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2. GENEL BĠLGĠLER

2.5 CAD /CAM Materyalleri

2.5.4 Oksit seramikler

Na economia solidária os relacionamentos entre os atores do processo produtivo são baseados no pressuposto de que existe um sistema de interdependência que tornam os relacionamentos importantes para a sobrevivência do EES. Como conseqüência, a confiança e a cooperação são ativos intangíveis de grande valor e ao mesmo tempo um diferencial difícil de ser copiado.

Da mesma forma, o relacionamento entre os EES e seus parceiros externos no processo produção e distribuição é de importância capital no que se refere ao nível de confiança mútua, respeito e capacidade de aprendizagem, através do compartilhamento de informações.

É conveniente afirmar que como os canais de distribuição são considerados sistemas sociais e desta forma, existem algumas similaridades entre canais de distribuição e as organizações coletivas (CASTRO et al, 2007). O autor salienta que com relação às similaridades entre canais de distribuição e organizações coletivas, como os empreendimentos de economia solidária, pode-se destacar que:

Primeiro, contém comportamentos orientados para metas individuais e coletivas. Segundo, os canais e organizações individuais tendem a diferenciar tarefas e funções que resultam no aumento de interdependência. Finalmente, dada as ações integradas para mover produtos da origem até o ponto de consumo, os canais desenvolvem uma identidade separada dos seus membros individualmente. (CASTRO et al, 2007, p. 03)

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Baseado nesta similaridade é pertinente afirmar que o relacionamento nos EES também seja baseado nos princípios básicos do esforço cooperativos, já apresentados por Rosembloom (2008).

Nesse contexto, os relacionamentos nos empreendimentos de economia solidária necessitam estar harmonizados de tal forma que minimize os possíveis conflitos de interesses causados pelas ações egoísticas. Entretanto, observa-se que as relações variam de acordo com estrutura e características da cadeia produtiva, de modo que as práticas adotadas em determinadas situações nem sempre poderão ser adotadas com sucesso em outras cadeias.

Estes possíveis conflitos devem ser solucionados de forma rápida, já que o conflito pode ser visto como um processo que progride de um estado latente de incompatibilidade, para um estado de conflito percebido, depois para um estado de conflito afetivo, e então para o conflito manifesto. (CASTRO et al, 2007 p. 04)

O nível de satisfação e a conseqüente cooperação e participação dos produtores associados aos EES manifesta-se através dos níveis de conflitos percebidos nos relacionamentos de forma que se torna pertinente às avaliações das relações existentes entre os produtores e suas respectivas organizações do associativismo solidário através uma escolha criteriosa das variáveis de avaliação.

Como pode ser observado no quadro 2-1, existem diversas variáveis para definir relacionamentos como mostra Pigatto (2006, p. 51-53):

Quadro 2-1 – Variáveis utilizadas para definir relacionamentos

Adaptação Aquiescência Benefícios

Comparação de alternativas Comunicação e/ou compartilhamento de informação Comprometimento e/ou compromisso

Confiança Conflito Cooperação

Cultura organizacional Custos de terminar o relacionamento Desempenho

Empatia Flexibilidade Formalização

Incerteza Integridade Dependência e/ou

interdependência

Investimento específico Mutualidade Poder

Promessa Relacionamento de longo prazo Relacionamento interpessoal

Reputação Satisfação Solidariedade

Fonte: Baseado em Pigatto e Alcântara (2007).

Pigatto (2006, p. 157) observa que, como muitas das variáveis utilizadas pelos autores são, na verdade, diferente denominação para um mesmo conjunto de variáveis e o mesmo agrupa as 11 variáveis que se sobressaem na literatura sobre os relacionamentos comerciais: poder, dependência, investimento específico, comunicação, satisfação, adaptação, cooperação,

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comprometimento, confiança, conflito, cultura e estrutura organizacional, conforme mostrado no quadro 2-2.

Quadro 2-2 – Autores e variáveis utilizadas para definir relacionamentos

Variáveis Autores

Adaptação Wilson (1995); Leonidou e Kaleka (1998); Crotts e Tuener (1999); Bennett e Gabriel (2001); Fynes e Voss (2002).

