3. Sayıltılar
1.3. Sanatta Strüktür Öğesi Olarak Ritim
1.3.1. Resim Sanatında Ritim Unsurları
1.3.1.1. Nokta-Çizgi-Doku
Os CIAM colaboraram para definir a função do museu, outorgando-lhe um lugar privilegiado no planejamento da cidade através da revisão de seu programa e arquitetura, tornando-o elemento participante da reanimação dos novos centros. Em paralelo ao desenrolar dos debates em torno dos museus, projetos foram desenvolvidos resultando em experiências que apresentaram uma renovação das tipologias e se tornaram modelos para grande parte dos museus criados no pós-guerra. Le Corbusier desenvolveu pelo menos duas propostas de projetos para museus, o “Museu Mundial” (1929) e o “Museu do Crescimento Infinito” (1939), ambos concebidos a partir do princípio de flexibilidade dos espaços internos, que estarão presentes em diversos dos seus projetos urbanos.54 O projeto de Mies van der Rohe para o “Museu para uma cidade pequena” (1942), apesar de não construído, se encontra o princípio de espaço expositivo contínuo, da caixa transparente e sem paredes, que possibilita a integração da arte exposta em seu interior com o meio em que está inserido. O Museu Guggenheim (1959), que Frank Lloyd Wright projetou para Nova York, redefine a paisagem de Manhattan com sua forma determinante.
O próprio Bardi, ainda na Itália, desenvolveu projetos para espaços expositivos que não saíram do papel: o projeto para uma moderna galeria de arte - uma caixa transparente e pátio externo
51 Idem, pp. 51.
52 SERT, Josep. L. ROGERS, E. N., SERT, J. L., TYRWHITT, J. El Corazón de La Ciudad: por uma vida más humana
de la comunidad.Barcelona: Hoelpi. 1955. p. 8.
53 Idem, pp. 8-11.
54 Inclusive no projeto do centro cívico que Affonso Eduardo Reidy elabora para o desmonte do Morro Santo Antonio no Rio de Janeiro, em 1949, concebido de acordo com os postulados dos CIAM.
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para exposições - realizado com o arquiteto Guido Fiorini55, e o conjunto de pavilhões para o
concurso do “Pallazzo della Civiltà Italiana” na Exposição Universal que deveria ocorrer em Roma em 1942.56
Na Itália do pós-guerra, o trabalho desenvolvido pelo arquiteto Franco Albini para a reordenação do Palazzo Bianco em Gênova (1949-1951) e o Museu para o Tesouro de São Lourenço do Duomo de Gênova (1953), assim como o Palazzo Abatellis em Palermo (1953), de Carlo Scarpa, e o Museu do Castello Sforzesco em Milão, do BBPR (1961-1967) são alguns exemplos das experiências que afirmavam a qualidade das pesquisas desenvolvidas pelos arquitetos italianos na reorganização de edifícios tradicionais para receber a instalação de modernos dispositivos expositivos. Do ponto de vista urbanístico, esses museus, geralmente localizados nos centro históricos das cidades, contribuíram para demonstrar a função positiva dos museus na reanimação nesses centros.
Franco Albini, em seu texto “A Arquitetura dos Museus e os Museus na Urbanística Moderna”, publicado na revista Habitat57, afirma que, juntamente a importância de se pensar a inserção do
edifício do museu na cidade, o papel do museu moderno é o de cumprir funções múltiplas e complementares, como veículos de difusão do conhecimento na vida social. Para Albini, o conceito de “museu vivo” pode ser concebido com duas tendências que conduzem a problemas urbanísticos diferentes: “a primeira tendência, inclinada a conservar ao museu o seu caráter tradicional, aspira ligá-lo a outros organismos culturais da cidade, escolas, clubes, centros de vida, levando-o assim, a participar de um conjunto de atividades coordenadas no organismo urbanístico da cidade; a segunda tendência quer criar um museu que seja um organismo autônomo, com o maior número possível de atividades e motivos de atrações, além de manter contactos com todas as escolas de arte, e todos os cursos em geral”.58
O Brasil terá participação importante nesse debate. Conforme apontamos anteriormente, o MASP teve o seu programa educativo e suas instalações reproduzidos na revista Museum, com a participação de Pietro Maria Bardi no congresso do ICOM no México assim que o museu foi inaugurado, e alcançou uma visibilidade maior na Europa por ocasião das exposições de sua coleção organizadas pelo museu a partir de 1953, sendo o seu programa publicado em revistas especializadas em arquitetura, como a Domus, de Gio Ponti.59 Em 1955, o segundo
número especial da revista francesa L´Architecture d´Aujourd´hui, voltado para o tema da arte e arquitetura, publicou uma série de novos edifícios para museus, entre os quais o trabalho desenvolvido por Lina Bo Bardi comparece.60 O artigo intitulado “Musees d´Art Moderne”,
55 TENTORI, Francesco. P.M. Bardi. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 2000. p.123. 56 Idem, pp. 134-135.
