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Através de pesquisa documental e exploratória, é possível demonstrar que existem - ainda que pesem as imprecisões devido à falta de consenso quanto à determinação da habitação coletiva popular em áreas centrais55 - pessoas vivendo

precariamente na área central de Campinas, apesar do foco do déficit habitacional concentrar-se nas áreas periféricas. Os inúmeros hotéis e pensões populares existentes, onde se observa pessoas vivendo de modo precário e em condições muito próximas àquelas que determinam os atuais cortiços, não são assim classificados, tornando a estimativa equivocada. O mesmo se dá em relação à quantificação da população residente em tais condições cuja maioria é classificada como “transitória” e não aparece em dados censitários, ainda que “transitem” pelos mesmos tipos de moradia na área central. Em contraposição à idéia de esvaziamento da área central56

, observa-se a apropriação dos imóveis desocupados e degradados por parte da população pobre, como noticiado nos principais jornais televisivos e impressos da cidade57

.

O perímetro adotado para estudo (Fig. 17) baseou-se na primeira planta cadastral de Campinas, levantada em 1929, na gestão do então prefeito Orosimbo Maia, e contempla significativa parte dos bens tombados ou em estudo de tombamento pelo Condepacc, incluindo a poligonal estabelecida como Centro Histórico pelo Decreto nº. 10.424 de 06 de maio de 1991. O primeiro recorte espacial adotado para a pesquisa compreende o perímetro delimitado pela Avenida Aquidaban, Rua Irmã Serafina, Avenida Anchieta, Rua Guilherme da Silva, Avenida Julio de Mesquita, Rua Olavo Bilac, Rua Carlos Guimarães, Avenida Orosimbo Maia, Rua Jorge Krug, Avenida Barão de Itapura, Rua Dr. Ricardo, Rua Lidgerwood e Avenida dos Expedicionários. Quatro subáreas compõem este perímetro, divisão adotada

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Segundo Piccini (1999), a quantificação deste tipo precário de habitação é problemática, seja pela falta de pesquisas sistemáticas ou pela conceituação dessa modalidade de moradia. As pesquisas e os censos não são suficientes para determinar os períodos de redução e de crescimento da população dos cortiços nas áreas centrais e mesmo no conjunto da cidade.

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Os dados demonstram que “ao longo dos últimos 30 anos houve um aumento da desocupação de

imóveis em bairros mais centrais e bem mais aparelhados de infra-estrutura” (MORETTI e JANUZZI,

2002: p.285), apresentando uma crescente deterioração física das construções, apesar da demanda de uso, comprovada pelo forte mercado rentista atuante na área. Reforçando tal idéia de tendência de esvaziamento, um estudo sobre a Estruturação Territorial do município, integrante do processo de revisão do Plano Diretor, em 2004, apontou um decréscimo de população da Área Central da ordem de 10,17%, entre 1991 e 2000, com taxas anuais negativas de 1,13% em média.

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também para os “Estudos de Inventário da Região Central de Campinas”, finalizado em 2008, através da Coordenadoria Setorial do Patrimônio Cultural (CSPC), setor ligado à Secretaria da Cultura de Campinas. Para a presente pesquisa foram acrescidas outras duas subáreas: porção da Vila Industrial, localizada além da Estação Ferroviária Paulista, e porção localizada além da Estação Ferroviária Mogiana, conforme o mapa a seguir (Fig. 17). A adoção do mesmo perímetro utilizado pela CSPC justifica-se por delimitar área homogênea com grande concentração de prédios antigos de interesse histórico-arquitetônico, alvo de intervenções urbanas na área58. As duas áreas acrescidas justificam-se pela tentativa de avaliar a existência de

habitação coletiva popular, que se apresentam ora como cortiços, ora como hotéis e pensões, na área situada além da linha férrea59. Destaca-se, neste sentido, o parque

ferroviário enquanto barreira de difícil transposição, que desde sua implantação separa o Centro e a região Sudoeste do município – “lugar de cortiço, oficinas, matadouro, curtumes, lazaretos, vilas operárias, indústrias” (BITTENCOURT, 2000: p.134) - como sendo a contenção de uma apropriação mais massiva do Centro, por parte da classe de renda mais baixa, que já a utiliza enquanto local de trabalho, compras e acesso à equipamentos públicos educacionais e de saúde.

