3. MATERYAL VE YÖNTEM
3.6 Deney Tesisatı
3.6.1 Ofis Binası Soğutma Sistemi (Chiller Sistemi)
A cafeicultura foi um dos pilares mais importantes de sustentação da economia brasileira, desde 1840295. A euforia em torno da produção desse produto levou a um caminho já conhecido dos capitalistas que ascendem quando se aquecem determinados mercados: produzir mais do que se pode vender. Dinâmica que acaba por demonstrar a fragilidade e os limites da Lei de Say. O Brasil, com a vastidão de suas terras — e a concentração nas mãos de poucos — tinha uma capacidade muito maior de produzir do que a dos compradores consumirem. A não expansão do mercado consumidor internacional (já que a produção estava quase inteiramente voltada para a exportação) leva não apenas à queda dos preços como também ao desequilíbrio no balanço de pagamentos.
Como parte da solução do problema, uma articulação entre capitais — bancário, estrangeiro e agrícola — foi pensada. Isto é, os bancos estaduais ficavam autorizados a contrair empréstimos no exterior e comprar parte da produção excedente. Alguns autores, como Neto (2004)296, identificam esse momento como de incentivo à expansão e criação de bancos estaduais, como f ocorreu com os bancos de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
Mas essa medida deu apenas um fôlego momentâneo à crise, que passou a se agravar com os impactos da Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918). A criação do Instituto do Café foi uma tentativa de apoiar com fomento e regulação a atividade cafeeira que não estancava seu declínio. Países como os Estados Unidos, França, Itália, Holanda e Alemanha, que representavam 84% do mercado consumidor de café brasileiro, diminuíram ou cancelaram suas compras, não apenas pela crise, mas pela qualidade do café brasileiro, que caía. Para se ter uma ideia, em 1929, os produtores brasileiros ainda estavam exportando a safra de 1927, enquanto que a safra de 1928 ficara estocada. Essa experiência demonstrava a todos que pudessem admitir, a irracionalidade da falta de planejamento com vistas a equilibrar oferta e demanda297.
Se a situação brasileira fosse um caso isolado, provavelmente empréstimos estrangeiros dariam conta de sanar o caos, ainda que isso aumentasse nossa dependência. Mas esse não era o cenário mundial. Em outubro de 1929, ocorre uma das mais drásticas quedas nas Bolsas de Valores em Wall Street levando à bancarrota milhões de cidadãos americanos298.
Com isso, o governo brasileiro tem recusado pelo governo norte-americano um empréstimo de US$ 50 milhões, valor para ser utilizado como apoio aos cafeicultores. A
295 No final do século XIX, o Brasil já era considerado o principal produtor d café, responsável por ¾ das exportações mundiais (SECURATO, 2007, p. 233).
296 NETO, Yttrio Corrêa da Costa. Bancos oficiais no Brasil: origem e aspectos de seu desenvolvimento.
Brasília: Banco Central do Brasil, 2004. Disponível em:
<www.bcb.gov.br/htms/public/BancosEstaduais/livros_bancos_oficiais.pdf>. Acesso em 31 ago. 2012. 297 Nesse sentido, pode-se consultar: FURTADO, Celso. Formação econômica do Brasil. São Paulo: Cia Editora Nacional, 2003. Em especial, a quinta parte: Economia de Transição para um Sistema Industrial. 298 O dia 24 de outubro de 1929 ficou conhecido como a quinta-feira negra.
186 alternativa veio de uma companhia privada, a Schroeder and Company, que concedeu empréstimo de US$ 10 milhões, ao Banco do Estado de São Paulo, para serem utilizados no Instituto do Café, como tentativa de estancar a crise dos fazendeiros paulistas. Paliativa, a medida não evita o colapso social que se segue. Há registros de todas as ordens de assassinatos, suicídios, extorsões, cometidos por burgueses em declínio repercutidos também nas classes trabalhadoras urbana e rural que só viam aumentar o desemprego e a pauperização299.
