• Sonuç bulunamadı

1. GĠRĠġ

1.3. SERBEST RADĠKALLER

1.3.3. Oksidatif Stres ve Hastalıkla ĠliĢkisi

Sabemos que na interação entre alunos e professor, principais agentes do processo educativo, deve haver uma relação de parceria e co-responsabilidade pelo processo de apropriação do conhecimento. Todavia, também sabemos que ambos ocupam papéis sociais distintos e cada qual precisa ter clareza da parte que lhe cabe nessa interação. Ao

professor, cabe o papel de ensinar o conteúdo, orientar atividades, estabelecer tarefas, cobrar produções, enfim, tomar decisões que implicam o bom desempenho das atividades acadêmicas. Como nos ensinou o mestre Paulo Freire (1996), o professor tem a incumbência de exercer seu papel de autoridade, o que não significa ser autoritário, abusar do poder, da severidade, da tirania e da inflexibilidade. Aos alunos, cabe o papel de buscar informações, relacioná-las, organizá-las, manipulá-las e discuti-las como pessoa responsável pelo seu processo de construção do conhecimento. Assim sendo, partimos do princípio de que essas funções se desenrolam a partir de uma relação dialógica, aberta, curiosa, indagadora, e não

apassivada enquanto fala ou enquanto ouve. O que importa é que professor e alunos se assumam epistemologicamente curiosos (FREIRE, 2006, 33). Partindo de tais pressupostos,

buscamos analisar o que caracteriza a interação aluno-docente, sob o olhar do professor do IFSP.

Ao analisarmos o discurso dos professores investigados, percebemos certa tendência ao zelo pela ordem e pela disciplina em sala de aula.

Dentro de sala de aula, eu procuro manter ordem e disciplina, evitando conversas paralelas. Fora da aula normalmente tenho um convívio amistoso com os alunos, e dou apoio de ensino para eles até por email.

Procuro manter um relacionamento baseado em respeito, porém firme, com meus alunos.

Evito proporcionar muita liberdade aos alunos para brincadeiras, pois por vezes alguns alunos se acharam íntimos demais, em ocasiões que proporcionei maior liberdade.

Prefiro obter o respeito deles por meio de aulas interessantes e sendo um professor responsável (preparo minhas aulas de forma que possuo confiança e os alunos percebem).

Esses dados podem acenar para duas proposições. A primeira refere-se ao professor iniciante que precisa ensinar um conteúdo e ao mesmo tempo superar sentimentos como o nervosismo e o medo de se expor em público. Assim, quanto menos situações conflituosas compuserem o ambiente, com mais tranquilidade ele conduzirá seu trabalho. A segunda proposição refere-se ao nível de educação no qual o professor trabalha. Caso seja de nível médio (os cursos técnicos integrados ou concomitantes, por exemplo) os estudantes costumam ser adolescentes cuja característica mais evidente é a necessidade de romper com regras e testar limites. Quando o professor afirma zelar pela ordem e disciplina, ele quer dizer que está buscando maneiras de estabelecer limites ao comportamento dos alunos. O fato é que saber lidar com alguns contratempos constitui parte primordial para a aprendizagem da docência, que vai sendo aprimorada ao longo da trajetória profissional.

Vemos, portanto, que o público alvo da Educação Profissional e Tecnológica pode ser bastante heterogêneo em virtude dos diferentes níveis e modalidades que essas instituições de ensino atendem. Entretanto, com base na realidade de que os cursos técnicos integrados de nível médio não é a maioria no IFSP (dos vinte e oito campi, apenas nove oferecem essa modalidade), podemos dizer que a relação aluno-professor se baseia muito mais na interação entre pessoas adultas e que, a princípio, todos os sujeitos têm capacidade de decisão, bem como de responder por consequências.

Uma parcela de professores demonstrou que princípios positivistas usados na construção de conhecimento científico (racionalidade técnica, clareza, precisão, objetividade) permeiam a relação professor-aluno no meio acadêmico do IFSP.

