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Normal İnsan Dokularında Glutatyon S-Transferaz Doku Dağılımları

Como poderíamos pensar a expansão da EAD no país e, consequentemente, a cons- trução coletiva do conhecimento a partir da rede mundial de computadores?

Farei uma breve análise crítica do trabalho desenvolvido pelo Projeto Comunidade

Saudável, no qual desenvolvi meu mestrado de 2002 a 2004, junto aos agentes de saúde numa

das regiões mais pobres de Campinas. Não se tratava do nível de miséria absoluta descrito por Sachs (2005), mas não estava muitos degraus acima. A montanha russa das mudanças, tal co- mo descreve Sevcenko (2005), estava presente. A precariedade ou ausência dos serviços pú- blicos demonstrava a extrema fragilidade do estado e o desamparo da população. Apoiados pelos parcos equipamentos sociais da comunidade (postos de saúde, escolas, associações etc.), pelo estabelecimento de parcerias público-privadas e pela estruturação de uma rede de com- putadores conectada à internet, o projeto pretendia disponibilizar o conhecimento técnico- científico por meio de ações de aprendizagem, para que a comunidade se apropriasse dele, passando a utilizá-lo na promoção da saúde e da melhoria de vida da comunidade. A ideia central que permeava o projeto era que “informação adequada” + “ações de aprendizagem” + “parcerias” + “tecnologia” seriam fortes elementos para o desenvolvimento da autonomia e do empoderamento da comunidade e, por essa via, de combate à miséria. Podemos dizer que o projeto se aproximava da visão de Sachs para o combate à miséria: encontrar os problemas lo- cais e sugerir soluções que reintegrassem a comunidade ao mercado e à sociedade.

Desse percurso, pinçarei apenas o aspecto relacionado ao presente debate. O primeiro movimento realizado, ao se vencer a etapa de entrada na comunidade, foi o planejamento da instalação da rede de computadores, conectada à internet. Ao serem iniciados os debates sobre o tema junto à comunidade, emergiram os problemas sistêmicos: a Unicamp instalará os com- putadores, mas quem custeará a administração e a manutenção da rede? Nesse caso concreto, combater a falta de conhecimento e a pobreza da comunidade significava um custo de admi- nistração e manutenção razoável e definir quem se responsabilizaria por ele não era uma ques- tão filosófica, mas política, econômica e financeira. Quem pagaria pelos softwares instalados? A comunidade usaria software pirata, pagaria pelos softwares proprietários ou usaria softwa-

res livres? Seria eticamente correto a Unicamp, ou a prefeitura, fomentadores do projeto, pa-

gar milhares de dólares à Microsoft para desenvolver trabalhos na comunidade? Se a ideia era desenvolver o empoderamento e a autonomia da comunidade, isso poderia se dar tanto com o

software proprietário como com o software livre? As possibilidades de construção do conhe-

cimento, da autonomia e do empoderamento são as mesmas para os dois tipos de software? Comprar, alugar ou usar softwares proprietários traz um grau superior de desenvolvimento pa- ra uma comunidade, por estar se incorporando ao mercado, do que usar software livre?

Apesar de a rede ter sido instalada com custos para a Unicamp, o debate sobre essa questão não só permaneceu, mas também revelou que, apesar das grandes dificuldades, em todo o período de atuação foi mais fácil conseguir financiamento para máquinas do que para formação dos membros da comunidade. Isso revela, dentro dos aspectos sistêmicos sugeridos por Sevcenko (2005), que as instituições envolvidas, tais como a Unicamp, a FAPESP, a Pre- feitura de Campinas e empresas privadas têm uma tendência a entender o investimento em tecnologia de rede sem o contraponto do investimento no fator humano. Quando se pensa nele, o resultado é, via de regra, a capacitação individual, mas não o estabelecimento de uma rede humana. Ao que tudo indica, entende-se que essa rede humana se dará naturalmente à medida que se construa a rede de computadores. Os poucos parceiros da iniciativa privada que tive- mos entendiam investimento em tecnologia como criação de um novo mercado. Isso significa que qualquer investimento sempre estará atrelado a um retorno imediato ou a médio prazo, e do ponto de vista dos interesses daquela empresa em particular. Como desenvolver uma rede humana da comunidade plugada numa rede de computadores e à internet que possa ser uma arma contra a miséria, sem o devido investimento no fator humano? A única via possível seria a sugerida por Sachs, de integração da comunidade ao “mercado”?