Confiança

Dweyer at al. (1987); Anderson e Narus (1990); Mohr e Spekman (1994); Morgan e Hunt (1994); Wilson (1995); Kumar (1996); Wilson e Vlosky (1997); Leonidou e Kaleka (1998); Hogarth-Scott (1999); Crotts e Tuener (1999); Bennett e Gabriel (2001); Gadde e Hakansson (2001); Lindgreen (2001); Fynes e Voss (2002).

Comunicação Mohr e Spekman (1994); Morgan e Hunt (1994); Leonidou e Kaleka (1998); Crotts e Tuener (1999); Pressey e Mathews (2000); Bennett e Gabriel (2001).

Comprometimento Mohr e Spekman (1994); Morgan e Hunt (1994); Wilson (1995); Hogarth-Scott (1999); Leonidou e Kaleka (1998); Wilson e Vlosky (1998); Crotts e Tuener (1999). Conflito Morgan e Hunt (1994); Leonidou e Kaleka (1998); Lindgreen (2001); Gadde e

Hakansson (2001); Cooperação

Mohr e Spekman (1994); Morgan e Hunt (1994); Wilson (1995); Spekman et al. (1997); Leonidou e Kaleka (1998); Crotts e Tuener (1999); Gadde e Hakansson (2001); Lindgreen (2001); Fynes e Voss (2002); Batt (2003).

Cultura Organizacional

Denison (1996); Cameron e Quinn (1999); O’Toole (2002); Hatch (2004).

Dependência

Mohr e Spekman (1994); Wilson (1995); Wilson e Vlosky (1998); Leonidou e Kaleka (1998); Crotts e Tuener (1999); Hogarth-Scott (1999); Gadde e Hakansson (2001); Fynes e Voss (2002); Batt (2003).

Investimento específico

Wilson (1995); Wilson e Vlosky (1998); Crotts e Tuener (1999); Bennett e Gabriel (2001); Batt (2003).

Poder

Mohr e Spekman (1994); Wilson e Vlosky (1998); Hogarth-Scott (1999); Crotts e Tuener (1999); Pressey e Mathews (2000); Gadde e Hakansson (2001); Lindgreen (2001); Batt (2003).

Satisfação Wilson (1995); Leonidou e Kaleka (1998); Crotts e Tuener (1999); Bennett e Gabriel (2001); Fynes e Voss (2002); Batt (2003). Fonte: Pigatto e Alcântara (2007).

Identificada as variáveis mais importantes para efeito desse estudo é necessário um detalhamento do seu significado conceitual aplicado, bem como da forma de aplicabilidade nos empreendimentos de economia solidária, conforme segue abaixo:

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a) Adaptação: A variável adaptação refere-se à capacidade de adaptação dos participantes de um relacionamento colaborativo entre duas organizações no canal de distribuição. Nos EES a adaptação esta relacionada com a capacidade dos produtores realizarem adaptações no seu modo produtivo e de comercialização para atender os objetivos do grupo. Essa adaptação pode representar o compromisso mútuo e a confiança do produtor em seus companheiros e na própria organização associativa de modo que quanto mais estreito for o relacionamento maior será a facilidade de adaptação para atender os objetivos coletivos.

b) Confiança: A variável confiança é importante para os relacionamentos em canais de distribuição, pois conforme Pigatto (2006) a necessidade de confiança e comprometimento em um relacionamento colaborativo é imprescindível.

A confiança pode ser descrita como a convicção de que uma parte executará ações que terão resultados positivos para ambas as partes e que não desenvolverá ações inesperadas que resultem em resultados negativos para o grupo, desta forma “previsibilidade, vulnerabilidade de uma das partes frente à outra, incerteza surgida pela falta de controle sobre a outra parte, integridade, honestidade e benevolência também são aspectos comuns nas definições de confiança” (PIGATTO, 2006, p.55).

