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3. BÖLÜM

4.4. ĠĢitme Değerlendirmesine ĠliĢkin Bulgular

4.4.2. Odyometrik Değerlendirme Ġle Ġlgili Bulgular

Nossa pesquisa foi desenvolvida com alunos da Escola Estadual Professor Varela Barca, localizada no bairro de Soledade II na zona norte no município de Natal / RN, na qual trabalhamos com duas turmas de terceira série do ensino médio, no turno vespertino. Além disto, professores de física do ensino médio dela fizeram parte, tendo em vista sua participação ao responderem um questionário (Ver Anexo A) sobre o ensino de eletromagnetismo no nível médio.

4.1.1 INSTRUMENTOS E VALIDAÇÃO DA PROPOSTA.

Utilizamos como principal instrumento de coleta de dados questionários semi- estruturados –questões abertas e fechadas– aplicados a professores de física que trabalham com a 3ª do ensino médio nesta capital (ver anexo A).

As perguntas formuladas no questionário dizem respeito aos conteúdos ministrados em sala de aula, material didático, uso de textos e experimentos nas aulas e quais as metodologias utilizadas, além de buscar informações sobre carga horária e formação do professor.

Inicialmente realizamos uma enquete4 como parte integrante e inicial deste trabalho, para termos uma panorâmica acerca da realidade do ensino de eletromagnetismo vigorante na região metropolitana de Natal, RN, no ano de 2006, com professores da 3ª série do ensino médio. Após a coleta de dados, fizemos algumas análises baseadas nas respostas ao questionário, as quais apresentamos a seguir.

4.1.2 CARACTERÍSTICAS DA PRÁTICA DOCENTE PRÓPRIAS AO ENSINO DE ELETROMAGNETISMO

No ano de 2006, de acordo com os dados da Secretaria Estadual de Educação do Rio Grande do Norte (RN), as 51 escolas de nível médio em Natal/ RN, contabilizamos 127 turmas do 3º ano desse nível. Nossa pesquisa não pôde contemplar todos os estabelecimentos de ensino devido a vários fatores, dentre os quais destacamos: escola em reforma, escola sem professor de física e falta de cooperação por parte de alguns deles. Portanto, realizamos nosso trabalho com os professores de 42 turmas (totalizando 14 professores de 2100 alunos). Constatamos que cada professor lecionava então em 12 turmas na rede pública, em média, e daí, o baixo número de questionários analisados.

Alguns desses professores também lecionavam em escolas privadas. Dentre os 14 professores entrevistados, a maioria se enquadra no grupo etário de 25 a 35 anos e apenas dois dentre eles são mulheres, conforme mostrado na Tabela 1 a seguir:

4. Enquete apresentada em forma de painel no XXIV Encontro de Físicos do Norte e Nordeste em João Pessoa no Ano de 2006 (ver resumo e texto integral na forma de painelno Anexo C).

Quantidade de escolas 51

Professores(as) entrevistados 14

Número de turmas 127

Número de turmas/professor(a) 12

Total de turmas do 3º ano 42

Total de alunos 2100

Faixa etária dos professores(as) 25 a 35

anos Tabela 1 – Dados coletados do questionário

Algumas temáticas foram mais relevantes neste levantamento, tais como (Ver Gráfico 1, abaixo):

9 Realizam discussões em sala de aula sistematicamente; 9 Utiliza mais de um tipo de material didático;

9 Trabalham com idéias prévias (concepções espontâneas)5 em sala de aula; 9 Ligação do assunto estudado com o cotidiano;

9 Equações matemáticas como meio para facilitar o ensino-aprendizagem de eletromagnetismo;

9 Usam experimentos para o ensino de eletromagnetismo; 9 Esporadicamente, utilizam textos em sala de aula; 9 Não realização de atividades extra- classe;

9 Avaliação contínua sobre todas as atividades, incluindo a prova.

Abaixo apresentamos um gráfico com os resultados obtidos na aplicação do questionário e posteriormente a análise.

5. Neste trabalho iremos utilizar as terminologias: concepções espontâneas, idéias prévias e conhecimentos prévios, como sendo sinônimos, ou seja, conhecimentos que os estudantes já trazem sobre determinado assunto, independente da visão escolar.

Gráfico 1- Resultados iniciais da aplicação do questionário Legenda das categorias no gráfico:

1) Realizam discussões em sala de aula sistematicamente; 2) Utiliza mais de um tipo de material didático;

3) Trabalham com idéias prévias em sala de aula; 4) Ligação do assunto estudado com o cotidiano;

5) Equações matemáticas como meio para facilitar o ensino-aprendizagem de eletromagnetismo;

6) Usam experimentos para o ensino de eletromagnetismo; 7) Esporadicamente, utilizam textos em sala de aula; 8) Não realização de atividades extra- classe;

9) Avaliação contínua sobre todas as atividades, incluindo a prova.