58 Embora vários nomes sejam dados às intervenções urbanas em áreas centrais, é possível aglutinar

esses processos sob duas definições: renovação e reabilitação urbanas. Maricato (2001, p. 126) evidencia que, a renovação urbana tem como objetivo a substituição de “edificações envelhecidas,

desvalorizadas, que apresentam problemas de manutenção, por edifícios novos e maiores” com

demolição, aglutinação de terrenos contíguos e aumento da ocupação do solo. Já a reabilitação urbana é marcada pelo esforço em manter o tecido urbano o mais inalterado possível, com ímpeto por preservar a estrutura fundiária, o parcelamento do solo, as edificações pré-existentes, os usos e a população da área. A reforma necessária na infra-estrutura existente para adaptá-la a novas necessidades procura não descaracterizar o ambiente construído herdado e busca fazer “intervenções mínimas” nos edifícios, indispensáveis para garantir conforto ambiental, acessibilidade e segurança estrutural.

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A Vila Paulista, juntamente com outros bairros localizados no vetor sudoeste do município, apresentava em 2000, o maior número de responsáveis por domicílio com renda de até meio salário mínimo (Censo IBGE/PNAD 2000.

Figura 18 – Perímetro de Estudo e suas respectivas áreas Fonte: Arquivo pessoal

A área denominada Área 160 caracteriza-se pela presença predominante de

comércio de grande porte, com instalação de grandes redes de lojas junto às vias de fluxo intenso de veículos automotores e pedestres. É uma área muito bem atendida

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Delimitada pela Rua Orozimbo Maia (à noroeste), Avenida Anchieta (à leste), Avenida Dr. Moraes Sales (ao sul), Avenida Senador Saraiva (à oeste).

pelos serviços públicos, principalmente no que se refere ao transporte coletivo. A área ainda apresenta comércio de pequeno e médio porte concentrados nas vias de menor fluxo, que, em geral, funcionam em antigos edifícios de dois pavimentos. Nestes, o segundo pavimento, que até pouco tempo funcionava como moradia, atualmente destina-se ao estoque das próprias lojas, à locação de salas, ou está abandonado. Assim, entende-se esta área como sendo a mais dinâmica e de caráter mais voltado ao comércio e aos serviços, onde notadamente encontram-se, inclusive, as oportunidades de empregos que a população de baixa renda busca.

O processo de verticalização já é bastante consolidado nesta área. Diversos edifícios altos estão sendo construídos, em geral, para uso empresarial. Os edifícios mais antigos ainda conservam seu uso residencial, embora já existam alguns inteiramente vazios. As quadras mais próximas da Avenida Senador Saraiva, do “camelódromo” e terminal de ônibus urbano, são caracterizadas como zona de transição das áreas envoltórias para esta porção mais dinâmica do centro da cidade em termos de tipologia e gabarito de edifícios, uso e ocupação do solo, intensidade de fluxos de pessoas e veículos automotores. Entre eles, destaca-se o grande fluxo dos veículos utilizados no sistema público de transporte coletivo, que é feito por ônibus e vans, sendo esta a área mais bem atendida por este serviço.

As ruas mais largas, de traçado ortogonal, são asfaltadas e apresentam fluxo intenso de pessoas e veículos automotores. Há ainda algumas vias mais estreitas, onde se mantém o paralelepípedo, de baixo fluxo de veículos, sendo nelas predominante o fluxo de pedestres. Nestes locais, de menor movimentação, encontramos focos de habitações coletivas precárias. A área ainda concentra boa parte dos mais importantes edifícios tombados como patrimônio histórico da cidade.

Seguindo a tendência de áreas centrais metropolitanas, boa parte dos edifícios da área encontram-se vazios, com alto grau de degradação e sendo sistematicamente invadidos por moradores sem teto, recém-chegados de outros estados – principalmente da região nordeste do país – ou vindos de bairros periféricos, distantes de seus locais de trabalho. Outro fato bastante característico são as constantes demolições de edifícios antigos – alguns de interesse histórico-arquitetônico –, para dar lugar a inúmeros estacionamentos e edifícios comerciais e empresariais.