Pigatto (2006), também afirma que a confiança é determinante para que outros aspectos do relacionamento colaborativo como comunicação, resolução de problemas e participação na tomada de decisões, alertando que a confiança pode reduzir a percepção dos riscos envolvidos na relação.

Ganesam (1994) afirma que a confiança é baseada em dois componentes, a credibilidade e a benevolência. O primeiro, quando uma parte acredita que uma outra possui capacidade de executar as atividades de forma eficaz e a segunda, a benevolência, uma parte acredita que a outra tem interesse genuíno no seu bem-estar.

Para Austin (2001, p. 131) a confiança é algo progressivo ao ressaltar que “cada projeto abre as portas para mais contatos pessoais, entendimento mútuo e desenvolvimento de confiança, a cada sucesso a cooperação adquire mais confiança para empreender iniciativas mais complexas e importantes.

Face ao exposto pode-se afirmar que a confiança é de extrema importância nos relacionamentos. Onde existam objetivos mútuos já existe uma estreita ligação entre a confiança e o compromisso com o grupo.

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c) Comunicação: Dentro da percepção de que uma comunicação eficaz é importante para uma relação colaborativa, a variável comunicação é também avaliada nesta pesquisa. Segundo Anderson e Narus (1990) a comunicação é o compartilhamento formal e informal da informação entre as partes envolvidas no processo colaborativo.

Neste sentido Moraes (2006) afirma que no cooperativismo, a comunicação se mostra não só como uma ferramenta para estruturação da imagem e divulgação de um produto, mas principalmente como meio condutor da formação democrática acrescentando que “a comunicação comunitária tem se afirmado como uma ferramenta propulsora da inclusão social e instrumento de formação da cidadania, já que, por meio deste mecanismo, todos os envolvidos saem da condição de receptáculos de informação e passam a ser co-autores no processo comunicativo. (MORAES, 2006, p. 08).

Assim sendo, nos EES, a comunicação eficaz entre os produtores pode elevar os níveis de satisfação e desempenho, ao mesmo tempo em que uma comunicação deficiente pode representar em obstáculos para um relacionamento verdadeiramente colaborativo. Os aspectos mais relevantes em relação à variável comunicação são a exatidão, a relevância e o momento em que as informações são compartilhadas (PIGATTO, 2006).

Nos relacionamentos existentes nos empreendimentos de economia solidária há a necessidade de uma comunicação eficaz principalmente porque a confiança não evolui sem que as informações relevantes sejam compartilhadas com todos os membros da organização associativa.

d) Comprometimento: O comprometimento é essencial na construção da confiança entre os parceiros e pode ser entendido como a voluntariedade de uma das partes para oferecer esforços e recursos à outra parte.

Segundo Müller et al (2005, p. 512), as pesquisas de comprometimento organizacional possuem uma premissa em comum de que o comprometimento sozinho não garante o sucesso da empresa, mas que um elevado grau de comprometimento com a organização contribui para que as empresas alcancem seus objetivos.

O comprometimento nos EES existe quando os produtores acreditam que o relacionamento associativo é importante e desenvolve esforços para permanecer desenvolvendo suas atividades produtivas em conjunto com seus companheiros.

Mentzer et al. (2001) apresenta três aspectos importantes da variável comprometimento: (1) quando existe o comprometimento sacrificam-se os benefícios imediatos para realizar os benefícios no longo prazo; (2) demonstra a intenção de permanecer

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na parceria até com a realização de investimentos que envolvam riscos e (3) demonstra a importância do relacionamento para o sócio.

Segundo Pigatto (2006) o comprometimento funciona como um estímulo no desejo de continuar no relacionamento e também aumenta a eficiência e a eficácia do grupo através do crescimento da flexibilidade e da solidariedade.

Para Bastos (1993), o comprometimento pode ser apresentado como um sentimento de auto-responsabilidade por um determinado ato, especialmente aqueles percebidos como livremente escolhidos, públicos e irrevogáveis e desta forma, as pessoas tornam-se comprometidas a partir de suas próprias ações.

e) Conflitos: Os empreendimentos de economia solidária são sistemas sociais e desta forma devem levar em consideração os conflitos existentes entre seus componentes, pois segundo Rosenbloom (2008), o conflito é dimensão fundamental e inerente a todos os sistemas sociais.

