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Dış Hava Sıcaklığına Göre Chiller Verimindeki Artış

4. BULGULAR VE TARTIŞMA

4.1 Teorik Hesaplamalar

4.1.2 Dış Hava Sıcaklığına Göre Chiller Verimindeki Artış

O vultoso desenvolvimentismo de Juscelino é, sem dúvida, o que mais se destaca quando o assunto é o desenvolvimento do capitalismo brasileiro. E não se dá por um possível ineditismo nas suas ações, mas sim pelo fato de que as condições históricas em que assume o

313 Essas lições varguistas serão utilizadas no projeto de desenvolvimento que se impõe ao Brasil a partir de 2003, particularmente em sua primeira fase, ainda que o Presidente Lula, seu principal articulador, negasse qualquer influência varguista em sua política básica, como veremos mais adiante.

314 Outras expressões nacionalistas são percebidas em João Goulart ou em Jânio Quadros, por exemplo, contudo, a menção que fazemos a Vargas se deve à natureza tipicamente desenvolvimentista das medidas que tomou em seus governos.

195 governo brasileiro estão pautadas em um legado que lhe permite avançar nas estratégias de desenvolvimento.

Ou seja, a implantação da indústria de base em Vargas, por exemplo, é uma das condições que o favorecem. Contudo, a incisividade das medidas de seu governo puderam levar a cabo duas ordens de implicações decorrentes da atuação do Estado como agente indutor do desenvolvimento capitalista: a renovação das formas de acumulação de capital e o reordenamento funcional do mundo do trabalho motivado pelos incrementos à produção. A combinação desses aspectos estruturais da ordem posta na conjuntura dos anos 1950-1960 teve como amálgama o desenvolvimento industrial que, segundo Ianni (1989), se transformou “na problemática maior, para todas as classes sociais”315.

Juscelino, desde os discursos que fazia antes de se tornar Presidente da República enaltece a importância do planejamento estatal. Algumas atividades do Estado, segundo Ianni, são suficientes para revelar a importância que ele adquiriu “na formulação das possibilidades reais de transformação e expansão das forças produtivas” orientadas para o desenvolvimento planificado:

O Plano Salte, o Programa de Metas, o Plano Trienal, a Petrobras, o Banco do Nordeste, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e, ainda, a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste, todos são criados a partir de 1948. E todas as transformações mais notáveis da economia brasileira desde então estão relacionadas com o funcionamento destes órgãos governamentais, criados especialmente para estimular o crescimento e a diversificação do sistema produtivo nacional (IANNI, 1989, p. 19-20)316.

Pelas épocas, observa-se que esses órgãos não são criação do governo juscelinista. Antes, já fazem parte do projeto de desenvolvimento varguista, assumem vigor no governo Café Filho, que antecede o de JK, mas é apenas com a planificação do desenvolvimento, aplicada neste último, que suas funções como agentes concertadores do capital desenvolvimentista (público e privado) se tornam efusivamente evidentes.

Em JK, pouco se observa das tendências desenvolvimentistas que animavam o debate sobre o desenvolvimento brasileiro da República a Vargas. A preponderância da industrialização como mola propulsora do desenvolvimento subsume todas as demais correntes ao industrialismo, sem prejuízo da permanência de algumas características fundantes do

315 Segundo Ianni (1989, p. 19), a centralidade da indústria no padrão de desenvolvimento proposto por JK transforma-se em problemática para todas as classes sociais “pelo que envolve na repartição da renda, nas relações das forças políticas, na supremacia das forças econômicas internas ou externas, na liderança política da nação, os caminhos e o futuro da industrialização tornaram-se a área privilegiada dos debates e choques entre as classes sociais, ou os seus grupos com interesses divergentes”.

196 positivismo e do papelismo, mas isso não se dá apenas pelo tipo de inclinação política de JK317. Essa condução encontra legitimidade e justificativa tanto num cenário internacional propenso à aliança tática e estratégica entre Brasil e Estados Unidos quanto à difusão ideológica da industrialização, como passaporte único ao desenvolvimento e à contemporaneidade.

O Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb), ainda que mantivesse certa autonomia ante o governo, funciona como importante centro propagador da ideologia desenvolvimentista-industrialista de JK.

Um e outro [governo e Iseb] diluíam as diferenças de classe em nome das necessidades do País. Ambos restringiam à mera industrialização e ao intenso aumento de produtividade a concepção de desenvolvimento. Ambos queriam dizer que o desenvolvimento apenas deveria ocorrer dentro do domínio da lei, com patrões e empregados resolvendo pacificamente seus litígios, através de instituições criadas para esta finalidade. Tratavam, enfim, de uma ideologia da ordem, destinada a inspirar a industrialização do Brasil. De sua parte, Juscelino, procurava empreender seu projeto industrialista, orientado para diversas regiões do território brasileiro, até mesmo para aquelas que dispunham de condições mais difíceis para isto. De acordo com ele, a industrialização envolvia crescente elevação de produtividade (VIEIRA, Ibid., p. 88)318.

317 Alguns autores chegam, inclusive, a afirmar que, em JK, o nacionalismo característico de Vargas se transforma em nacional-desenvolvimentismo, cuja diferença fundamental do segundo para o primeiro é que este não só aceita, mas considera fundamental um arranjo quase simbiótico entre o Estado, a empresa privada nacional e o capital estrangeiro, mesmo em áreas consideradas estratégicas para a “soberania” de um país, como a infraestrutura básica e a indústria de base. Isso fica evidente em JK, quando se verifica a injeção de capitais estrangeiros para o desenvolvimento de seu projeto de revitalização da indústria automobilística, na área dos transportes aéreos, estradas de ferro, eletricidade e aço. Já o nacionalismo, cuja maior expressão se dá no processo de substituição de importações, embora admita a presença e participação do capital estrangeiro, impõe a ele muitos condicionantes. Além disso, sustenta a intervenção e o controle estatal nas áreas estratégicas, como infraestrutura, transporte, telecomunicações, energia, etc., sempre em nome da autonomia do país como elemento indispensável ao corolário da busca pelo desenvolvimento. A obra de Celso Furtado, produzida entre 1953-1955, é emblemática ao demonstrar as características fundantes do nacional-desenvolvimentismo. Nesse sentido, consultar: OLIVEIRA, Francisco de. Viagem ao olho do furacão: Celso Furtado e o desafio do pensamento autoritário brasileiro. In: A navegação venturosa: ensaios sobre Celso Furtado. São Paulo: Boitempo Editorial, 2003, ou BIELCHEWSKY, Ricardo. Pensamento econômico brasileiro: o ciclo ideológico do desenvolvimento. Rio de Janeiro: Contraponto, 2000.

318 Vieira ainda assevera que “(...) o pensamento desenvolvimentista revestia-se dos critérios de veracidade e de objetividade, assumindo ao mesmo tempo o caráter de práxis. A nível lógico, partia-se do pressuposto de que, na efetivação do desenvolvimento brasileiro, a aliança de classes aconteceria política e ideologicamente. Garantida, portanto, a nível lógico, a paz social, representada pela ausência de luta de classes e de perigosa luta ideológica, bastava somente vislumbrar o significado da prática respectiva. Assim, a nível histórico, concedia-se ao desenvolvimento a força capaz de incentivar e de provocar a industrialização. Entendendo-se a ideologia do desenvolvimento como dominante no País, entendia-se simultaneamente que os interesses básicos das massas populares já estavam representadas nela, pondo-se de lado a possibilidade de estas massas terem um projeto próprio para satisfazer suas carências. Por conseguinte, a aliança de classes, o desaparecimento de graves antagonismos ideológicos e a firme crença no desenvolvimento conduziriam tranquilamente à industrialização no Brasil”. (In: VIEIRA, Evaldo.

