e SiC levando à formação de compostos voláteis SiO e CO. Inicia-se também a grafitização. Acima de ΔT* a grafitização da superfície de SiC está favorecida através da evaporação preferencial de Si [106].

Em seu livro “Wettability at High Temperatures” Eustathopoulos et al. [56] compilaram resultados de diversos autores sobre molhamento de metais não- reativos em carbetos, tendo concluído que os fenómenos de oxidação e grafitização estão presentes na superfície de carbetos, com influência direta na cinética do molhamento, impedindo a mobilidade dos elementos e o estabelecimento de ligações mais fortes, tendo como resultado o aparecimento de elevados ângulos de contato.

A introdução de um metal ativo (Me) na liga metálica, causa a dissolução do carbono seguido de precipitação do carbeto (MeC). Para a liga não ativa AgCu, os seus elementos componentes Ag e Cu possuem baixa afinidade para o carbono, não formam carbetos estáveis e apenas dissolvem pequenas quantidades de carbono, por exemplo, Cu dissolve apenas 1 ppm de carbono no seu ponto de fusão. Portanto, o comportamento não molhável da liga de adição AgCu sobre a possível camada de grafite, formada a alta temperatura, está associado à ausência de reatividade entre os elementos Ag e Cu com o carbono [64].

Diante do exposto até aqui, a explicação para o comportamento não- molhável, isto é, a existência de elevados ângulos de contato (θeq. = 150º) para o sistema AgCu/WC-Co está associada ao estado superficial do WC-Co, isto é, à presença de camada de óxidos e de grafite. Os possíveis óxidos superficiais associados ao cermet WC-Co, WO3 e CoO são estáveis a 880ºC, sendo também possível a existência de uma pelicula fina de grafite, atuando desta forma como barreiras à interdifusão de elementos da liga de adição e o substrato.

Outro fator importante contribuindo para a existência de elevados ângulos de contato, é a possível oxidação da gota da liga AgCu. Conforme já comentado para sistemas anteriores, uma fina película de óxido (Cu2O) poderá recobrir a superfície da liga AgCu, impedindo desta forma a interação entre metal (AgCU) e óxido ou grafite na superfície do substrato. Assim sendo, o contato da liga de adição com o substrato do tipo óxido/óxido, onde as forças do tipo van de Waals são de fraca intensidade, e consequentemente o surgimento de elevados ângulos de contato.

As figuras seguintes (Fig. 94 e 95) apresentam a evolução sequencial da liga AgCu fundida, em função do aumento da temperatura e durante o tempo de estágio sobre os substratos de WC-Co. É possível constatar claramente que a liga de adição AgCu vai adquirindo rapidamente a configuração de uma esfera achatada na base, com elevados ângulos de contatos.

Após os 820ºC a forma da gota séssil não sofre variação durante o aumento da temperatura e o tempo de estágio a 880ºC, mantendo praticamente constante a relação entre a sua altura e o diâmetro. As imagens revelam uma concordância com a evolução do ângulo de contato exposta graficamente (ver Fig. 92 e 93).

Figura 94 - Evolução da gota de AgCu sobre WC-Co polido, durante o aquecimento.

Nos substratos de WC-Co metalizados com Ti, a evolução do ângulo de contato apresenta comportamento semelhante ao sistema com substrato polido, vindo a estabilizar a 810ºC e encontrando o seu equilíbrio a 140º. O mesmo tipo de comportamento foi observado nos sistemas estudados anteriormente. Este fato é interessante, sugerindo que o possível óxido existente na superfície do filme de Ti seja comum a todos os sistemas.

Os resultados revelam que o processo de metalização mecânica com Ti melhora a molhabilidade da liga de adição AgCu sobre os substratos de WC-Co, mas enquadrando-se ainda dentro de um patamar termodinâmico ainda não molhável, θeq > 90º. Como mencionado anteriormente para sistemas com substratos metalizados de zircônia e nitreto de silício, o Ti oxida quando exposto ao ar e à temperatura ambiente, formando espontaneamente finas camadas (entre 5 -10nm) de óxidos de Ti com diversas valências [129,130].

A metalização mecânica não produz filmes perfeitos, isto é, não cobre totalmente toda a superfície da cerâmica de forma homogénea e uniforme, deixando zonas da superfície sem filme de Ti. Estas zonas expostas de WC-Co estão também oxidadas como já fora visto anteriormente. Assim sendo, a composição química da superfície do substrato é complexa, podendo existir uma panóplia de óxidos de Ti (ex: TiO, Ti2O3, TiO2), W (WO3) e Co (CoO), sendo estáveis mesmo à temperatura máxima de 880ºC do ciclo térmico aplicado. Não sendo de excluir também a presença de uma fina camada de grafite a alta temperatura bem como a possível oxidação da liga de adição AgCu. Como já descrito anteriormente, as camadas dos possíveis óxidos e de grafite, atuam como barreiras à mobilidade atómica, contribuindo para a condição não molhável do sistema.

