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No período da escravidão no Brasil, a criança negra, de 6 a 12 anos, já auxiliava os adultos em pequenas tarefas, enquanto a criança branca, aos 6 anos, começava a receber ensinamentos de gramática, matemática e boas maneiras. Aos 12 anos, a criança negra já começava a trabalhar como adulto participando da vida produtiva e considerada apta para a vida sexual, enquanto a criança branca prosseguia nos estudos e era cuidada e servida. (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE/FACULDADE DE EDUCAÇÃO, s/d).

Após a abolição dos escravos e a proclamação da república, surge uma sociedade com ideais capitalistas e industriais, com atenção ao problema educacional das crianças. Até então, as iniciativas voltadas às crianças eram de caráter higienista em função do alto índice de mortalidade infantil.

Segundo Kramer (1992), neste período ocorrem as primeiras preocupações em elaborar leis que regulamentassem a vida e a saúde dos recém nascidos; regulamentassem o serviço das amas de leite; velassem pelos menores trabalhadores e criminosos; atendessem às crianças pobres, doentes, defeituosas, maltratadas e moralmente abandonadas; criassem maternidades, creches e jardins-de-infância. As primeiras creches surgiram no Brasil segundo Elali (2002), em 1908 em São Paulo e, em 1909, no Rio de Janeiro (Jardim-de-Infância Campos Sales). Elas foram criadas para atender às mães que trabalhavam como operárias na indústria ou, como empregadas domésticas.

A partir daí, em função dos altos índices de mortalidade infantil, começaram a surgir novos locais para atendimento de crianças. Estes estabelecimentos surgiam através da iniciativa de médicos, religiosos e entidades filantrópicas e eram de caráter assistencialista ou seja, proporcionavam alimentação, segurança e higiene.

Em 1909 foi criada uma instituição filantrópica, o “Instituto de Proteção e Assistência à Infância” do Rio de Janeiro, que prestava assistência médico-social para o desenvolvimento saudável da criança. No início de 1919, foi fundado no mesmo prédio, o “Departamento da Criança do Brasil”. Em princípio, este Departamento seria de responsabilidade do Estado, mas era mantido, na realidade, por doações.

Em 1923, surgiu a primeira regulamentação do trabalho feminino no país que protegia a mãe trabalhadora, obrigando os estabelecimentos industriais e comerciais a instalarem creches ou salas de amamentação próximas ao local de prestação de serviços. (CAMPOS; ROSEMBERG; FERREIRA, 1995). Mais tarde, esta obrigatoriedade foi regulamentada de forma mais precisa pelo Decreto nº 21.417-A de 1932 que assegurava, em estabelecimentos com pelo menos 30 mulheres, um local para guardar sob vigilância e assistência os filhos em fase de amamentação das mães trabalhadoras maiores de 16 anos.

Nos anos 30 houve uma aceleração da industrialização e crescimento das cidades e neste período a criança passa a ser encarada como um adulto em potencial, uma matriz do homem. A partir da década de 40 surgiram vários órgãos federais de amparo assistencial e jurídico para a infância.

Em 1940, foi criado o Departamento Nacional da Criança (DNCr) que prestava assistência médica preventiva. A LBA (Legião Brasileira de Assistência) foi fundada em 1942 e segundo Campos et al (1995, p.30), tinha “como objetivo inicial amparar os convocados para a II Guerra Mundial e suas famílias. Foi a primeira instituição de assistência social de âmbito nacional”. Um dos principais programas criado pela LBA foi o Projeto Casulo, criado em 1977 que atendia crianças menores de 7 anos promovendo recreação e tentando suprir carências alimentares e impedir a marginalização. (ELALI, 2002).

Um ano após a criação da LBA, o Decreto nº 5.452, de 1/5/1943, aprovou a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT que continha seis artigos referentes ao direito à amamentação e às creches (Arts. 389,396,397,399,400,401). (CAMPOS;ROSEMBERG;FERREIRA, 1995). Em 1953 foi criado o Ministério da Saúde que assumiu conjuntamente com o DNCr a responsabilidade pela proteção materno-infantil e estabeleceu as primeiras normas específicas para o funcionamento de Jardins-de-Infância nos anos 60, com o programa que criava os Centros de Recreação pelo Ministério da Saúde.

Foi instituída, em 1964, a Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor - FUNABEM, órgão vinculado à Presidência da República, substituindo o Serviço de Assistência ao Menor - SAM. Para Campos; Rosemberg e Ferreira, (1995), sua criação se deu em busca de uma reformulação ao atendimento do menor abandonado sendo que o atendimento em creches não era seu objetivo prioritário (atendia um número reduzido de crianças e não se distribuía por todo o Estado). Depois de passar por diversas modificações, foi extinta em 1990 e substituída pela Fundação Centro Brasileiro da Infância e Adolescência - CBIA.

Em 1967, o DNCr criou os Centros de Recreação, uma proposta de atendimento em massa, já que as escolas maternais e jardins-de- infância trariam um ônus elevadíssimo para o Estado, impedindo que a maior parte da população fosse atendida. Segundo Rosemberg, (1992), a solução intermediária oferecida foi a criação dos Centros de Recreação que deveriam apresentar as seguintes características:

[...] criação de unidade simples, em forma de galpão, abrigadas pelas igrejas... visando atender as necessidade físicas e psicossociais dos pré-escolares [...]. O pessoal para trabalhar nestes centros, sendo o mínimo indispensável, recrutado entre as pessoas de boa vontade, à base do voluntariado, reservando-se o pagamento para alguns técnicos necessários à supervisão e coordenação dos serviços cujos encargos são de maior responsabilidade. (ROSEMBERG, 1992, p.24).

Enquanto isso, nas escolas privadas, os jardins-de-infância funcionavam em colégios principalmente religiosos, agregados aos outros níveis de ensino, onde a criança além de participar de atividades lúdicas recebia educação.

Em 1970 houve uma crescente evasão e repetência das crianças de classes pobres do ensino de 1º Grau. Em função disso, foi instituída a pré-escola para crianças de 4 a 6 anos, também denominada de educação compensatória, para suprir as deficiências culturais que os filhos das famílias de classe econômica mais baixa apresentavam.

Conforme Campos; Rosemberg e Ferreira, (1995), o Ministério da Educação e Cultura – MEC em 1971, promulgou a Lei nº 5.692/71 tornando obrigatório o ensino de 1º Grau, com duração maior, de 8 anos, para a faixa etária compreendida entre 7 e 14 anos, e se referiu no Artigo 19, de forma vaga, sobre a educação pré-escolar.

Em 1975 foi criado pelo Ministério da Educação e Cultura – MEC, o Setor de Educação Pré-escolar-SEPRE que depois se tornou Coordenação –

CODEPRE, e em 1975 se tornou Coordenadoria de Educação Pré-escolar – COEPRE.

Segundo Kramer & Souza (1988), o MEC lançou em 1981 o Programa Nacional de Educação Pré-escolar, integrando Secretarias de Estado da Educação e o Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL, tornando-se neste momento (1982), responsável por 50% do atendimento pré-escolar público no país.

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