Dessa experiência foi possível perceber que investir em tecnologia de rede, depen- dendo do interlocutor, pode significar novos mercados e novas possibilidades de lucro; ad-

quirir ou desenvolver tecnologias e disponibilizá-las ao mercado; novas formas de comunica- ção e propaganda; novas formas de verificação e ingerência nas tendências de mercado etc.

Nesse caso particular, o foco variava entre o maquinário (computador, fibras, satélites etc.) e o mercado. O fator humano, propriamente dito, entrou como um elemento secundário e su- bordinado aos anteriores. Consequentemente, o ritmo previsto para a solução desses proble- mas estará vinculado por um lado às dinâmicas do sistema político-administrativo e por outro às possibilidades de aceleração que a tecnologia possibilita.

O segundo exemplo da relação sistema-rede que vale a pena mencionar refere-se à notícia sobre o uso da internet na China, publicada pelo O Estado de S. Paulo em 21/04/2008. As manchetes da notícia já são, por si, alarmantes e preocupantes: Internet vira arma do go-

verno da China. Crise no Tibete mostra como rede pode ser usada para propaganda.

(TREVISAN, 2008, p. 18). Convém reproduzir aqui partes da notícia, dado o seu caráter es- clarecedor e exemplificador do tema em debate:

Vista por muitos acadêmicos e políticos ocidentais como a ferramenta que iria conduzir os chineses na direção da democracia, a internet mostrou uma outra face no recente confronto entre Pequim e o Ocidente em torno da si- tuação do Tibete: a de um poderoso instrumento de propaganda a serviço do governo, que usa a censura e a disseminação de informações na rede para despertar sentimentos de patriotismo e conduzir a opinião pública na direção que lhe interessa.

[...]

Segundo estimativa da empresa de consultoria BDA, a China acaba de ul- trapassar os EUA, assumindo a liderança mundial no ranking de número de internautas, com 220 milhões de pessoas conectadas.

[...]

Ao mesmo tempo, o governo construiu o mais sofisticado mecanismo do mundo para o controle da informação que circula on-line. O sistema blo- queia o acesso a milhares de sites por meio de palavras-chave relacionadas a temas proibidos

[...]

A censura também funciona em chats, blogs e até em e-mails. Pequim utili- za um exército de cerca de 30 mil a 40 mil censores, que monitoram as dis- cussões on-line.

[...]

Dunkan Clark, presidente da BDA, discorda da avaliação de que a rede de computadores levará a reformas democratizantes na China. “A internet é uma tecnologia neutra, sem um sistema de valores, e cada um a utiliza co- mo quer. Se existisse na Alemanha dos anos 30, o site número 1 seria www.nazi.gov”. (TREVISAN, 2008, p. 18).

O tempo para que a democracia floresça na China dependerá muito mais da dinâmica do sistema político e social do país do que da rede física da internet, apesar de ser o país com maior número de usuários.

Pelos exemplos descritos, é possível perceber que, embora a tecnologia, os softwares, livres ou proprietários, sejam ferramentas importantíssimas para a construção coletiva do co- nhecimento e para o combate à miséria, a forma como são pensados, articulados e manusea- dos pelos grupos políticos e econômicos se constitui na via de aumento e não de combate dos problemas dos setores menos favorecidos da sociedade. Ou seja, a solução de determinados problemas sociais, seja na educação, na saúde ou em qualquer outro setor, depende de como se pensa e se usa a tecnologia. O maior ou menor ritmo para a solução está, pois, vinculado a essas matrizes do pensamento humano.

Em ambos os casos, parte-se da implementação de uma rede de informações e co- nhecimentos, mas não se desvinculam nem superam, por si, as regras do sistema. Isso nos su- gere que a crítica ética ao uso educacional das redes, sugerida nesse trabalho, deva ser cons-

tante e em ciclos recursivos, rede-sistema-rede, para que possamos realmente avançar de for- ma sustentada na superação das visões admiravelmundista e oitentaquatromundista.