No entorno desta porção mais dinâmica do centro encontram-se áreas com predominância de edifícios residenciais, de fluxo menos intenso de veículos automotores, com bolsões de comércio e prestação de serviços especializado, com

menor grau de verticalização, e que se interconectam diretamente à Área 1, pelas possibilidades que a mesma oferece. São áreas que trazem algumas especificidades, importantes de serem destacadas para melhor entendimento do perímetro de estudo.

A subárea denominada Área 261

(Fig. 28), tem como principais eixos viários a

Avenida Andrade Neves, Rua Onze de Agosto e Avenida Senador Saraiva no sentido noroeste-sudeste, e Rua Benjamim Constant e Avenida Dr. Campos Sales no sentido sudoeste-nordeste, com grande fluxo de veículos e tráfego de transporte público coletivo. Apresenta ainda o “Calçadão 13 de Maio” com comércio e serviços formais e informais voltados para classe de renda média-baixa e baixa. A tipologia predominante é de edifícios de até dois pavimentos, em geral com comércio e prestação de serviços no térreo e habitações no pavimento superior.

Esta área pode ser dividida em três partes distintas, a partir de algumas características observadas. A linha divisória é a Avenida Andrade Neves. De um lado tem-se comércio e serviços para atendimento local, onde se concentra a população moradora da área. A movimentação é menos intensa e predominantemente feita por pedestres. Nos últimos meses tem-se observado mudanças em alguns aspectos da área – como estado de conservação de fachadas e pavimentação de passeio público – que passou a ser caminho para o novo Terminal Rodoviário, inaugurado em 2008. Do outro lado da avenida, observamos a predominância do uso comercial e de serviços do tipo especializado, com a presença de

dois grandes bolsões especializados – saúde e automotivos –, e um fluxo considerável de veículos. A partir do calçadão, em direção ao “camelódromo” localizado abaixo do Viaduto M.V. Cury, encontramos uma concentração de prostíbulos e “casas de show”. Há muito fluxo de pessoas, já que a área é local de passagem e acesso ao “camelódromo”, além dos próprios moradores e freqüentadores da área.

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Delimitada pela Avenida Barão de Itapura e Rua Saldanha Marinho (ao norte), Avenida Senador Saraiva (à leste), Estação Ferroviária Paulista (à sul) e Rua Dr. Ricardo (à oeste).

Figura 19 – Hotel popular com presença de atividades ligadas à prostituição

Rua Ferreira Penteado, nº 80 Arquivo pessoal – 22 de janeiro de 2008.

É uma área que, apesar da proximidade com a porção mais dinâmica do centro da cidade, ainda conserva características de uma área predominantemente residencial, pelas características das edificações e da maior parte das ruas, a não ser pelos corredores viários que ligam a área às outras regiões da cidade.

O comércio de locação de cômodos e vagas apresenta-se em sua maior parte em edifícios do tipo pensão e hotéis populares. A identificação de tais usos é feita por meio de anúncios junto à fachada, através de letreiros ou placas mais simples. Há ainda aqueles edifícios que não se identificam como tais, embora seja de conhecimento da população local que ofertem vagas ou cômodos. A área apresentou, segundo pesquisa de campo realizada “in loco”, 83 habitações coletivas – dentre as quais se classificam os cortiços, pensões e hotéis populares informais e edifícios invadidos62

–, 40 edifícios degradados e/ou vazios, 36 hotéis aparentemente “mais formalizados63” e 57 estacionamentos particulares (cf. Fig. 28).

A subárea denominada Área 364

(Fig. 29) tem como principais eixos viários a

Avenida Barão de Itapura, onde se concentram agências bancárias e serviços ligados à saúde; a Rua José Paulino, que corta a área no sentido noroeste-sudeste; e a Rua Dr. Delfino Cintra que corta a área no sentido leste-oeste. As duas últimas acabam por configurar três áreas bastantes distintas.

A primeira, que fica entre a Rua Saldanha Marinho e a Rua Dr. Delfino Cintra, apresenta maior grau de degradação, população de mais baixa renda, com alguns focos de habitações coletivas precárias e imóveis vazios e/ou degradados, principalmente junto às passagens existentes, destinadas à pedestres, que ligam a área à porção mais dinâmica do centro da cidade, na altura do Mercado Municipal. Apresenta

alguns edifícios altos de uso residencial, principalmente junto à Rua Culto à Ciência, porém é predominantemente ocupada por casas de até dois pavimentos, igualmente

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As diferentes configurações de habitações coletivas precárias serão caracterizadas no Capítulo 3.