A forma de poder e cooperação são fundamentais para determinar o nível de conflito nos empreendimentos solidários, pois da mesma forma que as variáveis poder e dependência possuem uma relação direta, as variáveis cooperação e conflito caminham em conjunto e são importantes para a confiança mútua existente neste tipo de organização.

O conflito faz parte do processo de relacionamento grupal e se revela como um indicativo da existência da própria autogestão, pela possibilidade de debates públicos e política ativa no grupo.

Para Vieitez e Dal Ri (2001) existem algumas formas de conflitos internos mais freqüentes nas organizações de trabalho associativo:

a. o alheamento à autogestão – o trabalhador não vê o ESS como uma realidade diferenciada e a direção é encarada como o patrão;

b. oposição estrutural entre direção coletiva e direção de quadros – é identificado a formação de grupos paralelos de poder;

c. Conflito entre coletivo e direção – uma evolução da oposição estrutural que chega a uma situação de conflito mais ou menos aberto entre o coletivo e a direção.

Constata-se a existência de duas possibilidades básicas geradoras de conflitos. A primeira ocorre quando a direção distancia-se do coletivo e passa a atuar com excessiva independência do mesmo, o que, em geral, ocorre concomitantemente com busca de manutenção dos cargos. A segunda dá-se quando a direção não apenas atua com independência do coletivo, mas, também, é partidária da supremacia do

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executivo, arvorando-se em instância competente e própria para o exercício do poder. (VIEITEZ; DAL RI, 2001, p. 113-114)

Pigatto (2006) alerta que a falta de conflitos pode significar a falta de empenho e participação, o que nos EES é muito prejudicial para a sua sustentabilidade.

f) Cooperação: A cooperação, junto com o mutualismo, a solidariedade e o associativismo, representa um dos pilares da economia solidária (CATTANI, 2003). Desse modo, é uma das variáveis mais importantes para este estudo.

Segundo Anderson e Narus (1990) o processo cooperativo são “ações coordenadas semelhantes ou complementares que refletem as expectativas conjuntas, levadas por empresas em uma relação interdependente, objetivando alcançar resultados mútuos e individuais ao longo do tempo”.

A cooperação nos empreendimentos de economia solidária representa o nível de colaboração existente entre os associados com o objetivo de atingir viabilizar o cumprimento às metas do grupo, através de valores como respeito mútuo e sentimento de igualdade.

Segundo Olave e Amato Neto (2001) a colaboração é um processo através do qual, diferentes partes, estudando diferentes aspectos de um problema podem, construtivamente, explorar suas diferenças e, procurar limitadas visões. Colaboração ocorre quando um grupo de

stakeholdrs com domínio de um problema, se envolvem em um processo interativo, usando

divisão de papéis, normas e estruturas, para agir ou decidir questões relacionados ao problema.

Um fator importante para que ocorra a cooperação é o nível de confiança que os parceiros têm na organização e nos demais produtores, pois como afirma Bandeira, Mello e Maçada (2006, p. 03) “embora a confiança não seja suficiente para assegurar a cooperação, ela altera significativamente a probabilidade de um comportamento cooperativo”.

Abdalla (2002, p. 112) afirma que só é possível vislumbrar soluções factíveis e eficientes para os problemas das relações produtivas se a economia forem pensadas a partir do princípio da cooperação, pois

Subsumida ao princípio da cooperação, a economia deixaria de ser o ritual oblativo ao deus mercado e o palco no qual se efetivam as relações de troca competitiva e passaria a ser a práxis humana produtora e distribuidora dos bens necessários ao sustento de toda a humanidade. O mercado deixaria de ser o princípio fundamentador para ser apenas um fenômeno decorrente desta práxis e a seu serviço. Ele voltaria a ser uma atividade humana e perderia o status de princípio nomológico que reina sobre (grifo do autor) as relações humanas (ABDALLA, 2002, p. 113).