197 Mas, para isso, se fez necessária a retomada de algumas medidas de contenção inflacionária, pois sem elas não seria possível nem aumentar a produtividade e nem abrir as “portas do País ao capital estrangeiro”.

O programa anti-inflacionário somava-se à decisão de abrir a economia brasileira ao capital estrangeiro, permitindo-lhe, sobretudo incentivos especiais. (...) O chamado incentivo especial aos investidores externos aí queria dizer, antes de tudo, a concessão às empresas estrangeiras da faculdade de importar sem cobertura cambial. Mas em momentos distintos, outorgou-se ao capital externo outros tantos privilégios, como, por exemplo, o deslocamento das exportações para o mercado livre, a diminuição de câmbio para as remessas de lucros e as facilidades dadas às empresas estrangeiras pelas instituições de crédito (VIEIRA, ibid., p. 83)319.

Prova disso é que a eleição de JK à Presidência da República foi saudada com vigor pelo governo norte-americano, que via em sua recorrente apologia à planificação da Economia brasileira num sentido liberal oportunidades tanto para a ampliação de mercado consumidor como para a instituição de vantagens fiscais e tributárias na importação de commodities. O desenvolvimento planificado de JK tem no Programa de Metas sua maior expressão. Ao final de sua execução, o programa deveria ter dotado o País de uma infra e superestrutura industrial capaz de modificar sua conjuntura econômica:

O Programa de Metas do Presidente Juscelino Kubitschek combinava recursos públicos e privados na realização de seus projetos, os quais deveriam concretizar-se em épocas distintas, uns ainda dentro de seu governo e outros a 5 a 10 anos mais tarde. Tal Programa continha 30 setores tidos como prioritários, para onde se concentrariam maciços investimentos. Os 30 setores estavam distribuídos da seguinte forma: 5 metas para a energia, 7 metas para transportes, 6 metas para alimentação e 12 metas para indústria de base. Procurando atingir estas metas, por meio da execução de obras e através da ampliação ou do estabelecimento de indústrias e de serviços essenciais, Kubitschek visava acima de tudo a promover o “equilibrado desenvolvimento econômico do País”. (VIEIRA, ibid., p. 85)320.

A racionalidade imposta à gestão pública no governo de JK suplantou o debate político, colocando em seu lugar o burocratismo e o tecnicismo. Reduzindo todo um complexo processo de desenvolvimento à industrialização, a única preocupação social no planejamento estatal era com uma residual qualificação de trabalhadores para atuar na indústria, o que foi chamado de infraestrutura educacional. A política social, em JK, não apresenta nem mesmo autonomia relativa à política econômica. Sociabilidade e acesso à satisfação de necessidades de

319 VIEIRA, Evaldo. Ob. Cit., 1983. 320 Id., ibid.

198 sobrevivência, por mais fundamentais que fossem, eram decorrência pura e simples do desenvolvimento industrial e econômico pautados pelo aumento da produtividade. Os investimentos que se fizeram no campo da habitação popular, da previdência social, da saúde e da educação voltavam-se para os objetivos claros da manutenção e reposição da força de trabalho, portanto, com foco nos trabalhadores produtivos e suas famílias.

Essa menção se faz importante, pois a marginalidade da política social em JK é um traço que o distingue tanto de seus antecessores, como Vargas, e também de seus sucessores, como os presidentes militares, ainda que estes últimos concebessem a política social como elemento estratégico para o doutrinamento que incutiram na população, ela se fez presente por melhorias sentidas, sobretudo, na estrutura da educação básica e fundamental (controlada) e da saúde.