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Que apresentam anúncios indicativos de uso junto à fachada, através de letreiros, inclusive do tipo luminoso.

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Delimitada pela Rua Jorge Krug (ao norte), Avenida Orozimbo Maia (à leste), Rua Saldanha Marinho (à sul) e Avenida Barão de Itapura (à oeste).

Figura 20 – Edifício à venda, com destaque as aberturas vedadas

Rua Barata Ribeiro x Rua Barão de Atibaia Arquivo pessoal – 24 de setembro de 2008.

de uso residencial. A segunda área situada entre a Rua Dr. Delfino Cintra e a Rua José Paulino, é bastante verticalizada e também predominantemente residencial. Volta-se para a classe de renda média e média-alta, com grande fluxo de automóveis. Nesta área localiza-se um dos edifícios altos e inacabados invadidos há mais de 10 anos por população de baixa renda que será tratado no Capítulo 3. A terceira área, compreendida entre a Rua José Paulino e a Rua Jorge Krug, é caracterizada pela presença de agências bancárias e serviços ligados à saúde, além de restaurantes, comércio e serviços de médio e alto padrão, pela predominância de edifícios de até dois pavimentos de uso residencial, com destaque para os outros dois outros edifícios altos inacabados também invadidos, identificados pela pesquisa. Nesta área também nota-se a presença em número relevante de imóveis disponíveis para locação deflagrando o abandono da área por parte da classe de renda média-alta e alta. A área apresentou, segundo pesquisa de campo realizada “in loco”, 19 habitações coletivas, 17 edifícios degradados e/ou vazios, 3 hotéis aparentemente “mais formalizados” e 41 estacionamentos particulares (cf. Fig. 29).

A área denominada Área 465 (Fig. 30), apresenta ruas dispostas no sentido

norte-sul que se configuram eixos de ligação com a porção mais dinâmica do centro da cidade. A conexão com a Área 2 se

dá pelo “camelódromo” implantado junto ao Viaduto M.V. Cury, por baixo de suas alças viárias, numa espécie de labirinto que abriga moradores de rua, o tráfico de drogas, o mau cheiro, apesar da organização imposta pelo projeto para as barracas de venda de produtos. Nota-se também o grande número de estacionamentos particulares.

A Avenida Aquibadan configura- se via de difícil transposição bastante larga e de fluxo intenso. Em um de seus lados encontra-se um “paredão” de grandes edifícios com concentração de

redes hoteleiras de grande porte. A Avenida Senador Saraiva se configura “costas” ou

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Delimitada pela Avenida Moraes Salles (ao norte), Rua Irmã Serafina (à leste), Avenida Aquibadan (à sul) e Avenida Senador Saraiva (à oeste).

Figura 21 – Concentração de redes hoteleiras Av. Aquibadan

“fundos” da área, com pouco movimento de pedestres ou tráfego local, e fluxo intenso e rápido de veículos devido ao acesso ao viaduto. Ali se encontram casas muito degradadas habitadas coletivamente, intercaladas por terrenos ocupados pelos próprios moradores como “garagem” de carrinhos utilizados para recolhimento de material reciclável. O mau cheiro é notável junto a estas áreas de depósito de lixo, assim como a presença de animais. Este ponto se configura foco de habitações coletivas precárias. A topografia apresenta certas irregularidades, sendo a Rua Barão de Jaraguá um ponto mais baixo, com as ruas perpendiculares subindo a partir dela em direção à Rua Irmã Serafina.

Nesta área de estudo não observamos placas ou outras formas de anúncio que apresentem tais edificações como pensões ou hotéis populares. Foi necessário um tempo maior de observação de fluxo de pessoas entrando e saindo de tais lugares, além de uma aproximação e contato com alguns moradores, que aí sim, apontaram para a existência de comércio de locação de “vagas” ou leitos.

