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2. GENEL BĠLGĠLER

2.3 CAD / CAM Sisteminin Bileşenleri

2.3.3 Dijital üretim süreçleri

Várias são as maneiras de conceituar a forma de organização solidária das atividades econômicas pelo mundo. Na França recebe o nome de “économie sociale” (CHANIAL; LAVILLE, 2004). Este termo abrange diversas realidades e é constituído de organismos produtores resultantes da livre vontade dos participantes e onde o poder não tem origem na detenção do capital.

Nos Estados Unidos adotam-se os termos non-profit sector ou independent sector, que correspondem à expressão voluntary organizations utilizada na Inglaterra. Organizaciones de

economía popular é muito utilizada na América Latina para indicar o que, no Brasil,

identificam-se como empreendimentos de economia solidária.

No Brasil, não existe um conceito de economia solidária que prevaleça entre os estudiosos e cada pesquisador procura apresentar o que melhor se adequa à sua linha de raciocínio.

Para um melhor entendimento, esse arcabouço teórico da caracterização da economia solidária resgata os conceitos abaixo que estão apresentados dentro de uma ordem cronológica dos trabalhos mais antigos para os mais atuais.

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Os conceitos mais antigos colocam a economia solidária como um evento um pouco distante da realidade, com uma formulação mais teórica que prática e é dessa forma que para Razeto (1993 apud RAUEN, 2003, p. 07) a economia solidária define-se como

Uma formulação teórica de nível cientifico, elaborada a partir e para dar conta de conjuntos significativos de experiências econômicas [...] que compartilham alguns traços constitutivos e essenciais de solidariedade, mutualismo, cooperação e autogestão comunitária, que definem uma racionalidade especial, diferente de outras racionalidades econômicas.

Em 1994, Laville caracteriza a economia solidária como sendo

Um conjunto de atividades econômicas cuja lógica é distinta tanto da lógica do mercado capitalista quanto da lógica do Estado. Ao contrário da economia capitalista, centrada sobre o capital a ser acumulado e que funciona a partir de relações competitivas cujo objetivo é o alcance de interesses individuais, a economia solidária organiza-se a partir de fatores humanos, favorecendo as relações onde o laço social é valorizado através da reciprocidade e adota formas comunitárias de propriedade. (LAVILLE apud LECHAT, 2002, p. 05)

Nesse sentido, “os agentes de uma economia cooperativada garantem a sua existência através da prática da cooperação (ABDALLA, 2002, p. 100), o que representa novos parâmetros de avaliação da sustentabilidade, já pressupõe práticas participativas e de co- responsabilidade.

Já para Archimbaud (2000 apud RAUEN, 2003, p. 07), a economia solidária diz respeito à

Iniciativas cuja finalidade primeira é o interesse coletivo e não lucrativo. O dinheiro como meio e não como fim, eis o que inscreve a economia solidária dentro da tradição mais antiga da economia social, ou seja, a tradição das cooperativas, dos montepios ou associações.

Com base no exposto, é possível situar a economia solidária como o conjunto de atividades econômicas centrado no interesse coletivo e/ou associativo, ou seja, no interesse não competitivo. Dessa maneira o Instituto de Políticas Alternativas para o Cone Sul durante o Encontro Latino de Cultura e Socioeconomia Solidárias, apresenta os seguintes elementos para conceituar a economia solidária:

a) em suas mais diversas formas, a economia solidária é um modo de viver que abarca a integralidade do ser humano, procura atender a pessoa humana em todas as suas dimensões (econômica, social, política, cultural, psicológica, espiritual etc.) bem como a todas as categorias de pessoas, de grupos e entidades.

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b) Ela designa a subordinação da economia à sua finalidade, que é prover, de maneira sustentável, as bases materiais para o desenvolvimento pessoal, social e ambiental do ser humano.

c) Seu valor central é o trabalho humano, não o capital e sua propriedade. Acolhendo e integrando de uma só vez cada pessoa e toda a coletividade, a socioeconomia resgata a dimensão humana e social que tem pouca ou nenhuma importância na economia centrada no capital e no Estado.

d) O seu referencial é cada sujeito e, ao mesmo tempo, toda a sociedade, concebida também como sujeito. Por isso, a eficiência econômica não se deixa limitar pelos benefícios materiais de um empreendimento, mas se define em função da qualidade de vida e da felicidade de seus membros, ao mesmo tempo, de todo o ecosistema. (SCHNEIDER, 2003, p. 151)

Esta base conceitual propõe a institucionalização de um coletivo de idéias e práticas baseadas no contexto da totalidade social, que pressupõe valores de igualdade e cidadania.