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Na verdade a cooperação possibilita que, nos EES, prevaleça interesses coletivos em detrimento dos interesses individuais de maneira a melhorar o desempenho da organização associativa e, conseqüentemente, a sustentabilidade sócio-política e econômica.

g) Dependência: A dependência, segundo Pigatto (2006, p. 61) é a aceitação de que para ser parte de uma relação comercial, mutuamente benéfica, precisa-se cooperar e formar uma base coesiva que suporte os inevitáveis conflitos.

Coughlan (2002, p. 239) afirma que é salutar a idéia de equilibrar a dependência para acentuar os interesses, já que, ninguém deseja ser dependente. O mesmo também acrescenta que esta dependência mútua, ou vulnerabilidade mútua, “tem como objetivo trazer estabilidade ao relacionamento”.

O conceito de dependência está ligado diretamente com a variável poder já que, como mostra Pigatto (2006) a dependência dos membros do canal e as fontes de poder são conceitualmente inseparáveis e a dependência é mais um componente da fonte de poder do que um fenômeno independente.

Coughlan (2002, p. 172) afirma que “o poder realmente é a imagem espelhada da dependência, e mostra que a “dependência representa a utilidade fornecida multiplicada pela escassez de alternativas”.

De forma geral, com o aumento da dependência surge a vulnerabilidade de uma parte para com a outra e, conseqüentemente, irá gerar maior conflito, maior desconfiança e menor nível de compromisso e comprometimento.

h) Poder: O poder pode ser definido como a habilidade de um ator em levar outro a realizar algo que de outro modo ele não faria (PIGATTO, 2006, p. 60). Já Bandeira, Mello e Maçada (2006) afirmam que o poder representa a probabilidade de impor a própria vontade, dentro de uma relação social, ainda que haja resistência. Ainda segundo os autores, os relacionamentos podem ser baseados em dois princípios opostos: em alguns casos observa-se relacionamentos baseados no poder, onde geralmente impera a vontade do mais forte. Em outros casos apresentam-se os relacionamentos baseados na confiança.

A forma de poder nos empreendimentos de economia solidária é determinante, pois segundo Olave e Amato Neto (2001) mesmo que os atores racionalmente desejem a maximização de seu bem-estar social, os indivíduos de um grupo não agem em prol de seu objetivo comum, a menos que haja alguma força que os force a tanto.

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A forma de exercer o poder nos EES também está diretamente relacionada com a variável dependência, pois, quanto maior a dependência de uma parte sobre a outra, maior será seu poder para realizar alguma atividade que não deseja realizar.

Desta forma, é importante a existência do equilíbrio de poder através da capacitação dos sócios para exercer cargos diretivos e, principalmente, da real possibilidade de rotatividade nos cargos diretivos da organização.

Na economia solidária o poder deve ser exercido de forma a incentivar a confiança mútua e o comprometimento dos associados e não como mecanismo para oferecer recompensas e punições.

i) Satisfação: A satisfação dos membros de um canal de distribuição é uma variável utilizada para avaliar o relacionamento colaborativo e representa “um sentimento positivo que resulta de uma avaliação de todos os aspectos de um relacionamento […]” (PIGATTO, 2006, p. 73).

Nos empreendimentos de economia solidária o início e a permanência dos associados no relacionamento com a organização associativa são determinados pelos benefícios que os produtores obtiveram, segundo a sua percepção. Desta forma, o nível de satisfação é fundamental para determinar a permanência do produtor no empreendimento e o estreitamento dos laços do mesmo com a organização (GAIGER, 2004).

Para Coughlan (2002) existem dois tipos de satisfação: a satisfação econômica, que “desempenha um papel fundamental na criação e na manutenção da confiança que é necessária para os relacionamentos compromissados” (COUGHLAN, 2002, p. 266) e a não- econômica, que está estreitamente ligada à confiança, que, por sua vez, é fundamental para criar alianças financeiramente desejáveis.

