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Okul Kantinlerinin Ana Babalar Üzerindeki Etkileri İle İlgili Bulgular

Belgede Okul kantinlerinin verimliliği (sayfa 34-37)

Poderíamos arriscar dizer que, se o trabalhador tem a sua “preguiça heroica”, se o artista tem a sua “divina preguiça”, se o sambista tem a sua “preguiça malandra” (Kehl, 2012), se o empresário tem a sua preguiça detestável, e assim por diante, haveria também, ao menos uma preguiça no meio da Universidade.

No contexto social capitalista moderno, a Universidade recebe a forte inflexão das expectativas da sociedade, também ela capitalista. Tal pressão opera em diversos níveis, mas se torna particularmente destacada na crescente demanda por produtividade, entendida como publicação de artigos (papers) e encurtamento do tempo cronológico de desenvolvimento de pesquisas. Frente a essa não tão nova, mas crescente exigência, observa-se a emergência de um movimento político dentro do contexto acadêmico. Chamado de Slow Science, tal movimento é composto por cientistas e pesquisadores infelizes com o ritmo acelerado das cobranças por produtividade14. Observando o aumento do ritmo e da demanda por excelência

13 Nesse sentido talvez seja interessante a interlocução com um pequeno conto de Melville (2008)

chamado Bartleby, o escrivão. Sabe-se que na história o escrivão chamado Bartleby se recusa a fazer qualquer coisa – “I would prefer not to” (eu prefiro não) e, em um “avanço negativo”, ampliando sua recusa, passa a um movimento de revolução constante: “Como escriba que cessou de escrever, ele é a figura extrema do nada de onde procede toda a criação e, ao mesmo tempo, a mais implacável reivindicação deste nada como pura, absoluta potência” (Agamben, 2008, p. 25). Esse ponto será recuperado mais adiante no texto.

14 Recomendamos a leitura do próprio manifesto Slow Science disponível online em diversos idiomas:

e eficácia, o grupo começou a se questionar se os trabalhadores ligados às universidades (principalmente no corpo docente) não estariam sendo cobrados por um ritmo de produção por demais acelerado e descabido; um ritmo que valoriza mais a quantidade do que a qualidade da produção. Os manifestantes apontam que o pensamento se serviria muito bem de uma amenização das cobranças e dos prazos, principalmente no sentido de dilatar o tempo fornecido e esperado para a conclusão de uma pesquisa. Eles consideram até mesmo, e mais radicalmente, que a demora, a espera, e a lentidão, seriam partes integrantes da pesquisa científica; o que significa, dessa maneira, que sem o vagar e a hesitação não haveriam avanços significativos na ciência15.

Uma desaceleração desse tipo pode muito bem ser interpretada, como o fazem a maioria dos autores do livro Mutações: elogio à preguiça (2012), como sendo uma ação preguiçosa quando em um claro movimento de resistência cultural e de revalorização da lentidão em oposição à aceleração moderna e ao imediatismo do capital – tal como vimos antes.No entanto, ao ler o manifesto descobrimos que a intenção dos cientistas do Slow

Science não parece ser exaltar essa preguiça; na verdade, quando o termo é usado16, ele surge para indicar exatamente o que o movimento não pretende ser: a pesquisa deve ter a liberdade para ser lenta e errante, mas – literalmente – não preguiçosa; como se esse adjetivo pudesse desvalorizar o manifesto, destituindo o mesmo de sua seriedade e importância. Assim, nota-se que, ao mesmo tempo que eles defendem o tempo para o lazer (leisure), para a divagação, e presente trabalho houver citação de acesso à internet o horário da consulta é o horário de Brasília: UTC/GMT -3 hora).

15Silvana Tulesky (2012), Editora Geral de Psicologia em Estudo, também aponta o movimento Slow