A região próxima ao camelódromo tem comércio voltado às classes populares. Apresenta grande fluxo e movimento de pedestres, muito barulho, anunciantes em alto-falantes e concentração de edifícios degradados e vazios. O centro da área se caracteriza pelo comércio especializado de lojas e serviços voltados para noivas e festas de casamento em geral, mas ainda num padrão popular, sendo a Rua José Paulino a mais característica. Isso se dá até a Avenida Francisco Glicério – via mais larga, asfaltada, de tráfego intenso e bastante verticalizada. A partir desta avenida, nota-se outro padrão tanto no comércio como nos demais usos. O ponto alto se dá junto à Rua Irmã Serafina, com a Casa de Saúde Campinas, edifício muito imponente, de grande valor arquitetônico, patrimônio histórico tombado. Junto a este, encontram- se outras edificações de menor porte, mas de igual valor arquitetônico, utilizados por clínicas e demais serviços de apoio. Já começa a se notar no local a demolição destes conjuntos de casas de valor histórico e arquitetônico para a construção de modernos edifícios comerciais.

O ponto de conexão desta área com a região vizinha – que não é contemplada pelo perímetro de estudo – é o Largo de São Benedito, grande praça arborizada, que atende também à creche Bento Quirino e à EEPG Francisco Glicério, dois equipamentos educacionais que funcionam em edifícios também tombados como patrimônios históricos. Do outro lado da praça observam-se grandes edifícios residenciais. Aliás, a verticalização é um ponto bastante notável, principalmente junto

às vias de maior circulação e junto às duas praças – Largo do São Benedito e Largo do Pará. O uso em geral se dá com comércio instalado no pavimento térreo (pequenas lojas) e as unidades habitacionais nos pavimentos superiores. Isso ocorre tanto nos edifícios de 2 a 4 pavimentos, como nos mais altos, de 15 a 20 pavimentos. Observamos que tais edifícios residenciais foram construídos nas décadas de 1960 e 1970, sendo constituídos por pilotis, grandes esquadrias envidraçadas, estrutura marcante e revestimentos tais como a pastilha. Nos prédios mais novos observamos o acréscimo da garagem em dois ou três pavimentos.

A área apresentou, segundo pesquisa de campo realizada “in loco”, 24 habitações coletivas, 36 edifícios degradados e/ou vazios, 3 hotéis aparentemente mais formalizados e 96 estacionamentos particulares (cf. Fig. 30).

Quatro edificações localizadas na Rua Irmã Serafina, entre a Rua General Marcondes Salgado e Avenida Aquibadan, deflagraram outro foco de habitações coletivas precárias. Neste, a partir de questionamentos junto aos moradores, encontramos Dona Rosa, administradora

das quatro “pensões” e também moradora de uma delas, que apontou como proprietária dos imóveis uma advogada, que inclusive mora em um dos prédios residenciais de médio-alto padrão junto ao Largo do São Benedito, há duas quadras dali. Nesta área de estudo localizam-se duas creches: a Creche Bento Quirino, já mencionada, e a Casa Pão dos Pobres, que atendem famílias moradoras dos cortiços, inclusive das demais áreas de estudo.

Em entrevista com a Assistente Social da Creche Bento Quirino, obtivemos a informação que a creche, que deveria atender prioritariamente à população da área central, atende também crianças de bairros localizados na periferia de Campinas. Nesta creche, com cerca de 300 crianças, apenas 20% são moradoras da área central, sendo algumas moradoras de cortiços. A assistente social aponta a falta de sistematização de dados sobre esta população, que é transitória, como uma das causas para esta contradição. Diz que estas crianças nem aparecem em dados

Figura 22 – Concentração de habitações coletivas precárias

Rua Irmã Serafina, nº249 a 257 Arquivo pessoal – 17 de setembro de 2008.

censitários, pois vagam de uma “pensão” para outra, ou, muitas vezes, são “escondidas” por seus pais, que as utiliza para aumento da renda familiar. Muitas crianças trabalham junto de seus pais no recolhimento de materiais recicláveis, como “flanelinhas” e guardadores de carros e quando localizadas pelas entidades de fiscalização e combate ao trabalho infantil, são encaminhadas à creche.

Outro ponto importante colocado pela assistente social é a justificativa de atendimento a tantas crianças moradoras de bairros distantes, que se fundamenta no local de trabalho de seus pais: a área central. Em geral, as mães são “domésticas” ou trabalham na limpeza dos estabelecimentos comerciais localizados na área central. Saem de suas moradias muito cedo para poderem chegar ao local de trabalho no horário comercial e são obrigadas a deixar seus filhos na creche mais próxima ao seu local de trabalho, já que quando saem de suas casas, as creches próximas, quando

Benzer Belgeler