Discutimos sucintamente os itens relatados acima começando pelo material didático, verificamos que o livro-texto é o material mais utilizado pelos professores: 71,14% (10), dentre a metade (5 professores ) utiliza junto com o livro, apostilas e/ou notas de aula produzidas por eles próprios.

Quando perguntados sobre o uso de experimentos no ensino de eletromagnetismo, 92,86% (13) dos professores entrevistados acham importante e fazem uso desses experimentos . Dentre os professores que trabalham com experimentos, 57,14% (7) utilizam materiais confeccionados por eles mesmos.

Parte integrante das orientações dos PCN, as concepções espontâneas dos discentes devem ser estimuladas, trabalhadas e discutidas em sala de aula.

O GREF, por exemplo, trouxe uma contribuição importante neste sentido, com a elaboração das tabelas, no início de cada volume, auxiliando e norteando os

professores na aproximação do cotidiano dos alunos com a física. Dessa forma, percebemos em nossa pesquisa, a importância dada pelos entrevistados ao cotidiano dos alunos e às idéias prévias, sendo que 57,14% (8) fazem uso dela em sala de aula.

O caso das discussões em sala de aula gerou uma grande surpresa para nós 57,14% (8) dos professores afirmaram que realizam e estimula discussões sistemáticas nas práticas docentes, o que nos mostra um ponto positivo em nossas escolas, sobressaindo contra 21,43% (3) dos professores cujas discussões são estimuladas apenas quando sugeridas pelos estudantes.

Hoje em dia, com todo o desenvolvimento tecnológico inserido em nosso meio, é comum observarmos em jornais, revistas e na Internet, textos sobre diversos temas envolvendo física. Torna-se bastante útil, portanto, utilizar esta ferramenta como algo motivador para o ensino-aprendizado, discutindo, por exemplo, alguns erros apresentados nos textos ligados à ciência, especialmente nos livros-texto. Dos nossos entrevistados, 21,43% (3) dos professores, não trabalham com textos em sala de aula, enquanto 50,00% (7) utilizam, de forma esporádica, essa ferramenta didática.

Um dos grandes traumas no ensino de física é no tocante às equações matemáticas. Muitos livros foram publicados nas décadas de 1980 e 1990 com extrema preocupação com cálculos numéricos ligados à física. Tínhamos, por exemplo, livros de mecânica com aproximadamente metade dedicada à cinemática, em que na verdade havia mais matemática do que conceitos físicos. Esses livros devem ter exercido e/ou exercem, grande influência na prática docente que perdura até hoje, visto que 21,42% (3) dos entrevistados consideram as equações matemáticas como ferramenta extremamente importante para o entendimento dos conteúdos e 42,85% (6) como um meio para facilitar o processo ensino- aprendizagem. Com relação ao uso da matemática no eletromagnetismo, prática similar ocorre em relação aos conteúdos de eletrostática, desde o uso da lei de Coulomb até associações de capacitores.

Nos últimos anos, muito se tem discutido sobre o papel e a forma de avaliação. Por isso, apresentaremos uma breve discussão sobre avaliação, aproveitando para fazer algumas reflexões, tais como:

9 Será que a resolução de algumas questões mostra realmente o domínio do aluno sobre determinado assunto?

9 As participações em atividades dentro e fora da sala de aula merecem ser avaliadas?

9 Afinal, uma nota é realmente importante para se avaliar um estudante?

Estas e outras perguntas devem circular na mente de nós professores. Nesta etapa, verificamos a avaliação contínua sobre todas as atividades incluindo a prova, como sendo a mais trabalhada nas salas de aula (64,28%) (9). Esse resultado também nos leva a uma reflexão, pois atualmente se fala muito em avaliação continuada, mas pouco vem sendo feito, pelo menos na rede estadual de ensino em Natal, no intuito de esclarecer aos docentes sobre o que é e como fazer tal avaliação. Precisamos refinar a pesquisa e tentar descobrir o que os professores entendem por avaliação continuada.

Característica negativa verificada em nossa enquete é a quantidade de turmas por professor (em media 12 turmas), embora ligeiramente compensada pelo razoável número de alunos por turma (em média 30), geralmente inferior ao das escolas privadas. Tal quantidade de turmas por professor, na magnitude detectada, dificulta o processo ensino-aprendizagem. Nesta análise inicial, apresentamos os resultados parciais mais significativos. Estes resultados são os primeiros subsídios na composição do programa de ensino de eletromagnetismo que propomos, seguindo algumas prescrições dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) mencionadas anteriormente.

Benzer Belgeler