57ALBINI, Franco. "A arquitetura dos museus e os museus na urbanística moderna". Habitat, n. 15, 1954. p.31. 58Idem.
59 Nesses primeiros anos o MASP foi publicado nas revistas estrangeiras: “Architetti e critici d´arte italiani in Brasile. Um museo dell´architetto Lina Bo”. Metron n.30, Roma, dez. 1948, pp. 34-35. “Museum of Art São Paolo Brazil”.
Architectural Review n. 669, Londres, set. 1952, pp. 160-163.
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assinado por Roger Bordier e Michel Seuphor, destaca a orientação dos programas dos novos museus implantados e a qualidade presente nas soluções expositivas, chamando a atenção para a museografia do MASP. O artigo enfatiza a proposta de uma coleção voltada para a arte moderna e antiga e a museografia adotada, ilustrando essa ideia com uma fotografia em que se vê uma escultura de Max Bill suspensa entre duas esculturas gregas, no espaço da Pinacoteca.61 A mesma publicação reproduz o projeto de Lina para o Museu de São Vicente
(1951), publicado juntamente com o auditório-mecânico, que apresenta um sistema de rotação de obras de arte, afirmando o caráter didático e de difusão para as massas das suas propostas museográficas. Citando Pietro Maria Bardi, o artigo de Bordier defende que somente “uma arquitetura moderna poderá traduzir a função que um museu moderno deverá cumprir”. 62 Os museus brasileiros ainda mereceram destaque em 1956, novamente na revista Museum, no seu primeiro número dedicado exclusivamente à arquitetura de museus, em que figuram cinco projetos para museus de arte realizados em três países: Brasil, Itália e Estados Unidos. O editorial da revista justifica que a escolha se deveu ao fato de se tratar de experiências recentes dos países que mais contribuíam para a renovação das técnicas expositivas.63 Assim
como a Aujourd´hui, a revista Museum selecionou projetos para novos edifícios e experiências realizadas em restauro e preservação. O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, de Affonso Reidy, a Galeria de Arte Moderna de Turim, de Carlo Bassi e Goffredo Boschetti (1951), a ampliação do Museu de Arte da Universidade de Yale em New Haven, de Louis Kahn e Douglas Orr (1953), o Museu do Tesouro da Catedral de San Lorenzo em Gênova, de Franco Albini, e o restauro e a nova museografia proposta para o Museu Nacional de Villa Giullia em Roma, pelo arquiteto Franco Minissi (1952).
No Brasil, os Bardi acompanharão de perto esse movimento em torno da renovação dos museus. Serão analisados na revista Habitat os museus italianos – em especial os projetos de Franco Albini para o Palazzo Bianco e o Museu para o Tesouro de São Lourenço em Genova – e os jovens museus norte-americanos e brasileiros, destacando tanto a arquitetura e museografia desses museus como suas diretrizes, atividades e programas educacionais, quase sempre relacionando-os aos do próprio MASP. Em relação aos museus brasileiros, é notável o espaço destinado pela revista aos MAMs, em especial ao seu vizinho paulista, que constantemente terá suas atividades notificadas pela revista, incluindo as Bienais. Merece ser mencionada a publicação, pela Habitat, do projeto de Reidy para o MAM-RJ, que mereceu da revista uma série de edições, acompanhando o processo da realização das obras e a formação do acervo.
61 “Musée d´art à Sao Paulo” in Aujourd´hui: art et architecture , n.2, mar-abr, Paris, 1955, pp. 62-63.
62 “Mais la question primordiale qui se pose est celle de l´architecture dês musées. On ne peut qu´approuver PM Bardi lorsqu´il écrit: “um musée doit être considéré comme um organisme architectonique méticuleusement étudié jusqu´em sés moindres détails, comme on étudie n´importe quel organisme architectonique”. BORDIER, Roger. “Le Musée dan le monde d´aujourd´hui” in Aujourd´hui: art et architecture, n.2, mar-abr, Paris, 1955, pp. 58-59. A revista ainda analisa os projetos do artista Cícero Dias para um equipamento expositivo, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro de Affonso Eduardo Reidy, o projeto de Ignazio Gardella para o Museu de Arte Moderna de Milão, entre outros.