Paul Singer (2002) esclarece que a economia solidária não é uma idéia nova ao afirmar que

A economia solidária foi inventada por operários, nos primórdios do capitalismo industrial, como resposta à pobreza e ao desemprego resultante da difusão “desregulamentada” (grifo do autor) das máquinas-ferramenta e do motor a vapor no início do século XIX. (SINGER, 2002c, p. 83)

E conceitua a economia solidária como

[...] um modo de organizar atividades econômicas de produção, consumo e poupança/crédito que almeja completar as igualdades de direitos entre os que se engajam nestas atividades. Empreendimentos solidários são auto-gestionários, o que significa que neles todas as decisões são tomadas pelos membros ou por pessoas eleitas que os representam. A economia solidária é essencialmente associativa, ou seja, todos são sócios, sendo incompatível com relações assimétricas, como as que se desenvolvem entre patrões e empregados. (SINGER, 2002b)

Procurando evidenciar uma diferenciação entre o modo de produção capitalista e os modos produtivos solidários, Singer (2002a, p. 10) apresenta a economia solidária como “outro modo de produção, cujos princípios básicos são a propriedade coletiva ou associada do capital e o direito à liberdade individual” e demonstra a diferença entre os empreendimentos econômicos tradicionais e os empreendimentos de economia solidária.

A empresa solidária nega a separação entre trabalho e posse dos meios de produção, que é reconhecidamente a base do capitalismo. A empresa capitalista pertence aos investidores, aos que fornecem o dinheiro para adquirir os meios de produção, e é por isso que sua única finalidade é dar lucro a eles, o maior lucro possível em relação ao capital investido. (SINGER, 2002a, p. 10)

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O capital da empresa solidária é possuído pelos que nele trabalham e apenas por eles. Trabalho e capital estão fundidos porque os que trabalham são proprietários da empresa e não há proprietários que não trabalhem na empresa. E a propriedade da empresa é dividida por igual entre todos os trabalhadores, para que todos tenham o mesmo poder de decisão sobre ela. (SINGER, 2002b, p. 83).

Barreto (2003, p. 287) trata da economia solidária como uma nova abordagem da economia que “(...) recolocando o ser humano no centro da vida econômica, procura conciliar produção e circulação de riqueza com emancipação humana em direção a uma sociedade mais justa e igualitária.” Esta afirmativa traz como diferencial a colocação do trabalho associativo e/ou coletivo como o caminho para a emancipação do ser humano.

Arruda (2003, p.237) a denomina de socioeconomia solidária e afirma que a mesma é

[...] um sistema aberto, fundado nos valores da cooperação, da partilha, da reciprocidade e da solidariedade, e organizado de forma autogestionária (...) com o fim de emancipar sua (do trabalhador) capacidade cognitiva e criativa e libertar seu tempo de trabalho.

Segundo França Filho e Laville (2004, p. 149), o termo economia solidária serve de abrigo para um grande número de atividades econômicas de cunho democrático e social desenvolvidas para superar, na maioria das vezes, problemas locais.

No Brasil, o termo economia solidária tem servido para identificação de diferentes iniciativas de grupos sociais (e de base popular, na maioria dos casos) que se organizam sob o princípio da solidariedade e da democracia para enfrentar suas problemáticas locais através da elaboração de atividades econômicas. (FRANÇA FILHO; LAVILLE, 2004, p. 149)

Para Bertucci (2005) a economia solidária pode ser vista sob a ótica de

Uma proposta de organização da produção alternativa ao modo de produção capitalista. Formada por diversas unidades que desenvolvem atividades econômicas e criam redes em expansão, é constituída, segundo Singer, por empreendimentos formais e informais, caracterizados pela autogestão e pela socialização dos meios de produção e distribuição. Sua unidade básica são cooperativas de produção, consumo, comercialização, crédito, etc., onde não há separação entre capital e trabalho, sendo que tais empreendimentos se diferenciam tanto na sua forma de organização interna quanto no seu modo de articulação com a sociedade, ou com a comunidade em que atuam (BERTUCCI, 2005, p. 40).