O comportamento da liga AgCu fundida, passo a passo, em função do aumento da temperatura e durante o tempo de estágio sobre os substratos de WC-Co metalizados com Ti, está patente nas figuras 96 e 97. Observa-se que a liga de adição AgCu vai exibindo rapidamente a configuração de uma esfera bastante achatada, com elevados ângulos de contatos.

A 820ºC a forma da gota séssil não sofre variação durante o aumento da temperatura e o tempo de estágio a 880ºC, sendo a relação entre a sua altura/diâmetro mantida constante.

Figura 96- Evolução da gota de AgCu sobre WC-Co metalizado com Ti, durante o aquecimento.

Figura 97 - Evolução da gota de AgCu sobre WC-Co metalizado com Ti, durante o tempo de estágio a 880ºC

Após o esfriamento e extração das amostras do forno, comprovou-se que a liga AgCu não mostrava nenhum tipo de adesão quer química ou mecânica em nenhum dos substratos – ver Fig. 98 (a) e (b).

Figura 98 - Sistemas AgCu sobre WC-Co polido (a) e metalizado com Ti (b).

A liga de adição AgCu contendo 3% de Ti como soluto, exibe um comportamento oposto ao da liga AgCu, molhando os substratos WC-Co. A evolução do ângulo de contato para o sistema AgCu3Ti/WC-Co é semelhante ao sistema da mesma liga de adição sobre o nitreto de silício. O valor do ângulo de contato que a liga AgCu3Ti faz sobre a WC-Co sofre uma diminuição gradual, logo após a fusão da mesma liga até aos 835ºC. Depois essa diminuição faz-se de maneira mais suave até aos 880ºC. Mesmo durante o tempo de estágio a diminuição continua sendo gradual até aos 13 minutos, vindo a estabilizar para um valor abaixo de θeq = 20º.

A evolução do comportamento da liga AgCu3Ti pode ser observada sequencialmente nas Fig. 99 e 100. De fato, claramente se verifica que com o aumento da temperatura a liga AgCu3Ti vai-se espalhando sobre a superfície do WC-Co, exibindo baixos ângulos de contato. Pode-se também observar que a gota séssil da liga de adição revela um achatamento na sua forma semi-esférica, sendo facilmente constatado através de um aumento do diâmetro e diminuição da altura da gota líquida.

5 mm 5 mm

WC-Co WC-Co

AgCu AgCu Filme de Ti

Figura 99 - Evolução da gota de AgCu3Ti sobre WC-Co polido, em função da temperatura.

O espalhamento continua mesmo durante o tempo de estágio a 880ºC, parecendo estabilizar somente entre os 13 e 14 minutos.

Ao remover o par AgCu3Ti/WC-Co do forno, constatou-se que a liga de adição AgCu3Ti estava bem espalhada e firmemente unida ao substrato WC-Co, conforme pode ser visualizado na Fig. 101 (a) e (b). Este fato só por si é sinónimo de uma boa adesão no sistema.

Figura 101 – Sistema AgCu3Ti/WC-Co completo (a) e em cross-section (b).

A liga AgCu3Ti revela um bom espalhamento e uniforme sobre a superfície do cermet de WC-Co. No entanto, o espalhamento não ocupou a área toda do substrato, sendo a área aproximadamente de 30%. Este baixo valor da área do espalhamento está relacionado com uma pequena massa da liga adição.

Assim como nos sistemas de zircônia e nitreto de silício, já visados anteriormente, a introdução de Ti como soluto na liga AgCu tem um papel importante no aumento da molhabilidade, espalhamento e trabalho de adesão no substrato WC-Co.

As seguintes imagens de MEV, em análise cross-section, vem comprovar os resultados apresentados anteriormente quer graficamente (ver Fig. 92 e 93) quer por imagens sequenciais da gota séssil AgCu (ver Fig. 94 a 95) em função da temperatura e do tempo de estágio a 880ºC. Facilmente se constata que a liga AgCu efetivamente não molha os substratos de WC-Co polido e metalizado, exibindo elevados ângulos de contato – ver Fig. 102 (a) e (b). Para o substrato

WC-Co AgCu3Ti 10 mm a) b) AgCu3Ti WC-Co 10 mm

polido, a gota de AgCu exibe uma forma esférica achatada na base. No substrato metalizado, a liga AgCu apresenta uma forma irregular de uma semi-esfera.

Figura 102 - Gota séssil AgCu sobre nitreto de silício polido (a) e metalizado com Ti (b).

A área de contato da liga AgCu é praticamente a mesma para ambos os substratos. Ambos os sistemas estão numa condição não-molhável, sendo o angulo de contato bastante superior a 90º.

Para uma ampliação de 500X das imagens de MEV nos sistemas AgCu/WC-Co polido e metalizado, a figura 102 (a) e (b) revela a microestrutura dos dois sistemas, e efetivamente, se verifica que não existem fases que pareçam promover a química entre os materiais.

Figura 103 - Microestrutura sistemas AgCu / WC-Co polido (a) e metalizado com Ti (b).

AgCu

WC-Co

WC-Co WC-Co met Ti

AgCu

AgCu

1 mm WC-Co met Ti 1 mm

AgCu

100 μm 100 μm a) b) a) b)

A figura 104, faz menção ao sistema seguinte liga de adição AgCu3Ti sobre o substrato WC-Co.