Mesmo com esse cenário, é difícil não compreender a lógica do desenvolvimento juscelinista considerando os resultados do Programa de Metas

Entre 1955 e 1961, o valor da produção industrial, descontada a inflação, cresceu em 80%, com altas porcentagens nas indústrias do aço (100%), mecânicas (125%), de eletricidade e comunicações (380%) e de material de transporte (600%). De 1957 a 1961, o PIB cresceu a uma taxa anual de 7%, correspondendo a uma taxa per capita, ou seja, por habitante, de quase 4%. Se considerarmos toda a década de 50, o crescimento do PIB brasileiro per capita foi aproximadamente três vezes maior que o do resto da América Latina. (FAUSTO, 2003, p. 427)321.

As possibilidades da mobilidade social foram alimentadas pelo acesso ao consumo de bens antes acessíveis apenas aos estratos mais ricos da sociedade. Assim como a casa própria representou o sonho dos norte-americanos no american way life, o automóvel simbolizava o sonho brasileiro. JK cria, neste sentido, o Grupo Executivo da Indústria Automobilística (Geia) para incentivar a produção de automóveis no Brasil. O boom da indústria de automóvel amplia, sobretudo, no ABC paulista o operariado industrial, acelerando a urbanização, como também difunde o mito do transporte particular em detrimento dos investimentos em transporte coletivo para as massas. Ainda assim, o trabalho nessas indústrias representava, para a população, oportunidade de sobreviver em melhores condições de bem-estar.

Merece destaque ainda o ousado projeto de transferência da capital do País do Rio de Janeiro para o Planalto Central. A construção de Brasília – inaugurada em 21 de abril de 1960 – foi alvo de inúmeras controvérsias, mas todas elas secundarizadas pela euforia com que o projeto foi tratado pelo governo. Desse modo, o sonho de uma nova vida transportou milhares de trabalhadores de várias regiões do País, sobretudo do Nordeste, para participar da empreitada.

199 É importante salientar que a programática de desenvolvimento construída em JK com base na concertação entre o capital nacional e o estrangeiro coincide com a jovialidade do Fundo Monetário Internacional (FMI). Isto é, o FMI foi criado em 1946, como uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU), com o objetivo de promover a cooperação monetária internacional, entre outros objetivos. As relações amistosas entre o Brasil e os Estados Unidos, na primeira fase do governo JK, favoreceram os créditos concedidos ao País pela intermediação desse Fundo.

Contudo, os gastos governamentais com a construção de Brasília e com a sustentação do Programa de Metas redundaram em déficits no orçamento público exponencialmente crescentes. Associa-se a isso a não contenção da inflação e a redução da capacidade arrecadatória do Estado devido aos incentivos dados às empresas estrangeiras, tem-se como resultado o desequilíbrio do balanço de pagamentos e o aumento da dívida pública e da dependência do Estado.

Juscelino procede alterações em sua equipe econômica e tenta colocar em prática um novo plano de estabilização. O plano propunha seguir com restrições a ortodoxia econômica do FMI, que é assim resumida por Fausto (2003, p. 434):

(...) visa obter o equilíbrio das contas externas (...) estimulando as exportações através da liberalização do câmbio. Para isso propõe, de início uma desvalorização cambial e o abandono do controle cambial pelo governo através de taxas de câmbio diferenciadas – os chamados câmbios múltiplos. Ao mesmo tempo, trata-se de pôr fim ao déficit público através do corte de gastos e/ou aumento da receita do Estado322.

Essas medidas redundam diretamente em recessão e desemprego, além de não se ter a garantia de que lograrão êxito mesmo no longo prazo, pois um conjunto de fatores relacionados à economia mundial se atrelam a elas como intervenientes consideráveis. Assim, um impasse entre o Brasil e o FMI arrasta-se durante quase todo o ano de 1958 e início de 1959, quando, em junho deste ano, JK resolve romper com o FMI abandonando a fase final do plano de estabilização e pondo fim ao ciclo de crescimento que iniciara.

Essa ruptura, dentre outros aspectos que não nos compete arrolar, sugeriam uma aproximação tanto de JK quanto de sua base aliada ao PTB e aos comunistas, gerando uma instabilidade política que só teria fim com o golpe civil-militar de maio de 1964.

Benzer Belgeler