Muitos alunos não estão acostumados a ter que trabalhar com uma pessoa um pouco mais rígida que o modelo normalmente encontrado em sua experiência anterior, como eu acabo atuando. Rígido no sentido de demonstrar respeito a regras e uso de normas internacionais (somos uma escola de cursos nas áreas técnicas e de tecnologia), de cumprir respeitosamente determinações superiores, mas estando aberto a traçar uma discussão democrática no sentido de buscar um viés adequado para atender ao conjunto e não para um indivíduo específico do grupo quando assim for necessário ou preciso. Todos nós como indivíduos temos que aprender a trabalhar com pessoas mais e menos rígidas em nosso contexto de relação com o mundo.

No geral os alunos têm a liberdade de tratar comigo. No entanto, já ouvi de alguns que além de um pouco exigente, em alguns momentos sou muito rebuscado no linguajar das aulas ou nas relações interdisciplinares que por vezes faço, o que causa certo constrangimento ou inibição nestes alunos que relataram o fato, pelas diferenças de nível intelectual que eles acreditam existir entre mim e eles.

Sou uma professora que consegue ser rígida sem ser ofensiva ou que denigra seus alunos (nunca conseguiria humilhar um ser humano). Prezo pela qualidade daquilo que eles fazem e apresentam, focando sempre que eles precisam se diferenciar dos tantos outros alunos e futuros profissionais no mercado de trabalho.

Nosso ponto de vista é que valores como o rigor, a linguagem rebuscada e o primor pela qualidade do trabalho se assemelham ao rigor acadêmico-científico exigido principalmente em desenvolvimento de pesquisas. Vimos que parte dos professores do IFSP são pesquisadores e que sua formação stricto sensu interfere diretamente em suas relações enquanto docentes. Essa dupla função pode ajudar no desenvolvimento intelectual do aluno, principalmente se ele estiver em um curso de graduação. Entretanto, espera-se que o professor não exija do aluno o domínio e manipulação dos conhecimentos científicos tal qual ele como pesquisador possui, mas, sim, que seja capaz de adequar tal conhecimento às possibilidades de aprendizagem do aluno.

Outra parte dos professores apresentou discursos com tendência a superar o ensino baseado no princípio de que os alunos “aprendem” por medo de serem punidos. Esses docentes optam por uma relação baseada na confiança, no respeito e na divisão das responsabilidades pelo aprendizado.

Procuro agir com eles de uma forma tranquila, amigável e descontraída com o objetivo do aluno não se sentir com cobrança para aprender ou com medo da disciplina, mas sim de uma forma mais natural e voluntária, envolvida e motivada e a vontade em sala de aula, uma atividade mais prazerosa.

Busco me relacionar com os alunos de uma maneira franca, respeitosa e com muita paciência. Demonstro a eles que meu objetivo é o de contribuir com a formação deles, e que, sendo assim, devem se sentir livres para sanar todas as dúvidas que tiverem.

No momento estou lecionando em uma excelente turma. Procuro ter uma relação de amizade e confiança onde eles percebem que as avaliações são de fato para que eu saiba como eles estão e não uma forma de poder. Entretanto já tive turmas onde o relacionamento foi muito ruim, desmotivada, com muita conversa e o trabalho da forma como foi exposto acima, foi inviável.

Procuro estar perto deles, ouvi-los e ajudá-los no que for possível. Tento motivá-los a pensar, raciocinar e buscar estratégias. E o principal, a confiarem neles mesmos!

Tais depoimentos revelam a preocupação de alguns professores em desconstruir uma concepção de ensino ainda presente no imaginário da maioria dos alunos: professores que querem “prejudicá-los”, considerando-os incapazes, submissos, fracos e que, por isso, merecem ser punidos.

Não podemos nos esquecer de que docentes e educadores são modelos a serem imitados pelos estudantes. Assim, para além dos conteúdos que ensinam, os professores deixam a sua marca a partir da maneira como tratam e resolvem os conflitos, como desenvolvem sua profissão, como se relacionam com os outros etc. Sua postura influenciará as atitudes desses futuros profissionais que, inclusive, poderão ser futuros professores.

Como aponta Chiquieri (2008), o docente precisa conduzir sua matéria em prol de estudantes que anseiam por novos conhecimentos científicos, mas nada impede que tais conhecimentos sejam apropriados com doses de afeto e tolerância, pois a disciplina e as relações em sala de aula são melhores quando mediadas por um clima amistoso e de confiança que deve estar presente nesse ambiente.

Benzer Belgeler