Figura 104 - Microestrutura do sistema AgCu3Ti / WC-Co.

No sistema utilizando liga de adição ativa – AgCu3Ti - as imagens obtidas por MEV revelam um comportamento molhável sobre o substrato de WC-Co, exibindo um baixo ângulo de contato. A figura mostra a gota séssil solidificada da liga AgCu3Ti como uma forma de semi-calota achatada. Este resultado está em perfeita sintonia com as medições do ângulo de contato, anteriormente exposto graficamente (ver Fig. 92 e 93) e nas imagens sequenciais da gota séssil (ver Fig. 99 e 100) em função da temperatura e tempo de estágio. É possível verificar uma assimetria na microestrutura da liga AgCu3Ti solidificada.

Nas zonas menos espessas a microestrutura tem uma forma lamelar, típico do eutético AgCu. Na área mais central da liga de adição, verifica-se uma mudança para uma estrutura de gãos grosseiros achatados, do tipo agulhas ou espinelas (cor cinza mais escuro). Este fato está relacionado com o processo de solidificação da liga. Na zona central, com mais massa, o processo de solidificação é mais lento, havendo mais tempo para a difusão ocorrer e a coalescência do grão.

WC-Co

AgCu3Ti

Este fenómeno existente na microestrutura da liga AgCu3Ti, é também comum aos sistemas contendo zircônia e nitreto de silício. Posteriormente, será realizada uma análise química EDX nesses grãos achatados e respetivas zonas adjacentes.

Para uma ampliação de 500X, a figura 105 revela a microestrutura do sistema AgCu3Ti/WC-Co.

Figura 105 - Microestrutura do sistema AgCu3Ti/WC-Co.

É possível observar que existe uma camada de reação na interface. A formação desta camada de reação é responsável pela boa condição de molhabilidade, espalhamento e adesão do sistema. Vale a pena ressaltar o papel central e fulcral que o Ti tem nestes sistemas.

A reação química entre a liga de adição AgCu3Ti e o WC-Co resulta na formação de uma camada de reação D, de cor cinza escuro, como pode ser visualizada na figura 106. A camada de reação formada é mais homogénea e uniforme do lado adjacente ao substrato, ao longo da interface. A espessura da camada de reação varia entre 8 e 12μm. O Ti na forma de soluto, difunde rapidamente para a interface, reagindo com os elementos do substrato.

AgCu3Ti

WC-Co

50 μm

Figura 106 - Microestrutura do sistema AgCu3Ti / WC-Co.

Em analogia ao procedimento feito para os sistemas contendo a cerâmica zircônia e nitreto de silício, foram realizadas 5 análises pontuais em cada zona com o objetivo de se obter uma maior confiabilidade e reprodutibilidade das análises químicas na camada de reação e zonas adjacentes. Os resultados dessas análises químicas por EDX estão expostos na tabela 13.

Tabela 13 - Composição química da camada de reação, zonas adjacentes do sistema AgCu3Ti /WC-Co.

Zona Composição química (at. %)

Ag Cu Ti W C Co A 88 4 1 - 7 - B 8 65 18 - 9 - C 24 45 14 - 17 - D 2 8 35 1 51 3 E - - 2 40 47 11 F - - - 35 57 8 20 μm

WC-Co

AgCu3Ti

D

A

B

C

E

F

Pelos valores apresentados na tabela anterior, a fase clara (zona A), é atribuída à Ag da liga AgCu. A quantidade dos restantes elementos (Cu, Ti e C) presentes na fase clara não tem expressão e podem ser negligenciados. As zonas de cor cinza (zona B) têm composição de Cu e Ti. O aparecimento de Ag está relacionado com a contaminação pelas zonas claras (Ag) vizinhas. Uma zona de pequenos precipitados (zona C) do sistema Cu-Ti pode também ser visualizada acima da camada de reação, sendo rica em Ag, Cu e Ti. Dado que o tamanho destes precipitados ser de ordem nanométrica é impossível determinar a sua composição química por EDX, pois o volume de interação do feixe de elétrons incidente é cerca de 1,5-1,7 μm3 para o tipo material e condições envolvidas, recebendo portanto, informação química de zonas vizinhas.

A presença de carbono nas zonas A, B e C pode estar associada à difusão do elemento desde o substrato, ou mesmo à contaminação pelos métodos de lixamento e/ou polimento. Foram também detetados teores de C nos sistemas contendo zircônia e nitreto de silício, tendo sido removidos do balanço final da análise química quantitativa. No entanto, deve-se enfatizar que o procedimento de limpeza das amostras foi exaustivo e rigoroso.

A camada de reação (zona D) revela um elevado teor de Ti e de C, podendo a sua composição química ser entendida segundo o sistema binário Ti-C (ver Fig. 107). Contudo, deve-se ressaltar que o detetor do EDX não é sensível a elementos leves como o C, N e O, e vem associado a um erro considerável.

O Ti difunde para a interface e reage com o C da fina camada de grafite na superfície do substrato para formar carbeto de titânio (TiC). É também expectável