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O termo “museu laboratório” começou a aparecer nos textos em que Pietro Maria Bardi apresenta o MASP após Lina Bo Bardi ter desenvolvido o projeto para a sede definitiva do museu na Avenida Paulista, em 1957, a fim de ocupar a esplanada do Trianon no novo centro da cidade. Podemos deduzir que nesse momento Bardi associava ao projeto de museu que idealizara para o MASP desde o início de sua atividade na Sete de Abril, ainda sem um projeto de arquitetura que o representasse, a dimensão urbana existente na proposta de Lina para a sede definitiva, compreendendo seu sentido amplo, que abrange a arquitetura que possibilita as experiências desenvolvidas pelo museu e a arquitetura deste museu para a cidade.
O projeto de Lina Bo Bardi para o museu na cidade de São Vicente já antecipava essa proposta e apresentava algumas soluções que seriam adotadas para o projeto da sede definitiva do MASP. O projeto traduzia, segundo Bardi, a experiência de ambos à frente do MASP na Sete de Abril: exposições didáticas e temporárias, cursos, envolvimento com a comunidade local. O edifício elevado e transparente que possibilita exposições em seu interior e pátios ao ar livre, integrando-se com a paisagem e a especificidade do lugar, requereria em seu programa a abertura para as características e práticas da produção local:
“Alternará exposições de arte pura, do passado e do presente, com exposições das assim chamadas ‘artes menores’ e, sobretudo de ‘artes industriais’. E além disso, conta poder, ao fim de algum tempo incluir na atividade artística e artesanal das exposições, expondo-as também, as atividades típicas, os resultados de algum valor do trabalho artesanal, industrial e artístico da própria população, de forma a suscitar a emulação e criar valores, coisas belas, úteis, precisas, bem feitas. Traremos o mundo para a cidade, e depois incluiremos o povo da cidade no mundo. Pensamos que nisso consiste difundir a civilização.” 64
Essa proposta de ação museológica que visa a formação das pessoas e contribui para intensificar a produção artística, tornando-as participantes desse processo que é a construção do ambiente, esteve presente na ação dos Bardi junto aos museus que idealizaram nesse primeiro momento no país e a arquitetura é parte desse movimento. Ao apresentar a proposta para o museu de São Vicente, Pietro Maria Bardi lança a seguinte pergunta: “como será o edifício específico no qual o museu moderno poderá propiciar a sua estável e contínua lição?” Como já havia feito em seu primeiro texto, ao apresentar o MASP na Sete de Abril, Bardi aponta o problema da necessária adequação da arquitetura de um museu à sua função, devendo ser esta arquitetura representativa de sua época e cumprir com uma responsabilidade moral, atribuindo à arquitetura do museu a tarefa de ser ela própria matéria da educação de uma comunidade.65
64 “Balanços e perspectivas museográficas: um museu de arte em São Vicente”. Habitat n. 8, 1951, p. 5. 65 Idem.
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Já no texto de 1946, “Um Museu fora dos Limites”, citando Paul Valéry em “Eupalinos”, Bardi afirma a nova função que os museus deveriam ter na cidade: “Há monumentos mudos, há monumentos que falam, há monumentos que cantam. A tarefa de um museu deve ser a de fazer ressoar, interpretar com perspicácia e técnica adequada os monumentos que cantam: assim serão evitados os riscos de sentimentalismos inúteis, de neutralidades muito perigosas, as educações híbridas e o ecletismo”.66
Maquete do Museu de Arte para São Vicente, de Lina Bo bardi Fonte:
Trata-se de um discurso do período, e que esteve presente nos principais debates que ocorreram no CIAM em que o MASP foi citado como exemplo de museu. A concepção de “monumento” presente no texto de Bardi se encontra em sintonia com as propostas definidas nesse momento, que conferem à arquitetura um caráter de participação na cidade, que seria antes de tudo “cívico” e não o monumental compreendido no sentido “grandioso” e “elefantíaco”, como também dirá Lina Bo Bardi ao abordar o tema da monumentalidade ao descrever o projeto do museu na Avenida Paulista.67 Esse princípio pode ser encontrado nas
colagens realizadas por Lina para ilustrar os espaços expositivos do futuro museu no Trianon, os quais, como já havia projetado para o museu em São Vicente, revelam a ideia de museu já presente no primeiro MASP: ao reunir todas as artes e afirmar que o espaço do museu é o local de experimentação das diversas formas de integrar a arte à vida, a sua arquitetura não o isola como um mundo à parte, ao contrário, o insere na cidade.
66 TENTORI, Francesco. P.M. Bardi. São Paulo: Instituto Lina Bo e P. M. Bardi, 2000. p.188.