Esse cenário econômico repercute no cenário político influenciando a política do café- com-leite. De acordo com essa política, os estados de São Paulo e Minas Gerais se revezariam na indicação do Presidente da República, desde o Pacto de Ouro Fino, de 1912. Como o paulista Washington Luís era o presidente em exercício, o próximo seria o mineiro Antônio Carlos Ribeiro de Andrada, contudo Luís insiste na indicação de seu afilhado político Júlio Prestes, num momento em que São Paulo não estava tão seguro em sua pujança econômica, com a crise, o que abre brecha para Getúlio Vargas, que até então parecia ser aliado de Luís, pois fora seu ministro da Fazenda até o final de 1927, quando deixa o governo para assumir a presidência do Estado do Rio Grande do Sul e se destacar na cena política nacional.
Vargas decide concorrer à Presidência da República por uma aliança entre mineiros e gaúchos, que recebe o nome de Aliança Liberal. Em seu programa, a Aliança mantinha compromissos políticos e ideológicos com as oligarquias regionais e acenava também à classe média. Propunha um incentivo à produção nacional, que não se reduzisse ao cultivo do café e ,num rompante populista, confrontavam o descaso de Washington Luís com a “questão social”, afirmando que esta era um problema que deveria ser enfrentando pelo poder público e não pela polícia, como Luís afirmara em discurso recente.
Ainda assim, a força da oligarquia cafeeira, associada ao governo federal, mesmo que descontente com ele, elege, em 1o de março de 1930, Júlio Prestes, gerando indignação em vários estratos da oposição, com destaque para um grupo de tenentes-civis que passariam a se organizar para resolver o que consideravam impasse, através da luta armada. A morte de João Pessoa, governador da Paraíba, por João Dantas, seu adversário político, é apontada por diversos historiadores como o estopim da Revolução de 1930, motivada pelos insatisfeitos com o governo e que coloca Vargas no poder em 3 de novembro desse mesmo ano, marcando o fim da Primeira República.
299 No Rio de Janeiro, a indústria Oswaldo Tardim & Cia decreta falência, acompanhada de inúmeras outras empresas tradicionais da época. Em São Paulo, o empresário Abelardo Laudel de Moura, de 28 anos, tenta matar a esposa com uma navalha, mas não consegue. Ainda assim, degola o filho de 2 anos e a filha e, em seguida, se suicida, motivado pela perda de seus bens com a crise. A tragédia ficou conhecida como o crime da Rua Piauí, bairro de Higienópolis. Há muitos outros relatos que mostram o caos que se instalou nesse contexto de crise.
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Um novo tipo de Estado nasceu após 1930, distinguindo-se do Estado oligárquico não apenas pela centralização e pelo maior grau de autonomia como também por outros elementos. Devemos acentuar pelo menos três dentre eles: 1. a atuação econômica, voltada gradativamente para os objetivos de promover a industrialização; 2. a atuação social, tendente a dar algum tipo de proteção aos trabalhadores urbanos, incorporando-os, a seguir, a uma aliança de classes promovida pelo poder estatal; 3. o papel central atribuído às Forças Armadas — em especial o Exército — como suporte da criação de uma indústria de base e, sobretudo como fator de garantia da ordem interna. (FAUSTO, 2003, p. 327)300.
Tentando juntar estes elementos em uma síntese, poderíamos dizer que o Estado getulista promoveu o capitalismo nacional, tendo dois suportes: no aparelho do Estado, as Forças Armadas; na sociedade, uma aliança entre a burguesia industrial e setores da classe trabalhadora urbana. Foi desse modo, e não porque tivesse atuado na Revolução de 1930, que a burguesia industrial foi promovida, passando a ter vez e força no interior do governo. O projeto de industrialização (...) foi, aliás, muito mais dos quadros técnicos governamentais do que dos empresários (id. p., 327)301.