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Nonstasyoner Düşük Akım Serilerinde Frekans Analizi

3. NONSTASYONER DÜŞÜK AKIM SERĐLERĐNĐN ĐSTATĐSTĐK

3.1 Nonstasyoner Düşük Akım Serilerinde Frekans Analizi

Segundo o pensamento weberiano, as idéias em todas as esferas – artísticas, éticas, políticas, religiosas, científicas – surgem de um avaliar subjetivo, “a serviço da época”. Entretanto, a diferença entre a racionalização e a “carismatização” é que, enquanto aquela se caracteriza como uma forma de assimilação, ou de apropriação das vivências do criador das idéias ou das obras de “fora para dentro”, na “carismatização” a forma é inversa, isto é, os liderados são envolvidos a partir de uma transformação central na sua forma de pensar, que envolve uma “sujeição íntima ao nunca visto, absolutamente singular, e, portanto, divino” (WEBER, 2004, v.2, p.328).

Nesse sentido é que a fé que está na base da construção carismática contém um poder verdadeiramente revolucionário, visto que substitui a crença naquilo que existe desde sempre, nas normas da tradição, e também substitui a submissão às regras estatuídas no interior de um esquema burocrático – ainda que elas possam ser alteradas ou trocadas por outras – por uma sujeição íntima a algo novo, que rompe com a tradição e com as regras estabelecidas. O passado sagrado – sagrado em virtude da antiguidade e da sua vinculação a origem divina – e o presente padronizado segundo as regras racionalizadas são desprezados pelo poder

carismático, que surge como algo novo na história, algo que rompe com a tradição e com a burocracia, sendo por isso mesmo, criador e criativamente revolucionário.

Segundo a conceituação weberiana, a dominação carismática não produz uma estrutura que regule objetivamente as funções, tarefas e limites, tais como se encontra nas organizações burocráticas. Não há qualquer

procedimento ordenado de nomeação ou demissão, nem de “carreira ou promoção”; não conhece nenhum ‘salário’, nenhuma instrução especializada regulamentada do portador do carisma ou de seus ajudantes e nenhuma instância controladora ou à qual se possa apelar. (2004, vol.2, p. 324). Fica muito evidente, quando observamos a realidade administrativa das igrejas neopentecostais, que ocorre uma fusão dos modelos carismático e burocrático de dominação religiosa, apresentados por Weber. Ao mesmo tempo e no mesmo local, as igrejas neopentecostais pesquisadas apresentam formas de governo que incorporam elementos do modelo carismático e elementos do modelo burocrático.

O crescimento das comunidades pentecostais exigiu o desenvolvimento de sistemas administrativos estruturados, processo denominado como burocratização e rotinização do carisma, expressões que tomamos aqui de Weber (2004, v. 1, p.161ss). Isso porque o carisma pessoal não é capaz de, por si só, manter e conduzir um grupo que se torna mais e mais numeroso e se propõe a uma atuação expansionista. O poder de Deus passa do fundador e líder para a instituição que ele administra ou outras pessoas, em geral ligadas ao fundador e por seu poder legitimadas. O poder passa a ser mediatizado por sistemas e estruturas racionais burocratizadas, constituídas para garantir a permanência e orientar a caminhada e atuação do grupo religioso.

Esse processo de construção e constituição de estruturas de poder que são ao mesmo tempo carismáticas e burocratizadas será discutido e apresentado no próximo capítulo, quando ficará mais nítida a relação entre essas formas modernas de poder religioso nas igrejas neopentecostais pesquisadas.

V – O LÍDER E A LIDERANÇA NEOPENTECOSTAL

Neste capítulo, vamos apresentar as observações que a pesquisa de campo nos proporcionou, nos aspectos práticos da liderança, tal como ela é configurada no neopentecostalismo, para verificarmos as relações que existem entre a dinâmica própria da estruturação do poder no interior desse campo e a fragmentação que é notória por toda parte.

De início, pudemos perceber uma dificuldade para aplicar ao neopentecostalismo pesquisado o quadro categorial de Weber, no que diz respeito à relação do tipo de dominação carismática com a estruturação econômica e racional. Para Weber, o líder carismático desdenha e até despreza, no tipo puro, a economia cotidiana tradicional ou racional, isto é, recusa-se a receber salário, ou qualquer forma de levantar “receitas regulares por meio de uma atividade econômica contínua dirigida para esse fim” (2004, v. 1, p.161). Quando busca rendas, o faz de tal maneira que as receitas sejam obtidas de maneira ocasional, isto é, não regular e continuamente, como, por exemplo, através de “doações, gorjetas, corrupção, espólio, extorsão violenta ou (formalmente) pacífica” (2004, v.1, p.161). É comum os líderes carismáticos “viverem de rendas”, como “forma de dispensa de toda ação econômica”. Assim, o movimento carismático é, para Weber, tipicamente antieconômico.

Essa desvinculação entre carisma e economia, em Weber, pode ser perfeitamente entendida como correspondente ao afastamento conceitual entre o extraordinário e o cotidiano, pois o tipo carismático é, por natureza, revolucionário, sobrenatural. O contato constante com a realidade cotidiana, com o comum e tradicional, esvazia seu conteúdo sobrenatural, místico, divino, extraordinário. Por isso é que Weber considera o carisma puro como especificamente alheio à economia, à realidade pautada por regras, pois estas produzem uma domesticação da vida e das relações sociais. Enquanto a tradição e a razão representam uma estruturação da vivência, uma normatização, o carisma, ao contrário, propõe algo novo, inédito, não domesticado racionalmente. Daí seu caráter fortemente revolucionário.

Entretanto, mesmo os movimentos carismáticos não podem permanecer puramente carismáticos. A dominação carismática, que representa uma relação social estreitamente

pessoal e transitória, para se manter, precisa estabelecer um sistema, criar uma rotina, construir um contexto de regras, através das quais possa dar ao movimento revolucionário um caráter permanente. Dessa forma, o carisma se rotiniza, como já foi falado. Ao assumir um caráter de relação permanente, a associação hierocrática precisa modificar-se substancialmente, assumindo a forma tradicional ou a forma racional de dominação, ou ambas.

As diversas igrejas que pesquisamos permitem-nos perceber uma combinação dos três tipos ideais propostos por Weber. O carisma pessoal do fundador, que é comunicado posteriormente à instituição, a estrutura racional e burocrática e o apelo à tradição são mantidos nas novas igrejas que têm nascido em Sorocaba. Entretanto, desenvolvem formas peculiares, de burocratização e de tradicionalização, no processo de adaptação à sempre nova realidade social, em contínua transformação.

Benzer Belgeler