Em 2006, demonstrando que ainda existe indefinição sobre a forma de caracterizar os empreendimentos de economia solidária no Brasil, Arroyo e Schuch (2006, p. 63), utilizando o termo economia popular e solidária, mostram que

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[...] é a economia que se estabelece a partir da associação, da cooperação, da comunhão, tanto entre indivíduos para a constituição de empreendimentos coletivos como entre empreendimentos para obter saltos de competitividade, em estruturas em rede que também podem ser compreendidas como empreendimentos coletivos (grifo do autor)

Já o Atlas da Economia no Brasil (BRASIL, 2006), realizado por técnicos do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apresenta o seguinte conceito:

a economia solidária é compreendida como o conjunto de atividades econômicas – de produção, distribuição, consumo, poupança e crédito – organizadas e realizadas solidariamente por trabalhadores e trabalhadoras sob a forma coletiva e autogestionária.

Esta é a definição mais comumente adotada nos trabalhos científicos na atualidade e adotada pela maioria dos setores da Administração Pública Federal.

Face ao exposto pode-se constatar que os entendimentos são extremamente variados e como mostra Lechat (2002, p. 08), “o que hoje é denominado de economia solidária ficou por décadas imerso, e ainda o é em muitos casos, no que a literatura científica chama de autogestão, cooperativismo, economia informal ou economia popular”. O que fica claro é que já existe um novo ordenamento de idéias e conceitos que nos leva a acreditar que no futuro a caracterização da economia solidária será mais uniforme.

Segundo Gaiger (2004), dentro desta nova concepção de economia, os empreendimentos associativos estimulam a disseminação de experiências norteadas por diretrizes básicas como:

a) Autogestão: no sentido de que o controle da gestão do empreendimento seja exercido efetivamente pelo conjunto dos associados, sobretudo com autonomia em relação a agentes externos [...]

b) Democracia direta: um processo que deverá ser permanentemente aperfeiçoado e que compreende a livre escolha de dirigentes, renovação e alternância dos quadros diretivos e a existência de instâncias para a tomada de decisões fundamentais pelo conjunto dos associados, com garantia de transparência no exercício da gestão. [...] c) Participação efetiva: que deve ser aferida através de um indicador do comparecimento dos associados a instância de consulta e de decisão, reuniões, assembléias e outras consideradas importantes para a organização e funcionamento do empreendimento.

d) Ações de cunho educativo: que incluam conteúdos de formação política, tendo por perspectiva a construção de uma ordem social oposta a do capital, combinada à aquisição competências para a autogestão solidária e de capacitação técnica e artística para o desenvolvimento de atividades produtivas e culturais. [...]

e) Cooperação no trabalho: que corresponde a práticas (execução) de trabalho precedidas da articulação entre concepção e planejamento, a serem desenvolvidas num ambiente de confiança e de reciprocidade mútuas combinadas a relações de gratuidade e de aprendizado mútuo.

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f) Distribuição igualitária dos resultados e benefícios: que pressupõe a definição democrática da distribuição da produção e da renda gerada, incluindo-se a destinação e a partilha do excedente (sobras líquidas) e a busca de benefícios sociais para todos os produtores livremente associados. (grifos do autor) (GAIGER, 2004, p. 340-341)

Além dos princípios apresentados acima, convém observar que Demoustier (2006, p. 135) afirma que as “empresas associativas” têm as suas missões públicas que são determinadas segundo os seguintes aspectos:

- ênfase na cidadania e no vínculo social para sustentar a democracia, a integração e a paz social, privilegiando então o papel não mercantil das associações;

- mobilização sobre a luta contra as exclusões que depende o reconhecimento de “empresas sociais” que acolhem as populações mais marginalizadas;

- encorajamento à iniciativa local para renovar o tecido produtivo e ajudar a criação de atividades, com base em “dinâmicas solidárias”;

- apoio à participação da economia social e solidária no desenvolvimento socioeconômico regional;

- utilização das empresas cooperativas e mutualistas, de economia social, para conservar um setor financeiro nacional, capaz de financiar especialmente a inovação socioeconômica, o desenvolvimento local e as PME, no quadro da concorrência, da instabilidade e da concentração internacionais, e um setor mutualista suscetível de completar a solidariedade social obrigatória.

Diante dessas considerações fica evidenciado que a sustentabilidade de empreendimento de economia solidária apresenta um nível de complexidade maior que o apresentado nas empresas capitalistas. Esta visão é compartilha por Kraychete (2006, p. 08) ao afirmar que “parece evidente a necessidade de se pensar as condições necessárias à sustentabilidade dos empreendimentos da economia solidária de forma adequada, posto que a lógica destes empreendimentos é mais complexa do que a busca do lucro”.

Isso indica que o EES deve procurar desenvolver suas atividades em busca de geração de emprego e renda através da coexistência de lógicas funcional, econômica e social, sem perder de vista o principal objetivo de alterar o quadro de desigualdades sociais pela construção de uma cidadania produtiva.

Benzer Belgeler