É dentro de uma lógica circular, que nos EES, os membros reagem aos resultados positivos que elevam a confiança, e na medida em que a satisfação aumenta, eleva-se o nível de comprometimento e participação, que viabilizam novos compromissos.

Segundo Pigatto (2006, p. 74),

Quando as partes optam por estabelecer relacionamento mais colaborativo, elas devem receber algum benefício adicional aos obtidos nas relações tradicionalmente transacionais. Assim, qualquer sistema de classificação de sucesso/fracasso de estratégias de relacionamento deve incluir quais benefícios foram conseguidos por ambas as partes.

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Desta forma, pode-se classificar de benefícios, as vantagens econômicas que o produtor associado a determinado EES obteve com o seu relacionamento na organização.

É oportuno frisar que a satisfação do produtor é peça chave na construção do sentimento de confiança e, conseqüentemente, da cooperação entre os produtores e destes com o seu empreendimento solidário.

j) Cultura organizacional: A cultura organizacional pode ser definida como

o conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu ao aprender como lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna, e que funcionaram bem o bastante para serem considerados válidos e ensinados a novos membros como a forma correta de perceber, pensar e sentir em relação a esses problemas (SCHEIN, 1984 apud PIGATTO, 2006, p. 66)

Ramirez (2006, p. 99) trata da importância de entender a dinâmica psico-social, ou seja, entender a cultura organizacional das organizações associativistas ao afirma que

A análise psicossocial de uma organização cooperativa é fundamental, além disso, é necessário compreender a dinâmica econômica em estabelecida em conjunto, porque, dada a singularidade deste modelo organizacional, as características psicossociais dos seus membros têm um impacto sobre o desempenho econômico e vice-versa.

O autor acrescenta que este entendimento pode levar a melhoras na gestão que, viabilizariam melhores possibilidades de êxito, conseqüentemente, de melhores possibilidades de sustentabilidade, ao mostrar que

Uma boa compreensão do sistema democrático do cooperativismo de trabalho associado não só deve resultar na melhoria da gestão dos recursos humanos e, portanto, as chances de sobrevivência e sucesso deste tipo de organização, mas também os conhecimentos obtidos nesta área poderiam ser transferíveis para outros modelos de negócios que desejam envolver os trabalhadores no processo decisório. (RAMIREZ, 2006, p. 99)

Nos EES, diferentemente das organizações capitalistas tradicionais, onde os relacionamentos são essencialmente baseados em comportamentos que visam o individualismo e o lucro. Nos relacionamentos colaborativos a cultura organizacional deve conter diretrizes diferenciadas como tomada de decisão participativa e comportamento ético, pois, essas posturas contribuem positivamente para o relacionamento com parceiros da organização.

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Portanto, os produtores devem ter consciência que cada decisão tomada pelo grupo está sempre relacionada com a construção do futuro de todos os envolvidos no processo produtivo.

k) Investimentos específicos: Segundo Easton e Lundgren (1992) um investimento é um processo no qual o recurso está comprometido para criar, construir ou adquirir novos recursos que poderão ser utilizados no futuro. Pode-se dizer que nos EES, os investimentos específicos representam aqueles realizados com o objetivo de melhorar a infra-estrutura da organização de forma que possa contribuir para o aperfeiçoamento dos serviços oferecidos aos seus sócios. No setor apícola, um dos investimentos mais cobiçados é a casa de mel, instalações destinadas ao processamento do mel, com higiene e segurança.

Os investimentos realizados pelos produtores mostram como os parceiros optaram por um relacionamento colaborativo na perspectiva de ganhos futuros, deixando teoricamente mais difícil a saída dos associados do empreendimento solidário.

Cabe frisar que os investimentos estabilizam as relações, alterando a forma como os parceiros vêem a relação porque representam uma evidência plausível do nível de confiança em um relacionamento de longo prazo.

Considerando-se que existe uma interdependência entre todas as variáveis pode-se concluir que a avaliação de relacionamentos colaborativos deve ocorrer de forma global e levando-se em consideração as particularidades de cada empreendimento solidário.

Benzer Belgeler