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LEED, ou Leadership in Energy and Environmental Design, segundo informações do sítio eletrônico de sua própria instituidora141, é um sistema de certificação internacionalmente reconhecido, o qual foi desenvolvido em março de 2000 pelo U. S. Green

Building Council, organização não governamental sediada nos Estados Unidos.

No Brasil, o selo é representado pelo Green Building Council Brasil. Este, instituído em março de 2007 e cujos trabalhos se iniciaram em janeiro de 2008142, tem o objetivo de contribuir para “o desenvolvimento da indústria da construção sustentável no país, utilizando as forças de mercado para conduzir a adoção de práticas de Green Building em um processo integrado de concepção, construção e operação de edificações e espaços construídos143”.

O procedimento para a obtenção do certificado ocorre por meio do cadastro do projeto junto à organização, seguido do preenchimento e envio de formulários e documentos verificados durante as fases de planejamento, implantação e uso do edifício144. Este é avaliado através de sistemas de classificação que pontuam os edifícios segundo critérios de: espaço

141 U.S. Green Building Council. Disponível em http://www.usgbc.org/DisplayPage.aspx?CMSPageID=1988. [Tradução livre]

142 O primeiro empreendimento brasileiro contemplado com a certificação LEED foi uma agência do Banco Real localizada na região da Granja Viana, em Cotia, São Paulo. (SILVA, Vânia. Empreendimentos verdes na era do aquecimento global. In: Tem Construção, São Paulo, n. 137, p. 16-29,jun./jul. 2008. p. 24.)

143 Disponível em http://www.gbcbrasil.org.br/pt/index.php?pag=missao.php

144 PONTES, Victor Ventorini. Estudo sobre a adequação de um edifício residencial à certificação Leed. Monografia (graduação em Engenharia Civil) - Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2010. p. 21.

sustentável, localização, entorno, eficiência no uso de água e energia, qualidade do ar, materiais utilizados, qualidade ambiental interna, inovação e processo de projeto145.

A partir da análise dos aspectos acima, que tem como referência as condições climáticas e culturais dos Estados Unidos146, realiza-se o somatório dos pontos obtidos pelo empreendimento ao qual se deseja atribuir a certificação, podendo este enquadrar-se nas categorias, em ordem crescente de sustentabilidade: Não Certificado (0-39), Certificado (40- 49 pontos), Prata (50-59 pontos), Ouro (60-79 pontos) e Platina (80-110)147.

Da forma como se apresenta atualmente, o selo pode ser aplicado a qualquer tipo de edifício, assim como para bairros inteiros. As certificações são subdivididas em nove sistemas de classificação, organizadas da seguinte forma: Novas Construções (NC), Edifícios Existentes: operações e manutenção (EB: OM), Projetos de interiores de edifícios comerciais (CI), Fachada e Núcleo (CS), LEED para Escolas (SCH), LEED Retalho, LEED Saúde (HC), LEED para Residências, LEED para Desenvolvimento de Bairro (ND).148 Destas, a espécie que tem sido mais utilizada no Brasil é a CS, com 44% dos registros realizados no site do GBC Brasil até março deste ano.149

Os custos adicionais gerados às empresas que se interessam pela obtenção do LEED podem ser considerados sob dois aspectos: o da quantia necessária para o cadastro e submissão dos formulários preenchidos on line à certificadora e o da adaptação do prédio aos requisitos impostos pelo sistema. Quanto ao primeiro deles, segundo dados fornecidos pela revista Téchne em fevereiro de 2010150, a taxa de inscrição custa US$ 600, ao passo que os valores para a auditoria dos projetos cadastrados variam de US$ 2.250 a US$ 22.500, a depender do tamanho do empreendimento.

Por outro lado, estima-se que a certificação demanda acréscimo de investimento de 0,8% para a certificação básica, 3,5% para a Prata, 4,5% para a Ouro e 11,5% para a

145 COELHO, Laurimar. Carimbo Verde. In: Revista Téchne, São Paulo, n. 155, p. 36, fev. 2010.

146 Conforme Vanessa Gomes, conselheira do Conselho Brasileiro de Construção Sustentável, “O Leed hoje no Brasil é usado exatamente como é usado nos Estados Unidos. O que acontece é que nessa versão 3.0 há quatro pontos dedicados para regionalização, em princípio válidos para empreendimentos dentro do território norte- americano”. (TAMAKI, Luciana. Ganho Sustentável. In: Revista Téchne, São Paulo, n. 155, p. 18-22, fev. 2010. p. 19).

147 Green Building Council Brasil. LEED Core and Shell. Versão 3.0. Disponível em:

<http://www.gbcbrasil.org.br/pt/pdf/CheckListLEEDCS2009Portugues.pdf.> Acesso em: 05 mai. 2011.

148 U.S. Green Building Council. Disponível em http://www.usgbc.org/DisplayPage.aspx?CMSPageID=222 [Tradução livre]

149 Green Building Council Brasil. Registros por categoria LEED. Disponível em:

<http://www.gbcbrasil.org.br/pt/index.php?pag=certificacao.php&certificado=cert_historico.php>. Acesso em: 05 mai. 2011.

Platina, em relação a um prédio convencional, tendo como referência os Estados Unidos.151 No Brasil, segundo o gerente técnico do GBC Brasil, Marcos Casado, a tendência é que se gaste a mais entre 5% a 10% em edifícios comerciais e 2 a 4% em residenciais, para a obtenção de uma construção verde, mas estas porcentagens não se baseiam especificamente na adequação aos padrões da certificação LEED152.

Entretanto, o próprio GBC disponibilizadados a fim de demonstrar que os custos inicialmente arcados pelos empreendedores são recompensados em um prazo médio de 3 a 5 anos, defendendo que o consumo de energia elétrica pode ser reduzido em até 30%, as emissões de dióxido de carbono atingem queda de até 35%, o uso de água potável é reduzido em média 40%, e os gastos na gestão de resíduos é minimizada de 70 a 80%153.

Atualmente, existem no Brasil 30 empreendimentos certificados em alguma das categorias LEED e 245 em processo de Certificação. No Ceará, tem-se três edifícios em processo não sigiloso de certificação (agência do Banco do Brasil de Messejana, edifício residencial Paço das Águas e edifício comercial LC Corporate Green Tower), conforme dados obtidos no site do GBC Brasil.154

Benzer Belgeler