Science como uma reação à demanda excessiva de produção dentro das Universidades e como efeito da exploração fordista do trabalho do pesquisador. Uma situação que, além de prejudicar a qualidade dos trabalhos produzidos, coloca em risco a saúde dos cientistas e pesquisadores. Dentro desse universo de demandas por publicações, é interessante atentarmos, também, para uma “moda” (trend) que vem ocorrendo com alguma frequência, que é o “salami slicing”, ou “salami effect”, (respectivamente em uma tradução nossa: “fatiar como um salame” ou “efeito salame”), que consiste na prática de “fatiar” uma pesquisa em diversas (como se faz com um salame), de maneira a aumentar as quantidades de publicações de um pesquisador e de citações de outros artigos. Essa prática sendo tanto um efeito (Tedesco, 2011), como também uma maneira de burlar a grande necessidade de produção e de publicações – necessidade estampada na famosa expressão “publish or perish” (em uma tradução nossa, “publique ou pereça”). A prática do salame,além de aumentar a produtividade de cada autor, desperdiça o tempo do leitor – que acaba lendo muita coisa repetitiva, sem profundidade, e “pela metade” (fatiada) – e é considerada, além disso, falta de ética (Ferreira; Pardini; Torresi, 2008). É engraçado perceber que, por um ângulo específico, poderia se denominar a “prática do salame” como uma modalidade preguiçosa de produção que, por não se importar com a qualidade, produz qualquer coisa. Aqui seria o caso, enfim, da preguiça como malandragem

16 No manifesto que está localizado no site francês o termo utilizado é “paresseux”; na tradução para o

para o erro paralisante, não colocam tais atividades como sinônimos de preguiça. É interessante, portanto, notar queao mesmo tempo em que se clama pelo direito do “prazer de não fazer absolutamente nada”, a “preguiça” aparece no manifesto como algo ruim e que deve ser evitado! Talvez, como conclusão provisória, não tolerar a preguiça e, sabiamente, defender-se dela como injúria ou acusação, é um sinal sintomático de que o ambiente profissional das Universidades pode ter se tornado muito hostil e perigoso para esses trabalhadores, a tal ponto de que a simples possibilidade de que alguém não esteja produzindo é vista como um absurdo.17

Assim, é importante salientar aqui a existência de um pensamento contemporâneo que clama por uma mudança nas perspectivas de produção e de publicação dentro do universo acadêmico. Mas tal importância é apenas ilustrativa. Um manifesto político, elaborado por pessoas de dentro das Universidades, e que atenta para como certas características (lentas e, por que não, preguiçosas) são essenciais para o trabalho intelectual e de pesquisa, é um sinal de reação frente à aceleração cotidiana, mas talvez não seja muito mais do que isso. Compartilhando de uma sensação temerosa, a saber, de que tal manifesto possa ser interpretado como uma declaração preguiçosa, as suas ressalvas quanto ao uso da palavra e o tom demasiadamente harmônico indicam mais uma vez o quanto o termo é carregado de vergonha e desvalorização, e o quanto o cenário da Universidade parece se assemelhar com aquele que vive o empresário capitalista na década de 90. Nessas condições, lutar por uma desaceleração não parece soar tão absurdo como pleitear pelo direito à preguiça: sinal dos tempos!

Esse movimento valorativo da contemplação e da errância tem o seu surgimento no cenário atual estabelecendo-se ao lado de uma série de outras correntes “slow”, ou tendências similares, com filosofias semelhantes, tais como o slow food, slow travel, slow church etc. Manifestos políticos, muitas vezes totalmente enquadrados na própria lógica que criticam, mas que conseguem, bem ou mal, salientar a importância da experimentação, do divagar e do

17O manifesto sofreu alterações no seu texto original, de tal maneira que o manifesto consultado em

agosto de 2013 não existe mais como antes. No lugar, encontramos um outro manifesto bastante semelhante, mas com algumas alterações, dentre elas o não aparecimento da palavra preguiça. De maneira geral, o tom do manifesto continua o mesmo: são oficiosos, na medida em que não se contrapõem ao ritmo atual, contentando-se em apenas solicitar um relaxamento. Uma solicitação que, se não enfrentar com mais força e vigor os motivos que acelerariam a ciência, não terá nunca uma força política capaz de alterar a situação. O manifesto foi conferido novamente em Janeiro de 2015 na sua versão eletrônica em <http://slow-science.org/>.

devagar, em contraposição à rotina e às demandas de produção alienada, claramente desinteressadas pela qualidade dos trabalhos e pela saúde dos trabalhadores. Movimentos que pregam por uma retomada da dimensão do viver bem, do viver de maneira diletante e, por isso, de um viver que inclua a possibilidade da demora, da espera e da contemplação vagarosa. Não apenas preocupados com obrigações, mas interessados a respeito dos caminhos e dos sentidos da atividade, esse movimento defende algo que poderíamos chamar como o

ócio, no entanto, ainda bastante próximos de uma exaltação da dimensão produtivista deste. Certamente, na concepção de seus idealizadores, a preguiça é erva daninha e ameaça, devendo assim ser negada, acabando mesmo por desaparecer do corpo do texto do manifesto de 2013!

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