Um representante de entidade é do sexo masculino e têm 56 anos e é aposentado, a outra é do sexo feminino, bióloga e tem 25 anos. Ambos moram em Guarulhos. O primeiro veio de São Paulo na década de 80 e a segunda é nascida na cidade. Ambos gostam de viver em Guarulhos e moram em regiões periféricas. Pertencem a entidades que lutam por melhores condições de vida e moradia em seu bairro, ligados a questão
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cultural. O primeiro ligado principalmente através de movimento religioso e de uma rádio comunitária, a segunda a partir do resgate histórico da região onde vive.
8.4.1 Categorias de Análise das Entrevistas com Representantes de Entidades
8.4.1.1 Reconhecimento do outro
A entrevistada relata a importância da visita dos representantes de entidades internacionais para os jovens do projeto que coordena e sua entidade.
Mexeu bastante com a garotada do bairro a gente tava com grupo de adolescente de 10, 11, 12 anos que, não convivem com gente de fora, não é o dia-dia deles, conviverem com gente bilíngüe né. Então, foi muito legal, não entendeu, vai no gesto, faz alguma coisa, e alguns pelo som da música, e alguns tava tocando alguma coisa e os de fora diziam: samba-samba e os garotos falavam... e como a música é uma comunicação universal, então pelo entusiasmo que eles ficaram, no ponto (de cultura) eu achei que ficou muito legal, passados dois anos, eles comentam até hoje aquela experiência.8 RE1
Podemos ver que a manifestação artística apresentada pelos jovens da entidade por ocasião da visita dos representantes dos organismos internacionais aos locais onde se desenvolve o RVL em Guarulhos proporcionou uma experiência onde estes jovens tiveram a oportunidade do encontro com o estrangeiro, o que até então não existia para eles.
O representante da outra entidade referiu o orçamento participativo, do qual é conselheiro, como um dispositivo que permitiu conquistas para o bairro que mora. Demonstrou em sua fala como o OP ao convocar a
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A representante está referida a uma visita da comitiva do Ministério da Saúde, OPAS e OMS ao Ponto de Cultura Chico Mendes, na Região do Cabuçu, em Guarulhos, onde também estiveram presentes visitantes das Filipinas, de Kobe e de Teerã.
participação estimula as relações horizontais de discussão sobre os problemas locais e a forma de encaminhá-los sendo um momento de reconhecimento recíproco entre os semelhantes.
Eu acredito que tudo aquilo que gente conseguiu pro nosso bairro foi em boa parte por causa do orçamento participativo, as pessoas começaram a se reunir e viram que a gente se reunindo a gente conseguia as coisas, porque antes não tinha essa abertura política. Melhorou muito a situação do nosso bairro. Eu conheço a Ponte Alta desde 1982 e era um lugar muito esquecido, era um lugar muito sofrido, como tantos outros em Guarulhos, mas, a partir desta nova política em todos os bairros de Guarulhos houve intervenção. Onde você possa imaginar, o mais longínquo bairro de Guarulhos houve uma intervenção da prefeitura, por menor que ela seja, ela trouxe uma melhoria. RE2
8.4.1.2 Território
A questão do território é expressa pelo reconhecimento conjunto de ações desenvolvidas ao longo dos anos na melhoria das condições de vida na cidade como um todo e em cada bairro em particular.
Por exemplo, nos não tínhamos nada, nada de cultura, hoje nós temos um teatro com 350 lugares numa periferia daquelas que, 10 anos atrás você falava: “vou prá Ponte Alta” e as pessoas diziam onde fica a Ponte Alta, embora ainda haja muito que fazer. No Anita Garibaldi, há muito que fazer com a mortalidade infantil, com a falta de saneamento. As pessoas não tem condições, é preciso que as pessoas olhem para o lado humano pois aquilo é completamente desumano. Eu não entendo muito porque se deixa acontecer essas coisas. Deve te umas 15 mil pessoas que vivem em péssimas condições. RE2
Não mexe porque isso aqui é uma relíquia que é prá eu olhar e me lembrar o quanto eu sofri neste bairro, a gente tinha mais ou menos, imaginamos você no Educriança e tem que pegar o ônibus lá no cemitério, porque não tinha condução nenhuma, para ir até o Armênia, porque ele
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vinha do Água Azul e ia até o Armênia, não era parada, era uma passagem e você as 4:30 da manha tinha que ir em pé, quando o ônibus conseguia subir as subidas que eram de terra, subia passava no Carmela, passava no Bonsucesso Velho e quando chovia deus me livre, você usava dois sapatos um você levava dentro da sacola, o outro você saía com ele dentro da sacola, era muito barro vermelho. Hoje eu costumo dizer pras pessoas que chegam prá morar lá: gente isso aqui é um céu, hoje você tem ônibus pro Armênia, condução pros bairros dos Pimentas, prá São Miguel, pro Shopping, pro hospital e vai melhorar agora com o bilhete único vai melhorar mais ainda, e os terminais também.
Como as pessoas nem conhecem o projeto algumas pessoas nem compareceram, o pessoal da polícia militar, do próprio bairro, porque projeto não foi amplamente divulgado. Você como coordenadora sabe eu sei, mas a comunidade como um todo não sabe, não sabe prá que vai servir o que vai trazer. A comunidade tem o seguinte, se você não der algo em troca não vem. Eu não sei se não é o caso de promover sorteio de brinquedos prá crianças, algo que chame a atenção. Teve uma atividade 15 mil pessoas, com a distribuição de 22 mil brinquedos. Fizeram um trabalho de divulgação. Eu mesmo ajudei na divulgação.
8.4.1.3 Redes Sociais
a gente teve a oportunidade pela primeira vez de trazer gente de fora de outros países prá conhecer o ponto, né. A garotada teve essa expectativa, nossa vai vim gente de fora e como é que vai ser isso daí, tive a oportunidade de trazer o pessoal para conhecer a nossa cultura a nossa música, na periferia, de Guarulhos.
A gente teve a oportunidade de ir prá fora e se apresentar e também o premio que a gente ganhou em parceria com o RVL, o posto. O RVL prá gente do ponto, a gente pode não ter feito 100% da lição de casa, mas já andamos bastante, acho que estamos cumprindo o que ele é.
O RVL é um projeto bastante complexo prá uma comunidade que está acostumada com tudo muito fácil, com tudo muito mastigado, então quando você começa a colocar as pessoas prá pensar prá ir atrás prá buscar, aí elas acabam, às vezes se afastando, e às vezes ah! deixa de lado, não se envolve muito com a causa e aí só quando tem a próxima reunião quando é cobrado alguma coisa, todo mudo se ativa de novo prá fazer, então assim, sai com a lição de casa prá fazer, mas a lição não volta pronta!